2.5. Tedarik Zinciri Risk Değerlendirmesinde Kullanılan Yöntemler
2.5.1. Sistem Güvenliği ve Güvenirliği Mühendisliği Yöntemleri
2.5.1.1. Hata Türleri ve Etkileri Analizi
Após um ciclo de seca, que durou de 1979 a 1984 e com a chegada no ano seguinte, do besouro da espécie Anthonomus Grandis8, mais conhecido por “bicudo”, a crise em que se
encontrava a cotonicultura sertaneja foi acelerada e rapidamente encerrou-se o ciclo do algodão no Nordeste, tornando economicamente inviável uma cultura que já estava totalmente adaptada a região. O bicudo do algodoeiro expandiu-se para praticamente todas as áreas produtoras de algodão do Nordeste e o problema vai ser agravado ainda mais com o surgimento no mercado das fibras sintéticas, utilizadas em larga escala pela indústria têxtil nacional (GOMES et al, 1984).
Esta crise tem seu auge na década de 1990, com a abertura do mercado brasileiro para o exterior,momento em que o governo brasileiro reduziu os impostos de importação, e os produtos importados passaram a entrar de forma bem ampla no mercado brasileiro. A oferta de produtos cresce, e os preços permaneceram os mesmos, com isso, esses produtos importados passam a tomar o espaço dos produtosdas industrias nacionais, que foram obrigadas a fechar. A balança comercial acumular déficits por vários anos no decorrer de 1990(BURLE 1990).
8É um besouro da família dos curculionídeos, originário da América Central, possui mandíbulas afiadas,
Este processo vai afetar o mercado de algodão de forma mais intensa, pois, a drástica diminuição nas tarifas alfandegárias, que promoveu a entrada de importações somado aos preços artificialmente baixos nos países de origem, fruto de subsídios concedidos à produção e nas exportações e com as facilidades de financiamento dos produtos importados (prazo de até 400 dias e taxas de juros de 6 a 8% ao ano), acabou por reduzir ainda mais a concorrência do algodão nacional, tornando o produto pouco atrativo para a indústria têxtil internacional (SANTOS eSANTOS, 1999).
Todos esses fatores contribuíram para uma crise econômica e social no Sertão extremamente intensa caracterizada pelo fim do financiamento para a produção de culturas de mercado e o abandono gradual de imensas áreas exploradas para o cultivo do algodão, que vão se tornando gradualmente improdutivas, com reflexos negativos para a economia nordestina. Até hoje em muitas localidades não foi implantada nenhuma cultura que possa substituir o algodão mocó.
Durante o ciclo do algodão, esse sistema de parceria funcionava porque o latifundiário tinha o interesse em ceder terras para produtores sem terra, para que estes produzissem sua subsistência e, principalmente, o algodão, que era do latifundiário. A pluma era vendida para a indústria têxtil. O latifundiário permanecia ao final do ciclo produtivo com parte do algodão que fora produzido e ainda comprava a outra parte a preços baixos, pois o fazia no auge da colheita e após deduzir o financiamento do plantio. A produção do algodão colhida era armazenada para que fosse vendida quando os preços subissem, gerando grande lucro para o dono da terra. Ao fim do processo, o gado era solto nos restos da plantação, o latifundiário alem disso, ficava com o caroço do algodão, que transformava numa torta que era usada como complemento para a alimentação do gado (ANDRADE, 2007).
O acesso ao uso da terra via sistema de parceria era utilizado pela grande massa de produtores sem terra. O meeiro, como era conhecido o produtor sem terra, produzia na terra de patrão, podendo ficar com parte, ou mesmo toda, a produção de milho e feijão, vendia sua participação na produção do algodão. Esse trabalhador produzia, mas não acumulava. Este sempre começava a produção descapitalizado, a cada nova safra e às vezes já iniciava a produção endividado. Quando o inverno não era satisfatório, o problema se agravava e, se a seca perdurasse por muito tempo se transformaria em crise econômica, pois inviabilizaria a produção, e depois em crise social, pois a enorme maioria dos sertanejos não teria condições de sobreviver até o próximo inverno. A política de armazenamento de água, promovida pelo
Governo Federal nas décadas iniciais do século XX, criou as condições para salvar o rebanho de grandes latifundiários, que aumentaram ainda mais o seu domínio na região, pois agoradetinham o domínio sobre a água, um bem raro, principalmente em períodos de seca.
