Yerel Yönetimlerde Performans Ölçümü ve Göstergeler
3. Yerel Yönetimlerde Performans Göstergeleri
3.1. Performans Göstergesi Nedir?
Desde a década de 30 já era possível visualizar os problemas da crescente industrialização, uma vez que as pessoas migravam do campo para as cidades em busca de trabalho nas indústrias. Porém, esses trabalhadores não possuíam qualquer qualificação profissional para ocupar os novos postos de trabalho. Além disso, as cidades não possuíam infra-estrutura suficiente para suportar um crescimento tão rápido, ficando a população prejudicada no acesso às necessidades básicas como moradia, educação e saúde (SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO, 2000, p.1).
Em meados dos anos 40, a classe empresarial articulou-se para decidir sua atuação econômica e social face às mudanças pelas quais passava o país. Com a queda do Estado Novo e de Getúlio Vargas, tinha início uma nova e agitada fase de redemocratização e legalidade, além do grande surto de industrialização e desenvolvimento econômico.
A promulgação das leis trabalhistas e a tomada de consciência das classes trabalhadoras em relação ao seu papel econômico e seus direitos também foram conseqüência das mudanças econômicas e políticas.
Durante a Conferência das Classes Produtoras, realizada em maio de 1945, na cidade de Teresópolis - RJ, o empresariado brasileiro decidiu acatar as recentes conquistas sociais dos trabalhadores, e tomou a iniciativa de fazer uma série de recomendações, divulgadas posteriormente num documento que recebeu o nome de “Carta da Paz Social”. A proposta dos empresários foi a de definir basicamente uma postura de justiça social, capaz de assegurar aos trabalhadores melhores condições de vida.
Levando em conta as intenções que norteavam a Carta da Paz Social, em 1946, o então presidente da República Eurico Gaspar Dutra, assinou o decreto lei nº 9853, cujo artigo 1º atribuía à Confederação Nacional do Comércio, presidida por João Daudt D’Oliveira, a tarefa de “criar o Serviço Social do Comércio - SESC, com a finalidade de planejar e executar medidas que contribuam para o bem estar e melhoria do padrão de vida dos comerciários e suas famílias e, bem assim para o aperfeiçoamento moral e cívico da coletividade” (OS CINQUENTA ANOS DO SESC, 1996, p.12)17.
A manutenção da Paz Social - entendida como conseqüência do desenvolvimento que deve ser alcançado através da aplicação de uma metodologia condizente com os valores intrínsecos da pessoa e suas responsabilidades na sociedade - a promoção do bem-estar social, a melhoria do padrão de vida dos comerciários e suas famílias e a elevação do padrão cultural da coletividade, davam-se através da oferta de serviços a custo reduzidos (OS CINQUENTA ANOS DO SESC, 1996).
Prestar assistência ao comerciário era o objetivo do SESC, principalmente nos setores médico, odontológico, sanitário e hospitalar. Reconhecia-se também a necessidade de se construir “uma obra duradoura e de vulto que possa aproveitar também as gerações futuras” (OS CINQUENTA ANOS DO SESC, 1996, p.13). Como entidade de assistência social, o SESC desenvolvia um trabalho complementar àquele desenvolvido pelas agências governamentais no campo da prestação de serviços sociais, sobretudo no de saúde, destinados à população trabalhadora e assalariada do país, afetada por doenças infecto-contagiosas e outras produzidas pela desnutrição.
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A Revista E é uma publicação mensal do SESC São Paulo, destinada aos comerciários e demais associados do SESC e à população em geral, que discute, em seus artigos, diversos assuntos relacionados ao cotidiano da entidade, sua programação de atividades e principais projetos, além de trazer entrevistas e reportagens com pessoas de destaque na comunidade científica, artística e cultural.
São criados os restaurantes populares e os serviços de Educação Sanitária e Nutricional, as maternidades, os ambulatórios pediátricos e a “Atenção Maternal”, em resposta às altas taxas de mortalidade infantil.
A necessidade de descanso do trabalhador dá origem às Colônias de Férias, e a necessidade de equacionar questões básicas de vestuário e alimentação dá origem aos cursos de arte culinária e formação doméstica, somando-se aos centros de recreação infantil voltados para a atenção à infância. Tais programas darão origem aos chamados Centros de Atividades.
Segundo o artigo OS CINQUENTA ANOS DO SESC (1996), os centros sociais foram-se ampliando e os trabalhos que inicialmente eram voltados inteiramente para as necessidades da área de saúde foram se diversificando, abrangendo áreas de interesses mais amplos. Em 1950 faziam sucesso nos centros sociais do SESC os cursos de inglês, português, corte e costura e balé infantil. Nos anos que se seguiram floresceram os grupos de teatro, música, dança, cinema, fotografia, artes plásticas e os grêmios e clubes de funcionários de empresas comerciais.
Todo esse processo levou a reflexões teóricas e técnicas quanto ao tipo de serviço social a ser desenvolvido pela entidade.
Na medida em que as Colônias de Férias são criadas para descanso e “recuperação” dos trabalhadores, elas propõem pela primeira vez, de acordo com Magalhães (1988), “a necessidade de entreter e divertir os comerciários e familiares em férias, surgindo as primeiras práticas de lazer dentro do SESC” (p.8).
