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A espécie aposentária encontra fundamento constitucional no §7º do art. 201 da CRFB/88, desta vez no inciso II, estabelecendo a proteção previdenciária ao homem com mais de 65 (sessenta e cinco anos) anos de idade e à mulher com mais de 60 (sessenta) anos de idade.

12 A espécie aposentária deferida a esta categoria profissional por vezes é nominada de aposentadoria especial do

professor para designar a disciplina previdenciária diferenciada a que se submetem. No entanto, compreendemos que a expressão “especial” é equivocada, pois o seu emprego pode resultar em confusão com outra modalidade aposentária – aquela devida aos trabalhadores submetidos às condições prejudiciais à saúde e à integridade física – com a qual em nada se assemelha.

13A lei n. 11.301/2006 foi objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 3772-2/DF, julgada parcialmente

procedente, ocasião em que o STF adotou interpretação conforme a Constituição para determinar que a função de magistério inclui a direção, a coordenação e o assessoramento pedagógico integram a carreira do magistério, desde que exercidos, em estabelecimentos de ensino básico, por professores de carreira, excluídos os especialistas em educação. Disponível em <http://www.stf.jus.br/portal/principal/principal.asp> acesso em 24 de set. 2013.

Em regra a aposentadoria por idade é voluntária, mas o art. 51 da lei específica confere ao empregador a possibilidade de requer a jubilação compulsória do empregado quando este contar com mais de 70 (setenta) anos de idade, se homem, ou 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se mulher. Neste caso, o empregado perceberá todas as verbas indenizatórias laborais devidas na hipótese de rescisão sem justa causa.

Defendem Castro e Lazzari (2010, p. 619) que tal regra é um contra senso à lógica da prestação previdenciária, pois a aposentadoria emerge como um direito individual do protegido, não cabendo a sua concessão compulsória, senão nas hipóteses de incapacidade comprovada ou se risco à saúde, típicas da aposentadoria especial. O requerimento da aposentação deve ser uma mera faculdade do segurado, quando legalmente apto para receber o benefício.

No que tange aos quesitos para deferimento da aposentadoria por idade, além do aspecto etário, o segurado deve obedecer ao período de carência de 180 (cento e oitenta) contribuições mensais. Aqui também incide a norma de transição contida no art. 142 da lei específica, estipulando-se a quantidade de cotizações mensais conforme o ano em que se tenha adimplido os demais requisitos legais.

A lei nº 10.666/2003 trouxe interessante normatização no seu art. 3º, § 1º, dispensando a demonstração da qualidade de segurado à clientela protegida que tenha preenchido esses dois quesitos. Senão vejamos:

Art. 3o A perda da qualidade de segurado não será considerada para a concessão das

aposentadorias por tempo de contribuição e especial. § 1o Na hipótese de

aposentadoria por idade, a perda da qualidade de segurado não será considerada para a concessão desse benefício, desde que o segurado conte com, no mínimo, o tempo de contribuição correspondente ao exigido para efeito de carência na data do requerimento do benefício.

Assim, independente da preservação da qualidade de segurado, o tutelado já ostenta direito adquirido à percepção do benefício.

3.1.2.1 Aposentadoria por idade do trabalhador rural

Atentando aos princípios da solidariedade e da uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais, a lei previdenciária determinou regramento diverso ao trabalhador rural, mais complacente que o deferido ao urbano. Isto porque o primeiro se submete a labor geralmente mais árduo e desgastante que a maioria das atividades próprias do meio urbano; desempenha-o em condições de vida precárias, às quais

se submete tão somente por questão de sobrevivência.

Ainda no mesmo inciso II do § 7º do art. 201 da CRFB/88, a parte final do dispositivo traz limites etários inferiores para os trabalhadores rurais, reduzindo em cinco anos a idade mínima de ambos os sexos para percepção do benefício. Urge salientar que os destinatários do privilégio não se adstringem à categoria de segurado especial, mas a grupo mais amplo que abarca diversas atividades do campo.

Segundo o inciso VII do art. 11 da lei previdenciária são segurados especiais o produtor proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado, parceiro ou meeiro outorgados, comodatário ou arrendatário que explore, individualmente ou em regime de economia familiar, atividade agropecuária14 ou atividade extrativista vegetal; o seringueiro e o pescador

artesanal. O enquadramento especial comunica-se aos seus cônjuges ou companheiros, filhos maiores de 14 (quatorze) anos de idade ou equiparados, desde que partícipes da atividade econômica familiar.

