2.3. Uygulamada Hukuk Pragmatizmi
2.3.3. Pragmatik Hukuk Çalışmaları
Com o objetivo de apresentar como está configurada a oferta de cursos de licenciatura nos IFs, apresenta-se um panorama, com base em dados coletados no
e-MEC48 e em outros dados estatísticos, com vistas a complementar as informações trazidas sobre este panorama, tais como o Censo Escolar da Educação Básica (2013), e os Censos da Educação Superior (2012, 2013).
Como forma de contextualizar, inicialmente é exposta a distribuição dos IFs pelo país:
Tabela 2 - Número de IFs, por região do Brasil
Região Quantidade de IFs
Norte 7 Nordeste 11 Centro-Oeste 5 Sudeste 9 Sul 6 Total 38 Fonte: e-MEC (2014).
Gráfico 1 - Distribuição dos IFs, em percentuais, por região do Brasil
Fonte: e-Mec (2014).
48 O e-MEC foi criado para fazer a tramitação eletrônica dos processos de regulamentação. Pela
internet, as instituições de educação superior fazem o credenciamento e o recredenciamento, buscam autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos. Em funcionamento desde janeiro de 2007, o sistema permite a abertura e o acompanhamento dos processos, pelas instituições, de forma simplificada e transparente. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&id=136&Itemid=782>. Acesso em: 15 nov. 2014.
Com a pesquisa no e-MEC49, localizou-se um total de 420 cursos de formação de professores ofertados pelos IFs. O Gráfico 2, e a Tabela 3, a seguir, mostram, respectivamente, a distribuição de cursos de licenciatura (por região), e quais (e quantos) cursos de licenciatura são ofertados (por região):
Gráfico 2 - Distribuição dos cursos de licenciatura nos IFs, por região do Brasil
Fonte: e-MEC (2014).
Tabela 3 - Cursos de formação de professores ofertados nos IFs, por região do Brasil
Cursos Centro Oeste Norte Nordeste Sudeste Sul Total
Artes cênicas - 1 1 - 1 3
Biologia/Ciências Biológicas 6 10 14 16 5 51 Ciências – Bio. / Qui. / Fis. - 1 - 1 - 2 Ciências Agrárias / Agrícolas 1 - 4 1 3 9 Ciências Biológicas / Química - - - - 1 1
Ciências da Natureza 1 - - 1 - 2 Ciências da Natureza e Matemática - 1 - - 1 Ciências Sociais 2 - - - 1 3 Dança 2 - - - - 2 Educ. Física - 1 4 3 1 9
Educ. Prof. / Tec. 1 - 3 12 7 23
Continua
49 Os dados do e-MEC foram atualizados no primeiro semestre de 2014. Em função disso, todo o
levantamento que havia sido realizado para a apresentação do projeto de tese foi refeito, com vistas a disponibilizar informações mais atualizadas possíveis.
Continuação
Cursos Centro Oeste Norte Nordeste Sudeste Sul Total
Educação do Campo - 10 - - - 10 Física 3 9 24 16 10 62 Geografia 5 5 3 - 13 História 1 - - - - 1 Intercultural Indígena - - 1 - - 1 Interdisciplinar em Ciências Naturais - 3 - - - 3 Interdisciplinar em Educação no Campo - - 1 - - 1 Informática 1 13 11 4 2 31 Letras 3 4 6 5 3 21 Matemática 4 8 33 20 12 77 Música 1 2 - - 3 Pedagogia 1 12 - - 6 19
Química / Ciência da Natureza –
Química 14 8 30 11 8 71
Teatro - - 1 - - 1
Total 41 85 141 93 60 420
Fonte: e-MEC (2014).
Há certa diversidade quanto à oferta de cursos de licenciatura e nomenclaturas, em alguns casos, como no dos cursos de “Biologia” e “Ciências Biológicas”, e nos cursos voltados para a formação de professores para a educação básica e tecnológica, que possuem uma grande variação, tais como Formação Pedagógica para a Educação Básica, Formação Pedagógicas de Docentes para a Educação Profissional, Programa Especial de Formação Docente; optou-se por juntá-los na quantificação apresentada na Tabela 3.
