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A constituição dos eixos de desenvolvimento econômico está estreitamente relacionada com as ações políticas tanto da esfera de poder do governo federal, quanto do

estadual, mas prioritariamente com esse último. Foi realizada por Negri (1996), uma análise do processo de desconcentração industrial em São Paulo, e é, principalmente, com base nesse autor que se pautarão as próximas reflexões.

No início da década de 1960 os governos, estadual e federal, começam a pensar em políticas de “descentralização” industrial a partir da Região Metropolitana de São Paulo para o interior do estado e para o restante do país (NEGRI, 1996). Convém registrar que o próprio autor utiliza aspas na palavra descentralização, pois acredita que os governos utilizavam essa palavra, mas na verdade o que promoveram, de certa forma, foi a desconcentração industrial e não a descentralização. No entanto, Negri (1996) não diz diretamente o motivo das aspas.

Os problemas típicos das metrópoles de países subdesenvolvidos ficam evidentes e perceptíveis para a maioria dos habitantes das respectivas metrópoles constituintes do chamado “caos urbano” que pode ser responsabilizado, sobretudo, pela presença da concentração industrial na metrópole. Os problemas ambientais, congestionamentos, superpopulação e poluição, contribuíam para a ampliação dos conhecidos “custos de aglomeração”. Um dado que auxilia nessa argumentação é o fato de que a GSP detinha 73,8% da produção industrial do estado e de 41% da produção do país na década de 1960.

Diante de tais fatos,

Essas questões começam a ser levantadas em 1961 pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP); em 1965, pela CEPAL – BNDES e, no final dessa década, essa questão passa a ser polemizada através de artigos de sociólogos, economistas e arquitetos, entre outras profissões, que passam a ser divulgados pelos principais jornais e revistas. A partir desse momento o próprio governo estadual incorpora-se à sociedade paulista no debate de tão importante questão (NEGRI, 1996, p. 171).

A partir dessa época os sucessivos governos do estado empreenderam esforços que influenciariam a estruturação da localização industrial no estado. Assim, é interessante apontar as principais ações de cada governo no período 1967 – 1991.

O governo de Abreu Sodré (1967 - 1971) aprofundou as discussões acerca da questão da concentração industrial na metrópole contribuindo com a criação de Grupos de Trabalho, que realizaram estudos visando a participação mais direta do governo estadual no processo de “descentralização” industrial. Dois grupos merecem destaque, o Grupo de Descentralização Industrial (GDI), que,

[...] encarregado de tal missão não, recomendou qualquer ação direta no sentido da fixação de áreas prioritárias para localização industrial [...], o GDI acabou por colocar-se contra a intervenção direta do Estado no que diz respeito ao direcionamento da implantação industrial (NEGRI, 1996, p. 171).

O outro é o Grupo de Análise Territorial (GAT), cuja preocupação era o descongestionamento da área metropolitana e tinha pretensões de contribuir para diminuir as disparidades regionais. Este grupo apresentou os primeiros indícios para a elaboração no governo de Paulo Egídio Martins (1975 - 1978) do Programa de Cidades Médias. O GAT fez indicações de que a intensificação da industrialização deveria ser estimulada em “núcleos urbanos dinâmicos”, a partir de “eixos” de industrialização (NEGRI, 1996). A partir dessas idéias se fortaleceu a constituição histórica, ao longo da década de 1990 do que se denomina de eixo de desenvolvimento econômico.

No governo de Laudo Natel (1971 - 1975), adotou-se uma política de interiorização do desenvolvimento que partia do pressuposto de que o processo de concentração da industrialização era um “fenômeno natural” e a instalação de unidades industriais em áreas mais distantes da GSP ocorreriam por meio “da intervenção de elementos externos à livre manifestação dos fatores locacionais” (NEGRI, 1996, p. 171). Ao realizar estudos para o Plano de Interiorização do Desenvolvimento o governo estadual procurou conhecer os principais eixos rodoviários aptos a penetração industrial no interior do estado.

Os eixos considerados foram a Via Anhangüera em direção a Ribeirão Preto, a via Washington Luiz no sentido da região de São José do Rio Preto, a rodovia Castelo Branco, que cortava a região de Sorocaba, e a via Dutra, para o vale do Paraíba, fazendo a ligação com o Rio de Janeiro. Dessa forma detectaram-se as ‘tendências naturais’ do processo de expansão industrial sentido interior-capital (NEGRI, 1996, p. 171).