A derrocada da atividade algodoeira no Nordeste e principalmente na Paraíba ocorre de forma violenta e rápida, como registram Moreira e Targino (2007), a redução área de cultivo do algodão, chegou a 99,8% no período entre 1990 e 2000. Ou seja, em apenas dez anos essa redução alcança quase 100%, apontando para o desaparecimento desta atividade9. Esta crise que acaba por desarticular o velho o tripé (pecuária/algodão/cultura de subsistência) (ARAÚJO, 2013) afetando a todos, sejam proprietários, geralmente latifundiários, sejam os camponeses sem terra, na sua maioria, meeiros que tinham a agricultura de subsistência, especialmente o feijão e o milho que são culturas tradicionais da região sertaneja, garantindo o sustento das famílias.
A crise no setor algodoeiro vai refletir profundamente nesta organização do espaço agrário sertanejo. As tradicionais relações de trabalho não capitalistas, como a parceria e o arrendamento subordinados historicamente da lavoura algodoeira sofrem forte retração. Verifica-se uma intensificação do êxodo rural na região (TARGINO e MOREIRA, 2000). O que ocorre com essas famílias depois da crise algodão, é que elas acabam sendo dispensadas, perdendo a oportunidade que tinham de mesmo em condições de fragilidades impostas por irregularidades das chuvas, de produzir sua subsistência, já que tinham o acesso à terra garantido.
Então esse desordenamento, representou perdas econômicas para essa população, além da insegurança gerada pela perda das relações historicamente construídas de geração em geração, pois muitas famílias, embora não sendo proprietárias, viveram, naquelas terras, toda a sua vida e a impossibilidade de continuidade gera insegurança, mesmo quando se abrem novas possibilidades.
A crise instalada no complexo secularmente dominante estimulou a emigração para as cidades, o que se confirma no avanço da urbanização no grande espaço semiárido nordestino
9A Embrapa até que fez pesquisas e conseguiu uma semente que era possível de ser colhida antes que o ciclo
vegetativo do bicudo se completasse. Mas a velocidade com que se deu a abertura comercial no Brasil dos anos 1990, associada à adoção de um regime de câmbio fixo nos anos iniciais do Plano Real (1994 a 1999) que estimulava as importações, consolidou a inviabilidade de retomada do papel que o algodão cumprira na economia do semiárido (ARAÚJO, 2012).
(CARVALHO, 2010). Ocorre o que podemos denominar de um desenraizamento das pessoas, de sua cultura e de seu lugar, visto que a maioria dessas famílias acaba nas periferias das cidades na região, geralmente no mesmo município, ou migram para outros estados na esperança de arranjar trabalho para garantir o seu sustento e de sua família.
O povo Sertanejo tem uma história que marca, não apenas as relações de trabalho que aí se estabeleceram e uma cultura que foi sendo construída ao longo dos séculos e que é marcante nesta história. As relações de solidariedade, de confiança, de companheirismo, o sentimento de pertencimento ao lugar, os jeitos de viver e de conviver, a lógica camponesa em se tratando da relação com terra à quem se referem como mãe, e a natureza em geral. Enfim, com a crise algodoeira, a saída involuntária do campo para a cidade não foi um processo tão simples como se pode imaginar. Para muitos camponeses foi extremamente doloroso como se pode confirmar nos depoimentos de muitos deles nas inúmeras pesquisas já realizadas sobre a migração do campo para a cidade e no caso pode se caracterizar como expulsão, literalmente.
Como já amplamente conhecido e discutido, o boi foi na verdade, o móvel do desbravamento dos sertões e o vaqueiro a figural central na historia do povoamento dos Sertões. Então foi a criação extensiva de gado bovino deu origem à constituição da população sertaneja ligada à terra e tendo a policultura de subsistência como fonte de sustento da família, mesmo quando a principal atividade econômica da região foi a pecuária. O vaqueiro não foi somente cuidador do gado, mas guardião dessas terras, tornando-se parte do cenário da caatinga (RIBEIRO, 2008). A relação com a terra faz parte de sua vida de forma tão intensa que para os mais velhos, a terra é sua própria extensão. Por isso, a possibilidade de deixar aquele lugar onde nasceu e se criou, sempre representou um quebra na trajetória de vida do camponês.
