4. RİSK ODAKLI İÇ DENETİM VE UYGULAMA
4.4. Risk Odaklı İç Denetim Uygulaması
4.4.3. Şirket İle İlgili Risk Odaklı İç Denetim Aşamaları
4.4.3.2. Denetim Amaçlarının Belirlenmesi
11º e 12º anos
De acordo com o Programa da da 12ª classe (2010:2), em 2004, em função das diferentes recomendações da Agenda 2025, o Ministério da Educação introduziu, através das escolas moçambicanas, os currículos reformulados para o Ensino Básico e foi nessa sequência que em 2008 o Programa do ESG foi atualizado. A par das novas habilidades e competências a serem desenvolvidas nos alunos, a escola deveria compatibilizar o seu ensino com os quatro pilares de educação fundamentados na Agenda Nacional 2025119.
As novas propostas visavam implementar a aplicação de novas competências e valores nos alunos, que os habilitassem para a resolução eficaz de problemas (Programa de Português da 12ª classe: 2010: 2). No âmbito da disciplina de Língua Portuguesa, para
119
Os programas anteriores eram os da época colonial e só foram reformulados em 1983, aquando da introdução do SNE. Cf. Dhorsan e Chuachuaio (2008:53).
129 o segundo ciclo do ESG (11º e 12º anos) preconiza-se que sejam desenvolvidas competências que permitam ao aluno:
a) utilizar a Língua Portuguesa em diversos contextos da sociedade, refletindo sobre e compreendendo diversas dinâmicas sociais, incluindo as simbólicas;
b) desenvolver a expressão oral e escrita, integrando esse conhecimento em diversos contextos sociais;
c) utilizar a Língua Portuguesa como meio de acesso ao conhecimento, à informação e às novas tecnologias de informação.
A nosso ver, o desenvolvimento dessas competências incluem fatores que promovem a Educação multicultural e intercultural, no entanto tivemos que analisar o processo educativo, a fim de compreendermos como é que essas competências são desenvolvidas, até porque o programa (idem:3-11) se refere à necessidade de desenvolver o civismo e cidadania responsáveis bem como o espírito de tolerância e cooperação e a habilidade para se relacionar bem com os outros, estimulando a capacidade de lidar com a complexidade, diversidade e mudança, entre outras competências.
Esse programa mostra que os novos desafios colocados à Escola, no concernente à aplicação dos novos currículos, preconizam o desenvolvimento de habilidades ligadas à formação da identidade moçambicana, da multiculturalidade e da interculturalidade, a saber: a comunicação nas línguas portuguesa, inglesa e francesa, o desenvolvimento do espírito de tolerância e cooperação e capacidade para se relacionar com os outros, num contexto em que sejam estimulados diferentes valores, entre os quais igualdade, liberdade, justiça, solidariedade, tolerância e amor à pátria e ao bem comum.
Acrescente-se que este processo ocorre de forma paralela à promoção da multiculturalidade que consiste do ensino de línguas moçambicanas, tal como ficou acima referido. No que concerne ao ensino da literatura nos 11º e 12º anos, o PELP define a importância de criação de espaços para concursos literários, sessões de poesia, recolha de contos tradicionais, projetos nos quais os alunos são incentivados a participar, de forma a desenvolver o espírito patriótico de moçambicanidade. A Escola propõe que escrita e recolha de contos tradicionais poderão ser feitas tanto na Língua Portuguesa como nas línguas moçambicanas, usando-se recursos referentes a contextos das diferentes províncias moçambicanas.
130 No tocante ao ensino da Literatura, o documento preconiza a necessidade de a Escola abordar textos literários, considerando entre outros fins o facto de a literatura ser “o espaço em que estão depositados de forma mais ou menos condensada os valores culturais, morais e intelectuais [de diferentes comunidades], e, por outro lado, o veículo de difusão interna e externa desses valores” (Programa de Português – 11ª classe: 2010:10). É nesse sentido que reserva unidades de estudo de textos literários, centrados na leitura, análise e interpretação de textos. De um modo geral, as temáticas abordadas pelos autores indicados como canónicos são impulsionadores da discussão da identidade moçambicana. O PELP define ainda a importância de se desenvolver temas transversais a todas as disciplinas. No caso do 11º ano, é abordado o tema “Manifestação da Identidade Cultural Através da Literatura” e no 12º ano fala-se da estigmatização de indivíduos vivendo com HIV-SIDA.
