2. DENETİM VE İÇ DENETİM KAVRAMI
2.3. İç Kontrol Kavramı
2.3.1. İç Kontrol Sistemi Tanımı
A problemática dos efeitos que a obra literária pode causar no leitor é aprendida em uma parte dos Estudos Literários que se designa de Teoria da Receção, como anteriormente referimos. Holub (1984:53-106) e Gonçalves e Bellodi (2005:33;194-195) defendem que Hans Jauss e Iser Wolfgang são os principais proponentes desta questão. Costa (2011)74 considera a existência de vários autores que se dedicaram ao estudo da receção, nomeadamente Roman Ingarden (1931), Roland Barthes (1937), Hans Jauss (1967), Wolfgang Iser (1976), Stanley Fish (1980) e outros. Segundo a autora que temos vindo a mencionar, a Estética da Receção surgiu a partir da teorização de Hans Jauss (1927-1997). A autora refere ainda que:
enquanto Jauss centraliza seus estudos na fenomenologia da resposta pública ao texto, o teórico alemão, Wolfgang Iser (1926-2007), busca respostas para as suas indagações no ato individual da leitura. A conceção teórica elaborada por Iser (1996), a Teoria do Efeito, tem a sua origem nos estudos de Roman Ingarden (1893-1970) e, como o próprio nome diz, analisa os efeitos da obra literária provocados no leitor, por meio da leitura. Iser (1996) privilegia a experiência da leitura de textos literários como uma maneira de elevar a consciência ativamente, realçando o papel da mesma na investigação de significados. Costa (2011)75.
Sobre os estudos da receção de textos importa referir que, no entender de Holub (1984:xi), as teorias em torno da receção de textos são discutíveis e não existe unanimidade nas propostas dos investigadores que estudam essa questão. Para o autor, a falta de consenso pode dever-se ao conceito em si. Uma outra discussão em torno desta temática, na sua ótica, encontra-se ligada à diferença entre receção e resposta ou efeito que um texto pode causar nos seus leitores. Não ficará claro se esses conceitos devem ser separados, isto porque se tem afirmado que a diferença se centra no facto de que a
74 Cf. <http://abiliopacheco.files.wordpress.com/2011/11/est_recep_teoria_efeito. pdf.>. (Consultado em fevereiro de 2014)>. 75 Idem.
83 receção está relacionada com o leitor, enquanto o efeito tem a ver com aspetos textuais. Ainda assim, segundo o autor, essa explicação não é satisfatória.
Ao explicar essa lacuna, Holub (1984:xii) refere que, nas décadas 60 e 70, a Escola Alemã preconizava a utilização do termo wirkungsgeschichte - “história do impacto” do texto ou do autor e a diferença entre rezeptionsgeschichte - “história da receção” ou wirkungsästhetik (estética do efeito ou resposta) e rezeptionsästhetik (estética da receção). Na sua perspetiva, o conceito Teoria da Receção76 abarca as ideias preconizadas por Hans Jauss e Wolgang Iser, sendo que Jauss estuda a estética da receção e Iser a resposta crítica do leitor. No dizer de Holub, Jauss e Iser respondem com métodos diferentes aos predecessores e circunstâncias que enquadram a questão da influência do texto sobre o leitor. Enquanto Jauss se preocupa com o macrocosmos da receção, Iser dedica-se a estudar o microcosmos da resposta ao texto.
Ambos os autores colocam o leitor no centro das atenções da análise literária, aliando o social ao histórico e os textos podem ser reconstruídos a partir do entendimento do seu leitor, com base no conhecimento que possuem da obra. Esta concepção coloca o leitor no centro da análise da obra literária, embora não eclipsando a figura do autor. Contrariamente a este tipo de abordagem, encontram-se os formalistas russos que defendem que a obra de arte literária vale por si e que o leitor só tem de a ler, sem participar na reconstituição de sentidos. Similarmente a esta ótica encontra-se a dos estruturalistas franceses que abordavam a obra de arte literária na perspetiva do contexto de produção (estruturas e contexto) e do autor. Além desta visão, existe a da escola marxista que defende que a obra de arte reflete fenómenos sociais. Esta proposta não se preocupa com a questão estética da obra.
Ao mencionar os efeitos da obra literária, Jauss (1993:35-48) advoga uma teoria, baseada na historiografia literária e interpretação do texto, na qual o conceito teórico mais importante é o horizonte de expetativa do leitor.
No que respeita à interação entre o texto e o leitor, Iser (1999:97) diz que “a leitura acopla o processamento do texto com o leitor; este, por sua vez, é afetado por tal processo”. Entende existir, na atividade de leitura, uma relação na qual o leitor e o texto
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Citando Holub (1984: xii), “reception theory refers throughout to a general shift in concern from the author and the work to the text and the reader. It is used, therefore, as an umbrella term and encompasses both Jauss and Iser´s projects as well as empirical research and traditional preoccupation with influences”. Holub (1984:xii); traduzindo, a teoria da receção refere-se à mudança de preocupação com o autor para o texto e o leitor. Ela é, por isso, utilizado como um termo genérico que abrange as propostas de Jauss e Iser, na investigação empírica e preocupação tradicional com a influência do texto.
84 interagem reciprocamente de modo especial. Segundo o autor, esse processo de interação é explicado pela psicologia social e pela pesquisa psicanalítica da comunicação.
