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GENEL KURULLARIN YAPILMAMASI VE

GENEL KURULLARIN YAPILMAMIfi OLMASI VE YAPILAMAMASININ

1- GENEL KURULLARIN YAPILMAMASI VE

Após a elaboração de todos os trâmites para chegar ao salário de benefício, o outro integrante da base de cálculo, definido em forma percentual, é a alíquota.

A alíquota é utilizada após o cálculo do salário de benefício para encontrar a renda mensal inicial.

Na aposentadoria por ‘velhice’, a Lei Orgânica da Previdência Social (Lops) estabelecia que essa alíquota seria de 70 por cento do salário de benefício, mais um por cento a cada grupo de doze contribuições, até o máximo de 30 por cento, não podendo ultrapassar 100 por cento do salário de benefício.

Com a publicação do Decreto nº 83.080/79, o cálculo mudou um pouco: ficou nos mesmos 70 por cento, mais um por cento por grupo de doze contribuições, mas agora o máximo não poderia ultrapassar 25 por cento, até o máximo de 95 por cento, portanto.

Contudo, a Lei nº 8.213/91 retomou as regras anteriores ao Decreto nº 83.080/ 79, e até o momento utiliza-se o cálculo de 70 por cento, acrescido de mais um por cento a cada grupo de doze contribuições, até o máximo de 30 por cento, não podendo ultrapassar 100 por cento do salário de benefício.

Vê-se, portanto, que para o cálculo do benefício é utilizada uma alíquota fixa de 70 por cento e uma alíquota variável que depende do número de grupos de doze contribuições (incluindo nesta conta a carência) que o segurado tiver no momento da aposentadoria.

Assim, a renda mensal inicial é igual a salário de benefício multiplicado pela alíquota fixa, mais alíquota variável, ou seja:

RMI = SB x A (% fixa + % variável)

onde:

R M I = renda mensal inicial; SB = salário de benefício;

É importante notar que a carência é incluída no cálculo da alíquota, dentro do período de contribuições, ou seja, se o segurado contribuiu durante 15 anos, sua alíquota será 70 por cento (fixa) + 15 por cento (variável, conforme o número de contribuições), resultando um total de 85 por cento . Será sobre esta porcentagem que se multiplicará o salário de benefício, e o resultado da multiplicação indicará a renda mensal inicial do benefício.

Fica demonstrada, portanto, a base de cálculo da aposentadoria por idade, sendo que dela fazem parte o salário de benefício e a alíquota.

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CAPÍTULO VII

APOSENTADORIA POR IDADE DO

TRABALHADOR RURAL

7.1 DA IDADE

Bem mais simplificada do que a aposentadoria por idade do trabalhador urbano, a aposentadoria por idade do trabalhador rural é bastante recente no nosso ordenamento jurídico.

O trabalhador rural, até a Constituição Federal de 1988, estava excluído do sistema previdenciário, restando-lhe apenas um benefício assistencial ou integrar-se à Previdência Social Rural, no caso de empregador ou trabalhador rurais.

O Estatuto do Trabalhador Rural, Lei nº 4.214, de 22 de março de 1963, incluía obrigatoriamente, como segurados, os trabalhadores rurais, os colonos ou parceiros, bem como os pequenos proprietários rurais, empreiteiros, tarefeiros e as demais pessoas físicas que explorassem atividades rurais, com menos de cinco empregados a seu serviço. O custeio era feito pela contribuição, à base de 8 por cento sobre um mínimo de três e um máximo de cinco vezes o salário mínimo vigente na região.

O referido estatuto criou o Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural, cuja escrituração ficava a cargo do Instituto das Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI), cuidando distintamente da contabilidade deste, sendo sua receita

depositada no Banco do Brasil S/A, sob o título Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural, à ordem do IAPI.

Os benefícios do segurado rural eram: auxílio-doença, aposentadoria por invalidez ou aposentadoria por velhice.

A Lei nº 4.214/63, que criou o Estatuto do Trabalhador Rural, foi revogada pela Lei nº 5.889/73, após já ter sido publicada a Lei Complementar nº 11/71.

A Lei Complementar nº 11, de 1971, instituiu o Programa de Assistência ao Trabalhador Rural (Prorural), criando o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), diretamente subordinado ao ministro do Trabalho e Previdência Social da época e ao qual era atribuída personalidade jurídica de natureza autárquica.

O Funrural seria responsável pela concessão de alguns benefícios aos trabalhadores rurais, dentre eles, a aposentadoria por velhice.

Conforme a referida Lei Complementar, o trabalhador rural era definido como a pessoa física que prestava serviço de natureza rural a empregador, mediante remuneração de qualquer espécie; ou aquele produtor, proprietário ou não, que, sem empregado, trabalhava na atividade rural, individualmente ou em regime de economia familiar, assim entendido o trabalho dos membros da família, indispensável à própria subsistência e exercido em condições de mútua dependência e colaboração.

A aposentadoria por velhice do trabalhador rural consistia numa prestação mensal equivalente a 50 por cento do salário mínimo de maior valor no país, e a idade mínima necessária para fazer jus ao benefício eram 65 anos de idade completos.

