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RASYONELLEfiME VE BÜROKRAS‹

Belgede KLAS‹K SOSYOLOJ‹ TAR‹H‹ (sayfa 126-129)

O referencial teórico que fundamenta este estudo é apoiado na Psicologia Institucional, mais especificamente na análise institucional, na esquizoanálise e na analítica do poder, buscando a compreensão das interações sociais que constituem as instituições educacionais, com o olhar sobre o cotidiano do estabelecimento de educação superior, abordado conforme os agentes institucionais que o compõem: dirigentes, professores, funcionários técnico- administrativos e alunos (ANDRADE, 2005).

No caso deste trabalho e em função de seu interesse específico foram considerados participantes da pesquisa os professores e os dirigentes investigados em seus agenciamentos, por meio de análises de relatos colhidos em entrevistas semiestruturadas, associadas à observação participante e à análise documental. Quanto ao grupo de alunos e funcionários, embora se reconheça que seja relevante para um trabalho de análise institucional, pode-se justificar sua não inclusão no plano deste estudo devido ao fato de que os objetivos de pesquisa restringiram o levantamento de dados às perspectivas de professores e dirigentes acerca da instituição educação.

A análise institucional compreende uma abordagem que envolve um conjunto de formulações teóricas, conceitos, estratégias e práticas que têm o escopo de produzir análise e intervenção nas instituições. Originada nos movimentos que ocorreram na França durante os anos 1940 e 1950, tem nas obras de René Lourau e Georges Lapassade os marcos iniciais que passaram a analisar as instituições a partir de um contexto mais amplo de natureza política, social, técnica e científica, com raízes na Psicologia Social, na Sociologia e na Psicologia. No Brasil, o movimento se fundou a partir de meados da década de 1970 em um clima extremamente antagônico à suas proposições, visto que coincidiu com a efervescência da ditadura militar no país.

[...] ao mesmo tempo, uma “disciplina” que trata dos processos ideológicos e de poder que têm lugar em instituições concretas, uma “prática” de intervenção psicossocial em instituições, organizações e grupos, e um “movimento” destinado a propagar a doutrina institucionalista e a transformar a realidade.

Com o intuito de levantar as tendências desse movimento, Barbier (1985) realizou um estudo no qual apresenta quatro correntes da análise institucional no campo das ciências humanas, a saber:

a) Análise institucional socioanalítica – trata-se da prática desenvolvida por Lapassade e Loureau para designar uma intervenção analítica feita a pedido de um estabelecimento-cliente com respeito às estruturas sociais visíveis e, sobretudo, invisíveis às relações sociais antagônicas e veladas de que se compõe uma instituição, em uma situação criada pela instalação de um analisador. Este compreende: a análise da encomenda e da demanda e a formalização do contrato de trabalho; a autogestão da intervenção pelo coletivo cliente por meio de uma negociação contínua com os participantes; e a análise do material produzido com base no referencial teórico da análise institucional que está em elaboração permanente.

b) Sociopsicanálise institucional – método de tendência marxista conceituado por Georges Mendel como a análise coletiva que leva em conta as manifestações do inconsciente, a problemática do poder institucional e o fato de o trabalhador, nas organizações concretas, pertencer a uma classe social que define o seu lugar no processo de produção. Sua abordagem visa a realizar a análise dos grupos sociais nas instituições para permitir o desvendamento das alienações específicas do campo político e a elaboração das posições e da consciência de classe social, tendo por consequência a revelação dos conflitos manifestos ou latentes no local de trabalho e uma reconquista do poder real e atual de cada indivíduo em um espaço instituído pelo desvendamento progressivo dos fantasmas pessoais ou coletivos que bloqueiam a emergência do poder.

c) Análise institucional de inspiração sociológica – é uma corrente que não visa diretamente à mudança social, embora seja igualmente crítica quanto à ordem estabelecida. É engajada, mas não é clínica, de forma que fornece aos socioanalistas interpretações sociais necessárias às ações sobre o meio. Ao constituir seu método de pesquisa nas relações que os homens mantêm com as instituições, pode-se confundir com a Antropologia Cultural e Social.

d) Esquizoanálise – proposta de Deleuze e Guattari cujo fundamento está no reconhecimento do desejo-máquina que é da ordem da produção e não da representação, como é o caso da psicanálise. Como a esquizoanálise corresponde ao referencial teórico assumido neste trabalho, seu detalhamento será explorado nas próximas linhas deste texto.

Em quaisquer de suas correntes ou abordagens, a análise institucional trabalha com todo tipo de instituições, organizações, estabelecimentos, movimentos e grupos que são, ao mesmo tempo, os níveis da realidade social e da própria análise institucional.

As instituições compreendem conjuntos de leis, regras ou normas escritas adotadas segundo seu grau de formalização e, quando estas não estão enunciadas de maneira manifesta e explícita, podem ser hábitos ou regularidades de comportamentos que regem a conduta social que criva as organizações, os estabelecimentos, os grupos e os movimentos. Por isso a instituição exige a presença de um soberano a quem cabe ligar os aparelhos mediadores, cristalizando papéis e fazendo aparecer a burocracia, o comando, a obediência, a verticalidade, enfim, a função de supervisão vigilante e reguladora.

