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2. ÇALIŞMA ORTAMINDA PSĐKOLOJĐK TACĐZ

2.1. Çalışma Ortamlarında Psikolojik Taciz Davranışının Aşamaları ve Etkileri

2.1.1. Psikolojik Tacizin Davranışsal Belirtileri

A abordagem institucional tem suas origens nas ciências sociais, principalmente na sociologia, na ciência política e na economia (DIMAGGIO e POWELL, 1991; SCOTT, 2001). Para Scott (2001), os recentes trabalhos que ligam as organizações aos argumentos institucionais começaram por volta de 1940. Distingue-se de teorias de caráter racionalista, fundamentalmente, por entender que os fenômenos sociais políticos, econômicos, culturais e outros, que compõem o ambiente institucional, moldam as preferências individuais e as categorias básicas do pensamento, como “o indivíduo”, “a ação social”, o “Estado” e a “cidadania” (Vieira e Carvalho, 2003).

Em sua vertente de análise das organizações como um tipo diferenciado de sistema social, DiMaggio e Powell (1991) defendem que Selznick (1948, 1949, 1971, 1972) foi o precursor do institucionalismo, uma vez que com o seu trabalho de Selznick (1948, 1972) as organizações começaram a ser entendidas além de sua expressão estrutural de ação racional, já que elas eram, até então, tratadas somente como um mecanismo voltados para atingir metas específicas (FONSECA, 2003; SCOTT, 2001).

Na visão de Selznick (1948, 1972), as organizações não estão apenas inseridas em um ambiente, mas em uma efetiva interação com este ambiente, que é repleto de símbolos e de valores, que precisam ser considerados se elas buscam encontrar sua legitimidade, sua sobrevivência e seu equilíbrio. Neste sentido, operam como um sistema orgânico, afetado por características sociais e por seus participantes, assim como por variáveis impostas pelo ambiente (SCOTT, 2001). Selznick (1972) distingue elemento técnico e elemento institucional das organizações. Na faceta técnica, as organizações têm suas premissas baseadas no atendimento a um dado fim, baseado em um processo racional. Na faceta institucional, a maior preocupação é com os elementos relacionados à sobrevivência e à manutenção das organizações, nem sempre baseados em escolha racional.

Segundo Ostrom (1990), o termo instituição possui várias definições, podendo se referir a tipos diferentes de entidades. Instituição pode se referir tanto a uma organização quanto a

normas, regras e estratégias adotadas por indivíduos que operam dentro ou entre as organizações.

Bourdon e Bourricaud (2000) acreditam que a dificuldade em definir instituições deve-se à aplicação geral do termo tanto para as condutas públicas e privadas em geral como para as sancionadas de forma explícita e coercitiva por órgãos da sociedade especificamente designados para tal.

Há várias razões para essa dificuldade de definição e ambiguidade na teoria institucional: o conceito de instituição distingue-se no campo de disciplinas científicas diferentes; e os institucionalistas atribuem importância distinta a questões macro e microestruturais dos fenômenos estudados e pesos também diferenciados às questões cognitivas e normativas que compõem as instituições.

Ostrom (1990) utiliza o termo instituições como normas, regras e estratégias que estruturam padrões de interação em situações repetitivas. Sendo que: regras são prescrições compartilhadas e mutuamente entendidas que são previsivelmente aplicadas em situações específicas por agentes responsáveis pelo monitoramento da conduta e pela imposição de sanções; normas são prescrições compartilhadas que tendem a ser reforçadas pelos próprios participantes mediante a imposição de custos e incentivos; estratégias são os planos que os indivíduos fazem no âmbito da estrutura de incentivos produzida pelas regras, normas e expectativas sobre o comportamento provável de outros indivíduos em situações afetadas por condições físicas e materiais relevantes.

