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4. KURUMSAL İLETİŞİM İLE İLGİLİ KAVRAMLAR VE FİNANSAL PERFORMANS BAĞINA İLİŞKİN ALG

4.3 Paydaşlar ve Paydaş iletişim

Ao longo da presente dissertação buscou-se analisar os efeitos da variação do salário mínimo no consumo familiar no Brasil, no Nordeste e no Rio Grande do Norte, no período de 1995 a 2011. Com tal intenção, e com base em séries trimestrais de consumo médio mensal das famílias, de massa salarial média anual e de salário mínimo médio mensal, o modelo empírico buscou verificar a efetividade da política de valorização real do salário mínimo no que se refere ao estímulo à demanda desses agentes.

A dissertação foi norteada pelas seguintes indagações chave: a) o consumo dessas famílias é influenciado positivamente pela variação do salário mínimo? b) esta variação resulta em diferentes impactos quando comparados o consumo das famílias brasileiras, nordestinas e potiguares? Em resposta, foi lançado como pressuposto de partida que incrementos na renda, derivados da política de valorização do salário mínimo resultariam em impactos diretos no consumo familiar nas três unidades analisadas, porém, tal efeito seria mais forte no consumo das famílias nordestinas e potiguares vis-à-vis as brasileiras.

Assim, após a introdução precedeu-se com a revisão literatura referente ao consumo, de modo que a heterogeneidade das suposições, bem como as particularidades de cada modelo, imprimiu a riqueza do debate sobre os determinantes do consumo. Como consequência, a conjugação dos efeitos do salário mínimo na economia se apresentou como um tema controverso. Ao passo que, seja através da distribuição de renda (resultado keynesiano), seja via modificações no mercado de trabalho (suposto neoclássico), seus efeitos devem ser levados em consideração na elaboração da política salarial.

No capítulo três, por ocasião da descrição das experiências internacionais do salário mínimo, foi apontado que a ligação entre salários e procura global parece indicar que em contextos de crise, o ritmo da recuperação dependerá, pelo menos em parte, da medida em que as famílias possam utilizar os seus salários para consumir. Nesse contexto, no caso brasileiro observou-se que, seguindo a tendência mundial, a política de salário mínimo apresenta importância crescente na agenda pública, aponta-o como instrumento potencial de política econômica, dados seus efeitos não negligenciáveis, com ênfase no período após 1995, na sua fase de valorização.

No intuito de estabelecer as séries de consumo, massa salarial e salário mínimo a serem utilizadas, o capítulo 4 constituiu-se de uma descrição de algumas das fontes de dados disponíveis á pesquisa. Com ênfase nos aspectos relacionados à renda e ao consumo verificaram-se as múltiplas possibilidades de apreciação do fenômeno do consumo. Em

contrapartida foram identificados inúmeros entraves à execução de pesquisas nos moldes propostos, tanto referentes a disponibilidades de dados para as unidades subnacionais, quanto a disposição desses dados para o período proposto. Ao passo que, diante disso, recorreu-se a “construção” de séries específicas à presente análise.

Na apreciação da literatura sobre o consumo no Brasil, embora divergentes em aspectos como a influência dos juros sobre o consumo, aferiu-se que modificações na política econômica que impliquem aumento da renda corrente das famílias brasileiras têm significativo e rápido impacto sobre a dinâmica do consumo destas. Como resultado, os consumidores no Brasil parecem ser motivados pela regra de bolso – se aproximando dos postulados da função consumo keynesiana, bem como do sugerido pela hierarquia das necessidades, tal como em Lavoie (1992).

Posto isso, a partir das estimações via Mínimos Quadrados Ordinários, inferiu-se que incrementos no salário mínimo tendem a impactar mais fortemente as famílias brasileiras. Isto é, enquanto uma variação unitária neste tipo de rendimento aumentou o consumo das famílias brasileiras em 1,29 unidades monetárias, o efeito nas famílias nordestinas foi de 1,05; e, no caso das potiguares, o acréscimo foi de 1,10 unidades monetárias, gerando, portanto, um aumento do peso nas evidências contra a hipótese lançada.

Sob esse aspecto, pautado nos objetivos da pesquisa, a leitura da função consumo keynesiana aponta para a modificação na distribuição funcional da renda agregada, mais particularmente dos empresários em favor dos trabalhadores. Em função da propensão a consumir das classes favorecidas, relativamente maiores, o resultado tende a ser um aumento no consumo agregado. Este efeito, por seu turno, poderá ser reforçado pelo reajuste dos rendimentos atrelados ao valor do mínimo, tais como proventos de aposentadoria, seguro- desemprego e outros salários ancorados a essa unidade.