O Gráfico 3, a seguir, oferece uma melhor visualização(ainda sobre as informações constantes na Tabela 3), referente aos cursos de licenciatura ofertados pelos IFs.
Gráfico 3 - Proporção da oferta dos cursos de licenciaturas nos IFs
Fonte: e-MEC (2014).
De acordo com o Gráfico 3, a oferta maior de cursos de formação de professores nos IFs é nas áreas em que a legislação (Lei 11.892/2008 de criação dos IFs) recomenda a essas que instituições se dediquem: Matemática (18,33%), Química (16, 90%), Física (14, 76%), e Biologia (12,14%).
Observa-se que, além de uma maior quantidade de IFs estar concentrada na região Nordeste, a oferta maior de cursos de licenciatura também encontra-se nessa região. Uma hipótese é a carência de formação de professores, pois, conforme informações do Censo de Educação Básica (2013)50, o Nordeste é a região com menor percentual (60% do total), de professores da educação básica, com formação superior, seguido pelo Norte (66% do total), conforme pode ser observado na Tabela 4, a seguir:
50 Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/basica-censo-escolar-sinopse-sinopse>. Acesso em: 15
Tabela 4 - Número de funções docentes na educação básica, por escolaridade, segundo a região geográfica e a unidade da federação – 2013
Unidade da Federação
Funções Docentes na Educação Básica
Total Escolaridade Fundamental Ensino Médio Superior % Médio Total Normal / Magistério Ensino Médio Brasil 2.148.023 6.438 534.404 297.880 236.524 1.607.181 75 Norte 189.868 1.189 63.887 30.425 33.462 124.792 60 Nordeste 619.358 2.618 245.478 141.922 103.556 371.262 66 Sudeste 869.013 1.290 149.329 93.850 55.479 718.394 83 Sul 319.379 990 55.994 25.364 30.630 262.395 81 Centro-Oeste 150.405 351 19.716 6.319 13.397 130.338 87 Fonte: MEC/Inep/Deed (2013).
Sobre a oferta, é interessante destacar outros pontos. Um deles é que, apesar de constar na Lei de criação do IFs que eles devem ofertar “cursos de licenciatura, bem como programas especiais de formação pedagógica, com vistas na formação de professores para a educação básica, sobretudo nas áreas de ciências e matemática, e para a educação profissional”, a formação para a educação básica e profissional (isto é, para professores que venham a atuar nessa modalidade, inclusive nos próprios IFs), não está sendo o foco dessas instituições:
Gráfico 4 - Oferta de cursos de formação docente para EB X Oferta de cursos de formação docente para EBTT
Esse número, pouco expressivo quanto à oferta de formação de professores, para atuar na Educação Básica Técnica e Tecnológica pode ser visto como problemático e como um elemento que pode contribuir, de forma negativa, na oferta dos cursos de licenciatura, uma vez que o corpo docente que compõem a instituição não tem a oportunidade de possuir a formação pedagógica necessária e atuar como docente. Este cenário talvez tenha relação com o fato de que, até 2012, não era obrigatório ao docente dos IFs ter formação comprovada. Indicava-se a importância, porém a obrigatoriedade de comprovação da formação ou de experiência na docência só foi instituída a partir da Resolução CNE/CEB n.º 6/2012, citada anteriormente. Com isso, é possível que esse número se modifique ou, ainda, que uma segunda via estabeleça a oferta de cursos de pós-graduação Lato Sensu em Educação, uma vez que, na referida Resolução, se abra uma “brecha” para que ela seja considerada como formação pedagógica.