No final da década de 1960 a discussão sobre a questão do lazer como instrumento e oportunidade de trabalho social volta à tona e o tempo de lazer é redescoberto como fonte de um grande potencial educativo aplicável ao desenvolvimento pessoal. A grande meta a ser alcançada pelo trabalho do SESC continuou sendo a educação social, a ênfase,
contudo, passou a ser o lazer do comerciário, isto é, começou a utilizar o “lazer como roteiro” (OS CINQUENTA ANOS DO SESC, 1996, p.18).
Sendo favorável às idéias de Dumazedier o SESC assume, nas suas atividades, o lazer enquanto vivência ligada ao tempo livre, que é limitado pelo tempo de trabalho profissional, pela duração do tempo consagrado a outras atividades improdutivas, pelo tempo destinado às obrigações domésticas e familiares.
Segundo o documento Diretrizes Gerais de Ação (SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO, 1983, p.8), “o lazer propicia o desenvolvimento da personalidade do indivíduo, na medida em que o libera dos condicionamentos que lhe automatizam a ação e o pensamento”. Ou, como acena a Revista E, “o tempo livre do indivíduo é também tempo de aprimoramento” (ESCOLA DO TEMPO LIVRE, 1995, p.11).
Tais considerações podem ser tomadas como referências à “educação pelo lazer”, uma vez que “o lazer educativo amplia a imaginação criadora, estimula o aprimoramento do indivíduo e o desperta para a importância de sua participação e colaboração para o progresso social” (SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO, 1983, p.8).
O SESC, enquanto prestador de serviços a trabalhadores do comércio, é uma entidade que lida, diretamente, com o suprimento das necessidades de lazer e entretenimento de tal segmento de trabalhadores e suas famílias, além de possuir um objetivo educativo e de desenvolvimento cultural dos que o freqüentam. A proposta de atuação e o espaço físico do SESC são priorizados enquanto promotores de descanso, divertimento e recreação e, sobretudo, do desenvolvimento social, cognitivo e motor (SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO, 1983).
No campo do lazer, a ação da entidade implica sempre no aproveitamento das horas livres da clientela, com atividades que possuam fins educacionais. Como indica o documento Diretrizes Gerais de Ação, o SESC “aproveitará o tempo livre e a disposição
psicológica do indivíduo para motivá-lo à autopromoção social, através do incentivo ao aprimoramento de sua formação e do estímulo à sua atualização em face das mudanças” (SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO, 1983, p.8).
Segundo Silvestre Neto (2000), sociólogo e Gerente de Estudos e Desenvolvimento do SESC São Paulo, o tempo livre é “um tempo que libera de pensar e agir por delegação da necessidade, e que permite pensar por conta própria, sem compromisso com nada sério a não ser com a descoberta do sentido profundo das coisas” (p.37). Atualmente no SESC, o tempo livre do comerciário tem sido considerado como um tempo para ser dedicado a si próprio, com qualquer atividade que satisfaça seus desejos, mesmo que sejam consideradas futilidades. Para além do descanso, o lazer no SESC é visto como um espaço de divertimento e recreação orientados e, até mesmo, para a realização de atividades intelectuais visando ao desenvolvimento e crescimento cultural e social.
Dentro de um amplo campo de atuação, o SESC desenvolve um número expressivo de atividades e projetos voltados ao público infanto-juvenil, “a partir de uma concepção não-escolar, centrada fundamentalmente em atividades de lazer (...)” (SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO, 1985, p.8).
Inicialmente oferecendo o serviço de pré-escola, com a ampliação da rede de estabelecimentos municipais nessa área, a ação social do SESC passou a ser relativa. Os centros infantis do SESC São Paulo haviam se nivelado ao padrão mediano do mercado, deixando de prestar serviço de qualidade diferenciada. Além disso, o número de crianças atendidas era pequeno, face à enorme população infanto-juvenil carente de atividades de lazer e cultura.
De acordo com documento do Serviço Social do Comércio (1985), uma nova perspectiva de ação técnica surgia, baseada em pressupostos como:
- a diversificação de conteúdos; - a quebra da estrutura escolar;
- a sazonalidade e irregularidade na oferta;
- a utilização de espaços alternativos, tais como espaços públicos e comunitários.
Fator significativo nesta etapa dos projetos voltados ao público infanto-juvenil do SESC diz respeito à disseminação de atividades voltadas para o cotidiano das crianças, envolvendo as mais diversas atividades: físicas, esportivas, artísticas e culturais.
No entanto, alguns problemas permaneceram, uma vez que as ações não possuíam o caráter regular como outrora as pré-escolas ofereciam aos pais e mães trabalhadores do comércio, que muitas vezes não tinham onde ou com quem deixar seus filhos.
Além disso, considere-se a necessidade de manter o atendimento às crianças carentes e a busca de sua formação global, sobretudo frente às transformações sociais, tecnológicas e culturais, as quais não poderiam ficar à margem de uma ação educativa.
Temas como meio ambiente, ciência e tecnologia, sociedade, economia, cultura e arte deveriam tornar-se tão importantes quanto às atividades físicas e desportivas, mais amplamente divulgadas e desenvolvidas nas atividades já realizadas.
Para responder às necessidades de ordenamento das atividades já existentes, uma comissão de técnicos - animadores culturais e instrutores de atividades - propôs a realização do Programa Integrado de Desenvolvimento Infantil - PIDI, que procurava resgatar as formas de trabalho social com crianças já desenvolvidas pela entidade, mas introduzindo novos conteúdos mais condizentes com a realidade vivenciada pelo país na segunda metade da década de 1980. Nascia o Programa Curumim.