Baseando-se nos estudos de R.D. Laing e H. Phillipson e A.R. Lee, Iser (1999:99- 101) aborda a questão da interação entre texto e leitor, afirmando que a interpretação que fazemos sobre os outros advém das relações interpessoais77 que estabelecemos. Assim, em seu entender:
temos experiências dos outros à medida que conhecemos nosso comportamento e o dos outros. Mas não temos experiências de como os outros nos experimentam, ou seja, de que tipo é a experiência que os outros adquirem em relação a nós [...]. A interação diácdica ganha vida apenas pelo facto de sermos incapazes de experimentar a experiência do outro, incapacidade essa que nos impulsiona a agir. Ao mesmo tempo que se evidencia o alto grau de interpretação que domina e regula a interação. Iser (1999:100-101).
Para os efeitos desta pesquisa, assumimos que a abordagem do texto literário irá utilizar uma conceção que respeita a literariedade do texto literário, bem como o facto de este utilizar uma linguagem simbólica. A par disso colocamos a função social que a literatura desempenha, o que implica que consideraremos a historicidade do texto e as representações culturais neles existentes. Esta é uma opção que assenta em pressupostos da função social do texto.
Ao sugerir que, num texto literário, o leitor aprenda a conhecer as representações culturais de outros grupos étnicos diferentes do seu, não descuramos o facto de estarmos a fazê-lo com recurso a um objeto com especificidades especiais, o texto ficcional. Atendemos, também, ao facto de que as culturas, por caraterística, são dinâmicas, universais e regionais78. Assim, assumimos que o valor simbólico dos textos literários ou as representações culturais que os textos possam conter sejam aceites como método para despertar o leitor para o conhecimento da sua e de outras culturas, sem levar em conta a vida do autor e sem considerar factuais as afirmações de personagens. Só depois de assente a ideia de que os elementos que a obra contém pertencem a um universo ficcional é que os alunos, a partir de práticas pedagógicas ligadas à Sociologia da Leitura, podem
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Pretendendo compreender o efeito do processo de formação dos alunos dos 11º e 12º anos do ESG recorremos aos princípios do ISD, a fim de colmatar a lacuna mencionada por Holub (1984:xi). Assim, a corrente do ISD foi introduzida, neste trabalho, de modo a esclarecer de que maneira é que o texto literário poderá, através de processos de formação, funcionar como impulsionador da transformação de mentalidades.
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Recordamos que Albó (2005:16; 22) considera culturas particulares aspetos como: hábitos, modos de fazer, sotaque, modos de agir e comportamento.
85 ser sensibilizados para estas novas abordagens. Para tal, deve-se recorrer no mínimo a duas etapas, designadamente a que reconhece o objeto de análise como pertencente a um universo ficcional e a que através do estímulo à imaginação cria condições de aprendizagem que sejam transformadoras a partir do texto lido.
Neste capítulo, abordámos diferentes tradições de análise do texto literário e aceitamos a ideia de que este pode ser analisado como recurso para estimular o conhecimento ou sentimento de pertença a um grupo com base em propostas pedagógicas centradas na Sociologia da Leitura. Como se pode ver na epígrafe deste capítulo, a literatura encontra-se profundamente ligada à sociedade e à cultura, fornecendo elementos para um diálogo comunicacional entre ela e a sociedade. A par disso, concordamos também com a ideia de Cavacas (1994:62-63) de que a análise literária pode ser realizada considerando as dimensões sintática, semântica e pragmática; para esta pesquisa, escolhemos esta última dimensão.
Interessa-nos igualmente a referência de Ceia (1999:13-15), que assume ser importante que os estudos literários extrapolem o pressuposto tradicional de que a obra de arte deve apenas ser analisada tendo em conta o predefinido pela teoria literária. Para nós, a interpretação dos diferentes sentidos da obra pode socorrer-se de outras áreas de estudo como a Antropologia e a História, sem alterar o sentido de crenças descrito, nem do próprio texto. Por isso é que para a análise literária julgamos, a partir da ideia de Ceia (1999:21), ser imprescindível fazer a explicação dos diferentes sentidos e estabelecer uma dialética entre a compreensão e a explicação de sentidos, mencionando as crenças estudadas e estabelecendo outros tipos de interpretação.
A partir destes pontos de vista e dos que estudámos na temática da receção do texto, podemos afirmar que, uma vez que o texto literário afeta o leitor (Iser:1999:97) e que o texto eleva a sua consciência, modificando a sua visão do mundo, a partir das expetativas a que este fica sujeito (Jauss:1993:67), é nosso entendimento que se podem criar práticas pedagógicas que permitam estimular o leitor para o conhecimento de diferentes culturas e daí partir-se para a criação de uma consciência cultural, realizada com recurso ao texto literário.
Existem diferentes modelos que permitem realizar essas práticas, mas a sua escolha depende dos leitores visados. As que encontrámos, no âmbito desta pesquisa, têm a ver com a literatura infantil e juvenil. Os modelos utilizados deverão ser acompanhados
86 de interpretação literária que, de forma coesa, integrem, na interpretação literária, a análise das culturas constantes do texto. É nesse sentido que, a partir dos modelos que estudámos, criámos uma proposta que permite analisar textos literários a partir de uma perspectiva que vá ao encontro dos objetivos desta pesquisa.
Assim, foi com base em Cavacas (1994:62-63) e Ceia (1999:21) autores mencionados neste capítulo, que formulámos uma proposta de modelo de análise de obras literárias de cariz etnográfico. Este modelo poderá ser utilizado em práticas pedagógicas que pretendam formar uma consciência cultural, considerando um cânone multicultural, centrado na Educação Intercultural.
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