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O ingresso dos alunos nos cursos de engenharia da Universidade Cruzeiro do Sul faz-se por processo seletivo por habilitação de engenharias. Existe, desta forma, projeto pedagógico para cada um dos cursos. A seguir é feita uma descrição e análise de alguns tópicos pertencentes aos projetos pedagógicos de forma geral e com enfoque na formação básica.
2.1 Considerações sobre a concepção do curso de engenharia
Levando-se em conta que a evolução da humanidade nas últimas décadas está fortemente associada à evolução das engenharias em suas diversas vertentes, o processo de concepção do curso de engenharia deve ser norteado de forma a promover a formação de pessoal altamente qualificado para atuar nos mais diversos aspectos da criação e da aplicação de tecnologias novas e de tecnologias convencionais. Neste processo de formação, procura-se também enfatizar aos estudantes a importância de se considerar e conciliar em seu futuro trabalho os mais diversos aspectos tecnológicos, científicos, sociais, econômicos e ambientais.
O artigo 4o das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de Graduação em Engenharia (anexo 1) nos apresenta que o curso de engenharia tem como objetivo dotar o profissional de conhecimentos para o exercício profissional de competências e habilidades de caráter técnico (itens I a VIII) além de:
X- compreender e aplicar a ética e a responsabilidade profissionais; XI- avaliar o impacto das atividades de engenharia no contexto social e ambiental;
XII- avaliar a aplicabilidade econômica dos projetos em engenharia; XIII- assumir a postura de permanente busca de atualização profissional. Cabe à instituição que forma o engenheiro apresentar em seu projeto pedagógico a formação de um profissional completo, ou seja, aquele que possua, além das competências técnicas, postura crítica, criatividade e que leve em consideração aspectos sociais, econômicos, ambientais e culturais na resolução de problemas. Bazzo (1997) cita a expressão cidadão-engenheiros para definí-los.
Relacionadas com a formação de profissionais conscientes e preocupados com o bem estar do cidadão, as diretrizes curriculares apresenta que o futuro engenheiro deva ser formado para “compreender e aplicar a ética e responsabilidade profissionais” assim como “avaliar o impacto das atividades da engenharia no contexto social e ambiental”. Não há mais como realizar trabalhos em engenharia sem levar em conta os impactos ambientais e sociais. A postura do novo engenheiro é a busca contínua pelos melhores materiais, com menores valores e menor impacto ambiental. Temos aí uma equação de muitas variáveis para que o engenheiro encontre a melhor solução.
Bazzo (1998) afirma que a ciência e tecnologia eram únicas para a solução de problemas, mas que na atualidade, as decisões de caráter científico- tecnológicas não são mais tomadas exclusivamente por especialistas, com conhecimentos técnicos. A sociedade quer maior participação nessas decisões e o novo engenheiro precisa estar em sintonia com os problemas sociais para solucioná-los.
Importante salientar a importância do professor do curso de engenharia na formação do profissional, tendo em vista o grande tempo de convivência do aluno com o docente. O desenvolvimento do conteúdo com abordagens puramente técnicas, nos levará a esquecer a responsabilidade mais ampla no
processo educacional. Para que o egresso de engenharia adquira as competências de caráter não tecnológico, ele deverá passar por experiências quando aluno. Na qualidade de professor das disciplinas que fazem parte da estrutura curricular, é imperioso que cada um compartilhe com seus estudantes as suas experiências e discuta sobre cada questão social que poderá interferir na solução de um problema em engenharia. Na Universidade Cruzeiro do Sul, para contemplar esses objetivos, são realizados projetos interdisciplinares a partir do 5o semestre do curso nas disciplinas profissionalizantes.
Nos últimos anos, a procura por cursos de engenharia tem crescido muito. O crescimento econômico até o primeiro semestre de 2008, provocou uma procura acentuada por profissionais em engenharia nas mais diversas habilitações/modalidades, o que proliferou a abertura de novos cursos em todo o Brasil. Na Universidade Cruzeiro do Sul, instituição de ensino onde a pesquisa foi realizada, todos os alunos que apresentaram vontade (ou necessidade) de trabalhar, conseguiram. Não havia, até o 1o semestre de 2008, aluno algum sem emprego (considerados também os estágios em empresas).
O Governo Federal, tendo em vista a necessidade de formação de engenheiros, considerou o curso como prioritário para a obtenção do FIES (programa de Financiamento Estudantil do Governo Federal), cobrindo até 75% dos encargos educacionais. Os demais cursos considerados prioritários são as licenciaturas, medicina e geologia.
Desta forma, ao se desenvolver o projeto do curso, deve-se levar em consideração o fato de que esta área do conhecimento sofre transformações intensas, realçando-se, assim, a necessidade de propiciar uma formação que estimule a busca contínua do conhecimento e do aprimoramento. Um engenheiro que não se atualiza, em pouco tempo perde a sua capacidade e competitividade para atuar no mercado de trabalho.
