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PROGRAMIN SÜRDÜRÜLEBİLİRLİK SÜRDÜRÜLEBİLİRLİK

Planlama ve Yürütme Verimliliğinin

12. PROGRAMIN SÜRDÜRÜLEBİLİRLİK SÜRDÜRÜLEBİLİRLİK

tonalidade, contudo a originalidade mantém-se presente nas suas melodias fortemente expressivas de tonalidade ampliada. Com Benjamin Britten nasce, por conseguinte, uma linguagem musical específica ancorada na tradição inglesa (Bosseur e Bosseur, 1990). Sobre a obra em questão, Watkins (1988) menciona a escrita exuberante para trompa e voz, o sentido de harmonia refinado, consciente da potencialidade dos modos e do poder da politonalidade. Toda a obra resulta de poemas de autores ingleses sobre o tema da noite/entardecer, Nocturno foi escrito por Alfred Tennyson:

The splendour falls on castle walls And snowy summits old in story:

The long night shakes across the lakes, An the wild cataract leaps in glory.

Blow, bugle, blow, set the wild echoes flying.

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Britten foi um entusiasta pela actividade musical infantil, inclusive compôs várias obras para crianças nomeadamente óperas, a título de exemplo: “Let’s Make an Opera” e “The Little Sweep” em 1949 e “Noye’s Fludde” em 1957.

195 Bugle, blow; answer, echoes, answer, dying. O hark, O hear, how thin and clear,

And thinner, clearer, farther going! O sweet and far from cliff and scar The horns of Elfland faintly blowing! Blow, let us hear the purple glens replying. Bugle, blow; answer, echoes, answer, dying. O love, they die in yon rich sky,

They faint on hill or field or river: Our echoes roll from soul to soul And grow for ever and for ever.

Blow, bugle, blow, set the wild echoes flying. And answer echoes, answer, dying.

O poema musicado por Britten resulta numa obra de constante emoção e expressividade, repleta de trompas e clarins, de crescendos e diminuendos, inclusive na voz e nas cordas que apresentam uma forma ondulante. Consta ainda um motivo melódico descendente e em decrescendo sempre que surge a palavra dying “morrendo”. Não esqueçamos que a obra foi composta em plena guerra e o poema oferece-nos, entre outras imagens, uma imagem que poderia ser de batalha. O que têm as crianças a dizer sobre o “Nocturno” da

Serenata para Tenor, Trompa e Cordas op. 31?

O exemplo musical em análise foi trabalhado no Grupo C e no Grupo D, os grupos intermédios. As crianças do Grupo C (4-6 anos de idade) fizeram referências a histórias de piratas como o Pirata das Caraíbas, Capitão

Gancho, a guerra/luta de piratas, os canhões dos barcos do Capitão Gancho

etc. De facto, o poema retrata a noite, a morte e, como referido anteriormente, transparece uma imagem que poderia ser de batalha. Não deixa de ser interessante também o facto de Tennyson escrever: “The long night shakes across the lakes, an the wild cataract leaps in glory” (a longa noite faz tremer os lagos e a cascata salta em luz gloriosa), e as cordas em determinados momentos surgirem com movimentos melódicos ondulantes, semelhante ao movimento das ondas do mar. Salientamos, novamente, que não houve qualquer tipo de indução por parte do adulto que liderou a actividade ou conhecimento prévio sobre a intenção do compositor nas

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actividades de reflexão com as crianças. As cores mencionadas foram: o amarelo, que podemos associar ao brilho harmónico muito presente na tendência composicional de Britten; o branco que associamos à atmosfera resultante das palavras de Tennyson “O hark, O hear, how thin and clear, and thinner, clearer, farther going!” (Escutai, escutai quão ténue e claro, e mais ténue, mais claro, mais longe!); o azul, “a água do mar”, o lago, a cascata; o vermelho e o laranja a que podemos associar à energia do movimento das cordas com os crescendos e diminuendos; e o castanho, que contrasta com as outras cores quentes, uma vez que a obra é composta por crescendos e diminuendos. As crianças explicaram ainda que o castanho se devia à cor dos piratas e dos seus barcos. As crianças gostaram da música, sentindo ainda uma certa alegria na sua audição, recorde-se a movimentação das trompas e clarins e dos violentos e entrecortados motivos de duas notas nos violinos. Uma das crianças referiu ainda a Música da

Cinderela, esta resposta não se aproxima da intenção composicional de

Britten mas aproxima-se das respostas das crianças do Grupo D (6-7 anos de idade) que fizeram associações a um baile real, “uma princesa que dança com um príncipe”, “um senhor super gordo com um grande bigode que canta na ópera… e há também uma donzela”. Contudo, algumas crianças sentiram a música triste, foi referida a cor preta, além de cores mencionadas no Grupo C como o azul, o branco e o vermelho. As crianças do Grupo D (mais velhas, em termos comparativos), não aceitaram tão bem o exemplo musical como as crianças do Grupo C, nem todas gostaram. Interessante o facto de uma das crianças adoptar uma atitude formalista em relação à voz do tenor, referindo-a como uma “voz áspera”.

