BULGULAR VE YORUM
4.3. Üniversite Öğrencilerinin Romantik İlişkilerden Beklentilerine Dair Farkındalıklarının Çeşitli Demografik Değişkenler Açısından İncelenmesine Farkındalıklarının Çeşitli Demografik Değişkenler Açısından İncelenmesine
4.3.7. Romantik ilişkisi olan üniversite öğrencilerinin ilişki kurduğu romantik eşle tanışma şekillerine göre romantik ilişkilerden beklentilerine dair
Mercados financeiros têm um papel único na intermediação entre poupanças e investimentos e são determinantes para o crescimento econômico das empresas, para o financiamento de governos e para a organização financeira das pessoas. Os mercados financeiros são hoje interligados a todas as atividades econômicas, exercem influência sobre quase toda a vida das sociedades modernas do planeta e do funcionamento adequado desses mercados depende a produção de quase todas as mercadorias e a geração de empregos. As instituições e as transações financeiras tornam-se cada vez mais complexas e interconectadas, o que implica que qualquer alteração de grandes dimensões no funcionamento desses mercados exerce impactos econômicos, sociais e ambientais, direta ou indiretamente sobre toda a sociedade. (MAGALHÃES, 2010).
O setor financeiro brasileiro, com diversos conglomerados e instituições independentes, caracteriza-se por uma grande capilaridade – dados cadastrais do Bacen indicam que dos 5.587 municípios no território nacional, em dezembro de 2013, apenas 242 não possuíam ou agência ou posto de atendimento bancário (BACEN, 2014a). O setor, não obstante à grande penetração em todo o território nacional, opera com grande concentração – constituído por 155 bancos em dezembro 2013 (BACEN 2014b), dez dos quais respondendo por 80% dos ativos totais do sistema e 75% do patrimônio líquido. O Itaú Unibanco, objeto desta pesquisa, representa cerca de 15% do setor em patrimônio líquido e atua em municípios de todas as regiões do Brasil. É o segundo maior banco em ativos totais, e o primeiro em patrimônio líquido BACEN 2014c,d).
O setor financeiro não é considerado de alto impacto ambiental, mas pode, através dos projetos e empresas que financia ou com as quais se relaciona, tornar-se um veículo de propagação ou contenção de impacto ambiental e social.
Quando aplicado ao setor financeiro, o conceito de sustentabilidade não se limita às iniciativas de ecoeficiência nem deve ser confundido com atividades de cunho social desenvolvidas pelas instituições. Mais propriamente, remete à necessidade das instituições de integrar a perspectiva sustentável à sua própria missão e às suas estratégias, passando então a adotar critérios socioambientais, além de econômico-financeiros, nos processos de tomada de decisão no âmbito dos negócios. Implica, ainda, analisar as empresas clientes de outro modo, considerando os eventuais impactos socioambientais causados por suas atividades e a qualidade de sua gestão nesse sentido.
O papel do setor financeiro como indutor de práticas de sustentabilidade empresarial é considerado estratégico desde as primeiras discussões sobre desenvolvimento sustentável em nível global. Quando são aplicadas restrições baseadas em critérios socioambientais, não é difícil compreender a força de persuasão das instituições detentoras dos recursos sobre aquelas que precisam adquiri-los. (MATTAROZZI; TRUNKL, 2008. p.16).