A estrutura curricular e a infra-estrutura estabelecidas para este curso devem ser planejadas a partir das ideias delineadas nos parágrafos anteriores. Entre os primeiros aspectos considerados para o projeto do curso, encontra-se
a conciliação de núcleos de formação, constituídos por um núcleo de conteúdos básicos, um núcleo de conteúdos profissionalizantes e um núcleo de conteúdos específicos que estabelecem as características peculiares de formação dos alunos. A seleção, encadeamento e integração vertical e horizontal das disciplinas destes conjuntos de núcleos, desenvolverão os aspectos conceituais, procedimentais e atitudinais desejados para a formação de Engenheiros.
A finalidade do curso é propiciar uma sólida formação em ciências básicas, procurando criar um ambiente propício para instigar a criatividade e desenvolver a independência intelectual dos alunos, encorajando-os, também, a utilizar a infra-estrutura disponível para desenvolver as suas idéias, por meio de projetos de iniciação científica, monitorias e projetos individuais. Neste ambiente, enfatiza-se, ainda, a importância das implicações sociais e ambientais do seu trabalho, destacando-se a ética profissional e suas responsabilidades perante a sociedade, com o propósito de propiciar a formação de um profissional ativo, consciente da necessidade do seu aprimoramento contínuo, com as necessárias habilidades para transitar com desenvoltura nos limites do conhecimento tecnológico e considerar com naturalidade a utilização das novas tecnologias.
Os projetos dos cursos de engenharia também devem estabelecer as diretrizes para a implantação de infra-estrutura laboratorial adequada, mediante a qual os alunos poderão desenvolver as habilidades necessárias para compreender os aspectos construtivos e princípios de funcionamento dos equipamentos. Dessa forma, é possível viabilizar a comparação entre os modelos teóricos desenvolvidos e os resultados experimentais para projetar, montar e executar experimentos, bem como para analisar os seus resultados. Tal infra-estrutura deve propiciar, também, a conscientização da importância da segurança no trabalho e da importância de trabalhar em equipe.
A concepção do curso de engenharia deve ser o resultado de um processo de análise da conjuntura regional, nacional e internacional, sob os
mais diversos pontos de vista – tecnológicos, científicos sociais e econômicos – aliados ao empenho das instituições de ensino em cumprir a missão a que se propõe.
A formação do engenheiro constitui um processo a que se submete o aluno a partir de conhecimentos gerais, correspondentes ao fim dos estudos no ensino médio, até o ensino superior de disciplinas, principalmente, de caráter científico e técnicas, com extensão e profundidade apropriadas aos objetivos específicos do curso. De forma geral, podemos conceber que um curso de engenharia deva ter por objetivos gerais, a propiciar seu egresso:
a) uma cultura científica suficiente ampla que lhe permita dominar a sua especialidade e lhe confira aptidão de aplicar as novas conquistas científicas ao aperfeiçoamento das técnicas e do progresso industrial;
b) uma sólida formação técnica lastreada na prática, em trabalhos experimentais e sua interpretação;
c) uma visão das consequências sociais de seu futuro trabalho como engenheiro e prepará-lo para a solução dos problemas de natureza social delas decorrentes;
d) uma formação alicerçada em estrutura de conhecimentos que lhes proporcione uma rápida adaptação às situações da demanda constantemente ávida por novas realizações de interesse social e humano.
É necessário que este profissional adquira conhecimentos sólidos, relacionados a diversos conhecimentos, habilidades e atitudes, desde os primeiros semestres do curso, e amplie seus saberes durante a formação específica.
Após os quatro primeiros semestres do curso, o estudante de engenharia da Universidade Cruzeiro do Sul, deverá ter conhecimentos sólidos em:
ciências dos materiais; computação;
desenho técnico; física;
matemática;
para começar a:
avaliar problemas, buscar soluções referentes a sua formação específica e multidisciplinares;
executar e analisar resultados de ensaios e experimentos (para depois projetar);
avaliar criticamente conceitos de ordem de grandeza;
desenvolver e aplicar modelos matemáticos e físicos com base em informações sistematizadas (iniciará o desenvolvimento desta habilidade); realizar leitura, expressão e interpretação gráfica;
operacionalizar problemas numéricos.
2.2 Matriz curricular dos cursos de engenharia na Universidade Cruzeiro do Sul
Os cursos de Engenharia na Universidade Cruzeiro do Sul são estruturados em 10 semestres. As disciplinas de formação básica, em sua maioria, são cursadas nos quatro primeiros semestres.
Na justificativa das Estruturas Curriculares dos cursos de Engenharia Elétrica, e Mecânica são realizadas análises dos currículos dos cursos em relação aos seguintes itens:
a) Coerência do currículo com os objetivos do curso;
b) Coerência do currículo com o perfil desejado do egresso;
c) Coerência do currículo em face das diretrizes curriculares nacionais; d) Adequação da metodologia de ensino à concepção do curso;
e) Inter-relação das disciplinas.