Os recursos para o custeio do Prorural provinham da contribuição de 2 por cento devida pelo produtor sobre o valor comercial dos produtos rurais ou da contribuição de que tratava o artigo 3º do Decreto-lei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970, a qual foi elevada para 2,6 por cento, cabendo 2,4 por cento ao Funrural.

A Súmula 21248do Tribunal Superior do Trabalho determinava aos empregadores agrícolas que despedissem seus empregados a partir do momento em que se aposentassem por idade pelo Funrural.

248 Súmula nº 21 do Tribunal Superior do Trabalho: “O empregado aposentado tem direito ao cômputo do tempo anterior à aposentadoria, se permanecer a serviço da empresa ou a ela retornar” (cancelada pela Resolução TST 4/94).

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A Lei Complementar nº 16/73, em seu artigo 3º249, aboliu essa exigência, permitindo ao trabalhador rural aposentado por idade a manutenção do seu contrato de trabalho, não constituindo, tampouco, justa causa para a dispensa.

Pouco tempo depois, a Lei nº 6.439, de 1 de setembro de 1977, instituiu o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (Sinpas) e extinguiu o Funrural:

Art. 27. Concluída a implantação definitiva do Sinpas, nos termos do art. 33250, ficarão

extintos o Ipase e o Funrural, transferindo-se de pleno direito seus bens, direitos e obrigações para as entidades a que, na forma desta lei, são atribuídas suas atuais competências.

A Lei nº 6.439/77 foi regulamentada pelo Decreto nº 83.080, de 24 de janeiro de 1979, com os seguintes programas de Previdência Social Rural:

I – Programa de Assistência ao Trabalhador Rural – o chamado Pro-Rural, instituído pela Lei Complementar nº 11, de 25 de maio de 1971, com as alterações da Lei Complementar nº 16, de 30 de outubro de 1973.

II – Benefícios por acidentes de trabalho para o trabalhador rural, instituídos pela Lei nº 6.195, de 19 de dezembro de 1974.

III– O amparo previdenciário instituído pela Lei nº 6.179, de 11 de dezembro de 1974. IV– O regime de previdência social instituído para o empregador rural e seus

dependentes pela Lei nº 6.260, de 6 de novembro de 1975251.

A aposentadoria por velhice era concedida somente ao trabalhador rural (e não à trabalhadora) que completasse 65 anos de idade, sendo cabível à mulher apenas se fosse chefe252ou arrimo de família de unidade familiar253, num valor único de 50 por cento do maior salário mínimo do país.

249 Art. 3º “A aposentadoria por idade concedida ao trabalhador rural, na forma da mencionada Lei Complementar nº 11 e sua regulamentação, não acarreta a rescisão do respectivo contrato de trabalho, nem constitui justa causa para a dispensa”. 250 O artigo 33 assim se encontrava grafado: “O Poder Executivo baixará o regulamento desta Lei e tomará providências para

a organização das novas entidades, a reformulação das remanescentes e a liquidação das extintas, com declaração da extinção de sua personalidade jurídica, a fim de que o Sinpas seja efetivamente implantado até 1º de julho de 1978”. 251 Conforme redação do artigo 274 do Decreto nº 83.080/79.

252 O artigo 297 traz o conceito de chefe da unidade familiar:

a) o cônjuge do sexo masculino, ainda que casado apenas segundo o rito religioso, sobre o qual recai a responsabilidade econômica pela unidade familiar;

b) o cônjuge do sexo feminino, nas mesmas condições da letra ‘a’, quando dirige e administra os bens do casal, nos termos do artigo 251 do Código Civil, desde que o outro cônjuge não receba aposentadoria por velhice ou invalidez; c) o cônjuge sobrevivente ou aquele que, em razão de divórcio, separação judicial, desquite ou anulação do casamento

civil, tem filhos menores sob sua guarda;

d) a companheira, quando cabe a ela a responsabilidade econômica pela unidade familiar.

253 O inciso III do artigo 297 do Decreto nº 83.080/79 estabelece que: arrimo da unidade familiar, na falta do respectivo chefe, é o trabalhador rural que faz parte dela e a quem cabe, exclusiva ou preponderantemente, o encargo de mantê-la, entendendo-se igualmente nessa condição a companheira, se for o caso, desde que o seu companheiro não receba aposentadoria por velhice ou invalidez.

Com a Carta Federal de 1988, houve a unificação dos sistemas urbano e rural, observada a necessária equivalência e uniformidade dos benefícios e serviços a esses trabalhadores, por força do artigo 194, parágrafo único, inciso II da Carta Magna, já mencionado neste trabalho.

Toda a Constituição Federal de 1988 tratou de equiparar, de forma igualitária, os direitos de trabalhadores urbanos e rurais. A exemplo disso, o caput do artigo 7º está assim grafado: “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social...”.

O texto original da Constituição Federal de 1988, em seu artigo 202, inciso I, trazia também a uniformidade do direito previdenciário aos trabalhadores urbanos e aos trabalhadores rurais, em relação à aposentadoria por idade, especificamente:

I – aos sessenta e cinco anos de idade, para o homem, e aos sessenta, para a mulher, reduzidos em cinco anos o limite de idade para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, neste incluído o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal.