Jepperson (1991) define instituição como um procedimento organizado e estabelecido na forma de um sistema normativo constituído de rotinas autorreproduzidas, socialmente construídas. De acordo com Jepperson (1991), as instituições são como regras do jogo de uma sociedade e estruturam um conjunto de incentivos – positivos e negativos – para a efetivação de trocas, sejam políticas, econômicas ou sociais. Para este autor, as instituições são definidas como uma ordem social ou padrão que adquire certo estado ou propriedade. Ocorre que quando uma prática social é institucionalizada em determinado contexto, torna-se parte da vida daquela comunidade. De modo geral, ao interpor regras que constrangem o comportamento e a interação de um conjunto de atores, as instituições permitem a organização da vida política ao estabelecerem mecanismos que fornecem estabilidade a um

contexto social. O mesmo Jepperson (1991) destaca ainda que as instituições revelam um padrão regular de reprodução de um processo. Dizendo de outra forma, “as instituições são aqueles padrões sociais que, quando cronicamente repetidos, subsistem por meio de um conjunto de processos sociais” (JEPPERSON, 1991: 145). Assim, a abordagem institucional procura elucidar o papel desempenhado pelas instituições na determinação de resultados políticos, sociais e organizacionais.

Para Scott (2001), as instituições podem ser vistas como regras, normas ou scripts que fornecem modelos morais, ou cognitivos, para guiar as ações dos indivíduos. Instituições podem ser constrangimentos formais – leis, regras, normas – ou informais – convenções, valores, símbolos, códigos de conduta. De acordo com Scott (2001), as instituições, como estruturas sociais, fornecem aos indivíduos e às organizações linhas de ação e orientação, ao mesmo tempo em que controlam e constrangem o comportamento desses atores. Neste sentido, os sistemas de crenças existem tanto objetivamente, como fatos sociais em um sistema cultural, como subjetivamente, como concepções nas mentes dos indivíduos.

Para esta tese adotou-se a definição de Scott (2001), segundo a qual as instituições são sistemas simbólicos compostos por elementos regulatórios, normativos e cultural/cognitivos, que estão associadas a um conjunto de comportamentos e recursos e produzem estabilidade e significado em um dado contexto social ao determinar as regras do jogo a serem observadas por um conjunto de atores.

A definição do parágrafo anterior destaca as propriedades regulatórias, normativas e cultural- cognitivas das instituições e mostram que, para se desenvolverem, essas características não podem estar dissociadas de um conjunto de comportamentos e de recursos materiais. Para Scott (2001), não há como separar instituições de comportamento, posto que elas são elementos que influenciam o comportamento de um conjunto de atores. Ademais, direcionam a utilização de um leque de recursos e, dessa forma, promovem resultados.

Zucker (1991) defende que o desenvolvimento da teoria institucional, por muito tempo, foi realizado no âmbito do paradigma funcionalista e estruturalista, prevalecendo a ideia de cooptação, condicionamento e persistência por parte das instituições, não dando espaço ao agente como veículo de mudança. No entanto, o advento do neoinstitucionalismo, após da divulgação das ideias propostas por Meyer e Rowan (1977) e Zucker (1991), influenciados

principalmente pela fenomenologia de Berger e Luckmann (2003), disseminou a possibilidade de se analisar as instituições sob uma perspectiva interpretativista, resgatando o papel do ator no processo de reprodução das instituições e sua capacidade de mudança, calcado principalmente nos aspectos cognitivos.

Para Machado-da-Silva, Fonseca e Crubellate (2005), persistência e mudança não devem ser vistas de forma dicotômica, o que levou os autores a desenvolver a ideia de uma abordagem recursiva do processo de institucionalização. Para esses autores, a teoria institucional deve ser encarada como multiparadigmática, situando-se em uma posição intermediária em um

continuum entre as orientações determinista e voluntarista da ação organizacional.

De acordo com Goodin (1996), o novo institucionalismo pode ser resumido a um conjunto de proposições: os agentes individuais e os grupos buscam seus objetivos num contexto coletivamente constrangido; os constrangimentos tomam a forma de instituições –– aqui entendidas como padrões organizados de normas e papéis socialmente construídos, além de um conjunto de comportamentos esperados dos ocupantes desses papéis; as instituições constrangem o comportamento dos atores, mas são, de várias maneiras, vantajosas para os para os indivíduos e grupos na busca de seus interesses particulares; os fatores sociais que constrangem o comportamento dos indivíduos e dos grupos também moldam os desejos, as preferências e as razões das pessoas, influenciando, por consequência, a definição de suas metas e estratégias de ação; os constrangimentos possuem raízes em características históricas e são, em grande medida, resíduos ou consequências de escolhas passadas; os constrangimentos “oferecem”, preservam e alteram diferentes recursos de poder a diferentes grupos de indivíduos em um dado contexto social; e as ações individuais e dos grupos, constrangidas e moldadas pelas instituições, são o motor que move a vida social.

