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Risk Odaklı İç Denetim Programının Hazırlanması

4. RİSK ODAKLI İÇ DENETİM VE UYGULAMA

4.4. Risk Odaklı İç Denetim Uygulaması

4.4.3. Şirket İle İlgili Risk Odaklı İç Denetim Aşamaları

4.4.3.6. Risk Odaklı İç Denetim Programının Hazırlanması

Nesta parte da pesquisa enumeramos os dados que permitem verificar que atividades são realizadas pelas escolas, neste contexto, a partir dos manuais de ensino. Verificámos de que forma é que o estudo do corpus literário é utilizado enquanto meio para estimular o princípio em análise.

135 veicula o cânone e o corpus literário indicados pelo Ministério da Educação. No entanto, por serem elaborados por organismos independentes do Ministério da Educação, que são editoras independentes, afigurou-se necessário verificar até que ponto o corpus selecionado pelas autoras destes manuais acrescenta ou se distancia dos textos sugeridos no PELP. Uma análise preliminar revelou diferença em relação aos apresentados pelo

corpus literário indicado no PELP e no MSL.

Em Moçambique, para os 11º e 12º anos de escolaridade existem manuais produzidos por três editoras diferentes, a saber: a Texto Editores, a Plural Editores e a Longman Moçambique. A análise que se segue centra-se sobre os manuais publicados pela Texto Editores, escolhida por ter publicado manuais para os 11º e 12º anos de acordo com o antigo currículo (programa de 1983) e os programas atualizados, que vêm sendo utilizados até ao momento e que datam de 2008129. Estes grupos de manuais atravessam o período estabelecido nesta pesquisa, 2004 a 2011. Os manuais das outras duas editoras foram preteridos porque por um lado, a Plural Editores apenas publicou o manual do 11º ano em 2010. Até Março de 2013 o manual para o 12º ano ainda não tinha sido

publicado130. Por outro lado, os manuais da Longman Moçambique foram preteridos dada

a exiguidade de textos literários neles contidos.

Foram quatro os manuais estudados da Texto Editores, da autoria de Pereira e Mendes (2005/2010). Nestes objetos de pesquisa, o estudo do texto literário é realizado, maioritariamente, com base em excertos de romances ou textos curtos (poemas, lendas e contos e mitos). Além disso, verificámos que o texto literário é introduzido no ensino das diferentes unidades, seja abordando os princípios do texto expositivo-explicativo, do texto jornalístico, ou de textos multimodais. No entanto, a nossa análise centrou-se apenas nas unidades que estudam o texto literário, com incidência no ensino da literatura. E dos textos literários estudados em cada unidade, recolhemos apenas os de autores moçambicanos.

Passamos de seguida à análise dos manuais dos 11º e 12º anos.

129

Analisámos os manuais da Texto Editores produzidos em 2005, com base na utilização do programa de 1983 e outro grupo de manuais atualizados em 2010, após a reformulação dos programas de ensino, efetuada em 2008. Esses novos materiais têm, na capa, a indicação “Programa  Actualizado”,  alertando  para o facto de terem sido reformulados com base num programa de ensino atual.

130

Esta informação foi-nos prestada por uma autora do Manual do 12º ano, Maria Emília Morais, quando questionada pela pesquisadora deste trabalho, em fevereiro de 2013. A autora referiu que se encontrava a realizar as correções finais deste manual.

136 Manual de Ensino de Língua Portuguesa da 11 ª classe (programa de 1983) O manual é composto por 13 unidades, das quais 5 são dedicadas ao ensino da literatura e trabalham os textos de autores moçambicanos. No entanto, é de referir que existem algumas unidades que, não discutindo diretamente esta questão, contêm textos que fazem referência à cultura moçambicana. São os considerados temas transversais, preconizados no PELP. Neste manual, essas matérias transversais abordam costumes tradicionais (os mais velhos como fonte de informação); caracterização de sociedades tribais africanas (um exemplo específico do sul de Moçambique) e a poligamia, pelo que permitem, de alguma maneira, deduzir temáticas refletidas na literatura inclusa.

