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Polikromatik Ingotların kullanılması

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM) fundamentam as competências e as habilidades a serem desenvolvidas pelos alunos, em cada uma das três áreas do conhecimento, com o objetivo de nortear a elaboração dos currículos escolares do

Ensino Médio em todo o país. Apesar de aparecerem divididos por disciplinas, a intenção é traçar grandes competências de forma interdisciplinar e contextualizada, objetivando a preparação geral para o trabalho e para a cidadania. De forma geral, os parâmetros surgem para contribuir com a significação dos conteúdos estudados na escola, tentando evitar situações em que sejam ensinados isoladamente, sem um sentido orgânico ao que se pretende desenvolver no aluno.

O MEC, cumprindo sua função de coordenador político do sistema nacional de educação, conforme determina o inciso primeiro do Artigo 8 da LDB66, financiou e coordenou uma equipe de vários especialistas da educação para a elaboração desse documento. Os PCNEMs, acrescidos de outros textos e documentos legais, transformaram-se em um livro, publicado em 1999 pelo Ministério da Educação e Desporto. É, portanto, como um livro que eles são conhecidos nas escolas.

O livro dos parâmetros é resultado do trabalho dos especialistas (os parâmetros como o definido acima) acrescido de uma carta ao professor – assinada pelo Ministro da Educação, Paulo Renato Souza, de uma apresentação – feita por Ruy Leite Berger Filho, Secretário de Educação Média e Tecnológica do MEC e de um texto intitulado O Novo Ensino Médio – sem assinatura, mas com conteúdo que remete aos técnicos do SEMTEC – mapeando o processo de trabalho, as bases legais e as mudanças no mundo do trabalho e na sociedade, que exigem a reformulação do Ensino Médio. A tudo isso, ainda são somados o texto da LDB, na íntegra, o Parecer número 03/98 da Conselheira Guiomar Namo de Melo, do Conselho Nacional de Educação à proposta do MEC e, finalmente, a Resolução da Câmara de Educação Básica, número 3, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio.

Estranhamente, apesar de o resultado apresentado (o livro que foi lançado) ultrapassar o caráter de parâmetros, isto é, tem mais elementos do que estes, isso não é citado, tampouco discutido no conjunto da publicação.

O livro, com certeza, excelente instrumento de pesquisa, é uma obra para a história da própria Reforma, pois constam ali, a partir do ponto de vista oficial, os caminhos traçados, as leis e os próprios parâmetros. Em contrapartida, ele patrocina uma confusão.

66

O Artigo 8, inciso primeiro, diz: “Caberá à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais”.

Propositadamente ou não, o MEC ajuda a confundir o que são os parâmetros curriculares, os discursos sobre os parâmetros – condições pensadas para sua existência – e o que são as bases legais que instituem a reformulação do Ensino Médio. A criatura (os PCNEMs), muitas vezes, passa-se pelo criador (a Reforma).

A impressão que fica é de que são os parâmetros os representantes de todas as leis contidas naquele livro. As leis - que fazem a reforma acontecer e, por isso, deveriam ser anexas ou mesmo abrir o livro, se fosse o caso de se dar maior ênfase a elas - aparecem confusamente entre o texto Novo Ensino Médio e a parte II (a Área Linguagens, Códigos e suas Tecnologias). Não há nenhum título que avise que, dali em diante, estão se iniciando os parâmetros curriculares de uma área. Não há também nenhuma introdução ao livro que explique a sua organicidade.

Então, qual o sentido dessa mistura toda?

Os PCNEMs não são de uso obrigatório nem constituem uma imposição de conteúdos a serem ministrados nas escolas. São linhas pedagógicas gerais, nas quais as secretarias e as unidades escolares poderão se basear para elaborar as próprias propostas pedagógicas. Mesmo assim, os PCNEMs se transformaram no símbolo da reforma do Ensino Médio, constituindo-se como a imagem principal do Novo Ensino Médio. O argumento defendido aqui é de que isso se deu mais de forma induzida, pelo trabalho que foi feito em cima deles, do que pela identificação espontânea dos profissionais de educação. A forma como o livro dos Parâmetros é apresentado cumpre uma função na Reforma para além de sua essência.

Ora, se a reforma do Ensino Médio pudesse ser corporificada, ganhando uma representação física, esses não seriam os Parâmetros Curriculares que, apesar de cumprirem um papel no contexto da Reforma, têm função mais indicativa das diversas mudanças, e quem determina que ela deva se efetivar são as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio. São elas que dão as últimas interpretações e novas determinações à LDB. Claro que, se acontecesse dessa forma, a propaganda megalomaníaca de Paulo Renato e Fernando Henrique Cardoso, de paternidade da mudança no nível médio da educação, cairia por terra.

Interessava à política do governo FHC que ele aparecesse como mentor de uma reforma que faria a revolução na educação média. Para isso, era preciso haver um instrumento que partisse do ministério, que tivesse a canetada do presidente e do ministro, que servisse de

símbolo para toda a reforma. Os PCNEMs foram, então, esses instrumentos, a representação pura da reforma através dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio: o livro, ganhando a notoriedade de instrumento reformador do Ensino Médio. Como expressão maior dessa reforma, revela o discurso oficial, sua intenção de formação geral, sepultando a dualidade da modalidade de Ensino Médio. É através dos PCNEMs que o ministro da educação, Paulo Renato Souza, e o presidente Fernando Henrique Cardoso falam para todas as escolas a nova fase para o Ensino Médio: Agora o EM é para a vida, e a proposta de mudança curricular ganha uma vedete, o livro.

Deixando a intencionalidade governamental um pouco de lado, o certo é que a Reforma do Ensino Médio, com seus aspectos legais, começa a ser desenhada a partir da Constituição Federal, ganha força com a LDB e se constitui com as DCNEMs. Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio já são, pois, resultados de todo esse processo.

Benzer Belgeler