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O corpo discente revela atributos que julga necessários à prática docente. Evidenciamos que os discursos dos alunos apontavam fortemente a presença de três dimensões: afetiva, cognitiva e ética, conforme se apresenta a seguir.

a) Dimensão Afetiva: professor engraçado, bem humorado, cuidadoso, carinhoso, compreensivo e paciente

Freire (1996) discute que a afetividade pode ser permeada pelo cuidado, empatia, compreensão, respeito, alegria, disponibilidade para o diálogo e querer bem ao educando, atributos estes fundados na convivência amorosa com seus alunos.

Os alunos do município ao descrever o perfil dos seus professores, valorizam esta dimensão afetiva e relacionam atributos necessários ao professor em seu fazer docente, conforme revelam em suas falas,

A professora é muito engraçada (A1) O professor é alegre (A2)

Ela é uma ótima professora, ensina tudo com carinho, com paciência e quer o melhor para os alunos. (A3)

Ela é bem legal, é calma, não grita, ela é ótima. (A4) Ela é muito boa, ela briga, mas sabe educar. (A5) É compreensível com os alunos. (A6)

Ela é uma professora gentil eu aprendi muito com ela se a gente erra numa tarefa ela deixa a gente corrigir. (A7)

Parece-nos que integrar a afetividade na prática docente constitui-se valor essencial na aprendizagem dos alunos. Segundo as falas, evidencia-se que os alunos parecem gostar de professores engraçados, alegres, bem humorados, cuidadosos, carinhosos e pacientes. Quando as práticas dos professores englobam estes elementos, os alunos revelam que aprendem com mais facilidade, pois o professor carismático os conduz na aprendizagem de forma prazerosa.

Além destas questões, os alunos apreciam professores gentis e compreensivos, que não gritam com eles, falam com carinho e tem paciência. Assim como, percebem àqueles professores que são exigentes, mas no momento certo e de forma coerente, afinal ser afetivo com o aluno não exime o professor de uma conduta de autoridade, mas sem autoritarismo.

Ao passo que os alunos evidenciam o professor afetivo, contestam aqueles que não contemplam em suas práticas tal dimensão,

A professora precisa melhorar nos gritos. (A1)

É uma boa professora só não tem muita paciência. (A3) Tem que falar mais calma, mais baixo. (A4)

Precisa melhorar em seus estresses. (A5)

Saber respeitar os alunos e não rir de nós, falar bem educado. (A6) Ser mais educada. (A7)

Ela não sabe ensinar ela só explica uma vez e se perguntar outra a gente leva um rela. (A8)

No tocante a questão da afetividade, percebe-se que os alunos desconsideram os professores que em suas práticas fazem uso de atributos como a falta de paciência, de educação e de respeito. Mas, reclamam também que ao ser curioso e perguntar sobre determinado assunto em sala de aula são vetados pelos professores. Este comportamento Freire (1996) chama de inibir a curiosidade do educando, ao passo que defende a postura dos alunos enquanto sujeitos curiosos e indagadores que não assume a posição passiva enquanto fala ou ouve.

b) Dimensão Cognitiva: professores com domínio de conteúdo

Os alunos, ao falar de seus professores parecem dar ênfase à competência profissional, segundo evidenciamos em seus relatos:

Eu gosto da professora ela é boa porque ela explica direito (A1)

Ela é uma ótima professora, sabe ensinar os alunos, explica bem os assuntos. (A2) Acompanha nossos trabalhos. (A3)

Queria que os professores tivessem um tempo livre na semana para tirar nossas dúvidas e aulas de reforço. (A4)

Pega muito no pé da gente, mas ele acompanha todos nas aulas. (A5)

Os alunos parecem julgar ser necessário enquanto competência, o domínio de conteúdos e acompanhar constantemente as suas atividades escolares. O domínio de conteúdos está relacionado à metodologia de fazê-los compreenderem os assuntos trabalhados em sala de aula. Ao discordar de posturas de professores que demonstram fragilidade por não trabalhar com clareza os conteúdos das disciplinas, os alunos reconhecem a importância dos professores em dá conteúdos, saber ensiná-lo e trazer novos conhecimentos.

Nas discussões que tange a dimensão cognitiva, Freire (1996) fala sobre a competência profissional do professor em buscar conhecimentos científicos e ter domínio dos conteúdos trabalhados, mas associando-os à realidade concreta dos alunos.

c) Dimensão Ética: professores que não faltam aulas e são pontuais

Para os alunos do município, parece ser importante na prática docente a presença e a pontualidade, conforme revelam em suas falas:

Ela é boa obedece aos horários. (A7)

Ela é boa e só falta quando o carro não vem ou quando ela tem compromisso. (A8)

Segundo os relatos, os alunos consideram ser fundamentais no fazer docente que os professores não faltem aulas e sejam pontuais. Consideramos que estes atributos passam pelo que Freire (1996) defende sobre “ensinar exige comprometimento” (FREIRE, 1996, p. 96). O compromisso perpassa pela dimensão ética da ação docente e é considerada importante na interação entre aluno e professor, afinal “a prática educativa tem de ser, em si, um testemunho rigoroso de decência e de pureza” (FREIRE, 1996, p. 33).

Como pôde ser visto, o fazer docente com respeito, educação, compreensão, paciência, alegria e comprometimento, além de um bom domínio do conhecimento por parte do professor, constituem atributos importante a prática docente e condições necessárias para que os alunos desenvolvam a aprendizagem e construa seus conhecimentos. Neste sentido, concordamos que a prática educativa é isso, a junção de todas estas dimensões a serviço da mudança (FREIRE, 1996).

Mediante estas discussões, no capítulo posterior apresentamos a análise do corpus discursivo identificando a multidimensionalidade da prática docente reveladas nos conteúdos representacionais entre os grupos de professores da área urbana e do meio rural. Compreendemos também como estas representações se expressam nos diferentes momentos pedagógicos.

4. AS MÚLTIPLAS DIMENSÕES DA PRÁTICA DOCENTE: REPRESENTAÇÕES