Atividades propostas aos alunos do 11º ano

A unidade 4, com o tema  “Evolução  Histórica  e  Semântica  do  Termo  Literatura”   recomenda o levantamento de caraterísticas de contos (suas funções, espaço, tempo e personagens), a elaboração um texto narrativo e reconto de um conto, o levantamento de recursos estilísticos de um poema, a análise de textos (nível de compreensão e classificação).

A   unidade   7,   com   o   tema   “As   Origens   Líricas   da   Literatura”,   propõe   análise,   compreensão e classificação de textos, levantamento de recursos estilísticos dos textos em análise e caraterização do sujeito, seleção de canções da tradição oral.

A  unidade  8,  com  o  tema  “Sistemas  Culturais  e  Linguagem”  orienta  para  o  estudo   de lendas, mitos, provérbios, crónicas e contos, e para a recolha de provérbios de cada província onde o aluno se encontra a estudar, a par do levantamento de valores culturais e de recursos estilísticos num texto, o reconto de narrativa e descrição de personagens e análise de textos (do nível da compreensão e de classificação).

A   unidade   9,   cujo   tema   é   “Imagem   da   História   na   Literatura”   propõe   o   levantamento de elementos da narrativa, a divisão de textos em partes e a recolha de elementos da cultura moçambicana nos textos em análise.

Na  unidade  10,  com  o  tema  “O  Modo  Dramático”  (texto  dramático)  recomenda-se que os alunos façam o cotejo dos espaços, tempo e ações das personagens, que assistam a uma peça de teatro em grupo, que enumerem as ações das personagens, que estudem a

137 redação e a representação de uma peça teatral131 e que procedam a análise textual (nível de compreensão).

Na unidade   11,   com   o   tema   “O   Ideal   de   Harmonia   e   de   Amor   na   Literatura”   (estudo da poesia lírica), sugere-se a análise temática, semântica e de recursos estilísticos, a redação de sonetos e a declamação.

Parte da unidade 7 e toda a unidade 8 são centradas em temas culturais, nomeadamente canções da tradição oral, lendas, mitos, provérbios, crónicas e contos e de valores culturais, num trabalho que se dedica à análise de textos e a uma pesquisa sobre elementos patentes na vida real, na região onde o aluno se encontra a estudar.

Tabela 9 – Corpus Literário para o 11º ano (Programa de 1983)

Tipo de texto Títulos de textos Autores

Conto Texto sem título (excerto de O Apóstolo da Desgraça)

“  O  Rapaz  que  Raptou  uma  Rapariga” “Minda” Ualalapi132 Nelson Saúte Recolha de Lourenço do Rosário Orlando Mendes Ungulani ba ka Khosa Poesia “Oferenda”

Sem título (excerto de Até Amanhã Coração) “A  Porta”

“Grandeza”

“Carregadores”,  “Passas  leve”  e  “  Mágoa”  

Marcelino dos Santos Eduardo White Rui Nogar João Mendes Rui de Noronha Texto Dramático

“  Ser  Mulher” Sant´Ana Afonso

Canção Cantiga da tradição oral moçambicana (sem título) Recolha de Lourenço do Rosário

Provérbios “Se  faltares  mãe  tua  [se  faltar  a  tua  mãe],  mamas   teta  de  cão,  dizendo  «É  mãe»”

“Coisa apanhada [encontrada sem esforço] não educa  o  filho”.

“O  curral  dos  bois  não  é  forte  se  não  houver  um   curral  de  bezerros”.

“O  filho  rebelde  é  repreendido  pelo  mundo  (vida)”

Provérbio moçambicano chuabo Provérbio moçambicano chuabo Provérbio moçambicano changana Provérbio moçambicano 131

Os alunos são informados de que as temáticas desenvolvidas no teatro moçambicano criticam a realidade sociocultural através de temas como o curandeirismo, ritos de iniciação, poligamia, confronto entre os diferentes grupos étnicos moçambicanos, a nível das suas línguas e costumes como o lobolo (casamento tradicional, no qual um dote é entregue pela família do noivo à família da noiva, como forma de união entre o novo casal e as suas respetivas famílias; atualmente o valor do dote tem sido alvo de debate, por ter deixado de ser simbólico e passado a ter um valor comercial elevado e difícil de suportar por algumas famílias).

