Os inquéritos foram aplicados aos formandos dos cursos direccionados para a animação e educação da criança, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre. Num universo de 340 alunos (população dos cursos em que a unidade curricular de Expressão e Educação Musical consta do plano de estudos), procedeu-se à amostragem estratificada de acordo com os cursos vocacionados para a educação e para a animação. Deste modo, o estudo incidiu sobre 18% da população, com uma amostra de 62 alunos, 41 formandos de Educação Básica (EB) e 21 formandos de Animação Sociocultural (ASC), número representativo da percentagem total de alunos por cursos, sendo a proporção próxima dos 66% (EB) e 34% (ASC)36, (Gráfico 1):
Gráfico 1- Frequência e percentagem de alunos por curso
36 A lembrar: informação relativa ao ano lectivo de 2007-2008 (período em que decorreu a
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Maioritariamente, como podemos constatar no Gráfico 2, os inquiridos são do sexo feminino (57 no total; 41 de EB e 16 de ASC), reflexo da actual situação em Portugal no que concerne aos profissionais da educação infantil. Temos deste modo, uma percentagem significativa de inquiridos do sexo feminino face aos inquiridos do sexo masculino (Gráfico 3):
Gráfico 2- Frequência de alunos por curso e por sexo
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Embora se registe uma média de idades de 26 anos no curso de ASC (Quadro 5) devido a um número significativo de alunos que entraram no concurso de maiores de 23 anos, a média total de idades dos dois cursos é de 23,5 anos. Note-se que o ponto médio da 1.ª categoria (≤ 20) é de valor 19, uma vez que a idade corrente de ingresso ao ensino superior é de 18 anos (Quadro 6):
Quadro 5- Média de idades dos inquiridos por curso
Quadro 6- Média de idades do número total de inquiridos
Idade Frequência Ponto Médio Frequência x Ponto Médio
≤ 20 24 19 456
21-30 29 25 725
≥ 31 9 31 279
Total 62 1460
Média 23,5
No que concerne ao tipo de instituição onde os inquiridos pretendem trabalhar futuramente com crianças, o Jardim-de-Infância foi sem dúvida a resposta mais assinalada, com 45 inquiridos (40 inquiridos de EB e 5 inquiridos de ASC). A instituição menos assinalada foi Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico, 4 inquiridos de ASC e 2 inquiridos de EB, respectivamente. Centro de Actividades de Tempos Livres (ATL) também foi seleccionado por 11 formandos (10 inquiridos de ASC e 1 inquirido de EB) e a opção referente a outras instituições foi assinalada por 13 dos inquiridos (9 inquiridos de ASC e 4 inquirido de EB), Gráfico 4:
EB ASC
Idade Frequência Ponto Médio
Frequência x Ponto Médio
Idade Frequência Ponto Médio Frequência x Ponto Médio ≤ 20 21 19 399 ≤ 20 3 19 57 21-30 19 25 475 21-30 10 25 250 ≥ 31 1 31 31 ≥ 31 8 31 248 Total 41 905 Total 21 555 Média 22 Média 26,4
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Gráfico 4- Instituições da preferência laboral futura dos alunos por curso
Observe-se que 13 inquiridos seleccionaram mais do que uma opção. Outras instituições propostas foram: hospitais (pediatria); instituições de apoio a crianças com necessidades educativas especiais; lares de acolhimento; instituições de intervenção e ajuda/solidariedade; biblioteca; câmaras municipais; e empresas de animação (Quadro 7):
Quadro 7- Outras instituições da preferência laboral futura dos alunos por curso
Outras Instituições – EB N.º de Respostas
Hospitais (Pediatria) 2
Lares de Acolhimento 1
Instituições de Apoio a Crianças com Necessidades Educativas
Especiais 1
Outras Instituições – ASC N.º de Respostas
Instituições de Intervenção e Ajuda/Solidariedade 2
Câmara Municipal 1
Biblioteca 1
Empresas de Animação 1
Não especificaram a instituição 4
Quando questionados sobre a “música erudita contemporânea” ou “música do século XX”, 36 inquiridos num universo de 62 (58%) responderam não conhecer o termo37, 29 inquiridos de EB e 7 inquiridos de ASC, respectivamente (Gráfico 5). Entre os restantes, 25 inquiridos (14 de ASC e 11 de EB) afirmaram conhecer o termo e 1 inquirido de EB não respondeu.
