Fonte: Revista Talento (Revista da 8a. edição do maior evento de recrutamento universitário de Campinas e região - 2007); AEDIC (Associação das Empresas do Distrito Industrial de Campinas); Jornal Correio Popular de Campinas (30/10/2005).
Unidades Empresariais
Aeroporto Internacional de Viracopos
R od . C am pin as- Mo gi M ir im R od. C am pin as-Pa ulínia R od . D om Pe dro I R od . A nh ang u era Rod . San tos Dum ont R od . dos B ande irante s Principais Rodovias Pólo de Alta Tecnologia Distrito Industrial de Campinas (DIC) Galleria Plaza Lucent Technologies TechnoPark
Elaboração Cartográfica: Victor Begeres Bisneto
An el Viá rio Ma galh ães Teix eira Anel Viário Principais Universidades Unicamp PUC UNIP Ruas e Avenidas Mapa 15
Percentual por UTB 0 a 1,0 1,0 a 5,0 5,0 a 11,0 11,0 a 22,0 22,0 a 38,5
MUNICÍPIO DE CAMPINAS - POPULAÇÃO SEM RENDA e SHOPPINGS CENTERS, 2000.
Fonte: IBGE
Elaboração Cartográf ica: Victor Begeres Bisneto Principais Shoppings Centers
Mapa 16
Enquanto isso, localizados na região sul da cidade ao longo do eixo da rodovia Anhanguera (próximo à divisa com o município de Valinhos/SP) temos o caso do condomínio Swiss Park (composto por grandes lotes), e do empreendimento Topázio, que foi impedido de ter suas obras iniciadas após uma série de reivindicações dos produtores rurais junto à prefeitura, que acatou o pedido. É interessante ressaltar que Campinas é um grande centro produtor de hortaliças, café, cana e principalmente frutas como maracujá, uva, figo, acerola e goiaba, sendo esta última uma das maiores do Estado de São Paulo e é voltada para exportação. É importante notar que o Mapa 6 mostra claramente esse avanço sobre as áreas rurais uma vez que constata a criação de loteamento fora do perímetro urbano, especialmente a partir da década de 1990.
Tudo isso pode acarretar numa redução da importância do espaço agrícola do município caso essas atividades do setor imobiliário continuem a avançar sobre o campo descomedidamente. Isso ocorre justo no momento em que Campinas passou a integrar o circuito das frutas, o que poderia alavancar o setor agrícola e o turismo na cidade.
Concomitante ao avanço da criação de condomínios em áreas rurais, outro processo que está em voga atualmente e que desperta a preocupação do poder público é a presença de inúmeros terrenos ociosos na cidade. Para isso, há um projeto de lei da prefeitura que prevê o confisco dessas áreas caso o proprietário não utilize o terreno dentro de um ano e não construa em dois anos. Isso implicaria na cobrança do IPTU progressivo, e, caso essa medida não surte o efeito desejado, na sua futura desapropriação pelo governo para pagamento de títulos públicos. Essa norma inclusive faz parte do texto do plano diretor de 2006 e do Estatuto da Cidade tal como veremos em breve.
A aplicação dessas normas chega num momento oportuno já que segundo o JORNAL CORREIO POPULAR DE CAMPINAS (1º de junho de 2008, p.B14), “existem na cidade 66
milhões de metros quadrados na área urbana – o equivalente a 200 áreas como a ocupada pelo Parque Taquaral - , em muitos casos para fins especulativos”.
É interessante notar que parte dos terrenos a que se refere a citação acima, se localizam nas regiões sul e sudoeste da cidade que englobam bairros com pouca infraestrutura e ocupados por populações de baixa renda como é o caso do Campo Grande e do Jd. Ouro Verde.
Dentre a perspectiva apresentada, um dos instrumentos capazes de frear ou pelo menos amenizar esse processo especulativo pelo qual a cidade vem sendo submetida, seria o plano diretor. Dele espera-se que o território seja visto como o lugar dos conflitos e da convivência no diverso entre as pessoas, empresas e instituições. Para tanto, ele tem a obrigação de ser democrático e de expressar um projeto de cidade que não seja tautológico, isto é, a cidade pela cidade, a cidade com mero palco estático e inerte, mas sim como continente e conteúdo de formas, funções, processos e estruturas coerentes entre si.
________________________________________________________CAPÍTULO 7
Este último capítulo da dissertação apresenta temas importantes e atuais sobre os quais não são encontrados com facilidade estudos específicos sobre as regionalizações e o sobre o papel político e estratégico de Campinas para sua região e até mesmo para o país.