Neste contexto, Lins e Wajnberg (2007), consideram que os bancos, como catalisadores do desenvolvimento sustentável, podem criar valor para seus acionistas através de práticas que contribuem para o desenvolvimento sustentável. Descrevem algumas destas práticas que consideram relevantes, sem a pretensão de constituir uma lista exaustiva sobre o assunto:
avaliação de riscos socioambientais em financiamentos - ao condicionar a concessão de crédito ao nível de risco socioambiental dos projetos ou empresas financiados, seja exigindo a implantação de planos de gerenciamento e contenção de riscos, ou até mesmo negando o financiamento, o banco, além de reduzir seu risco de crédito, contribui para implantação e operação de projetos com mitigação de riscos socioambientais. Citam como exemplo a concessão de crédito para empresa do setor de petróleo, onde o risco de derramamento de óleo pode ser grande, e como consequência, pode vir a ter que lidar com
passivo ambiental que comprometa sua capacidade de honrar o compromisso de crédito;
crédito responsável - práticas das atividades de empréstimos e financiamentos que atuam de forma a melhorar a situação financeira do cliente, ao invés de prejudicá-la. Envolve, em primeira análise, o empréstimo de quantias, taxas de juros e prazos adequados ao perfil do cliente, levando em consideração a capacidade do cliente de honrar suas dívidas, cuidando para que o cliente não comprometa grande parte de sua renda com um financiamento que em determinado momento não poderá honrar;
microcrédito: concessão de crédito para o financiamento de pequenos empreendimentos, para classes de baixa renda que não têm acesso às linhas tradicionais de crédito e que normalmente não têm bens materiais ou vínculos empregatícios que sirvam de garantia. A verba é concedida a um grupo de indivíduos, com o objetivo de criação de atividades geradoras de renda. A garantia é solidária, dada pelo próprio grupo, fazendo com que cada um se fiscalize e ajude no desenvolvimento de suas atividades. O microcrédito estimula o desenvolvimento social e econômico da região onde é concedido;
fundos socialmente responsáveis - são carteiras compostas somente por títulos de empresas geridas de acordo com as melhores práticas de governança e sustentabilidade corporativa. Tais aplicações consideram que empresas sustentáveis geram valor para o acionista no longo prazo, pois estão mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais;
financiamentos socioambientais - bancos podem contribuir com a disponibilização de linhas de crédito para projetos de natureza socioambiental, oferecendo condições comerciais mais atraentes, seja nas taxas de juros, prazos mais longos, ou até mesmo descontos no valor do principal. Como exemplo, citam financiamentos para projetos de redução de resíduos sólidos ou emissão de efluentes, troca de combustível líquido por gás natural, financiamento para aquisição de veículos para pessoas com deficiências e financiamentos para o plantio
de eucalipto para pequenos produtores rurais (e a consequente proteção de reservas nativas);
mercado de carbono - o Protocolo de Kyoto, firmado em 1997, com objetivo de colocar metas de redução das emissões de gases efeito estufa (GEE) por parte dos países considerados mais poluidores, previu mecanismos de mercado pelos quais poderia haver compensação eventual de metas não cumpridas. Destaca-se o Mecanismo Desenvolvimento Limpo (MDL), que incentiva a implantação de projetos que permitem a redução da emissão de GEE, gerando crédito de carbono, que pode ser comercializado. Citam como exemplo projetos para a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis, captação de metano em aterros sanitários, florestamento e reflorestamento de área degradadas, dentre outros. Os bancos podem atuar no financiamento destes projetos, na comercialização do crédito de carbono, e até assessorar o enquadramento dos projetos no padrão MDL;
seguros ambientais - o produto consiste na cobertura de gastos gerados por atividades poluidoras, relacionados, por exemplo a danos e perdas causados a terceiros, danos corporais e materiais, custo de limpeza e até mesmo custos judiciais, com papel compensatório no evento de um acidente ambiental. Os autores consideram que as seguradoras teriam um papel de redutores deste risco, exigindo das seguradas ações para a redução dos riscos identificados na análise da contratação do seguro.
Estas práticas citadas são relacionadas às atividades fins, geradoras de receitas para os bancos. Embora o impacto direto das atividades do setor financeiro seja consideravelmente limitado se comparado ao de seus clientes corporativos, não deve ser preterido, e a gestão socioambiental das atividades internas das instituições do sistema financeiro são de fundamental importância. Mattarozzi e Trunkl (2008 p.35) consideram que o primeiro passo para a incorporação da sustentabilidade aos negócios é a determinação de fazê-lo. Integrar o conceito à missão e à estratégia da organização, de tal forma que o compromisso com os critérios socioambientais passe a fazer parte de sua
cultura, sendo reconhecido pelos funcionários, clientes, acionistas, fornecedores e pelo público em geral.
Como algumas medidas de gestão interna da sustentabilidade nos bancos, Lins e Wajnberg (2007), mencionam:
ecoeficiência - utilização sustentável de recursos naturais, destacando, no caso dos bancos, o consumo de papel e tinta, considerando o alto grau de utilização em correspondências bancárias, formulários, relatórios, contratos e documentos em geral; e demais recursos como água e energia elétrica;
critérios socioambientais na seleção de fornecedores – grande número de fornecedores atendem às instituições do setor financeiro. Engajar estes fornecedores em práticas sustentáveis pode ser de grande relevância, tanto melhorando a qualidade dos serviços prestados à instituição financeira, a produtividade e, consequentemente, seu resultado financeiro, além de contribuir para a imagem da instituição. O relacionamento deve ser recíproco; é importante que os bancos atuem de forma sustentável com estes fornecedores, em algumas situações, arcando com preços mais elevados;
segurança da informação – a virtualização do dinheiro está possibilitando grande aumento da quantidade de informações que os bancos possuem acerca dos hábitos de consumo de seus clientes, representando riscos à privacidade e segurança dos mesmos;
prevenção à lavagem de dinheiro – no Brasil é uma obrigação legal prevista na Lei 9.613/98;
diversidade – vista como um desafio da sustentabilidade, tanto por riscos no caso de descumprimento de metas legais, quanto na gestão da diversidade como geradora de benefícios para a instituição.