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Salienta-se o facto de ainda não constar nos programas curriculares de Expressão e Educação Musical conteúdos referentes à música erudita contemporânea, nem metodologias para a sua aplicação.
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Gráfico 5- Conhecimento dos termos música erudita contemporânea e música do século XX
Ainda no que diz respeito ao conhecimento sobre a “música erudita contemporânea”, foi-lhes questionado a frequência da audição de obras de compositores, seleccionados aleatoriamente: Berio; Pierre Boulez; Benjamin Britten; John Cage; Philip Glass; Charles Ives; György Ligeti; Tomás Marco; Luigi Nono; Emmanuel Nunes; Steve Reich; Schönberg; Stockausen; Stravinsky; Varèse; e Anton Webern (Gráfico 6):
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Gráfico 6- Frequência da audição de obras de compositores do século XX
É impressionante, embora não surpreendente, que encontremos um valor elevadíssimo na moda referente ao item desconheço o compositor, com um
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Quadro 8- Frequência da audição de obras de compositores do século XX (Moda e Desvio Padrão)
Muitas Vezes Algumas Vezes Raramente Nunca
Desconheço compositor Berio, Luciano 0 0 2 3 57 Boulez, Pierre 0 0 1 3 58 Britten, Benjamim 0 0 1 3 58 Cage, John 0 0 3 2 57 Glass, Philip 0 0 1 2 58 Ives, Charles 0 0 2 3 57 Ligeti, György 0 0 2 2 58 Marco, Thomas 0 1 2 3 56 Nono, Luigi 0 1 2 3 56 Nunes, Emmanuel 0 1 2 2 57 Reich, Steve 0 0 1 3 58 Schönberg, Arnold 0 0 2 2 58 Stockausen, Karlheinz 0 0 3 2 57 Stravinsky, Igor 0 3 5 3 51 Varèse, Edgar 0 1 1 3 57 Webern, Anton 0 1 1 2 58 Moda 0 0 2 3 58 Desvio Padrão 0 0,82 1,06 0,51 1,73
Um inquirido de ASC não assinalou nenhuma resposta em relação ao compositor Philip Glass, daí que constem apenas 61 respostas na linha correspondente.
Estes dados (Quadro 8), anexos aos dados do Gráfico 5 (sobre o conhecimento do termo “música erudita contemporânea”) permite-nos afirmar a necessidade de fazer parte dos Programas das Unidades Curriculares dos referidos cursos, conteúdos e estratégias que permitam um trabalho em aula dirigidos também à música erudita contemporânea de modo a incrementar a cultura musical dos formandos e a possibilidade de transmissão ao seu público-alvo – as crianças – de forma lúdica e criativa. A sua inserção irá permitir, por conseguinte, um certo entendimento/conhecimento e um gosto musical por um tipo de música que apesar de já estar a passar a barreira do contemporâneo não é sequer conhecida ou tampouco trabalhada. Relembra-
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se que partimos da hipótese que a música erudita do século XX é importante na educação musical da criança.
Gráfico 7- Importância atribuída à inclusão da música erudita e de novas sonoridades que fujam à noção de belo na educação da criança,
curso de ASC
Gráfico 8- Importância atribuída à inclusão da música erudita e de novas sonoridades que fujam à noção de belo na educação da criança,
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Gráfico 9- Importância atribuída à inclusão da música erudita e de novas sonoridades que fujam à noção de belo na educação da criança, total de
inquiridos
Os gráficos anteriores (Gráficos 7, 8 e 9) resultam das opiniões dos inquiridos relativamente à importância dos seguintes tópicos:
A) A expressão/educação musical no desenvolvimento global da criança; B) A utilização de distintos tipos de música na educação musical da criança; C) A música erudita no desenvolvimento auditivo da criança;
D) O trabalho tímbrico e de exploração sonora na educação musical da criança;
E) A inclusão, na educação musical da criança, de novas sonoridades e de músicas que possam fugir à noção de belo.