Essas pretensões do governo de Laudo Natel se concretizariam de maneira satisfatória apenas no final do século XX, com a consolidação dos eixos de desenvolvimento econômico.

A partir das conclusões dos estudos realizados no governo de Laudo Natel, foram tomadas ações importantes por parte do governo, como,

a) criação do Plano Rodoviário do Desenvolvimento (Proinde), objetivando implantar e ampliar, em mais de 5 mil quilômetros, a rede de estradas pavimentadas a partir da metrópole; b) implantação do Balcão de Projetos visando a promoção da industrialização do interior, mediante assessoramento e estudos de projetos e de localização industrial, para facilitar as decisões empresariais; (...) e) criação da Cia. Estadual de Tecnologia de Saneamento Básico e de Controle de Poluição e de Águas (Cetesb), que mais tarde tornar-se-ia importante instrumento de controle de novas instalações industriais (NEGRI, 1996, p. 172).

Esse governo acreditava que a iniciativa privada atuaria no sentido de indicar ao governo os sentidos do desenvolvimento no estado, cabendo ao Estado agir como um aliado dos empresários, conservando e melhorando a infra-estrutura de transportes, por exemplo.

No governo de Paulo Egydio Martins (1975- 1978), os atos governamentais que merecem destaque são: “[...] Programa de Cidades Médias, Política de Desconcentração e Descentralização Industrial, Programa do Macro-eixo Rio-São Paulo, Programas de Cidades Pequenas, [...]. Importante para a região de Campinas foi a construção da rodovia dos Bandeirantes” (NEGRI, 1996, p. 172).

No governo seguinte, de Paulo Maluf/José Maria Marin (1979-1982), praticamente não houve resultados efetivos em relação às medidas para desconcentrar a indústria da capital. Apenas a construção da rodovia dos imigrantes é digna de nota.

No período (1983-1986), houve o governo de Franco Montoro que adotou uma política de descentralização voltada para o aspecto administrativo. É característica desse período a criação das Regiões de Governo, e pode-se citar também que houve a transferência “[...] de recursos para que as prefeituras construíssem obras de pequeno e médio porte, como escolas, creches, postos de saúde, equipamentos esportivos, delegacias de polícia, etc.” (NEGRI, 1996, p. 173). No entanto, o maior destaque deste governo foi os investimentos na infra-estrutura rodoviária, uma vez que houve a duplicação de rodovias e implantação de terceiras faixas.

O governo de Orestes Quércia (1987-1991) expressou sua política de interiorização da indústria através de três documentos da Secretaria da indústria e comércio e do Badesp. Assim,

Os documentos procuraram realizar um diagnóstico do processo de concentração industrial em São Paulo, apontando as áreas preferenciais e prioritárias para o recebimento de novos empreendimentos industriais, com destaque para as regiões próximas à metrópole e por estarem nos caminhos dos principais eixos de penetração rodoviário para o interior: Dutra, Anhanguera, Bandeirantes, Castelo Branco, etc. (NEGRI, 1996, p. 174).

Semelhante a outros governos o de Orestes Quércia investiu na expansão e modernização do sistema de transportes. Nesse período se realizou importantes obras para a constituição dos eixos de desenvolvimento, abordados nessa pesquisa, pois houve a “[...] duplicação de extensão da rodovia Castelo Branco, da via Anhanguera, da Washington Luiz, da via Dom Pedro I e de diversas outras, de ligação intermediária nas Regiões Administrativas de Campinas, Sorocaba e Ribeirão Preto, entre outras” (NEGRI, 1996, p. 174).

A análise das ações do governo estadual no sentido de “descentralizar” e desconcentrar a indústria da GSP aponta em muitos momentos as relações entre o processo de desconcentração industrial com a formação dos eixos de desenvolvimento. Todavia, há outros fatores relacionados à desconcentração industrial que contribuíram na estruturação ao longo das principais rodovias que ligam o interior à capital de importantes cidades com destacado setor produtivo.

3.5 Estado de São Paulo: dinâmica industrial a partir de

Benzer Belgeler