Na publicação do Instituto Ethos (vários autores, 2000, p. 25), a diversidade é considerada como um fator de sucesso nas empresas:
Diante da tendência de disponibilidade cada vez maior de recursos tecnológicos, a vantagem competitiva de uma empresa será determinada em grande medida pela quantidade da relação que ela mantém com as pessoas, interna e externamente. E essa qualidade
está diretamente relacionada ao problema da inclusão ou exclusão de diferentes grupos sociais, com suas múltiplas culturas, visões de mundo e estilos de trabalho.
Considerando a abrangência de atuação do setor financeiro junto a clientes dos mais variados setores da economia e da sociedade, além da atuação de muitas instituições em todo o território nacional e até internacional, a diversidade no quadro de colaboradores das instituições financeiras consolida a representatividade de seus stakeholders, tornando mais eficiente a interlocução dos bancos com seus clientes e fornecedores.
Iniciativas direcionadas ao setor financeiro para a difusão de práticas de desenvolvimento sustentável têm sido lançadas e adotadas por diversas instituições.
O fórum mundial de finanças no âmbito da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (United Nations Environment Programme Finance Initiative – Unep-FI), criado em 1992, e atualmente (julho 2014) com mais de duzentos membros, tornou-se importante referência global sobre finanças sustentáveis e é voltado a entender as consequências sociais e ambientais das atividades financeiras, nas áreas bancária, de investimentos e de seguros. O mote do programa, citado em sua missão, é “changing finance, financing change”. (UNEP-FI, 2014).
O Unep – FI contribuiu para o lançamento dos Princípios para o
Investimento Responsável (PRI) das Nações Unidas – 2006, que consideram que seus membros, como responsáveis subsidiários de seus beneficiários, devam levar em consideração a governança corporativa, social e ambiental (Environmental, Social and Corporate Governance – ESG) na gestão dos investimentos nos portfólios. O Unep - FI desenvolveu os Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI) – 2012, que fundamentalmente trata da inclusão de questões ambientais, sociais e de governança na tomada de decisão nas atividades de seguros, com o objetivo de reduzir risco, criar soluções inovadoras, melhorar o desempenho nos negócios e contribuir para a sustentabilidade ambiental, social e econômica.
Em 1995 foi elaborado no Brasil o Protocolo Verde, inicialmente com adesão de bancos públicos federais; foi revisado em 2008, celebrando com o
Ministério do Meio Ambiente o Protocolo de Intenções pela Responsabilidade Socioambiental. Em 2009, foi assinado também pela FEBRABAN, com adesão de bancos privados.
Os signatários do protocolo comprometem-se a financiar o desenvolvimento com sustentabilidade, por meio de linhas de crédito e programas que promovam a qualidade de vida da população e proteção ambiental. Os bancos participantes também reconhecem que podem cumprir papel fundamental na orientação de investimentos privados que pressuponham preservação ambiental e contínua melhoria do bem-estar da sociedade. (BNDES, 2011 p. 125).
Em 1999 foi lançado o primeiro referencial global de performance financeira de empresas líderes em sustentabilidade – o Dow Jones Sustainability Index – DJSI – composto por ações de empresas classificadas como sustentáveis segundo critérios econômicos, sociais e ambientais. Apenas 10% das melhores classificadas por setor econômico são elegíveis para integrar o índice global. A revisão é periódica e as empresas devem continuamente intensificar suas iniciativas em sustentabilidade para serem incluídas ou mantidas no índice, dado que na seleção de empresas, integrar o índice não garante a manutenção no mesmo. Para o índice global de 2013, mais de 2.500 empresas foram analisadas. Há também índices regionais: Ásia, Austrália, Mercados Emergentes, Europa, Coréia e América do Norte, com critérios de seleção específicos. (ROBECOSAM, 2013).