No nível institucional as tarefas e funções cristalizam-se em obrigações e deveres, pois nele são produzidas as decisões e regras que comandam e ordenam o funcionamento da sociedade, expressam a dominação, a alienação e os mecanismos de poder, definindo o jogo das relações entre os diversos grupos de interesses.

Lapassade (1999) confere às instituições um significado que vai além do âmbito jurídico-político, assumindo uma abordagem sociológica. Nesse sentido, as instituições definem aquilo que está estabelecido, em outras palavras, definem o instituído, sobressaindo- se o estado que faz as leis e que dá às instituições força de lei, pré-determinando o funcionamento das organizações.

Acontece que o instituído não exclui a presença do instituinte, reconhecido como uma resposta a uma demanda que o grupo reconheceu como sua, em outras palavras, o plano é um só, onde se instala um jogo de coesão e dissipação, de estabilidade e resistência. Nesse jogo, o instituinte tende a ser ofuscado e reprimido, pois, tido como ameaça, é fadado a existir na obscuridade e na clandestinidade.

Arduíno e Lourau, ao aceitarem a imaterialidade da instituição, admitem que sua noção seja problemática, visto que ela é

[...] um objeto virtual, produzido pela análise, que a elabora ao mesmo tempo em que a interpreta, muito mais do que um objeto real, já aí, sobre o qual se debruçaria a análise para decifrá-lo e traduzi-lo. A instituição é imaterial. Jamais é diretamente apreensível. Só se pode apreendê-la por intermédio da materialidade da organização. Ainda assim, é necessário que um instrumental analítico apropriado permita reconhecê-la em sua especificidade, descolando-a da organização com a qual, de outra forma, ela se confundiria (ARDOINO; LOURAU, 2003, p. 17).

As organizações, então, são os dispositivos concretos por meio dos quais as instituições se materializam, traduzem suas decisões em um sistema de leis, normas e regulamentos,

constituem uma burocracia e cumprem seu papel de regulação da vida humana, assumindo uma função reconhecida como legítima na sociedade. Dessa forma, constituem-se em um dispositivo que disciplina os corpos e, de alguma forma, aprisiona os indivíduos, abarcando todas as dimensões de sua vida.

A esse respeito, Lourau (2001) assinala que a sociedade funciona bem ou mal porque as normas universais, ou assim consideradas, não se aplicam diretamente aos indivíduos, elas passam pela mediação de formas sociais singulares que são as organizações, mais ou menos adaptadas a uma ou várias funções sociais.

Embora Lourau e Lapassade tenham elaborado um conjunto conceitual que contempla três níveis de análise institucional, a saber: as instituições, as organizações e os grupos, outros tratadistas dessa área de estudos preferiram adotar uma classificação que apresenta as organizações como sendo ligadas a unidades menores, moleculares, que são os estabelecimentos. Estes seriam as entidades intermediárias que funcionariam entre as organizações e os grupos. Essa é a perspectiva assumida neste trabalho.

Os estabelecimentos, em conjunto com as organizações, formam uma rede e são a elas, geralmente, vinculados e subordinados, ainda que na forma estritamente normativa, compondo um sistema, denominação mais usual na literatura sobre gestão. Os estabelecimentos, portanto, incluem dispositivos físicos e técnicos, cujos exemplos básicos são a arquitetura, a maquinaria, as instalações, o mobiliário, os arquivos, que são denominados de aparelhos. Incluem-se, ainda, o regimento, a estrutura organizacional, o organograma, a hierarquia, os regulamentos, os planos formais, os orçamentos. Mas tudo isso só adquire dinamismo por meio da ação e da prática dos agentes que são os seres humanos, seus suportes e maiores protagonistas. Nesse nível da organização social, o instituído encontra a necessária instrumentalidade que impõe entraves internos e externos levando, ao mesmo tempo, os agentes, os grupos, a realizarem práticas, ações de oposição, de resistência e de revolução que acabam por operar transformações na realidade social.

Os grupos e os movimentos, segmentos moleculares, são mobilizações de pessoas em torno de ideias com relação a um tema ou contexto que implica, geralmente, em uma mudança no conteúdo e na forma como este é tratado em determinado momento histórico. Por isso o grupo está sempre em processo, nunca é uma totalização realizada, nunca é estanque; tem uma práxis comum voltada para o exterior e seus membros a efetuam em conjunto e estabelecem relações entre si.

O grupo, segmento molecular do poder, nível primário da análise institucional para Lapassade (1999), é o plano da base e da vida diária, lugar em que se situam as práticas

sociais da análise e da intervenção. Nesse nível, observa-se com certa nitidez a força da instituição, do instituído, com suas leis, normas, horários, calendários, estatutos, regulamentos e todas as outras formas de supervisão e regulação cuja finalidade é manter a ordem e a organização do trabalho. Mais do que isso, vê-se também, ainda que de forma dissimulada, o poder exercido pelo estado e as relações de produção, de dominação e de exploração agindo sobre os grupos e as pessoas, agindo sobre o instituinte.