Observa-se que o artigo constitucional mencionado traz duas categorias de trabalhadores diferentes: na primeira parte, os trabalhadores rurais; na segunda parte, os segurados especiais, que exercem atividades em regime de economia familiar.

Ressalte-se que o benefício ainda era exclusivo do homem, não se estendendo o direito às trabalhadoras rurais, salvo se comprovassem ser chefes ou arrimo de família. A igualdade formal entre homens e mulheres disposta no caput do artigo 5º da Constituição Federal fez mudar esse conceito, não sendo mais possível continuar a conceder benefício rural apenas ao trabalhador.

Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal254não considerou o artigo 202, inciso I, auto-aplicável e, para tanto, estabeleceu a seguinte situação: antes da Lei nº 8.213/ 91, seria devido benefício rural somente ao homem e excepcionalmente à mulher,

254 EMENTA: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. AUTO-APLICABILIDADE DO ART. 202, INCISO I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. RURÍCOLA. APOSENTADORIA POR IDADE. Manifesta a divergência com os acórdãos proferidos nos Mandados de Injunção nos 183 e 306, recebem-se os embargos de divergência para proclamar a não-auto- aplicabilidade do art. 202, inciso I, da Constituição Federal. Aplicação do entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do EVRE 175.520. Embargos conhecidos e providos. Não-conhecimento do recurso extraordinário. (RE-EDv 164683 / RS – RIO GRANDE DO SUL, EMB. DIV. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Julgamento: 17/03/1999, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação: DJ 19-04- 2002 PP-00066 EMENT VOL-02065-04 PP-00695).

APOSENTADORIA – TRABALHADOR RURAL. Na dicção da ilustrada maioria, entendimento em relação ao qual guardo reservas, o preceito do inciso I do artigo 202 da Constituição Federal não se fez auto-aplicável. Precedentes: Agravo Regimental em Recurso Extraordinário nº 152.428-7/SP e Agravo Regimental em Recurso Extraordinário nº 152.431-7/SP, ambos por mim relatados e julgados pelo Pleno em 5 de fevereiro de 1997, respectivamente. (RE 256463 / RS – RIO GRANDE DO SUL, RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Julgamento: 14/03/2000 Órgão Julgador: Segunda Turma, Publicação: DJ 04-08-2000 PP-00038 EMENT VOL-01998-12 PP-02574).

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desde que chefe ou arrimo de família; a partir da Lei nº 8.213/91, o direito aos benefícios e serviços passou a ser estendido aos demais integrantes do grupo familiar255.

Assim, com o objetivo de regulamentar a matéria trazida pela Constituição Federal de 1988, a Lei nº 8.213/91 traz dois artigos para indicar o direito à aposentadoria por idade a essa categoria de trabalhadores: artigos 39 e 48.

No artigo 39, a aposentadoria por idade será concedida especificamente aos segurados especiais:

Para os segurados especiais, referidos no inciso VII do artigo 11 desta Lei, fica garantida a concessão:

I – de aposentadoria por idade ou por invalidez, de auxílio-doença, de auxílio-reclusão ou de pensão, no valor de 1 (um) salário mínimo, desde que comprove o exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento do benefício, igual ao número de meses correspondentes à carência do benefício requerido.

O artigo 48 passou a regular o direito previdenciário dos trabalhadores rurais, estendendo o benefício à mulher, de forma igualitária ao homem. Fixou o direito ao benefício aos trabalhadores rurais empregados, eventuais e avulsos, exigindo a idade de 55 anos para a mulher e de 60 anos para o homem para ter direito a ele:

A aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida a carência exigida nesta Lei, completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, ou 60 (sessenta), se mulher, reduzidos esses limites para 60 e 55 anos de idade para os trabalhadores rurais, respectivamente homens e mulheres, referidos na alínea ‘a’ do inciso I e nos incisos IV e VII do artigo 11.

Sem dúvida nenhuma, a Constituição Federal de 1988 promoveu enorme progresso social ao país, passando a reconhecer aos trabalhadores que aqui laboraram (e ainda laboram) os mesmos direitos, sem discriminá-los em razão da natureza da filiação, se urbana ou rural.

255 Carlos Alberto Pereira de Castro e João Batista Lazzari também assim se posicionam: “a) a aposentadoria do trabalhador rural por idade, no regime precedente à Lei nº 8.213/91, somente é devida ao homem, e, excepcionalmente, à mulher, desde que esteja na condição de chefe ou arrimo de família, nos termos do art. 297 do Decreto nº 83.080/79; b) a partir da Lei nº 8.213/91, esse benefício foi estendido aos demais integrantes do grupo familiar (cônjuges ou companheiros, filhos maiores de 14 anos ou a eles equiparados), nos termos do art. 11, VII, da mencionada lei; c) para a mulher obter o benefício da Lei nº 8.213/91, precisava comprovar ser chefe de família ou cabeça-de-casal”.