Em 2003, dez grandes bancos de diversos países lançaram os Princípios do Equador (Equador Principles – EPs), orientados nas políticas socioambientais do braço financeiro do Banco Mundial, a International Finance Corporation - IFC. O objetivo dos Princípios do Equador é a avaliação de riscos sociais e ambientais de projetos, inicialmente com valores acima de US$ 50 milhões. Em 2006 houve uma revisão para US$ 10 milhões, e abrangência também para consultoria financeira. Em junho de 2013 houve uma terceira revisão, ampliando o escopo para empréstimos corporativos, dos requisitos nas avaliações de riscos, além das informações a serem disponibilizadas nos relatórios. Atualmente (julho 2014) 80 bancos, de 34 países aderiram aos
Princípios do Equador. (MATTAROZZI; TRUNKL, 2008, p. 36-37 e EQUATOR PRINCIPLES, 2014).
Os bancos que aderem aos Princípios, conjunto de normas bastante complexo, comprometem-se a classificar o risco socioambiental dos projetos financiados aplicando critérios para avaliar questões que envolvem direitos humanos, saúde pública e segurança da comunidade, condições de trabalho e emprego, impactos em povos indígenas, conservação da biodiversidade, níveis de poluição, bem como realizando consultas às populações afetadas, entre outras práticas não menos importantes. (MATTAROZZI; TRUNKL, 2008, p. 36- 37 e EQUATOR PRINCIPLES, 2014).
Pela legislação brasileira, com base nos artigos 3º, 12º e 14º da Lei nº 6.938 de 1.981, as instituições financeiras podem ser responsabilizadas civilmente por danos causados ao meio ambiente quando atuam como poluidoras indiretas, nos casos de financiamentos de projetos de investimento; financiamento de atividades ou projetos na área de biotecnologia; como proprietárias de imóveis contaminados ou em desacordo com a legislação ambiental, oferecidos em garantia de empréstimos; e em financiamento imobiliário em áreas contaminadas. (MONDAINI, 2009).
Em dezembro de 2005, a Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa, (atualmente Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros – BM&FBovespa), em iniciativa pioneira na América Latina, lança o Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE, ferramenta para análise comparativa da performance das empresas listadas na Bolsa, sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa. Originalmente foi financiado pela International Finance Corporation (IFC). O desenho metodológico do ISE é de responsabilidade do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV – EAESP). A BMF&Bovespa, é responsável pelo cálculo e pela gestão técnica do índice, composto por até 40 empresas (dentre as 200 empresas mais negociadas na Bolsa). A inscrição para participação no ISE é voluntária.
Em 2010, a BM&FBovespa, em mais uma iniciativa visando à sustentabilidade, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), lançou o Índice Carbono Eficiente (ICO2), cujo balanceamento de carteira teórica considera o coeficiente de emissão de gases do efeito estufa (GEE) das empresas participantes.
A variação acumulada do ICO2, do seu lançamento até março de 2014, foi de 15,7%, enquanto o ISE variou no mesmo período 25,1% e o IBOVESPA10 teve uma variação negativa de 22,6%.
A valorização acumulada da carteira do ISE, desde o seu lançamento, até março de 2014, foi de 139,1% e no mesmo período, o IBOVESPA valorizou 58,0%, como ilustrado no Quadro 4
O retorno superior da carteira do ISE em relação à carteira do IBOVESPA não é suficiente para uma conclusão sobre a performance socioambiental das empresas. É um indicador, mas não pode ser analisado isoladamente. A análise deve se complementar com medidas de risco, como a volatilidade, que indica o risco de flutuação de preço de um ativo, além de uma análise mais detalhada da composição das carteiras dos referidos índices.
10
Ibovespa – Índice Bovespa é um indicador de desempenho médio das ações do mercado brasileiro. Retrata o comportamento dos principais papéis negociados na BM&FBovespa. Foi implantado em 1968.
Quadro 4
Evolução dos índices ISE e IBOVESPA - BM&FBovespa Data início : lançamento do ISE
mês
(último dia útil) ISE IBOVESPA
ISE valorização no período IBOBESPA valorização no período ISE valorização acumulada até o período IBOBESPA valorização acumulada até o período nov/05 1.000,00 31.916,76 dez/05 1.040,08 33.455,94 4,0% 4,8% 4,0% 4,8% dez/06 1.433,42 44.473,71 37,8% 32,9% 43,3% 39,3% dez/07 2.011,81 63.886,10 40,4% 43,6% 101,2% 100,2% dez/08 1.185,19 37.550,31 -41,1% -41,2% 18,5% 17,7% dez/09 1.972,04 68.588,41 66,4% 82,7% 97,2% 114,9% dez/10 2.087,30 69.304,81 5,8% 1,0% 108,7% 117,1% dez/11 2.018,94 56.754,08 -3,3% -18,1% 101,9% 77,8% dez/12 2.432,53 60.952,08 20,5% 7,4% 143,3% 91,0% dez/13 2.479,61 51.507,46 1,9% -15,5% 148,0% 61,4% mar/14 2.391,07 50.414,92 -3,6% -2,1% 139,1% 58,0% Fonte: BM&FBOVESPA - elaborado pela autora
Muitas das ações que compõem o ISE também compõem o IBOVESPA e consequentemente, participam do IBOVESPA empresas sustentáveis na metodologia ISE, impedindo uma comparação clara de quando a sustentabilidade agrega ao ISE. Outro ponto importante a ser analisado é o peso das ações da Petrobrás, que é uma das empresas de maior participação no IBOVESPA (12,1% com as ações ON e PN em março de 2014) - e portanto, com grande influência no seu resultado; compôs a carteira do ISE somente nos anos 2006 e 2007. Uma análise do IBOVESPA com exclusão da Petrobrás levaria a resultados bastante diferentes. A comparação com o IBOVESPA pode ser um indicativo de performance relativo a médias de mercado, porém não pode ser um indicativo de performance de sustentabilidade.