Acontece que os grupos em movimento podem entrar em um processo de cristalização, de sedimentação de suas práticas, de formalização de sua organização, objetivos e procedimentos. É nesse momento que se instala a burocracia e o grupo perde a sua “vida” original e se institui como organização, gerando novos movimentos instituintes de resistência e confrontamento. Como bem observa Bleger (1991), o grupo tem tendências a se estabelecer como uma organização com regras fixas e próprias, cristalizando-se. Entretanto, quanto mais o grupo tende a assumir a forma de organização, mais ele visa a existir por si mesmo marginalizando o seu objetivo propriamente terapêutico, ou subordinando-o a esse objetivo. Enfim, a organização da interação no grupo atinge um grau tal que pode se tornar antiterapêutica, ou seja, o grupo se estratifica e se cristaliza, perdendo de vista os motivos que o levaram a ser criado.

No campo da educação, a aplicação da análise institucional foi denominada por Ardoino e Lourau (2003) de Pedagogia Institucional, trazendo mais problemas do que os resolvendo, como por exemplo, a questão do corpo e da libido pedagógica, da autogestão e da hierarquia dos saberes, da formação contínua, da análise interna e do ambiente da escola, etc. Comentam os dois pensadores que, colocados esses problemas, o efeito específico das pedagogias institucionais está precisamente na transformação que alunos e educadores podem operar ao dirigir as suas condições de trabalho, de existência e de cidadania a partir das ações de sensibilização e de mobilização que contribuem, entre coisas, para o desenvolvimento do espírito crítico e criativo.

Com base nesse quadro conceitual, definiu-se o nível de análise da pesquisa realizada como sendo o institucional. A instituição considerada, a educação superior, é o seu campo de análise, na linguagem da análise institucional. As organizações consideradas no estudo são: o Ministério da Educação e a autarquia a ele vinculada, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. A unidade estudada é um estabelecimento de educação superior privado, que é o campo de intervenção, na linguagem institucional. Professores e dirigentes compõem os grupos investigados.

Para Baremblitt (2002), fica claro que o campo de análise é infinitamente superior ao campo de intervenção, que é o “recorte”, isso porque é demasiadamente utópico pensar o planejamento de uma intervenção em nível nacional, pois o máximo que se consegue delimitar são os campos de análises organizacionais, em geral partindo-se de uma ação direta no âmbito dos estabelecimentos.

Situando a instituição educacional no campo global das instituições sociais, cabe assinalar, conforme Veiga-Neto (2007, p. 70), que “não é demais insistir que, mais do que qualquer outra instituição, a escola encarregou-se de operar as individualizações disciplinares, engendrando novas subjetividades e, com isso, cumpriu um papel decisivo na sociedade moderna”.

No geral, parafraseando Foucault (1979), fazer a história de um estabelecimento educacional consiste em fazer emergir o arquivo desse estabelecimento no movimento de sua formação, como um discurso se constituindo e se confundindo com o movimento mesmo do estabelecimento educacional com as instituições, alterando-as, reformando-as.

Diante desse panorama, a educação superior, considerada como instituição, constituir- se-ia em apenas um dos seus aspectos, restando analisar os aspectos organizacionais e grupais que nelas se engendram. Pois é no interior dos grupos, dos estabelecimentos e das organizações que se constitui o espaço do movimento instituído-instituinte. O instituído abarca componentes cristalizados ou normativos, internalizados em um processo de identificação com o grupo instituído ou com a instituição ou com a organização. Mas também, abarca componentes de resistência, que resultam do movimento de superação da imposição social de papéis. Nesses componentes podem-se identificar as matrizes do instituinte e, da ação comum deles, surgiria o grupo em fusão, ou instituinte, aquele que busca resgatar a relação de interioridade, em oposição à alienação e a serialidade. (ANDRADE, 2005).

Embora não se tenham descartadas outras contribuições, desde que dentro da orientação teórica assumida, o referencial de apoio à análise institucional utilizado para orientar esta pesquisa é embasado em duas abordagens diferentes em poucos aspectos, mas convergentes, conectáveis entre si, ligadas por um ponto comum que é a filosofia nietzschiana. São elas:

a) A esquizoanálise, ferramenta conceitual, caixa de ferramentas criada por Deleuze e Guattari para estudar a subjetividade e os processos de subjetivação, entendendo o desejo como produção, como “constitutivo de um campo social. [...], parte da infraestrutura, não da ideologia: o desejo está na produção como produção social, como a produção está no desejo, como produção desejante” (DELEUZE; GUATTARI, 1976, p. 442);

b) A analítica do poder, criada por Foucault, que consiste em ver o poder não como uma teoria geral ou como uma realidade que possua uma natureza, mas como uma prática social constituída historicamente, algo que só funciona e se exerce em cadeia ou em rede, que não se aplica aos indivíduos, mas passa por eles, porque o poder nunca é apropriado como uma riqueza ou um bem (FOUCAULT, 1979).

Belgede KLAS‹K SOSYOLOJ‹ TAR‹H‹ (sayfa 126-129)