• Sonuç bulunamadı

E-B‹LD‹RGE UYGULAMA SO- SO-RUNLARI

SOSYAL S‹GORTALAR KURUMU E-B‹LD‹RGE UYGULAMASI

III. E-B‹LD‹RGE UYGULAMA SO- SO-RUNLARI

Relação jurídica é o vínculo que se estabelece entre duas ou mais pessoas, gerando direitos e obrigações.

A norma jurídica imputa uma conseqüência a um antecedente, provocando, conseqüentemente, a instalação de uma relação jurídica.

Carvalho descreve o momento em que surge a relação jurídica como aquele em que “o Direito enlaça à ocorrência do fato hipoteticamente descrito o surgimento de um vínculo entre pessoas”212.

Em se tratando de normas que visam a proteção previdenciária, a relação jurídica está imperiosamente instaurada, gerando, como conseqüência, a incidência da norma jurídica reguladora da conduta humana, que na sua estrutura formal ou lógica é composta de duas partes: a hipótese, ou descritor, e o conseqüente, ou prescritor213.

Horvath Jr. elenca os elementos fundamentais que integram a relação jurídica previdenciária:

• sujeito ativo – o titular ou beneficiário principal da relação; • sujeito passivo – o devedor da prestação principal;

• vínculo de atributividade – elemento capaz de ligar uma pessoa a outra, muitas vezes de maneira recíproca ou complementar, mas sempre de forma objetiva; • objeto – a razão de ser do vínculo constituído;

• fato propulsor – acontecimento dependente ou não da vontade humana, a que a norma jurídica concede a qualidade de criar, modificar ou extinguir direitos. Dentro do Regime Geral de Previdência Social estudado, identificamos duas relações jurídicas distintas: uma relacionada ao custeio, em que, de um lado, tem-se como sujeito ativo (credor) o Estado, representado pela Secretaria da Receita Previdenciária (SRP)214, e como sujeito passivo (devedor) o contribuinte; a outra, uma relação jurídica protetiva, em que, de um lado, tem-se como sujeito ativo (credor) o segurado ou seu dependente e como sujeito passivo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Pastor215denomina essa relação jurídica de seguridade social de teoria escisionista ou unilateral, vendo-a geograficamente representada por duas linhas paralelas, em que as relações jurídicas não se inter-relacionam, não havendo nenhum sinal sinalagmático entre ambas.

A relação jurídica que nos interessa neste trabalho é a de proteção, sendo que utilizaremos apenas uma das linhas paralelas identificadas pelo autor espanhol.

Nessa relação jurídica, o Estado cumpre papel fundamental, integrando-se num dos pólos, como sujeito passivo da relação jurídica de proteção, representado pelo Instituto Nacional do Seguro Social.

213 Salário-maternidade, p. 80.

214 Órgão criado pela Lei nº 11.098, de 13 de janeiro de 2005. 215 Derecho de la Seguridad Social, p. 127.

9 8

Na qualidade de ente gestor, o INSS tem a obrigação, o dever de cumprir o seu papel protetivo, buscando imprimir instrumentos e mecanismos diversos para que a proteção social seja eficaz e eficiente.

No outro pólo da linha paralela, numa condição de hipossuficiente, há o sujeito ativo, titular do direito subjetivo à prestação previdenciária.

Esse sujeito de direito ou ‘pessoa’ deve, necessariamente, ser pessoa física, evidentemente porque a norma jurídica previdenciária, no âmbito das prestações, não abarca a pessoa jurídica.

Na visão de Kelsen, pessoa física “correspondente ao homem individual é a personificação, isto é, a expressão unitária personificada das normas que regulam a conduta de um homem”216.

Para que esse sujeito ativo faça jus aos benefícios e serviços da Previdência Social, é necessário que haja um elemento fundamental: a incidência do risco social. Ainda que ele tenha vertido contribuições ao sistema previdenciário, este não lhe permite receber nenhuma prestação sem que o risco social tenha lhe causado um dano e, conseqüentemente, uma necessidade de proteção.

Buscando a definição desses sujeitos no direito comparado, diante da incipiente doutrina pátria, Pastor os define como sujeitos protegidos:

Es la expressión sujetos protegidos la que parece más adecuada, porque indica exactamente la función que cumple el sujeto en la relación jurídica de seguridad social: ostenta un derecho genérico a la protección frente al Estado, que tiene un correlativo deber genérico de protección.217

Na aposentadoria por idade do trabalhador urbano, temos como sujeito ativo: o homem que tenha atingido 65 anos de idade ou a mulher que tenha alcançado 60 anos, detendo o direito à cobertura social pelo atingimento da ‘idade avançada’; como sujeito passivo temos o Instituto Nacional do Seguro Social, que possui o dever jurídico de dar a devida proteção previdenciária ao sujeito ativo que a requereu.

Entre os sujeitos protegidos encontram-se todos aqueles que estejam ou estiveram filiados218à Previdência Social, como segurados obrigatórios (empregado219,

216 Teoria pura do Direito, p. 88. 217 Derecho de la Seguridad Social, p. 242.

218 Note-se que indicamos como sujeitos protegidos mesmo aqueles não mais filiados ao RGPS, pois a qualidade de segurado não é mais condição para a obtenção do benefício etário, sendo necessário apenas carência e idade mínima legal, conforme já explicitado no item anterior.

empregado doméstico220, contribuinte individual221, trabalhador avulso222) ou como facultativos223.

Todos esses sujeitos têm direito à proteção previdenciária da aposentadoria por idade, bastando cumprir os requisitos de idade mínima e carência, dispostos nos artigos 48 e 142 da Lei nº 8.213/91.

Outra possibilidade de concessão de aposentadoria por idade, após o cumprimento da carência exigida, conferida a partir da data do início do benefício a ser modificado, é por meio de solicitação, pelo segurado, da transformação de aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença em aposentadoria por idade224.

As vantagens da referida solicitação encontram-se na possibilidade de o segurado poder voltar ao mercado de trabalho (caso esteja apto para tal) e também por ser desnecessário submeter-se às constrangedoras perícias médicas habituais para a manutenção do benefício por incapacidade.

Temos, portanto, como sujeitos da relação jurídica de proteção, de um lado, o INSS, responsável pela proteção previdenciária, e, de outro, o segurado(a), credor(a) do benefício devido pelo Estado.