2.2. Pay Senedini Etkileyen Makroekonomik Fakt örler
2.2.6. Para Arzındaki Değişim
Voltando ao universo de todas as flores, mesmo aqueles que não se diziam agricultores(as) acabavam revelando uma ampla exposição aos agrotóxicos, quando esses eram guardados em casa, na lavagem de roupas contaminadas ou pela deriva
(técnica)49 das gotículas dessas substâncias durante a pulverização, pela
contaminação do solo ou da água nos arredores da residência e no descarte inadequado das embalagens de agrotóxicos usadas e, até mesmo, no consumo de frutas de refugo. Há de se chamar a atenção para a percepção dos agricultores de que há exposição aos agrotóxicos, mesmo quando não se está fazendo a pulverização no próprio terreno:
[...] Só que eu nunca expurguei, mas não deixa de receber né?... Quando tá expurgando passa assim [...] tipo uma fumacinha no ar... (Dona Papoila). Aqui o que usa primeiro quando planta é expurgar [...] eu tinha contato,
porque eu vivia da agricultura, [...] a gente pegava aquele mau cheiro né? Daquele veneno... era o que tinha de viver, com isso mesmo, né?
Mas eu não sentia coisa nenhuma não... (Dona Mariana).
[...] aqui [na Comunidade Cabeça Preta 50] tem o Projeto Piamarta, que eles
pulverizam com o avião, certo? Aí a gente tinha o contato, porque se acordava sufocada com a catinga de veneno, certo? Esse era o maior
contato... (Dona Melosa-roxa).
Dona Melosa-roxa relata atividades de pulverização em plantação a menos de cem metros da sua residência e, pelo menos, 20 das 23 flores colhidas tinham cultivos à menos de cem metros da sua residência com relatos semelhantes. A pulverização realizada nas empresas é muito mais expressiva (Quadro 7), somada a proximidade das lavouras com as residências e a banalização do uso dos agrotóxicos, questiona-se sobre a possibilidade real de se evitar a exposição aos agrotóxicos nessas comunidades rurais (Figura 15).
49 A deriva técnica assume que parte importante do agrotóxico despejado não atinge o alvo específico
(MARINHO, 2010; ABRASCO, 2015), pois há retenção de apenas 30-45% de calda tóxica nos alvos, quando da pulverização (MATUO, 1988 apud OLIVEIRA; NETO, 2003). O que não fica retido nas plantas acaba se dispersando no ambiente: 28,5% são dispersos no ar e 71,5% na terra, podendo sofre lixiviação e contaminar lenções freáticos (ABRASCO, 2015).
50 Pequeno Marinho (2010, p. 149), em seu estudo, destaca as modificações ocorridas nessa
comunidade com a vinda de empresas do agronegócio: “Até o ano de 1989, a comunidade abrigava 73 famílias e atualmente conta com aproximadamente 230 famílias cadastradas no PSF, e média de 1.350 pessoas.” Relata que os trabalhadores que migraram trabalham em “diversas empresas da fruticultura irrigada ou da Fazenda Piamarta e quando estão sem função, atuam como diaristas no projeto de irrigação”.
No presente estudo, nem sequer houve relato de uso de EPI pelos agricultores, pelo contrário, houve relatos de “banhos de agrotóxicos” ou de “bomba derramando” no corpo durante a aplicação do agrotóxico no próprio plantio. Pesquisas anteriores do Núcleo Tramas, evidenciam o vazamento no equipamento durante a pulverização em relato de cerca de 25% dos agricultores familiares e em quase 60% dos agricultores assentados (MARINHO et al., 2011, p. 355). Marques e Silva (2003, p. 102) referem que a maioria dos trabalhadores rurais não faz uso de EPI. Preza e Augusto (2012) revelaram que apenas cerca de 17% dos agricultores nordestinos faziam uso de algum tipo de EPI. Não ter havido questionamento objetivo sobre o uso de EPI nesse estudo pode ter permitido o ocultamento dessa informação, por outro lado, se não lhes pareceu importante relatar sobre medidas de proteção no uso dessas substâncias, também se pode crer que o efeito do mito de que “os agrotóxicos são seguros” e “o efeito do veneno é apenas no dia em que se pulveriza” pode estar sendo
eficazmente nocivo para essas comunidades rurais – o que pode ser atribuído ao
trabalho pernicioso do agronegócio em parceria com o poder público para ocultar os riscos relacionados com essa exposição.
Mas “qual é a real proteção oferecida por estes equipamentos?”, dado tamanho desconforto para o seu uso (FARIA, 2012, p. 36). Rosa, Pessoa e Rigotto Figura 15 – Cultivo de Bananas próximo das casas na Comunidade do Tomé em Limoeiro do Norte-CE
(2011) criticam o paradigma de “uso seguro” dos agrotóxicos e apontam o que seria preciso realmente para que esse paradigma fosse responsavelmente implementado:
[...] um vultoso e complexo programa, que incluiria a alfabetização dos trabalhadores, a sua formação para o trabalho com agrotóxicos, a assistência técnica, o financiamento das medidas e equipamentos de
proteção, a estrutura necessária para o monitoramento, a vigilância e assistência pelos órgãos públicos, as formas de participação dos atores
sociais no processo de tomada de decisões, e muita coisa mais! Quanto tempo levaria para isto? E quantos recursos? Eles estão garantidos e disponibilizados? Enquanto isto, quantas vidas serão ceifadas? E a intervenção para o uso seguro teria que desenvolver ainda estratégias específicas para os diferentes contextos em que o risco se materializa [...] (ROSA; PESSOA; RIGOTTO, 2011, p. 244, grifos nossos).
As autoras concluem que se deve, em verdade, “reconhecer que não temos condições de fazer o uso seguro. Já que as consequências do uso (in)seguro de agrotóxicos para a vida são graves, extensas, de longo prazo e algumas irreversíveis ou ainda desconhecidas [...]” (ROSA; PESSOA; RIGOTTO, 2011, p. 245). Porto e Soares (2012, p. 47, grifos nossos) também criticam a centralidade das discussões acadêmicas acerca do uso dos EPI’s como solução para o controle à exposição “[...], visto que tal recomendação, além de ser apenas paliativa e frequentemente ineficiente, poderia ser entendida como uma incorreta aceitação
do próprio agrotóxico enquanto alternativa viável”.
Dessa forma, percebe-se que o uso dos agrotóxicos é comum, não apenas dentro das fazendas que produzem para o exterior, mas dentro das casas dos agricultores, dentro dos terrenos de cultivo familiar. O agronegócio, no conceito amplo de Fernandes (2013), consegue invadir e se disseminar por meio dos produtos das indústrias agroquímicas, tornando o Brasil o maior consumidor de agrotóxicos do mundo.