Como podemos verificar, em qualquer um dos gráficos apresentados e em relação à alinha A) sobre a importância da expressão/educação musical no desenvolvimento global da criança, o item Muito Importante foi o mais assinalado com 40 respostas (23 de EB e 17 de ASC) seguido do item
Importante com 22 respostas (18 de EB e 4 de ASC). Também no tópico B)
acerca da importância da utilização de distintos tipos de música na educação musical da criança, as respostas assinaladas constam apenas nos itens
Muito Importante e Importante, contudo, já não encontramos uma maior
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64,5%), mas temos uma percentagem de 50% para cada item, 31 respostas para Muito Importante e Importante.
O item Muito Importante, em destaque no tópico A), dá agora lugar ao item
Importante no tópico C) sobre a importância da música erudita no
desenvolvimento auditivo da criança. Como podemos verificar, é sem dúvida a resposta mais assinalada tanto nos Gráficos 1 e 2 (frequência por cursos), como no Gráfico 3 (frequência total) com 70,9% dos inquiridos. 12,9% dos inquiridos assinalaram Muito Importante, 14,5% assinalou Pouco Importante e 1,6%, isto é, apenas um inquirido, assinalou o item Sem Opinião.
Semelhante ao tópico B), o tópico D) sobre a importância do trabalho tímbrico e de exploração sonora na educação musical da criança, apresenta respostas apenas nos itens Importante e Muito Importante com uma percentagem de 50% para cada item. Contudo, observando os Gráficos 1 (respostas de ASC) e 2 (respostas de EB), verificamos que os inquiridos de EB valorizam um pouco mais o trabalho de exploração sonora e de timbres do que a utilização de distintas tipologias musicais na educação musical da criança, posição adversa aos inquiridos de ASC.
Não fugindo à regra, no que concerne à inclusão de novas sonoridades e de músicas que possam fugir à noção de belo na educação da criança (tópico E), os itens Importante e Muito Importante também foram os mais assinalados, com 33 respostas em Importante e 24 respostas em Muito
Importante, isto é, 53,2% e 38,7% respectivamente. 2 formandos (1 inquirido
de ASC e 1 inquirido de EB) assinalaram Pouco Importante, outros 2 assinalaram Sem Opinião (1 inquirido de ASC e 1 inquirido de EB) e 1 inquirido de ASC assinalou o item Sem Importância.
Sintetizando, na sua globalidade, tanto os formandos do curso de ASC como os formandos do curso de EB sentem a importância da introdução de distintas tipologias musicais na educação da criança (nomeadamente a música erudita) e de novas sonoridades, inclusive as que fujam à noção de belo. Também o trabalho de exploração sonora e tímbrica, que de algum modo se aproxima da estética contemporânea, menos ligada ao belo e mais
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à intencionalidade e autenticidade (ver Capítulo 4- O Belo Musical e a Música
do Século XX), é sentido pelos formandos como parte fundamental da
educação da criança. Como podemos verificar no Quadro 9, ainda no que concerne aos tópicos anteriores, a moda é sem dúvida significativa nos itens
Muito Importante e Importante, assim como a média de respostas no total.
Quadro 9- Importância atribuída à inclusão da música erudita e de novas sonoridades que fujam à noção de belo na educação da criança,
total de inquiridos (Frequência, Moda e Média)
Muito Importante Importante Pouco Importante Sem Importância Sem Opinião A) 40 22 0 0 0 B) 31 31 0 0 0 C) 8 44 9 0 1 D) 31 31 0 0 0 E) 24 33 2 1 2 Moda 31 31 0 0 0 Média 26,8 32,2 2,2 0,2 0,6
Outra questão se coloca agora: o que têm realmente os inquiridos a dizer sobre os exemplos de música erudita contemporânea que foram alvo de audição no presente questionário? A questão 4. (ver Anexo II), foi respondida pelos formandos após e durante a audição de pequenos excertos, os minutos iniciais, de 10 obras de compositores eruditos do século XX e XXI. O propósito foi recolher dados sobre o tipo de percepção musical que os formandos têm das obras em análise, de acordo com as teorias estéticas de base - Referencialismo, Expressionismo e Formalismo - (Reimer, 1989)38, e obter dados estatísticos sobre o que pensam os inquiridos em relação à relevância desses exemplos musicais para a educação da criança.