Fonseca (2003) defende que o neoinstitucionalismo não consiste apenas em uma nova roupagem do “antigo”, mas em uma tentativa de continuação. Selznick (1996) ressalta que as tentativas de distinção entre o velho e o novo institucionalismo devem ser tratadas com certo cuidado, uma vez que, apesar das novas e relevantes contribuições, muito do novo incorpora o que está no velho. Em comum entre o novo e o velho institucionalismo estão a importância que emprestam à relação entre a organização e o ambiente, ambos entendidos como entidades culturais, e o caráter limitativo que atribuem às abordagens racionais instrumentais (DiMaggio e Powell, 1991).

Existem, porém, divergências importantes, como a orientação política dos adeptos do “antigo” institucionalismo, expressa na marcante ênfase no conflito de interesses na formulação da ação organizacional, pouco considerado no tratamento atual; a conceitualização do ambiente, tido como componente constitutivo da organização pela nova geração, contra mero campo fornecedor de elementos de cooptação pela antiga; e a passagem do pensamento baseado na teoria da ação parsoniana, arraigada na abordagem freudiana do ego para utilização dos princípios da teoria da ação prática, originária da etnometodologia e da revolução cognitiva da psicologia (DiMaggio e Powell, 1991).

A perspectiva adotada nesta tese é do neoinstitucionalismo sociológico, cujo interesse central está no entendimento nos processos que levam as organizações a adotarem um conjunto específico de arranjos institucionais, normas, práticas e símbolos particulares. Nesta perspectiva, as organizações estão mergulhadas em uma rede de valores, normas e padrões de comportamentos tomados como verdadeiros (taken-for-granted), que guiam e constrangem as atitudes dos atores ao logo do tempo.

DiMaggio e Powell (1991) destacam que a abordagem institucionalista sociológica avalia de forma cética alguns pressupostos da escola estrutural funcionalista, segundo a qual a estrutura das organizações obedece a padrões de orientação estratégica dos atores. Dessa forma, a corrente sociológica enxerga as instituições como um conjunto de padrões, normas e valores embebidos numa realidade cultural, que restringe as opções perseguidas por uma organização.

A abordagem do novo institucionalismo sociológico enfatiza de forma fundamental o relacionamento da organização com seu ambiente. No mesmo sentido, Scott (2001) destaca que a abordagem sociológica visualiza a organização inserida em um ambiente externo que seria vital à sua sobrevivência. Para Mignerat e Rivard (2005), atores organizacionais agem com o objetivo de ganhar legitimidade em um dado ambiente, para, dessa forma, garantir a sobrevivência ao longo do tempo. A busca da sobrevivência por meio da legitimidade ajuda a explicar por que a organização se adere a um conjunto de pressões institucionais (MIGNERAT e RIVARD, 2005).

A busca por legitimidade em seu ambiente acaba por provocar pressões por isomorfismo institucional. Hall e Taylor (2003) afirmam que o novo institucionalismo sociológico procura

explicar por que as organizações adotam um conjunto específico de arranjos formais, procedimentos e símbolos institucionais. Ao explicar a questão, Zucker (1991) afirma que muito da vida da organização deve ser compreendido a partir da persistência de um conjunto de práticas tomadas como verdadeiras e que, em função disso, é possível perceber a homogeneização de formas de arranjos organizacionais. DiMaggio e Powell (1991) afirmam que as formas organizacionais são construídas a partir de processos que tornam as organizações mais similares, e que a homogeneização ocorre a partir do surgimento dos chamados “campos organizacionais”, que fornecem um contexto institucional em que os esforços individuais para lidar racionalmente com a incerteza e as restrições levam, de maneira conjunta, à homogeneidade da estrutura.

Considera-se como fator preponderante para o isomorfismo a “adequação social”, que é a aquisição de um formato organizacional considerado legítimo em determinado ambiente institucional. Scott (2001) chama a atenção para a semelhança das características estruturais dos formatos das organizações de um mesmo campo organizacional, o que explica por que as práticas e as estruturas das universidades são parecidas, da mesma forma que nos hospitais ocorre o mesmo fenômeno, e assim por diante. O novo institucionalismo sociológico postula que as modificações e o surgimento de novas instituições ocorrem para tornar as organizações legítimas àqueles que dela participam, sem necessariamente torná-las mais eficientes (DIMAGGIO e POWELL, 2005). As organizações adotam certos arranjos e certas configurações pelo valor que possuem em um dado ambiente cultural mais amplo.