Outro exemplo auditivo proposto, e desta vez para o Grupo C e o Grupo F (10-11 anos de idade), foi a “Sonata V” de Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado de John Cage (Cage, Sonatas and Interludes for Prepared

Piano, 2006), composta entre 1946 e 1948. A partir de 1937, Cage,

desenvolve o seu interesse pela dança e percussão (Kennedy, 1994) e introduz a técnica do piano preparado em que as cordas foram preparadas de modo a produzirem sonoridades estranhas. Ao colocar peças metálicas, de plástico e de outros tipos de material entre as cordas e o martelo,

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transformou o familiar piano num “exótico e timbricamente diversificado instrumento de percussão” (Watkins, 1988:559). A altura indeterminada dos ruídos introduzidos por Cage levou naturalmente a uma ênfase da estrutura rítmica nas suas obras musicais.

Cage, vanguardista por excelência, foi um dos pioneiros da música aleatória e de outras tendências composicionais, controversas na altura – “No meio de tantas polémicas em torno de suas ideias, disse uma vez a seus opositores: «Os senhores não precisam considerá-la música, caso essa expressão os choque!»” (Pahlen,

1993:466) – e ainda para alguns na actualidade, “prefiro um carro de bois a chiar do que ouvir a música de Cage”42 (Azevedo, 1998:54).

Se considerarmos uma “querela pró e contra Cage”, as crianças que ouviram a “Sonata V” de Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado (Grupo C e F) estão significativamente do lado dos aficionados. Todas as crianças expressaram um gosto pelo exemplo musical, ouviram-se comentários como “bonita”, “alegre” e “muito alegre”. Houve ainda uma associação muito grande por parte do Grupo C aos instrumentos musicais, muitas das referências que as crianças fizeram remetem para o som dos instrumentos e para histórias cujas personagens são instrumentos, facto interessante tratando-se do piano preparado com uma diversidade tímbrica notória. A expressividade e criatividade das crianças conduziu ainda a referências bem distintas como:

Capuchinho Vermelho, história do Gato das Botas, uma bola a saltitar e a

rebolar, som das gaivotas e o sol. Quando questionado às crianças sobre a cor que a música tem, surgiram também diversas respostas como: amarelo, rosa, vermelho, verde e cereja. Em relação ao cheiro da música, uma das crianças referiu o cheiro a “fumo dos carros”. Interessante o facto de, à priori, ser um cheiro não muito agradável e essa mesma criança gostar do exemplo musical. Isto leva-nos à conclusão que a percepção estética da criança em termos de gosto é independente àquilo que ela considera como agradável. Considerando as teorias estéticas, deixamos de lado “o belo clássico” e os

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Frase proferida por Fernando Corrêa de Oliveira (compositor erudito do panorama actual português), numa entrevista levado a cabo, já no final do século XX, pelo compositor Sérgio Azevedo aquando da realização de um estudo sobre a música do século XX em Portugal.

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seus princípios inalteráveis e entramos num outro tipo de beleza, próxima da autenticidade e intencionalidade (ver enquadramento teórico, O Belo Musical

e a Música do Século XX). As referências que as crianças do Grupo F

(crianças mais velhas) fizeram, vão ao encontro da dança (um dos interesses de John Cage) e de algum exotismo resultante dos timbres e dos sons percutidos pelo piano preparado, por exemplo, as crianças sentiram semelhanças com a música africana, o samba, a dança do hula e fizeram referências a feitiços e danças de feiticeiras. Uma das crianças fez referência a “alguém que dança descoordenadamente”, outra referiu inclusive um gago, sentindo deste modo um discurso musical não muito fluido e métrico. As cores expressas foram o laranja, tida como uma cor enérgica, o verde alface a que a criança relacionou com a alegria, o roxo justificado como sendo a cor associada às poções das bruxas, o castanho e o preto, que remetem para a música africana, para os tambores e para os sons secos e percussivos. “Sonata V” de Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado foi também aplicado na questão aberta dos inquéritos (a 4.ª questão, sobre a percepção musical do adulto face à música erudita contemporânea) onde os inquiridos, os formandos dos cursos de Animação Sociocultural (ASC) e Educação Básica (EB), teriam de caracterizar esteticamente 10 exemplos musicais em termos de análise formal e/ou fazer referências exteriores à música através de imagens e sentimentos. Podemos deste modo, fazer algumas analogias entre as respostas das crianças e as respostas do adulto. Verificámos que a expressão mais utilizada pelas crianças do Grupo F foi a dança - nomeadamente a “dança africana” -, também, 26 dos formandos referiram a dança e o movimento corporal, 22 inquiridos fizeram inclusive referência à música africana e 10 inquiridos referiram tambores e djembés. O batuque, resposta ainda presente nos inquéritos, corresponde ao samba, uma das respostas das crianças. Também uma criança do Grupo C respondeu o sol, igualmente o conceito surge numa das respostas de um inquirido de Educação Básica, e outro ainda referiu uma imagem de calor a que podemos associar também ao sol e ao tempo quente. Cores quentes foi uma das respostas dadas pelos inquiridos, nomeadamente amarelo, vermelho e laranja, cores também expressas pelas crianças. Ainda encontramos em