Os exemplos musicais seleccionados, de forma aleatória, foram os seguintes:
- 1.º Exemplo: “Sonata V” de Sonatas e Interlúdios para piano preparado, John Cage (Cage, Sonatas and Interludes for Prepared Piano, 2006);
38
A análise perceptiva dos inquiridos encontra-se de forma sumária e categorizada em anexo. Objectivando-se a comparação da percepção musical entre a criança e o adulto, serão evidenciadas respostas desta questão no capítulo seguinte, referente à Análise das Actividades de Reflexão Musical com as Crianças (Capítulo 6.1.2).
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- 2.º Exemplo: “Canção dos Canhões” da Suite da Ópera dos Três Vinténs, Kurt Weill (Weill, 1926-1935: A Música do Frio, 1997c);
- 3.º Exemplo: Atmosphères para grande orquestra, György Ligeti (Ligeti,
The Ligeti Project, 2002);
- 4.º Exemplo: Variations. Aldous Huxley in Memoriam, Igor Stravinsky (Stravinsky, Stravinsky The Flood, 2007);
- 5.º Exemplo: Moz-Art à la Haydn, Alfred Schnittke (Schnittke, 1950-1987: A
Escuta Múltipla, 1997);
- 6.º Exemplo: Pacific 231 – Andamento Sinfónico n.º 1, Arthur Honneger (Honneger, Honneger: Symphonies 1-5, Pacific 231, Rugby, 2006a);
- 7.º Exemplo: “Andamento III – Finale” Concerto Campestre para Cravo e
Orquestra, Francis Poulenc (Poulenc, Paris, Anos Vinte, 1998);
- 8.º Exemplo: Contrappunto Dialettico alla Mente para fita magnética, Luigi Nono (Nono, Luigi Nono: Como Una Ola de Fuerza y Luz... Soferte onde
Serene... Contrappunto Dialettico alla Mente, 1998);
- 9.º Exemplo: “Golliwogg's Cake-Walk” de Children's Corner, Claude Debussy (Debussy, Claude Debussy: Images 1&2; Children's Corner, 1990); - 10.º Exemplo: “Andamento IV” Morte e Nascimento de uma Flor, Paulo Maria Rodrigues da Silva (Rodrigues da Silva, Morte e Nascimento de uma
Flor, 2005).
Em relação à “Sonata V” para piano preparado de Cage (1.º exemplo musical), o item mais assinalado foi Relevante, tanto no curso de EB como no curso de ASC com 53,2% das respostas no total. 4 inquiridos (3 inquiridos de ASC e 1 inquirido de EB) sentiram ainda este exemplo musical como
Muito Relevante para o ensino da música na criança. Contudo, como
podemos observar no Gráfico 10, 23 inquiridos num universo de 62 (35,4% - 18 inquiridos de EB e 5 inquiridos de ASC) referiram ser Pouco Relevante.
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Gráfico 10- Relevância da inclusão da Sonata V para piano preparado, de John Cage, na educação musical da criança
Gráfico 11- Relevância da inclusão da Canção dos Canhões, de Kurt Weill, na educação musical da criança
Um panorama extremamente animador para os itens Relevante e Muito
Relevante e menos animador para o item Pouco Relevante é o exemplo
demonstrado no Gráfico 11, gráfico anterior, para a “Canção dos Canhões” da Suite da Ópera dos Três Vinténs. Apenas três formandos (4,8% - 2 inquiridos de EB e 1 inquirido de ASC) sentiram a obra de Weill Pouco
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(95,2%) referiram os itens Relevante (27 inquiridos de EB e 11 inquiridos de ASC) e Muito Relevante (12 inquiridos de EB e 9 inquiridos de ASC).