Para finalizar, é relevante destacar os da modalidade de Educação a Distância (EAD). Dos 420 (quatrocentos e vinte) cursos de licenciatura ofertados, 15 (quinze) deles (4% do total) são na modalidade EAD. No Gráfico 5, a seguir, é possível observá-los, e a quantidade oferecida (por região do país):
Gráfico 5 - Número de cursos de licenciatura ofertados nos IFs, na modalidade EAD, por região do Brasil
Dentre os cursos ofertados na modalidade EAD, aquele em maior número (Letras), está fora das áreas consideradas prioritárias, de acordo com a Lei 11.892/2008, de criação dos IFs. Mais uma vez, a maior quantidade de licenciatura EAD, assim como na modalidade presencial, está concentrada na região Nordeste, seguida pela região Norte. Além da carência na formação de professores, em nível superior (para a educação básica nessas regiões), outra hipótese desta oferta estar centrada nesses territórios pode ter a ver com as dificuldades de acesso a regiões mais longínquas.
Há, ainda, dados constantes nos Censos da Educação Superior (2012 e 2013) que enriquecem e completam a visão panorâmica sobre essa demanda. Segundo os dados do Censo da Educação Superior 2012, o qual discrimina as informações também por categoria acadêmico-administrativa, isto é, as distinguem os resultados entre faculdades, universidades, centros universitários, e IF/CEFETs, podem-se identificar alguns números sobre os cursos de licenciatura, relacionados, especificamente, às instituições de cunho tecnológico - os IFs/CEFETs51:
Tabela 5 - Número total de vagas/inscritos/ingressos matrículas/concluintes nos cursos de licenciatura de IES pública e no IFs/CEFETs - 2012 Vagas / Inscritos / Ingressos Matrículas /
Concluintes - Categoria Administrativa Total na
Licenciatura IF/CEFET IF/CEFET (%) Pública Vagas Oferecidas 226.419 18.171 8% Candidatos Inscritos 1.457.659 275.026 19% Ingressos 74.480 15.739 21% Matrículas 604.483 35.554 6% Concluintes 72.740 2.217 3% Fonte: MEC/Inep/Deed (2012).
A partir desses dados, é possível observar que, em 2012, do total de matrículas em cursos de licenciatura, ofertadas em Instituições de Ensino (IES) públicas, 6% eram em IFs e/ou CEFETs. Outra importante questão é a relação de vagas / inscritos, e a relação de vaga / ingressos. A densidade de candidatos por vaga para os cursos de licenciatura nos IFs/CEFETs ficava em torno de 6 (seis) candidatos por vaga. Ao considerar somente o número de vagas ofertadas nos IFs/CEFETs, há uma sobra de 2.432 (duas mil quatrocentos e trinta e duas) vagas, o
51 O Censo da Educação Superior (2012) considera os 2 (dois) CEFETs e os 38 (trinta e oito) IFs
que equivale a 13% do total de cursos de licenciatura ofertados por essas instituições. Quanto ao total de vagas oferecidas e ao número de ingressos nos cursos de licenciatura em IES públicas, também há uma sobra de 51.939 (cinquenta e uma mil novecentos e trinta e nove) vagas, o equivalente a 23%.
Com essas informações, pode-se depreender que, até 2012, há mais oferta do que procura. Há vagas nos cursos de licenciatura, existe até um significativo número de inscritos, porém, ao olhar mais de perto o número de ingressos, verifica- se um problema: não estão faltando vagas, mas, sim, interessados. Pode-se dizer que uma das principais causas dessa situação é a desvalorização da profissão docente, a qual não é considerada uma carreira atraente, nem pela remuneração, nem pelo prestígio social, que está em queda.