Segundo Dimaggio e Powell (1991), o ambiente é um fator de homogeneização organizacional, na medida em que são difundidas práticas e formas de organização institucionalizadas pela comunidade de organizações pertencente a um mesmo campo. O fenômeno em si da homogeneização, denominado de “isomorfismo”, pode se dar em função de diferentes causas, desenvolvendo-se, segundo DiMaggio e Powel (1991), por meio de três mecanismos distintos: coercitivo, normativo e mimético.

O mecanismo coercitivo se dá quando organizações são submetidas a pressões externas, formais ou informais, vindas de outras organizações das quais são dependentes ou em virtude de expectativas culturais da sociedade na qual a organização está inserida. O exemplo mais conhecido deste mecanismo é a atuação do governo sobre as organizações, por meio de leis,

normas e exigências quanto a padrões de produção, comportamento organizacional e relações com consumidores.

O mecanismo normativo é diretamente proveniente do estabelecimento de padrões por determinada comunidade profissional, com vistas a embasar cognitivamente e dar legitimidade à atividade por ela desenvolvida. As universidades e as associações profissionais são duas fontes importantes de isomorfismo sob essa perspectiva. Segundo Machado-da-Silva e Gonçalves (2000), a profissionalização envolve o compartilhamento de um conjunto de normas e rotinas de trabalho por dada ocupação, que comumente são transmitidas por universidades, associações e institutos de treinamento para as organizações, por meio da seleção e promoção dos membros que compartilharam tal conjunto de regras, implementando- as nas organizações em que desenvolverão as atividades.

O mecanismo mimético ocorre em função da incerteza, que compele as organizações a buscarem padrões de estruturação e atuação em outras organizações. Como processo mimético, entendem que este é resultante de respostas padronizadas em relação às incertezas, por meio do que os autores chamam de “isomorfismo mimético”. Segundo Dimaggio e Powell (2005), situações ambíguas e ambientes turbulentos influenciam as organizações a adotarem práticas de outras organizações que estas consideram como “válidas”. “As empresas adotam inovações para aumentar sua legitimidade, para demonstrar que estão ao menos tentando melhorar suas condições de trabalho” (DIMAGGIO e POWELL, 2005, p. 79). Ao verificarem o sucesso de outras organizações atuantes no mesmo ramo de atividades, as organizações tendem a apresentar o comportamento mimético, processo que explica a existência de modismos no mundo dos negócios. (MACHADO-DA-SILVA, et al., 2000; PACHECO, 2002)

Segundo Machado-da-Silva, et al. (2000), o peso de cada um dos três mecanismos isomórficos nos processos de transformação organizacional depende da situação e da história sociocultural de cada sociedade. Assim é que em sociedades democráticas e com maior oferta competitiva de bens e serviços tendem a predominar processos miméticos e normativos, enquanto que em sociedades de tradição autoritária, como a brasileira, a tendência é que predominem mecanismos coercitivos. No caso específico da sociedade brasileira, o formalismo, discrepância entre a previsão contida nas normas e a realidade social, estaria

associado com o mecanismo coercitivo na dinâmica das mudanças sociais (MACHADO-DA- SILVA et al., 2003).

Scott (2001) defende que os sistemas regulatórios, normativos e cultural-cognitivos têm sido identificados por alguns teóricos sociais como pilares, pois constituem os elementos que suportam as instituições. Todavia, como estes sistemas operam interativamente, interdependentes e mutuamente reforçadores, mesmo que existam elementos que os distingam em relação a pressupostos, mecanismos e indicadores ingredientes essenciais das instituições, esta distinção é principalmente didática (Quadro 3).

Para Scott (2001), todas as escolas institucionais afirmam que os aspectos regulatórios das instituições forçam e regulam o comportamento. As escolas mais associadas ao pilar regulatório se distinguem pela ênfase no processo regulatório explícito, por meio de regras, monitoramento e sanções. Portanto, o processo regulatório envolve a capacidade de estabelecer regras, inspecionar a conformidade dos outros, e, se necessário, manipular as sanções, recompensas e punições, na tentativa de influenciar o comportamento futuro.