Contrariamente, 42 formandos face ao 3.º exemplo, Atmosphères, revelaram sentir a “música de timbres” de Ligeti Pouco Relevante para a educação musical da criança, precisamente 67,7% dos formandos (Gráfico 12):
Gráfico 12- Relevância da inclusão de Atmosphères, de György Ligeti, na educação musical da criança
Não obstante, 14 dos inquiridos (12 inquiridos de EB e 2 inquiridos de ASC) sentiram Atmosphères (Gráfico 12) como uma obra Relevante para aplicação na educação musical da criança e outros 3 (2 inquiridos de EB e 1 inquirido de ASC) sentiram ser Muito Relevante. A elevada percentagem de frequências no item Pouco Relevante poderá remeter para a ausência de forma e de outros elementos constituintes da linguagem musical “convencional”. Afirmamos, deste modo, o problema exposto por alguns investigadores (Boal Palheiros et al., 2006), cuja complexidade formal surge como uma das barreiras para a aceitação da música erudita contemporânea.
Variations de Stravinsky - 4.º exemplo musical -, apesar de não conter uma
linguagem tonal, os elementos constituintes da obra já se aproximam de uma linguagem musical um pouco mais familiar ao ouvido comum. Daí que o item
Relevante (Gráfico 13) tenha sido o mais assinalado, com 31 respostas (19
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consideram Pouco Relevante, ainda assim uma percentagem de algum modo significativa (32,2%). 11,2% dos inquiridos (5 inquiridos de EB e 2 inquiridos de ASC) consideram ser um exemplo musical Muito Relevante para a educação musical da criança e 4 inquiridos (2 inquiridos de EB e 2 inquiridos de ASC) não expressaram a sua opinião.
Gráfico 13- Relevância da inclusão de Variations. Aldous Huxley in Memoriam, de Igor Stravinsky, na educação musical da criança
Gráfico 14- Relevância da inclusão de Moz-Art à la Haydn, de Alfred Schnittke, na educação musical da criança
Semelhante ao exemplo anterior, também a obra de Schnittke, Moz-Art à la
Haydn (5.º exemplo musical - Gráfico 14), foi sentida como necessária para a
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EB e 10 inquiridos de ASC) no item Relevante e 16 respostas no item Muito
Relevante (12 inquiridos de EB e 4 inquiridos de ASC, respectivamente). No
entanto, 14 formandos (22,5% - 4 inquiridos de EB e 4 inquiridos de ASC) consideram a referida obra como Pouco Relevante para o ensino da criança. As alterações e contrastes obtidos através da técnica da colagem, muito utilizada por Schnittke, pode levar a uma dificuldade no entendimento da obra e por conseguinte a sua rejeição por parte de alguns inquiridos.
Também em Pacific 231 de Arthur Honneger (Gráfico 15), o item mais assinalado foi Relevante com 28 respostas no total (17 inquiridos de EB e 11 inquiridos de ASC), seguido de 23 respostas assinaladas no item Pouco
Relevante (17 inquiridos de EB e 6 inquiridos de ASC). 7 inquiridos (6
inquiridos de EB e 1 inquirido de ASC) consideram Muito Relevante a inclusão da obra na educação da criança e 2 inquiridos de ASC assinalaram
Sem Opinião.
Apesar de ser uma obra neoclássica, a sua sonoridade pode ser entendida pelo ouvido comum como uma sonoridade estranha e “perigosa”, facto que pode ter levado ao valor de algum modo significativo da resposta Pouco
Relevante (37% dos formandos), Gráfico 15:
Gráfico 15- Relevância da inclusão de Pacific 231, de Arthur Honneger, na educação musical da criança
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De um outro neoclássico mas desta vez com uma aceitação semelhante à “Canção dos Canhões” de Weill, o “Andamento III – Finale” do Concerto
Campestre para Cravo e Orquestra de Poulenc (7.º exemplo) foi sentido pela
maioria dos formandos como uma obra relevante para a educação musical da criança, com 40 respostas num universo de 62 (64,5% - 30 inquiridos de EB e 10 inquiridos de ASC) (Gráfico 16). Também o item Muito Relevante teve uma frequência significativa com 32, 2% das respostas (11 inquiridos de EB e 9 inquiridos de ASC). Apenas 2 inquiridos de ASC sentiram o Concerto
Campestre para Cravo e Orquestra Pouco Relevante para a educação
musical da criança.