A estratégia adotada para a consecução dos objetivos traçados para este curso consiste na definição coerente das disciplinas dos três núcleos de
formação, bem como na seleção, encadeamento e interrelação das disciplinas. Espera-se, assim, criar as condições favoráveis para que os alunos adquiram conhecimentos e desenvolvam habilidades e atitudes compatíveis com o perfil pretendido. No decorrer do curso, busca-se solidificar muito mais os conceitos fundamentais para a formação geral na área, visto que um dos objetivos é a formação generalista, mais do que, simplesmente, enfatizar aquelas que possibilitam informações tecnológicas que podem ser obtidas com certa facilidade por um aluno bem formado.
Assim, os conteúdos programáticos das disciplinas que compõem os três núcleos de formação dos cursos de Engenharia, denominados núcleo de conteúdos básicos, núcleo de conteúdos profissionalizantes e núcleo de conteúdos específicos, foram elaborados de forma a propiciar aos alunos um desenvolvimento acadêmico e profissional gradativo, que se consolida à medida que eles concluem cada um dos núcleos.
No processo de formação dos alunos, vem, em primeiro lugar, o núcleo de conteúdos básicos. As disciplinas deste núcleo são oferecidas nos quatro primeiros semestres do curso, restando apenas as disciplinas Ciências Econômicas e Administrativas (I e II) , oferecidas nos 7o e 8o semestres, e Ética e Legislação Profissional oferecidas no 10o semestre. Ao ministrar as disciplinas do núcleo de formação básica, os professores procuram detectar as principais dificuldades dos alunos ingressantes e implementar os meios necessários para superá-las, de forma a estabelecer um ponto de partida adequado ao desenvolvimento dos conteúdos propriamente ditos. São diversificados os recursos que os auxiliam a superar suas dificuldades iniciais, tais como: aulas extras de orientação didática, orientação extra-classe pelos professores; monitoria e estímulo ao uso da Biblioteca, do laboratório e da Internet. Esta é, certamente, a parte mais sensível e fundamental do curso, pois, a partir de uma situação inicial de grande heterogeneidade dos alunos ingressantes, deve-se garantir a superação de inúmeras dificuldades que eles trazem da Educação Básica, sem prejudicar o conteúdo planejado para as disciplinas deste núcleo.
É, também, com o desenvolvimento das disciplinas deste núcleo que se estabelecem as bases necessárias para se iniciar o processo da obtenção de uma sólida formação nas disciplinas básicas da engenharia. As disciplinas que compõem este núcleo, são: Álgebra Linear e Cálculo Vetorial; Cálculo Diferencial e Integral (IA e IB); Cálculo Diferencial e Integral (IIA e IIB); Cálculo Numérico; Ciências do Ambiente; Ciências Econômicas e Administrativas (I e II); Desenho Técnico (I e II); Eletricidade (I e II); Ética e Legislação Profissional; Fenômenos de Transporte (IA e IB); Física Geral e Experimental (IA e IB); Física Geral e Experimental (IIA e IIB); Geometria Analítica, Mecânica Geral, Probabilidade e Estatística (I e II); Química Geral e Experimental (I e II); Resistência dos Materiais e Técnicas de Programação.
O corpo docente dos cursos de Engenharia da Universidade Cruzeiro do Sul vem adotando algumas estratégias de ensino adequadas aos conteúdos ministrados em cada disciplina. Em geral, são utilizadas técnicas de estudo para garantir o processo de pesquisa, compreensão e discussão de temas gerais e específicos, tais como, palestras, seminários, leituras, relatórios aplicados, pesquisas, dinâmicas para a solução de problemas, realização de projetos interdisciplinares, montagem de experimentos, obtenção e análise de dados, interpretação dos resultados dos conceitos estudados, interpretação de resultados experimentais, debates, ética e legislação profissional.
Destaca-se que as estratégias descritas acima são resultantes da metodologia institucional “Aprender na prática”, adotada pela Universidade Cruzeiro do Sul há mais de 5 anos, e que vem se desenvolvendo de forma satisfatória no ensino de graduação, tanto do ponto de vista docente quanto discente. Esse diferencial tem impulsionado o crescimento de atividades práticas inseridas nos projetos pedagógicos dos cursos. Facilitadoras do aprendizado da teoria em sala de aula, as atividades complementares, outro recurso oferecido aos alunos, possibilitam o aprimoramento dos discentes em seu contato com a realidade profissional.
A distribuição do conteúdo programático ao longo do curso, sob o enfoque de ciências básicas e de engenharia, mostra uma ordem lógica e natural. A disposição das disciplinas Ciências Econômicas e Administrativas (I e II) e Ética e Legislação Profissional nos últimos semestres tem por objetivo reforçar a formação humanística do aluno antes de sua introdução ao mercado de trabalho.