Rossi Jr.(2008) analisou uma amostra de empresas não financeiras e que compunham o ISE, no período de 2005 a 2007, comparando com empresas semelhantes, fora do índice. Concluiu que as empresas participantes do índice têm valor de mercado maior em 10% a 19% ao das empresas não participantes do índice, indicando que a adoção de políticas de sustentabilidade implica em um prêmio positivo no valor das empresas.
Esta pesquisa é citada no relatório ‘O valor do ISE’ (2012), da BM&FBOVESPA, que analisa alguns estudos que buscam quantificar os ganhos decorrentes de iniciativas voluntárias de sustentabilidade, como a participação da empresa no ISE.
Apesar de alguns estudos com indicadores positivos, como o de Rossi Jr. (2008), o relatório conclui que não há consenso na academia sobre o valor tangível gerado pelos investimentos em sustentabilidade empresarial, seja para as companhias ou seus stakeholders.
Entretanto, analisa trabalhos acadêmicos que identificam ganhos intangíveis que podem preceder ganhos tangíveis, tais como vantagem competitiva, ganho reputacional, possibilidade de exercer influência no ambiente regulatório, acesso ao conhecimento, criação de valor compartilhado, ou seja, geração de lucros que envolvem um propósito social, criando um ciclo positivo de prosperidade tanto para a companhia quanto para a comunidade. E
acrescenta que, de acordo com o Guia de Sustentabilidade da BM&FBOVESPA , 2010:
as “empresas sustentáveis” são mais capazes de identificar novas oportunidades de negócio, se antecipar a pressões legais da sociedade, reduzir os custos de produção, devido à diminuição de desperdícios e à economia de insumos, aumentar a atração e retenção de talentos, acessar capital mais facilmente, reduzir a exposição a riscos, fidelizar consumidores e melhorar o alinhamento interno com relação a práticas e políticas adotadas.
O sistema financeiro se desenvolveu com acentuado enfoque econômico e as iniciativas para as questões sociais e ambientais são, na sua maioria, voluntárias. Nas questões econômicas, a regulação é mais presente.
Segundo Costa (2011, p.11), o termo regulação é definido de forma ampla como sendo a utilização do poder legal coercitivo do Estado sob o domínio econômico, com intuito de restringir as decisões livres dos agentes, para alcançar um propósito específico.
Classifica as intervenções em três categorias:
regulação técnica, que engloba as questões de defesa da concorrência, organização da indústria e questões técnicas do produto;
regulação prudencial, que tem por meta gerenciar risco sistêmico, evitar corridas bancárias e seus custos e garantir estabilidade financeira;
intervenções macroeconômicas, ou de política econômica, cujo propósito é fazer a estabilidade do produto, controle de inflação e do desemprego.
O risco sistêmico, peculiaridade do sistema financeiro, é a possibilidade de que um choque localizado em algum ponto do sistema financeiro possa ser transmitido ao sistema como um todo e, eventualmente, levar ao colapso de toda a economia. Economias podem seguir funcionando quando qualquer um dos setores entra em declínio, mas dificilmente poderão fazê-lo se o setor atingido for o financeiro, ou mais precisamente, o setor bancário. (CARVALHO, 2005, apud TOSINI, 2013, p.184).
A atividade do sistema financeiro é fundamentalmente, gestão de riscos. Na rotina dos bancos, o monitoramento de diversos tipos de riscos embasa as decisões para a concessão de créditos, definição de volume, prazos, taxas e moedas para captar e emprestar os recursos, para o enquadramento legal das