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Rassal Yürüyüş Teorisi ve Matematiği

BÖLÜM 2: ETKİN PİYASA TEORİSİ, DOĞRUSAL OLMAYAN YAPILAR,

2.1. Etkin Piyasa Teorisi

2.1.1. Rassal Yürüyüş Teorisi ve Matematiği

A política de descentralização pela qual passou o país após a Constituição Federal de 1988 transferiu mais responsabilidades aos municípios. Entre estas responsabilidades, está o desenvolvimento de uma política habitacional local. Entretanto, observou-se que a transferência de responsabilidades não foi acompanhada pela transferência de recursos, tanto de capacitação técnica às Prefeituras quanto a recursos financeiros.

Nesse novo quadro de enfrentamento do problema habitacional no nível local, o município de Jaboticabal teve uma experiência exitosa de construção de moradias com recursos próprios, no início da década de 90. Observou-se, porém, que essa experiência não conseguiu ser reproduzida novamente no município. Pelo contrário, o Município passou a ficar cada vez mais dependente dos programas habitacionais dos Governos Federal e Estadual. As evidências indicam que o município está encontrando dificuldades inclusive de viabilizar parcerias com os Governos Federal e Estadual para o financiamento habitacional, uma vez que o Município não está conseguindo atender a contra-partida exigida que é a área urbanizada.

Como a questão fundiária é a base para a produção das unidades habitacionais, dessa forma o Estado transferiu toda a responsabilidade para o Município. Confirma-se assim, uma das conclusões de CARDOSO & RIBEIRO sobre a municipalização das políticas habitacionais, na qual os autores citam que a descentralização das políticas habitacionais (por ausência) revela-se perversa: apenas os municípios mais ricos ou com maior capacidade administrativa conseguem desenvolver programas mais efetivos, seja com recursos próprios, seja com recursos externos.

Deve acrescentar-se a conclusão de CARDOSO & RIBEIRO os municípios que possuem estoque de terras públicas, além dos mais ricos ou com maior capacidade administrativa, entre aqueles que têm possibilidades de desenvolver programas de financiamento habitacional mais efetivos.

No caso de Jaboticabal, o Município não possui estoque de terras públicas e a arrecadação não permite classificá-la como um Município rico, restando apenas a capacidade administrativa que busca alternativas, como o Programa Autoconstrução Assistida, para resolver o problema habitacional do município. Apesar da tendência de crescimento do Autoconstrução Assistida esse programa tem-se mostrado insuficiente para atender a demanda do Município, pois anualmente estão sendo realizados 17 financiamentos e o déficit é de mais de 3.000 habitações.

Além da questão fundiária, a tendência dos financiamentos habitacionais sofre a interferência da vontade política de cada governante. No caso do Parque Primeiro de Maio houve uma elevação dos recursos financeiros municipais destinados à habitação, uma evidência do projeto político habitacional e priorização de investimento daquela administração.

Uma outra variável que pode estar interferindo na atuação do Município na área da habitação é a atual crise financeira associada às regras da Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF. A atual crise financeira diminui a capacidade de investimento do município e a Lei de Responsabilidade Fiscal não permite mais que o Município contraia dívidas. Antes da existência da LRF, as dívidas deixadas por uma administração eram renegociadas e assumidas pela administração seguinte sem qualquer punição. Entretanto, nesse trabalho a interferência das crises financeiras dos Municípios e a LRF na atuação da Política de Financiamento Habitacional não foram analisadas, mas fica como sugestão para investigação para os próximos trabalhos.

O trabalho permitiu observar que os governos do PT em Jaboticabal apresentam uma tendência por programas alternativos de habitação que priorizam o acesso à moradia às famílias de baixa renda, como o Mutirão e a Autoconstrução. No município de Jaboticabal, verificou-se a realização de Mutirão com recursos próprios (Parque 1º de Maio), com recursos do Governo Federal (Jardim Petrassi) e com recursos do Governo Estadual (C.H. Yukio Nakagi), todos ocorridos em gestões do PT. Mas, mesmo nas administrações petistas, o processo de produção empresarial de habitações, modelo capitalista, também ocorreu (Residencial Jaboticabal).

Não há evidências suficientes para afirmar que os governos petistas em Jaboticabal tenham sido influenciados pelos ideais da Reforma Urbana. Entretanto, verificou-se que devido à ausência de movimentos sociais organizados de luta por terra e moradia no Município, os programas alternativos desenvolveram-se por iniciativa do Poder Público.

As recomendações para que o Município de Jaboticabal volte a ter uma Política Habitacional com maior autonomia, como no caso do Parque Primeiro de Maio, e para que possa atender às famílias de baixa renda são: a criação de um Fundo Municipal para Habitação Social; a viabilização de recursos financeiros para o Fundo; a criação de um estoque de terras; e a aplicação dos instrumentos do Estatuto da Cidade para combater a especulação imobiliária e possibilitar a ampliação do acesso à moradia e à cidade.

O trabalho permite concluir que enquanto não houver uma maior interação entre as políticas de financiamento do Governo Federal, Estadual e Municipal, o problema do acesso à moradia continuará grave. O Governo Federal, através da CEF, seguirá atendendo às famílias com capacidade de pagamento aos seus financiamentos, não se importando com as famílias de baixa renda; o Governo do Estado, através da CDHU, continuará financiando moradias apenas nos municípios com estoque de terras ou com capacidade financeira para aquisição de novas áreas; e, o município de Jaboticabal, continuará buscando alternativas para atender às famílias de baixa renda, enfrentando a questão fundiária e a falta de recursos financeiros.

Espera-se que o trabalho possa ter contribuído acerca da discussão sobre a atuação do Poder Público na Política de Financiamento Habitacional, chamando a atenção para as dificuldades encontradas pelos Municípios em atender às famílias de baixa renda e ressaltando a ausência do Estado no processo de descentralização da Política Habitacional.