132

Orienta-se os alunos para que leiam, na íntegra, esta obra. Nesta unidade, faz-se alusão à existência da obra biográfica de Uria Simango com o título Uria Simango, um Homem uma Causa, da autoria de Bernabé Ncomo, obra biográfica referente a um político moçambicano que, no início do nacionalismo moçambicano, foi considerado opositor aos interesses dos moçambicanos. A referência a esta obra, neste manual, deixa a ideia de que as autoras não selecionaram o corpus literário baseando-se em questões políticas ligadas à ideologia do sistema governamental vigente.

138 lomué

Crónicas “O  cabrito  que  Venceu  o  Boeing”

“Pequena  que  Saiba  Coser  bem  à  Máquina” “Os  Supersticiosos”

Mia Couto José Craveirinha Areosa Pena Fonte: Laisse (2014), adaptado a partir de constatações do MELP da 11 ª classe (2005)

Manual de Ensino de Língua Portuguesa da 11 ª classe (Programa de 2008) Na edição de 2010, o manual de língua portuguesa tem 18 unidades, três das quais dedicadas ao ensino da literatura, tratando textos literários de autores moçambicanos, nomeadamente nos 5, 11 e 17. No entanto, verifica-se que em unidades dedicadas ao ensino de outro tipo de textos se encontram também textos literários de autores moçambicanos.  Além  disso,  é  de  referir  que  o  tema  “Evolução  Histórica  e  Semântica  do   Termo Literatura”  é  abordado  neste  e  no  manual  anterior.

Atividades propostas aos alunos

Na  unidade  5,  com  o  tema  “Evolução  Histórica  e  Semântica  do  Termo  Literatura”,   recomenda-se que os alunos recolham os valores culturais em textos, que teçam comentários sobre valores culturais constantes de textos (considerando a antiguidade e a modernidade), que recontem um texto, que façam leitura e redação de conto tradicional com os colegas, que leiam fábulas e que comentem a moral da história lida e ainda que analisem recursos estilísticos e elaborem textos utilizando recursos estilísticos dados. Há, nesta unidade, o tema transversal “Manifestação   da   Identidade   Cultural   através   da   Literatura”.

Na   unidade   11,   com   o   tema   “Textos   Literários”   analisam-se caraterísticas dos textos e da linguagem literária, discute-se sobre a cultura moçambicana a partir de recursos estilísticos, produzem-se textos narrativos, com destaque para valores culturais moçambicanos, interpretam-se textos (a nível da compreensão) e aprende-se provérbios.

Na unidade 17, com o tema “Distinção   de   Características   da   Literatura   e   da   Oratura   em   textos   Dramáticos,   Narrativos   e   Líricos”,   recomenda-se a caraterização de textos e distinção da sua função. Pede-se que os alunos produzam textos orais ou escritos, com ênfase em aspetos da cultura moçambicana que distingam as marcas dessa cultura e que analisem recursos estilísticos em determinados textos, que criem canções e que dramatizem pecas de teatro.

139 As unidades 11 e 17 centram-se na análise da cultura moçambicana feita tanto a partir de exemplos estudados na sala de aula, como na produção de textos que contenham marcas desta cultura por parte dos alunos.

Tabela 10 – Corpus Literário para o 11º ano (Programa de 2008)

Título do texto analisado Autor do texto Conto “O  Rapaz  que  Raptou  uma  Rapariga”  

“O  Coelho  e  as  Cinzas”,

“  O  Macaco  em  Tempo  de  Fome”   Niketche (excerto)

Um Rio Chamado Tempo. Uma Casa Chamada Terra (excerto)

“A  Menina  que  Não  Falava” “O  Cágado  e  o  Lagarto” “A  Serpente,  Símbolo  de  Inveja”

Recolha de Lourenço do Rosário Recolha de Lourenço do Rosário Lenda de autoria desconhecida Paulina Chiziane

Mia Couto

Conto Tradicional moçambicano Recolhido por Isabel Filipe133 Alberto Viegas

Poesia “Se  me  Quiseres  Conhecer” “Grito  de  Alma”  

“Poema  para  Eurídice  Negra”   “Hidrografia”  

“Grito  Negro”

“Sonho  de  Mãe  Negra” “Carregadores”,  “Passas  Leve”

Noémia de Sousa Rui de Noronha Sérgio Vieira Rui knofli José Craveirinha Marcelino dos Santos Rui de Noronha Canção Sem título (cantiga da tradição oral

moçambicana)

Sem título (Hino nacional)

Recolha de Lourenço do Rosário

Fonte: Laisse (2014), adaptado a partir de constatações do MELP da 11 ª classe (2010).

