As políticas de intervenção governamental possibilitaram não só um surto industrial como preparou toda uma gama de técnicos, estudiosos e administradores os quais seriam igualmente aproveitados nas gestões de governos estaduais. As mudanças estruturais ocorridas na economia e sociedade nordestina desde 1950 criaram condições para a emergência de novas elites. No Ceará, um grupo com fortes vínculos com os setores modernos da economia, chegou ao poder e conseguiu influenciar a política em âmbito nacional.
O que atrasou o avanço da industrialização cearense foi o domínio secular das oligarquias, a concentração fundiária, a Ditadura Militar e o ciclo dos coroneis que durante várias décadas detinham o domínio político do Ceará.
Para Teixeira (1995) a partir dos anos 1960, o Ceará, se tornou o terceiro maior absorvedor de recursos da SUDENE para o desenvolvimento industrial. Nas décadas 1960 e 1970 aconteceram profundas alterações estruturais na economia cearense. Foi no governo de Vírgílio Távora, época dos coroneis, que o Ceará recebeu um aporte infraestrutural significativo. Foram construídas rodovias que cortavam o território estadual, houve a chegada da energia de Paulo Afonso, foi instalado o terceiro polo metal-mecânico do estado, bem como o sistema de telecomunicações, a universalização do ensino médio e a arrancada no processo da industrialização. Assim, aos poucos o Ceará foi se industrializando, em geral com fábricas do setor tradicional (indústrias têxtil, de vestuário, calçados e artefatos de tecidos), possibilitando o fortalecimento político da burguesia local.
O estado do Ceará, a partir da instituição do Governo das Mudanças, passou a seguir uma nova política de desenvolvimento. Na segunda metade da década de 1980 o
quadro político-econômico do Ceará iniciou-se com um grupo de jovens empresários que assumiram o comando do estado nas eleições de 1986 (FARIAS, 2007). O Centro Industrial do Ceará (CIC), criado objetivando reunir os proprietários de estabelecimentos fabris do Ceará para juntos tratar de assuntos de seu interesse e assim buscar possibilidades de novos empreendimentos na tentativa de promover o desenvolvimento do estado.
Na busca de efetivar algumas mudanças, uma série de medidas foram adotadas pelo governo. As primeiras priorizavam o saneamento da máquina estatal, como cortes de despesas e enxugamento do quadro de pessoal com a finalidade de se fazer uma reforma no estado recuperando finanças e a capacidade de investimento. Em seus discursos responsabilizavam o domínio dos coronéis pelo atraso do estado frente ao país.
As ações do governo do estado passaram a ocorrer, mediante parceria com o capital privado, isso a partir da segunda metade da década de 1980, época em que se iniciou no Brasil o processo de abertura econômica. O papel do estado nesse momento, segundo Pereira Júnior (2005), era o de fomentar a abertura de espaços para assegurar a consolidação do capital industrial do Ceará. Na década de 1990 foi eleito presidente Fernando Collor de Melo, período em que se dá a efetiva abertura econômica e as medidas adotadas foram: diminuição as barreiras não tarifárias e redução das alíquotas de importações, além de iniciar os programas de privatizações (estes na tentativa de saldar a dívida pública).
Foi realizado no Ceará a construção do Porto Pecém (pelo qual escoa parte importante da produção de frutas não só do Ceará, mas também de outros estados vizinhos), a internacionalização do aeroporto Pinto Martins, a melhoria das rodovias estaduais, a construção do açude Castanhão que implicou na construção da primeira cidade planejada do Estado a Nova Jaguaribara. Apoio à agricultura irrigada e investimento no setor turístico. Um dado importante foi com relação ao setor industrial, ao longo dos anos instalaram centenas de indústrias no estado, de modo que o setor cresceu numa média anual de 3,6%, a participação da indústria na composição do Produto Interno Bruto saltou de 19% em 1970 para 40% em 2000. Vale destacar a contribuição da agressiva política fiscal, atraindo indústrias nacionais e até estrangeiras. O estado isenta as fábricas de 75% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias de Serviços (ICMS), por até 15 anos (FARIAS, 2007).
Salienta-se que foi com a implantação da política de atração de investimentos, que permitiu a instalação de novas empresas industriais de diversos segmentos industriais no interior do estado.
O governo do Estado tem desenvolvido grande esforço para atrair novos investimentos industriais e descentralizar sua instalação nas cidades do interior, através da execução de programas de apoio ao setor. O resultado desse trabalho está traduzido na atração de 310 novas indústrias, no período de 1995 a 1997, sendo 111empreendimentos para o interior e 177 para a região metropolitana de Fortaleza (exclusive a capital) e apenas 22 para Fortaleza (OLIVEIRA, 1999, p. 42)
Maia e Cavalcante (2010) ressaltam que, apenas durante a década de 1990, após a abertura comercial brasileira, a política industrial supracitada passou a dar resultados mais significativos, sobretudo após o Plano Real que possibilitou aumento nas importações. Apesar disso, o grau de abertura do estado ainda é reduzido e apresentou em 2009 como principais produtos na sua pauta de exportações, os calçados, a castanha de caju, couros e peles, frutas e produtos têxteis, enquanto que na sua pauta de importações, destacaram-se, máquinas e equipamentos, produtos químicos, trigo e têxteis, respectivamente. Vale salientar que essas evidências revelam um setor industrial ainda gerador de bens de baixo valor agregado e com forte dependência de produtos com grande necessidade de tecnologia de produção.
O resultado da política industrial foi a consolidação e incremento do parque industrial do estado. Conforme Araújo (2000) o polo têxtil é o mais moderno do país e segundo em termos de capacidade de produção. O polo calçadista é o terceiro maior do país e o polo metal mecânico é o primeiro do Norte e Nordeste.