Esses sujeitos, com experiência na vida sertaneja e conhecedores de todas as fragilidades do lugar, mas também de suas potencialidades, são as mesmas pessoas que vão ser aproveitadas na atividade algodoeira. Essa mesma mão-de-obra, historicamente explorada, sob relações de trabalho não tipicamente capitalistas, submetidas à relações de subalternidade, quem vão ser usadas pelos latifundiários produtores de algodão, agora não mais como atividade complementar à pecuária, mas como atividade econômica principal.
Essas famílias sertanejas, muitas que atravessaram séculos vivendo da terra, passando pelos vários momentos, ora enfrentando dificuldades de produção da existência, causadas
pelas limitações impostas em conseqüência das condições climáticas, nos grandes períodos de estiagens, seja pela situação a que se mantinha sob relações de dominação, herança do coronelismo. Estas famílias, com a crise do algodão nos anos de 1980, acabam perdendo a possibilidade de acesso à terra, pois mesmo sendo de propriedade “alheia” ainda se constitui seu principal meio de produção. Pois mesmo assim o camponês sentia-se, de certa forma, seguro pela garantia de uso da terra como meio de produção de sua existência.
Era essa segurança que, por assim dizer, amenizava as relações de dominação que ainda permanecem na cultura do poder dos donos (BURSZTYN, 2008) e que se sofisticam na fase algodoeira, momento no qual se verifica a permanência das relações tradicionais de trabalho no campo, convivendo com as relações tipicamente capitalistas nas indústrias de beneficiamento do algodão, tema que não aprofundamos aqui, por não ser objeto deste estudo. Enfim, a atividade algodoeira, servia tanto ao latifundiário, como aos camponeses.Ao latifundiário lhe era garantida renda num momento de situação privilegiada desta atividade, comercialização da produção, alto preço da terra, valorizada pelo algodão em alta, mão de obra em abundância e com experiência em lidar com a terra nessa região.
Por outro lado, os camponeses também se beneficiaram dessa fase do algodão porque se mantinha garantido o acesso a terra para a produção de sua subsistência e da família, tinham expectativa de renda em espécie, advinda da meia do algodão no final do ano, caso desse para pagar ao dono da terra a quem sempre estavam devendo, as vezes de um ano para o outro. Mas, como já anunciado, era uma possibilidade de renda.
Os camponeses se sentiam seguros, pois, tinham segurada a morada da família, pois a maioria desses sujeitos eram moradores nessas terras e não se pode esquecer que o algodão também representava segurança de oportunidade de trabalho, especialmente durante a colheita. Por outro lado, a crise da economia algodoeira e as sucessivas secas provocaram a queda do preço da terra de modo que a desapropriação que era feita pelo poder publico, passa a se constituir como um bom negócio para os latifundiários, que recebem uma indenização mais ainda continuam a usufruir da terra e a cobrar sua renda.
A luta pela terra, particularmente no Alto Sertão paraibano, representa a possibilidade concreta de democratização do acesso e permanência nela como condição de
garantir a soberania e segurança alimentar e nutricional, mas também de resistência ás relações dedominação, à exploração e expropriação do camponês.
Na mesma esteira de luta pela terra está a luta pela água, um bem indispensável à vida e que também sempre foi, historicamente monopolizada pelos latifundiários, cercada por estes, nos momentos de grandes estiagens para atender à necessidade do seu gado. Há também a luta por direitos negados historicamente a essa população, como educação, e saúde, acesso à créditos e assistência técnica.
Verifica-se um verdadeiro processo de construção de uma nova cultura que tem inicio nos anos de 1980 e que já se consolidou, beneficiando centenas famílias(ARAÚJO, 2012). Nesse processo vão contar com a orientação da Pastoral Rural e posteriormente da CPT- Sertão-PB, que resolveu encabeçar o movimento de luta pela terra na no Alto Sertão da Paraíba, ajudando estes camponeses a pressionar também o governo através dos conflitos e mobilizações, não sendo estas desapropriações um resultado do estatuto da terra, mas sim da perseverança destes trabalhadores.
CAPÍTULO III - A CPT E A REFORMA AGRÁRIA NO ALTO SERTÃO DA