Nesse mesmo sentido, a teoria pós-keynesiana sugere que como consequência do aumento do salário mínimo os agentes modificam suas cestas de consumo e, por extensão, suas posições na hierarquia da sociedade. Posto isso, enquanto os trabalhadores sobem na pirâmide, os capitalistas fazem o movimento inverso. O crescimento das necessidades das famílias dos estágios mais baixos gera um aumento no consumo destas. Desse modo, tem-se elevação no consumo agregado, particularmente, na aquisição de bens cujas necessidades estejam situadas nos planos mais elevados do ordenamento lexicográfico, modificado pelo salário mínimo.

Dessa maneira, via fortalecimento da demanda privada, estimula-se a produção, o que em tempos de crise econômico-financeira atua como ferramenta estratégica no enfrentamento

das reduções no nível de atividade econômica. Portanto, em economias em desenvolvimento, a exemplo do Brasil, mesmo pequenos aumentos salariais podem resultar em melhorias significativas no nível de vida dos seus agentes, dado que, com aumentos no consumo das famílias, promove-se a justiça social e a equidade.

Isso poder explicar o fato do salário mínimo ter se tornado um instrumento de política pública permanente no contexto brasileiro, cujos critérios para definir o seu nível têm sido uma combinação de necessidades sociais e de equidade, por um lado, e capacidade de pagamento e de estabilidade de preços, por outro. Diante disso, com o aumento da demanda dos trabalhadores, o ritmo da recuperação – em caso de crise – dependerá, pelo menos em parte, da medida em que as famílias possam utilizar os seus salários para consumo.

Esses resultados, porém, não validam a ideia de que a política de valorização reduza necessariamente as disparidades regionais e intrarregionais, mas apenas a desigualdade funcional da renda entre os agentes de cada unidade analisada. Estes, por sua vez, conforme a literatura nacional sobre o consumo brasileiro, parecem ser motivados pela regra de bolso, na qual o parâmetro de decisão de consumo é a renda corrente.

Nesse contexto, conforme ressaltado no capitulo 3, a política de valorização do salário mínimo, desde março de 1995 passa por um período sistemático de valorização real. E, a partir de uma política de médio e longo prazo, a conjuntura político-econômica dos anos 2010 aponta para a permanência dessa tendência. Ao passo que, se no passado, tal política estava mais voltada aos seus efeitos sobre o mercado de trabalho, mais recentemente o interesse tem se voltando à sua influência sobre a distribuição de renda.

Dentro do escopo da presente pesquisa, observaram-se os gargalos enfrentados pelos estudiosos dispostos a pesquisar o consumo familiar. Como visto, as limitações à pesquisa se concentraram na disponibilidade, frequência, qualidade e abrangência das bases de dados. Além disso, tais fontes estatísticas abordam as variáveis que supostamente se relacionam com o consumo a partir de diferentes perspectivas, o que dificulta ainda mais a análise empírica.

Sob esse aspecto, uma contribuição peculiar da presente pesquisa se refere à construção das séries de consumo trimestral para o Nordeste e para o Rio Grande do Norte. Uma vez disponível apenas em nível nacional, via Sistema de Contas Nacionais, a disposição dessas séries em níveis subnacionais poderá subsidiar futuras pesquisas. Ressalte-se que, apesar de construída, as séries de consumo familiar aqui elencadas padecem de limites. Isso porque elas foram pautadas em hipóteses que, apesar de fundamentadas teoricamente, se constituem tão somente em uma aproximação da realidade.

O mesmo é valido para as séries de massa salarial. Dada sua disponibilidade apenas em periodicidade anual, sua interpolação para dados trimestrais, com ajustes ad hoc, demandou a construção de alguns pressupostos passíveis de críticas, conforme capítulo anterior, as quais podem ser justificadas também pelas limitações das bases de dados. Outra limitação da presente pesquisa se refere ao método econométrico, o qual, como dito, capta apenas as relações contemporâneas entre as variáveis. Ademais, a violação de alguns pressupostos sugere não ser o método usado o mais eficiente.

Portanto, a presente dissertação, além de apresentar os resultados inerentes aos objetivos propostos pela pesquisa (apontando a abrangência dos estudos teóricos e empíricos sobre consumo; ratificando a importância da política de salário mínimo; sinalizando as limitações das fontes estatísticas; e, sobretudo inferindo o impacto em cada unidade analisada) se presta a servir de motivação para trabalhos futuros, de modo que os estudos sobre consumo agregado em nível subnacional estejam cada vez mais disponíveis à sociedade.

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