Gráfico 16- Relevância da inclusão do “Andamento III – Finale” Concerto Campestre para Cravo e Orquestra, de Francis Poulenc,
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Gráfico 17- Relevância da inclusão de Contrappunto Dialettico alla Mente, de Luigi Nono, na educação musical da criança
Com uma frequência próxima do item Pouco Relevante da Atmosphères de Ligeti (Gráfico 12), também a obra de Luigi Nono (Gráfico 17), Contrappunto
Dialettico alla Mente, obteve um valor acima dos 50%, com 59,6% dos
inquiridos (23 inquiridos de EB e 14 inquiridos de ASC), seguido do item
Relevante (38, 7% - 11 inquiridos de EB e 13 inquiridos de ASC). 5 inquiridos
(3 inquiridos de EB e 2 inquiridos de ASC) sentiram ser uma obra Muito
Relevante para a educação musical da criança e 6 formandos (4 formandos
de EB e 2 formandos de ASC) assinalaram o item Sem Opinião.
De facto, esta obra para fita magnética, à semelhança da composição tímbrica de Ligeti, foge a um tipo de sonoridade que não é comum à música acessível às massas, sendo por conseguinte uma sonoridade invulgar, estranha e pouco apreciável, uma das razões que apontam para o problema da investigação.
Os dois últimos exemplos em análise foram compostos e dirigidos para crianças: “Golliwogg's Cake-Walk” de Claude Debussy (Gráfico 18) e “Andamento IV” Morte e Nascimento de uma Flor de Paulo Maria Rodrigues da Silva (Gráfico 19):
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Gráfico 18- Relevância da inclusão de “Golliwogg's Cake-Walk” Children's Corner, de Claude Debussy, na educação musical da criança
Gráfico 19- Relevância da inclusão do “Andamento IV” Morte e Nascimento de uma Flor, de Paulo Maria Rodrigues, na educação musical da criança
Em relação à obra de Debussy, o item Relevante foi o mais assinalado com 53,2% dos formandos (23 inquiridos de EB e 10 inquiridos de ASC), seguido do item Muito Relevante com 14 respostas assinaladas (22,5% - 9 inquiridos de ASC e 5 inquiridos de EB) (Gráfico 18). Contudo, apesar de ser uma obra dedicada à filha do compositor e como tal pensada para crianças, 11 inquiridos, 17,7% no total (9 inquiridos de EB e 2 inquiridos de ASC), sentiram ser uma obra Pouco Relevante para o ensino da criança.
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Grandemente aceite (como podemos verificar no Gráfico 19) e composta já no presente século, em 2005, a obra do compositor Paulo Maria Rodrigues da Silva obteve a frequência mais elevada no item Muito Relevante com 30 respostas assinaladas (15 inquiridos de EB e 15 inquiridos de ASC), seguido do item Relevante com a frequência de 28 (24 inquiridos de EB e 4 inquiridos de ASC). Apenas 1 inquirido de EB sentiu o exemplo Pouco Relevante para a educação musical da criança e 2 inquiridos assinalaram Sem Opinião (1 inquirido de ASC e 1 inquirido de EB). Morte e Nascimento de uma Flor (Rodrigues da Silva, Morte e Nascimento de uma Flor, 2005), semelhante a outros projectos desenvolvidos pelo compositor, baseia-se num trabalho experimental/exploratório, processo que contribui para a inovação, para a criatividade e para novos aspectos da comunicação musical (da criação à fruição).
Sintetizando, segundo a perspectiva global dos formandos, não só a música que à priori é “para crianças” deve ser trabalhada na unidade curricular de
Expressão/Educação Musical, mas também “a outra” música, inclusive a que
foge à tonalidade, à beleza e expressividade melódica como a obra serial de Stravinsky ou a que assenta mais num trabalho rítmico e de música
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6.1.2- ANÁLISE DAS ACTIVIDADES DE REFLEXÃO MUSICAL COM AS