Quadro 3 – Os Três Pilares da Instituição

Regulatório Normativo Cultural-cognitivo

Bases de Conformidade

Utilidade Obrigação social Aceitação de pressupostos e Entendimento compartilhado Bases de

Ordem

Regras regulatórias Expectativas de adesão Esquemas Constitutivos

Mecanismos Coercitivo Normativo Mimético

Lógica Instrumental Adequação Ortodoxia

Indicadores Regras, leis, sanções Certificação e Aceitação Crença comum e lógica compartilhada de ação Bases de

legitimação

Legalmente sancionado Moralmente governado Conceitualmente correto e Culturalmente sustentado Fonte: Scott (2001, p. 52).

Todavia, não necessariamente o processo regulatório tem que ser formalizado, podendo ser difundido por meio de mecanismos informais, como modos do povo, vergonha ou recusa em desempenhar certas atividades (SCOTT, 2001). Este pilar está associado com o mecanismo coercitivo proposto por DiMaggio e Powell (2005) na forma de isomorfismo coercitivo, derivado de influências políticas e do problema da legitimidade, nos quais englobam as pressões tanto formais quanto informais, as quais são exercidas sobre as organizações por

outras organizações das quais elas dependem e por expectativas culturais da sociedade no meio em que atuam.

Como Weber (1979) enfatiza, poucas regras têm capacidade para fundamentar seu regime somente na força, pois necessitam de cultivar a crença em sua legitimidade. A perspicácia de Weber (1979) em trabalhar o poder como algo que permeia a estrutura de dominação, pela qual o dominado aceita a autoridade como legítima, possibilitou o entendimento de que todo processo regulatório não acontece no vácuo, pois também está intimamente relacionado com o processo normativo e cultural-cognitivo. Assim, força, medo e conveniência são ingredientes centrais do pilar regulatório, mas estes sempre são acomodados por existência de regras morais ou regras formais e leis.

Para Scott (2001), um segundo grupo de teóricos vê as instituições sustentadas primariamente no pilar normativo. A ênfase aqui é nas em regras normativas que introduzem uma dimensão prescritiva, valorizada e obrigatória da vida social. Sistemas normativos incluem tanto valores quanto normas. Segundo Scott (2001), valores são concepções preferenciais ou desejáveis, juntamente com a construção de padrões em que as estruturas existentes ou o comportamento podem ser comparados e acessados. Normas especificam como as coisas devem ser feitas, definindo os meios legitimados para atingir os fins procurados. Contudo, alguns valores e normas não são aplicados a todos os membros, sendo, muitas vezes, aplicados a alguns tipos específicos de atores ou posições. Ou seja, variam conforme os papéis – concepções para designarem objetivos e atividades para indivíduos em particular ou para uma posição social específica. Essas crenças não são simplesmente expectativas e prognósticos de como os atores se comportarão; elas são compartilhadas entre os autores nas quais são internalizadas em vários graus (SCOTT, 2001).

Apesar de sistemas normativos serem vistos tipicamente como restrições ao comportamento social, eles também permitem e capacitam a ação social (SCOTT, 2001). O pilar normativo está associado com os mecanismos normativos dispostos por DiMaggio e Powell (2005) na forma de isomorfismo normativo, que são derivados, principalmente, da profissionalização.

O terceiro pilar é elemento central para, principalmente, antropólogos e sociólogos, pois estes enfatizam que a natureza da realidade social é constituída a partir da criação de significado. A atenção à dimensão cultural-cognitiva é característica do neoinstitucionalismo (SCOTT,

2001), tomando seriamente a dimensão cognitiva da existência humana, que media o mundo externo de estímulos, e a resposta dos organismos individuais, nas quais internalizam as representações simbólicas. Como elementos externalizados pela conduta humana são formados conforme o significado atribuído à objetividade. Ou seja, o ambiente é interpretado e a interpretação do sujeito é o mecanismo operacional, de natureza cognitivo cultural, da recursividade inerente à institucionalização (MACHADO-DA-SILVA, FONSECA e CRUBELLATE, 2005).

Apesar da importância dada à cognição no processo de institucionalização, Scott (2001) reconhece que o processo de interpretação é influenciado pela estrutura cultural externa, podendo se perceber a mudança de ênfase na própria obra do autor. Em sua primeira edição de Institutions and Organizations, o autor tratava o terceiro pilar como cognitivo, passando a adotar em sua segunda edição do livro a nomenclatura cultural-cognitiva. A diferença de nomenclatura não é só semântica. Ela reforça que a estrutura institucional provê modelos de organização pré-fabricados e scripts, que formam a intersubjetividade entre os significados