Assim, vamos notar que apesar de sua importância em contextos mais amplos a cidade convive com certas esquizofrenias dentre elas a questão das inúmeras regionalizações de um mesmo território cujas quais são usadas pelas diferentes pastas de governo para o delineamento de seus programas. Além disso, tendo em vista sua importância na rede urbana, qual seria a melhor adjetivação de Campinas, isto é, de que forma poderemos sintetizar a um só nome toda sua complexidade, dilemas e história? Campinas é uma metrópole? De que tipo? De que forma ela deve se colocar na dentro da rede urbana do Brasil?
Finalmente há que ser discutido o papel da população e do poder público face os novos e velhos desafios urbanos, daí porque utilizaremos a 3ª Conferência da Cidade como um dos elementos para observar o que se tem pensado e produzido em termos de conhecimento para Campinas.
O Território Mutilado
Ao longo da história de Campinas, expressa por suas fases e períodos, ela sempre se mostrou dividida social, econômica e espacialmente, fato que se acentuou a partir da década de 1930 e se aprofundou a partir da década de 1970. Não obstante, essa característica foi percebida por alguns autores já em meados do século 19. Assim, LAPA (1995, p.124) assevera que naquele período havia,
“de um lado a cidade racional, objetiva, civilizada que é proposta pela emergência capitalista e que se confronta com a outra cidade (...) a cidade clandestina, despudorada, transgressora das posturas em que convivem cortiços, pardieiros, os seus becos e ruazinhas malcheirosas”.
O século 20, como mostra a matriz de periodização, também nos reforça a ideia da existência de duas cidades quando o planejamento se ocupa com a criação de grandes obras viárias acompanhadas de loteamentos espalhados pela cidade, mas que ao norte se transformam em condomínios fechados e em bairros de médio e alto padrão, e ao sul, em conjuntos habitacionais e bairros com índice de valorização de terra e acesso a equipamentos públicos de qualidade diminutos destinados à população de baixa renda.
Hoje, a cidade continua dividida, com a novidade de que as distâncias diminuíram a despeito do crescimento da malha urbana. É comum notarmos bairros pobres, ocupações e favelas partilhando da paisagem lado a lado aos condomínios fechados e bairros de alto padrão, como é o caso da favela da Vila Brandina (Foto 10), muito próxima do bairro Chácaras Gramado e Nova Campinas. As discrepâncias entre o norte e o sul da cidade ainda se mostram vivas, mas temos que considerar que já não é só neste eixo que elas se dão.
Foto 10 – Favela na Vila Brandina, nas proximidades do Shopping Iguatemi, Pq. Ecológico, Gramado e
Nova Campinas (bairros nobres da cidade). (Foto tirada pelo autor em 09/01/2008).
Para que possamos melhor compreender um pouco melhor os fatores que desencadearam essas desigualdades, faz-se necessário refletirmos sobre o papel da COHAB-Campinas e o BNH, grande agenciador da especulação imobiliária como veremos a seguir.
Uma vez que já conhecemos os processos que levaram a cidade a se constituir tal como a percebemos hoje, nos resta apresentar um perfil, expresso pelos mapas criados, do território e suas cicatrizes provocadas por décadas de planejamento baseado em modelos importados, cenários criados por meio de modelos matemáticos, desinteresse pela totalidade dinâmica do território e a ação setorial e parcial da COHAB e sua fonte de recursos, o BNH, que se mostraram muito mais preocupados com a fluidez e a tecnificação do território, chamarizes na atração dos grandes agentes hegemônicos.
A seguir faremos uma breve síntese das informações trazidas pelos diversos mapas100, pois que eles por si sós são reveladores dos processos deflagrados pelo território.
O Mapa 1 (p.04), já visto anteriormente, tem como intuito fornecer uma visão geral das características político-administrativas do território campineiro, nos mostrando a distribuição da malha urbana da cidade e suas principais rodovias, denotando a forte presença dos fluxos de que falamos e o caráter nodal da cidade, já que ela continua sendo um ponto de passagem às mercadorias e às pessoas assim como à época de sua fundação.
Em seguida, nos mapas 7 e 8 (já observados nas p.136 e 137), indicando a quantidade de banheiros por domicílio, nos faz enxergar a qualidade de moradia segundo as regiões da cidade, que se faz mais precária na porção sul do território. Os mapas 9 e 10 (ver p.137 e 138) aponta para o nível de escolaridade dos responsáveis pelos domicílios e das crianças com 5 anos ou mais analfabetas e a presença de escolas públicas. Nele as desigualdades já se mostram de um modo mais claro e a existência de duas cidades em um único território uma verdade concreta. Os mapas 17, 18 e 19 (mostrados logo abaixo) mostram a evolução da população na década de 1990 e 2000, e o que se pode comprovar, é a maior concentração de pessoas na região sul e sudoeste do município, coincidentemente as áreas mais carentes.
Total por UTB 0 a 600 601 a 5.500 5.501 a 16.000 16.001 a 33.500 33.501 a 60.000 Fonte: IBGE
Elaboração Cartográf ica: Victor Begeres Bisneto