Acerca dessa problemática, em parte já discutida no Capítulo 3, ao falar das alterações sociais e das mudanças geradas na profissão, é relevante destacar uma recente reportagem sobre o tema, com base nos principais resultados do Censo da Educação Superior 201352. De acordo com a notícia, intitulada “Queda de matrículas em licenciatura no país gera temor de apagão na formação de professores”53, de Vieira (2014), ao que tudo indica, pode-se confirmar a previsão do “apagão de professores”, divulgada em 2007 no relatório sobre a Escassez de Professores no Ensino Médio, elaborado pelo MEC. De acordo com o jornalista, “o fenômeno ocorre porque pelo quarto ano seguido, é cada vez menor a quantidade de estudantes que procuram cursos de licenciatura. Consequentemente, o Brasil tem formado menos docentes”. O autor destaca que as áreas mais problemáticas são Português e Matemática, que, desde 2010, teve o seu número de matrículas reduzido, com baixa de 13% e 2,3% respectivamente, até o ano de 2013. O jornalista destaca também outros cursos que registraram queda, como Física (-2,9%) e Biologia (-11%), e o fato de a área de Química ser uma das poucas cujo número de matrículas subiu nos últimos quatro anos (5%).
Vieira traz ainda a opinião de uma professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, Marise Nogueira Ramos, que vai
52 Os principais resultados do Censo da Educação Superior 2013 foram divulgados em setembro de
2014, e apresentam dados referentes á matrículas, ingresso, concluintes no período de 2003-2013. Porém não estabelecem relações com organização acadêmica (universidades, faculdades, centros universitários, IFs/CEFETs) e grau acadêmico (licenciatura, tecnológico, bacharelado). Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/visualizar/-/asset_publisher/6AhJ/content/matriculas-no-ensino-superi or- crescem-3-8?redirect=http%3a%2f%2fportal.inep.gov.br%2f>. Acesso em: 28 set. 2014.
53 Disponível em: <http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/queda-de-matriculas-em-licenciatura-
ao encontro do que foi dito anteriormente. Ela coloca que a queda progressiva no número de matrículas em licenciaturas, tendência iniciada há quatro anos, se dá por conta da pouca atratividade do magistério. Com isso, verifica-se que o problema da formação de professores para as áreas prioritárias (Matemática, Biologia, Química, e Física) está longe de ser resolvido, e a questão maior parece não residir na oferta de vagas.
Ao se olhar os números totais de ingressos, matrículas e concluintes, conforme consta no Censo de Educação Superior 2013, em princípio, o aumento nessas três categorias parece indicar o contrário do exposto na reportagem de Vieira (2014). No entanto, ao se atentar melhor aos dados, observa-se que, apesar de ter crescido em mais de 50% o número de matrículas (entre 2003-2013), essa quantidade não é proporcional à de concluintes que, inclusive, vem caindo desde 2010, conforme a Tabela 6, a seguir:
Tabela 6 - Número total de ingressos / matrículas / concluintes nos cursos de licenciatura 2003-2013
Ano Cursos de Licenciatura
Ingressos Matrículas Concluintes
2003 329.553 885.384 145.859 2004 336.225 928.599 188.871 2005 402.007 970.331 207.834 2006 436.430 1.023.582 188.963 2007 439.233 1.062.073 184.105 2008 425.331 1.159.750 209.676 2009 398.033 1.191.763 241.536 2010 452.527 1.354.989 233.306 2011 454.712 1.356.329 238.107 2012 491.087 1.366.559 223.892 2013 469.237 1.374.174 201.353 Fonte: MEC/Inep/Deed (2013).
Tanto o decréscimo no número de matrículas em determinados cursos de licenciatura (de áreas consideradas prioritárias pelo governo federal), e no valor total de concluintes, indicam que o problema está além da ofertada de vagas. Há uma questão de suma importância e que também precisa ser considerada: a valorização da carreira do magistério para a educação básica, que passa pela melhora da remuneração e das condições de trabalho do professor, com vistas a tornar a carreira mais atraente.
5 QUALIDADE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA
Este capítulo aborda aspectos sobre a relação entre qualidade e educação, a complexidade que envolve este conceito e as formas de avaliar esta qualidade, destacando uma abordagem de qualidade, como consenso social e a sua avaliação, por meio de indicadores. A partir disso, passa-se, então, a discutir, de maneira mais específica, a qualidade na formação docente e as diferentes orientações conceituais na formação de professores (especificamente na formação inicial), para, a partir da construção deste quadro (teórico), dissertar sobre o papel de indicadores de qualidade para a formação docente.