De um modo geral, as temáticas abordadas pelos autores canónicos são impulsionadoras da discussão da identidade moçambicana. Havendo no país necessidade de se incentivar a população “a saber ser, saber conhecer, saber estar, saber viver juntos e em comunidade”, deverão ser escolhidas obras que incluam as representações culturais existentes no país.
O objetivo que se pretende alcançar com a leitura e análise de obras literárias é, entre outros, o de estimular a leitura crítica com vista a criar-se o gosto pela literatura de países de Língua Oficial Portuguesa, a participação de alunos em debates sobre literatura e sobre cultura, que possam promover a paz, combater a violência doméstica e contribuir para a resolução pacífica de conflitos políticos e sociais.
De acordo com o Manual de Sugestões de Leitura - INDE/MEC (2008:1)120 os autores indicados no PELP para estes níveis são escolhidos de acordo com os critérios de qualidade estética, representatividade e profundidade temática, conforme se verificará quando abordarmos a questão do cânone e corpus literário, na tabela abaixo. Acrescente- se que esses programas preconizam ainda o ensino de outros autores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – CPLP, mas a nossa pesquisa cingiu-se ao ensino da literatura moçambicana.
A Literatura desempenha um papel importante na formação da mentalidade de
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Este documento introduz uma lista adicional de textos e autores que devem ser estudados do 1º ao 2º ciclo do ESG (textos a serem analisados do 8º ao 12º ano). Em anexo a esse manual, numa secção designada Selecção de Textos Literários de Autores da CPLP, paginado de 1 a 20, são indicados os critérios de selecção de obras literárias destinadas ao ESG.
131 indivíduos e é por esse motivo que os currículos escolares incluem, nos programas, o seu ensino. É inegável o facto de que, em Moçambique, a literatura já tem sido abordada como instrumento de construção de identidade nacional, a partir de determinado período literário.
Mendonça (1988:33-45) distingue os períodos da Literatura Moçambicana do seguinte modo: 1925-1945/47, período no qual a produção literária moçambicana se caracterizava por reações de crítica à política de assimilação. O 2º período decorreu entre 1945/7 e 1964 e foi uma fase na qual a literatura era marcada pela negação do colonialismo. O 3º período que se situou entre 1964 a 1975 foi considerado, pela autora desta periodização, complexo, já que a relativa homogeneidade que se verificava nas décadas anteriores foi quebrada.
Para a autora, a escrita literária surgiu marcada por três linhas de força, nomeadamente a) o reflexo ideológico da ação da Frelimo – nesta altura foi produzida a chamada poesia de combate que essencialmente desenvolvia a afirmação da ideologia de libertação nacional; b) poesia produzida por um grupo heterogéneo de intelectuais, que desenvolveu um projeto eminentemente estético, distanciando-se da ideologia colonial; c) literatura de afirmação do luso-tropicalismo.
A nossa análise à produção literária moçambicana revelou que as obras publicadas a partir dos anos 80 se debruçavam sobre questões estritamente estéticas e que tinham a ver com a criatividade dos seus escritores. Verificámos ainda que grande parte dos autores que marcaram os períodos definidos por Mendonça (1988:33-45) e dos que publicaram até os anos 90 faz parte do cânone literário em vigor no ESG. No tocante à política de assimilação, importa acrescentar que, para Mendonça (1988:33-45), esse trabalho foi realizado a partir dos jornais O Africano e O Brado Africano, produzidos por assimilados. Nos anos 50 mais autores surgiram, dinamizando a escrita literária com características de afirmação da africanidade e da negritude.
Quanto à negação ao colonialismo, no dizer de Cabaço (2010:268), naquilo que concerne à prosa, essas denúncias foram feitas por João Dias, Luís Bernardo Honwana; na poesia, por Noémia de Sousa, José Craveirinha, Rui Nogar, Orlando Mendes, Fonseca Amaral, Kalungano [pseudónimo de Marcelino dos Santos]. Esta lista de escritores consta dos programas de ensino de literatura em Moçambique. No seu estudo, Cabaço (2010:303) recomenda a importância de se desenvolver estudos diacrónicos, com vista a
132 analisar o processo de construção de identidades no presente.
A par das diferentes mudanças na forma como a identidade nacional e a unidade nacional foram sendo encaradas, os programas de ensino também foram sendo reformulados.
V.11 A Interculturalidade no Ensino Secundário Geral: o cânone e corpus