Manual de Ensino de Língua Portuguesa da 12 ª classe (Programa de 1983) Este manual contém 11 unidades didáticas. Nele, os textos literários de autores moçambicanos são abordados nas seguintes unidades: 1, 4, 5, 9, 10 e 11. Os temas dessas unidades  são,  respetivamente:  “Sistemas  Culturais  e  Linguagem”,  “O  Realismo”,  “Textos   Orais ou Escritos   de   Comunicação   Social:   a   crónica”,   “Introdução   ao   Estudo   das   Literaturas em Língua Portuguesa no período 1945-1975”,   “Introdução   ao   Estudo   das   Literaturas  em  Língua  Portuguesa:  a  afirmação  das  literaturas  africanas”,  “Introdução  ao   Estudo das Literaturas  em  Língua  Portuguesa:  literaturas  africanas  contemporâneas”.

133

Isabel Filipe não consta da lista do cânone literário preconizado para os 11º e 12º anos, porém foi introduzida neste corpus literário.

140 Atividades propostas aos alunos

Na unidade 1 pede-se aos alunos que identifiquem a moral de uma história da tradição oral, que identifiquem (nas suas próprias tradições) rituais idênticos aos mencionados nos textos analisados, que façam o levantamento de recursos estilísticos nos textos da unidade e que narrem histórias, que elaborem uma exposição sobre o Sistema Cultural Moçambicano, sobre as culturas macua, ronga e sena e que recolham informação sobre os ritos de iniciação praticados nas zonas de origem de cada aluno.

Na unidade 4 os alunos devem fazer a interpretação de texto (nível de compreensão), fazer o levantamento de caraterísticas do realismo, analisar recursos estilísticos, identificar personagens e tema e fazer a redação de uma narrativa.

Na unidade 5 pede-se-lhes que redijam uma crónica, que façam o levantamento de recursos estilísticos, que interpretem o tipo de linguagem e os referentes de um texto.

Na unidade 9 deve ser feita a interpretação de um texto, o levantamento de isotopias de cor negra e de marcas de pan-africanismo, a análise de uma narrativa e a declamação de um poema.

Na unidade 10 os alunos são convidados a interpretar um texto, a analisar o sujeito poético, o seu estado de espírito, o tom da linguagem utilizada, a temática da mestiçagem cultural, bem como a fazerem o levantamento de figuras de estilo, a elaborarem um poema e a efetuarem o levantamento de recursos estilísticos.

A unidade 11 convida os alunos a identificarem a temática de um texto, efetuando o levantamento de recursos estilísticos e de caraterísticas do período literário no qual esse texto foi escrito; devem também discutir os costumes tradicionais africanos (poligamia e pagamento de dívida com recurso a entrega de pessoas, interdição ao consumo de peixe, hábito dos nguni).

As unidades 1 e 11 são centradas na análise da cultura moçambicana, tanto nos textos como no contexto real vivido pelos alunos. Existe uma preocupação de que investiguem o Sistema Cultural Moçambicano, nomeadamente as culturas macua, ronga e sena.

141 Tabela 11 – Corpus Literário para o 12º ano (Programa de 1983)

Título do texto analisado Autor

Conto “Dia  de  Festa”

Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra (excerto)

Niketche (excerto) Ualalapi

“Portagem”

Recolha de Lourenço do Rosário Mia Couto

Paulina Chiziane Ungulani ba Ka Khosa Orlando Mendes Poesia “Zampungana”,“Quero  Conhecer-te

África”e  “Negra”

“Ao  Meu  Pai  ex  - Emigrante” “Surge et Ambula”

“Poema  Numa  Manhã  de  Cajueiros”  e   “Um  Canto  de  Esperança  e  Todavia  de   Luto”   “Amigos” “Mulher” Noémia de Sousa José Craveirinha Rui de Noronha Sérgio Vieira Sebastião Alba Eduardo White Crónicas “Zoo-ilógico”

“O  Tiro  aos  Pombos” Mia Couto José Craveirinha Fonte: Laisse (2014) adaptado a partir de referências do MELP da 12 ª classe (2005).