A benesse que aqui se apresenta se estende para além destes sujeitos, alcançando outras categorias de segurados do RGPS como o empregado, o trabalhador eventual, o avulso e o contribuinte individual - incluído apenas o garimpeiro – desde que trabalhadores rurícolas. O desenvolvimento da economia campestre deve, necessariamente, dar-se ou sob o regime individual ou sob o regime de economia familiar. Em que pese o primeiro modelo dispense maiores comentários, não se pode firmar o mesmo sobre o segundo. O § 1º art. 11 supracitado traz a definição legal de economia familiar:

Art. 11. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: § 1o Entende-se como regime de economia familiar a atividade em que o

trabalho dos membros da família é indispensável à própria subsistência e ao desenvolvimento socioeconômico do núcleo familiar e é exercido em condições de mútua dependência e colaboração, sem a utilização de empregados permanentes. O rurícola também deve demonstrar o cumprimento da carência, aferida pelo tempo de exercício do trabalho rural pelo número de meses equivalente aos de contribuições do urbano, é o que institui o art. 39, I da Lei nº 8.213/9115. Esse requisito deve ser provado no

14É considerado segurado especial, para fins previdenciários, o produtor que explore área não superior a 4

(quatro) módulos fiscais. Se ultrapassada essa área ou mesmo se, não superando-a, dispor do auxílio de empregados, a sua classificação como segurado especial fica afastada, alocando-se na categoria de contribuinte individual.

15 Os meios de prova do tempo de serviço rural estão listados no art. 106 da Lei nº 8.213/91, com a nova redação

dada pela Lei nº 9.063/95, elencando exemplificativamente um rol de documentos hábeis à aferição da atividade econômica. São eles: I – contrato individual de trabalho ou Carteira de Trabalho e Previdência Social; II – contrato de arrendamento, parceria ou comodato rural; III – declaração fundamentada de sindicato que represente o trabalhador rural ou, quando for o caso, de sindicato ou colônia de pescadores, desde que homologada pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS; IV – comprovante de cadastro do Instituto

ato de requerimento administrativo, com a demonstração de tempo de serviço rural nos meses imediatamente anteriores, mesmo que cumprido de forma descontinua, sendo indispensável o início de prova material.

Por início de prova material entende-se a prova documental, necessariamente escrita, contemporânea ao interregno que se deseja provar, que especifique a função desempenhada (Precedentes: REsp nº 280.402/SP, Rel. Min. Hélio Quaglia Barbosa, in DJ 10/9/2001; REsp 200300514964, Hélio Quaglia Barbosa - Sexta Turma, DJ data:28/05/2007 pg:00404 ..dtpb; REsp 200200545619 Rel Min. Hamilton Carvalhido, Sexta Turma, DJ 17/03/2003 PG:00299 DTPB)16. É prescindível que compreenda todo o período laboral

alegado, bastando se referir a intervalos temporais.

Acerca da matéria, o Tribunal Nacional de Uniformização das decisões das Turmas Recursais dos Juizados Especiais Federais editou duas súmulas:

SÚMULA 14: Para a concessão de aposentadoria rural por idade, não se exige que o início de prova material, corresponda a todo o período equivalente à carência do benefício.

SÚMULA 34: Para fins de comprovação do tempo de labor rural, o início de prova material deve ser contemporâneo à época dos fatos a provar.

Ante a denegação administrativa da aposentadoria ao rural, tendo em vista o direito fundamental do acesso ao Judiciário, consignado no inciso XXXV do art. 5º da CRFB/88, é facultado ao segurado intentar demanda judicial para obter seu pleito. A ampla cognição da lide autoriza a adoção de todos os meios legais de prova, desde que lícitos, conforme a dicção do art. 332 do Código de Processo Civil. Dentre os meios de prova hábeis à demonstração da atividade campestre está a prova testemunhal, que é vista com ponderações pela jurisprudência pátria. Esta deverá, necessariamente, ser apreciada conjuntamente à prova documental, não satisfazendo o início de prova material quando avaliada isoladamente.

Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, no caso de produtores em regime de economia familiar; V – bloco de notas do produtor rural; VI – notas fiscais de entrada de mercadorias, de que trata o § 7o do art. 30 da Lei no 8.212/91, emitidas pela empresa adquirente da produção, com indicação do nome do segurado como vendedor; VII – documentos fiscais relativos a entrega de produção rural à cooperativa agrícola, entreposto de pescado ou outros, com indicação do segurado como vendedor ou consignante; VIII – comprovantes de recolhimento de contribuição à Previdência Social decorrentes da comercialização da produção; IX – cópia da declaração de imposto de renda, com indicação de renda proveniente da comercialização de produção rural; ou X – licença de ocupação ou permissão outorgada pelo INCRA.