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2.2. Rize’de Sosyo Ekonomik Durum

2.2.2. Rize’de Spor

De acordo com BID e São Paulo (2009), o Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), criado em 1977, é o maior parque brasileiro de conservação integral da Mata Atlântica, com 315 hectares e com aproximadamente 400 km de extensão, alcançando 23 municípios. O Parque acolhe metade das espécies de aves da Mata Atlântica, mas possui espécies ameaçadas, sendo estas 42 de aves, 21 de mamíferos, 04 de anfíbios e 03 de répteis. O local também abriga manifestações de arte rupestre pré-colombianas.

As intervenções, tanto das ocupações para fins de habitação como para fins de transporte sobre rodas, tem interferência no território do PESM, inclusive reconhecida pelas instituições envolvidas:

A abertura e pavimentação destas vias acarretou em forte impacto sobre a integridade das unidades de conservação ao secionar o continuum florestal, sendo que as próprias vilas de alojamento dos trabalhadores da via Anchieta foram ocupadas, convertendo espaços do atual Parque em bairros permanentes. (BID e SÃO PAULO, 2009)

Mas somente as intervenções para fins de habitação foram alvo da decisão tomada em relação à ação movida pelo Ministério Público (MP), obrigando o Estado de São Paulo e o Município de Cubatão a:

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“extinguir fisicamente todos os bairros ou núcleos de habitação que tenham sido formados no interior do Parque Estadual da Serra do Mar [...]"20, constituindo-se assim em um marco para o Programa pois efetivamente limita-se qualquer possibilidade de consolidar ou urbanizar os núcleos que se encontram dentro dos limites do PESM.”(BID e SÃO PAULO, 2009).

Neste contexto surge o Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar e Sistemas dos Mosaicos de Mata Atlântica, conhecido como Projeto Serra do Mar (PSM). Segundo BID e São Paulo (2009), o projeto conta com um montante de US$ 470,2 milhões, sendo o aporte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de US$ 162,5 milhões e os outros US$ 307,7 milhões vindos de aporte nacional.

Segundo BID e Governo do Estado de São Paulo (2009), espera-se do programa três principais ações: “reduzir o impacto das populações localizadas no interior do PESM e na EE21 Juréia-Itatins [...]”, “recuperar as áreas degradadas pela ocupação ilegal e outros fatores associados dentro do PESM e nas áreas de amortecimento [...]” e “consolidar institucionalmente e melhorar a capacidade de gestão das Unidades de Conservação (UCs) e áreas protegidas, incluindo monitoramento e fiscalização”. Já que as intervenções sociais iriam “[...] solucionar o que é, segundo o plano de manejo do Parque Estadual da Serra do Mar, o maior problema atual para sua administração: a ocupação contínua e ilegal de terras de domínio do Estado no ‘bairro’”. Com isso o projeto possui três componentes: Investimentos sociais no PESM, proteção das UCs e fiscalização das UCs. Nota-se que o objetivo geral do projeto tem foco na questão ambiental:

[...] promover a conservação, o uso sustentável e a recuperação socioambiental de importantes unidades de conservação do bioma Mata Atlântica no estado de São Paulo, além de gerar benefícios sociais e ecológicos tais como a proteção de mananciais da Baixada Santista e a proteção da biodiversidade. Isso se dará através do desentrave das principais restrições ao manejo destas unidades. (BID e SÃO PAULO, 2009).

De acordo com BID e São Paulo (2009), o PSM está inserido na estratégia do governo estadual paulista de adequação do status

20 Decisão Judicial de setembro de 2007 da 4a Vara Cível da Comarca de Cubatão/SP, referente à Ação Civil Pública nº 944 de setembro de 1999, movida pelo MP.

69 conservacionista de áreas de proteção. Este programa dá cobertura à proteção legal para que áreas da Mata Atlântica consideradas não degradadas sejam exclusivamente voltadas à conservação. O programa “[...] é o primeiro passo deste compromisso de longo prazo entre o Estado de São Paulo e o Banco Interamericano de Desenvolvimento” e envolve o Parque Estadual da Serra do Mar; a atual Estação Ecológica de Juréia-Itatins e o Mosaico das Ilhas e Áreas Marinhas Protegidas (Figura 6).

Figura 6 – Área de abrangência do programa

Fonte: (BID; SÃO PAULO, 2009)

O Projeto Serra do Mar (PSM) irá intervir em 08 dos 16 aglomerados considerados subnormais, conforme Censo de 2010 do IBGE. De acordo com Governo do Estado de São Paulo (2009) e indicado na Figura 7, são eles: Bairros Cota 500, Cota 400, Cota 200, Cota 95/100; Pinhal do Miranda; Água Fria; Pilões e Sítio dos Queiroz. De acordo com a população estimada dos núcleos, esta intervenção atinge 38,57% (18.949 pessoas) da população que vive em aglomerados subnormais no município.

70 Figura 7 – Bairros envolvidos na intervenção do Projeto Serra do Mar

Fonte: Google Earth. Data das imagens: 26/01/2011. Acesso em: 27/06/2015

Com a movimentação de terra para a construção de casas, as famílias residentes na Serra do Mar estariam expostas permanentemente ao risco de morte e de perda material. Além das remoções de construções em território do PESM, são realizadas remoções de unidades que estejam em área considerada de risco. Não necessariamente contidos em seus limites como, por exemplo, o caso do Bairro Cota 200 e 95/100 considerados áreas desafetadas do PESM, de acordo com a lei 8.976 de 28 de novembro de 1994:

Artigo 1º- Fica a Fazenda do Estado autorizada a doar, ao Município de Cubatão, para fins de reurbanização, imóveis existentes ao longo do Parque Estadual da Serra do Mar, nos quais encontram - se implantados núcleos habitacionais.

Artigo 2º- As áreas, de que trata o artigo anterior, devidamente caracterizada em plantas constantes do Processo nº 104.171/91 - PGE, são as seguintes:

A)gleba, com 49,92 ha, denominada "Bairro - Cota 200"[...]

B)um conjunto de 3 (três) glebas localizadas no "Bairro Vila Esperança", parte de área maior denominada "Sítio Queiroz ou Pilões"

Artigo 6º- Ficam excluídas dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar:

A)a área denominada "Bairro - Cota 200", de que trata o artigo 2. B)a área denominada "Bairro - Cota 95/100/Pinhal do Miranda" (SÃO PAULO, 1994)

Foi constatado, em observações no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, que eventos de deslizamento localizados, na Serra do Mar, podem ocorrer espontaneamente, além de escorregamentos resultantes da movimentação

71 intencional de massa (BRITO, 2011 e SANTOS, 2004), como as realizadas para execução da obra das rodovias Anchieta e Imigrantes cujos “[...] procedimentos não adequados, promoveram situações em que as encostas foram, intensa e extensamente, escavadas e desestabilizadas” (SANTOS, 2004).