Manual de Ensino de Língua Portuguesa da 12 ª classe (Programa de 2008) O manual contém 16 unidades, três delas dedicam-se ao estudo do texto literário de autores moçambicanos, nomeadamente as 5, 10 e 15.

Atividades propostas aos alunos

Na unidade 5 são analisados textos narrativos, a partir do levantamento de personagens, ação, tema, espaço. É pedido que redijam um texto narrativo em verso, que analisem os rituais descritos nos textos, que investiguem os rituais praticados nas suas regiões e que escrevam um texto narrativo que inclua rituais praticados nas suas regiões.

A unidade 10 analisa a linguagem, o tema e o texto lírico, e incentiva os alunos a efetuarem o levantamento de recursos estilísticos bom como a produzirem um texto do mesmo género literário.

Na unidade 15 o texto dramático é analisado nas seguintes vertentes: levantamento de ações, personagens, encenação do texto, tempo, análise de recursos estilísticos, de rituais constantes dos textos.

As unidades 5 e 15 centram-se no estudo da cultura moçambicana, com base no texto e na vida real dos alunos. No caso deste manual existe também uma

142 preocupação de que os alunos investiguem o Sistema Cultural Moçambicano, com base na região em que cada aluno reside.

Tabela 12 – Corpus Literário para o 12º ano (Programa de 2008)

Tipo de texto Título do texto analisado Autor

Conto “Carta”

Choriro (excerto)

O Sétimo Juramento (excerto) “A  separação  das  duas  irmãs  Gêmeas” “O  Coelho  e  o  Elefante”

“A  Hiena  e  o  Coelho”

Mia Couto

Ungulani ba ka Khosa Paulina Chiziane Alberto Viegas

Conto Tradicional Moçambicano Recolha de Lourenço do Rosário

Poesia “Carregadores” Rui de Noronha

Textos Dramático “Ser  Mulher”   Sant´Ana Afonso

Fonte: Laisse (2014), adaptado a partir de referências do MELP da 12 ª classe (2010).

Neste capítulo analisámos dados que indicam de que modo é que a Educação Multicultural está a ser realizada em Moçambique. Recorremos aos documentos fundadores do Sistema Educativo que indicam as estratégias a serem seguidas no processo pedagógico, no que concerne ao ensino do texto literário e ao fomento da interculturalidade.

Analisámos também a perceção que os intervenientes do processo educativo têm, no tocante ao mesmo assunto. Pelo seu discurso, os nossos entrevistados demonstram que ainda existe uma opacidade na forma como o cânone e o corpus literário são abordados num contexto escolar.

Além disso, os dados permitiram-nos verificar que as escolas moçambicanas dispõem, enquanto instituições vocacionadas para o desenvolvimento de capacidades, de competências sociais e recursos para agregar o reconhecimento das diferenças culturais e promover a interculturalidade. Os alunos ainda carecem de mais formação para conhecerem a cultura moçambicana e desencadearem relações de interculturalidade e o ensino, a partir da formação com base no texto literário e da função social e pedagógica deste, ainda não permite promover de forma significativa a interculturalidade.

Ainda assim, é de se assinalar que a Escola incita à multiculturalidade em contexto real, tal como revelam os dois grupos de alunos entrevistados, ao referirem que os festivais, o desporto, os documentários, as palestras e as disciplinas de Área de Projeto e de Educação para a Cidadania, a Semana das Línguas e o Dia de África educam para a

143 multiculturalidade. Reconhecem também a diferença cultural (no caso dos alunos da EPM) e palestras, eventos culturais, dança, teatro desporto e festas (no caso dos alunos do ESG) como as actividades que os ensinam a conhecer a multiculturalidade que carateriza Moçambique.

Após a recolha de dados em terreno, segue, no próximo capítulo, a sua análise e validação.

144

CAPÍTULO VI

A Interculturalidade no Corpus Literário Obrigatório no Ensino