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comum o castanho e o preto. No brainstorming, um dos inquiridos do curso de ASC referiu “magia”, também as crianças referiram imagens de feitiços e feiticeiros. Alegre foi um dos sentimentos que comummente surgiu na reflexão com as crianças e no inquérito aos adultos. O ritmo irregular que os formandos sentiram na análise musical associa-se à dança descoordenada e ao gago (resposta das crianças). Encontramos ainda na análise formal 17 inquiridos que referiram a diversidade sonora/exploração instrumental que converge, sem dúvida alguma, com a referência aos instrumentos e histórias de instrumentos do Grupo C. Encontramos, deste modo, segundo a visão

expressionista referencialista, várias analogias entre a percepção musical da

criança e do adulto.

“March and Reprise”, 5.º e último andamento do Concerto Grosso, escrito em 1950 por Vaughan Williams (Williams, Vaughan Williams: Greensleeves,

Tallis Fantasia, The Lark Ascending, 1991), foi outro exemplo proposto para

os Grupos C e F. Contrastando com a tendência vanguardista de John Cage, Williams é catalogado como um compositor “tradicional”. Fortemente influenciado pelo nacionalismo, iniciou um trabalho de recolha de música popular inglesa em 1902 (Kennedy, 1994) e aplicou, nas suas composições, melodias, ritmos e harmonias modais típicas da canção popular. Sofreu ainda influências de compositores ingleses do século XVI, dos impressionistas franceses, Debussy e Ravel e de compositores barrocos como Bach e Händel (Grout e Palisca, 1988; Kennedy, 1994). Considerado um compositor individual, defendia que um compositor deve “fazer da sua arte a expressão da vida de toda a comunidade” (Kennedy, 1994:754).

Apesar de conter uma ambiência sonora altamente diferente do exemplo anterior - “Sonata V” de Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado de John Cage -, as crianças do Grupo C, provavelmente por ser uma obra para orquestra de cordas, sentiram-se também motivadas para criar uma história sobre instrumentos e notas musicais, incluindo ainda a imagem da Bela

Adormecida. O Grupo F (crianças mais velhas) por sua vez, fez referências a

músicas de filme, três mosqueteiros a andar nos seus cavalos, Indiana Jones e violinos a tocar. Os sentimentos expressos foram liberdade, alegria,

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tranquilidade e acção – “por um lado é calma mas por outro consigo sentir acção”. Suavidade também foi um dos sentimentos expressos pelas crianças do Grupo C. Foram referidos ainda pelo Grupo F cheiros campestres, nomeadamente cheiro a rosas e malmequeres. Em relação às referências sobre as cores, encontramos em comum o azul e o amarelo. O Grupo F referiu ainda o castanho e o dourado, associação que as crianças fizeram aos instrumentos de madeira e sopro de metal. Concluindo, contrariamente aos exemplos anteriores, não encontramos relações muito concretas em termos de respostas estéticas, nomeadamente no que concerne a uma visão

referencialista. Destacamos, no entanto, a associação entre as ambiências

de tranquilidade/suavidade (aproximação ao expressionismo - como teoria estética) e a menção aos instrumentos. Ambos os grupos também manifestaram ser um exemplo do seu agrado.

Para a reflexão musical com os Grupos B (3-4 anos de idade) e E (7-9 anos de idade) foram propostas três obras de compositores neoclássicos: os

Andamentos Sinfónicos, Pacific 231 (Honneger, Honneger: Symphonies 1-5, Pacific 231, Rugby, 2006a) (exemplo também aplicado nos inquéritos e na

actividade de reflexão com o Grupo F, com o objectivo de estabelecer algum tipo de relação na percepção musical da obra) e Rugby (Honneger,

Honneger: Symphonies 1-5, Pacific 231, Rugby, 2006b) de Arthur

Honegger; e o último andamento do Concerto Campestre para Cravo e

Orquestra de Francis Poulenc (Poulenc, Paris, Anos Vinte, 1998), que

abordaremos adiante. Ambos fizeram parte do Les Six, nome dado pelo crítico de música francês Henri Collet ao grupo de seis compositores “parisienses”: Auric, Milhaud, Durey, Tailleferre, Honegger e Poulenc, que inspirados nas obras de Satie e Cocteau, ficaram conhecidos pelas suas ideias avançadas (Kennedy, 1994; Lopes-Graça, 1992; Pahlen, 1993).

Arthur Honegger “distinguiu-se pela sua música dinâmica e gráfica, caracterizada pelas melodias de pequeno fôlego, pelos fortes ritmos ostinato, pelas cores audaciosas e pelas harmonias dissonantes” (Grout e Palisca, 1988:712). Honegger é dos compositores “livremente tonal”, considerado por muitos como um dos melhores compositores neoclássicos dos anos vinte do

Benzer Belgeler