• Sonuç bulunamadı

KPSF için Bai-Perron Çoklu Yapısal Kırılma Testi Sonuçları

4.2. Kamu Banka Paylarının Makroekonomik Belirleyicileri

4.2.4. KPSF için Bai-Perron Çoklu Yapısal Kırılma Testi Sonuçları

O segundo semestre de 1987 e o primeiro de 1988 foram palcos de uma intensa mobilização política que contava com a participação de índios, de indigenistas, de missionários, de antropólogos e de advogados, como também de representantes de agências indigenistas, de assessorias das forças armadas, de uma articulação da região amazônica e de lobistas das mineradoras.

Esse foi o momento oportuno para que houvesse efetivamente a participação do movimento indígena nos novos traçados constitucionais do País. Reescrever novos paradigmas, mudar os rumos da política, reconhecer direitos já tão esquecidos, propiciar justiça, respeitar as diferenças eram ideais que davam força àqueles que queriam mudar a história. Não seria um favor tampouco uma penitência pelos “pecados” já cometidos pela sociedade em geral, pois o importante não era apagar as cicatrizes, a miséria imposta nem a discriminação, mas era propiciar aos indígenas o devido tratamento condizente aos seres humanos como os são e prezar pela sua dignidade.

Nesse clima de construção de novos caminhos para o Brasil, João Pacheco de Oliveira relata, como fato inédito e de grande repercussão, a participação das diversas comunidades indígenas na rotina parlamentar:

[...] a rotina constante de uma massa de indígenas que, pintados e com seus adornos de pena, percorriam os corredores, lotavam os auditórios, entravam e saiam dos gabinetes. Não eram agressivos nem manipuladores, não eram manifestantes que protestavam nem lobistas. Eram pessoas comuns, apenas diferentes, todos confiantes no processo parlamentar, sinceramente preocupados com a defesa de suas comunidades, seus modos de vida e valores diferenciados. Era como se o Congresso estivesse convocado dentro de uma aldeia indígena! Uma presença assim colorida e vistosa tornava evidente aos constituintes e aos funcionários das duas câmaras legislativas o que sua experiência urbana havia camuflado, a diversidade cultural e lingüística do país, a pujança e vivacidade atual de suas populações autóctones (OLIVEIRA, 2008, p.252).

Vários estudiosos na questão indígena dedicaram-se em escrever livros, que retratavam a situação das terras indígenas, e em fazer recomendações para a Constituinte. Assim, observa-se os escritos da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha:

As terras indígenas são tratadas, na realidade, como terras de ninguém; são tratadas como a primeira opção para mineração, hidrelétricas, reforma agrária e projetos de desenvolvimento em geral. Os índios estão sendo destruídos pela ganância nacional e internacional. Essas terras devem continuar inalienáveis, e o direito dos índios prevalecendo sobre quaisquer atos que tenham essas terras por objeto, sem direito a indenizações como já manda o artigo 198 da Constituição (CUNHA, op.cit, p.14).

Mais adiante, a antropóloga recomenda:

A nova Constituição do Brasil deveria, portanto, incluir de forma explícita o reconhecimento das comunidades indígenas e de suas culturas próprias, não mais como “selvagens” a serem “civilizados”, mas como grupos portadores de uma cultura própria que deve ser respeitada, e com direito à livre organização, entendendo-se por comunidades indígenas as que mantêm a consciência de sua ligação histórica com sociedades pré-colombianas (CUNHA, ibid, p.16).

Entretanto, havia ainda o outro lado, as discussões sobre o tema e as propostas de normatização também alcançaram a participação daqueles que viam seus interesses e seus privilégios atingidos. Essas articulações viriam também dos setores menos prováveis, já que eram contraditórias a sua própria atuação e fundamento de existência, como a FUNAI e o Conselho de Segurança Nacional. Entre seus argumentos, havia a condenação dos tamanhos excessivos das terras indígenas e um dossiê sobre os riscos que a demarcação das terras indígenas representaria para a segurança das fronteiras e o desenvolvimento da região amazônica, sendo distribuído aos constituintes.

Embora as propostas encaminhadas pelas entidades pró-indígenas terem sido em grande parte abandonadas, pela primeira vez, a Constituição brasileira dedicou um capítulo específico para tratar das garantias desses povos. Assim, o Capítulo VIII, intitulado: Dos índios, dispõe dois artigos, a saber: arts. 231 e 232, sendo que no primeiro consta dispostos sete parágrafos.

Carlos Frederico Marés de Souza Filho, ao referir-se à Constituição de 1988, resume que as premissas que se assentam as relações jurídicas para com os povos indígenas são:

[...] reconhecer os seus direitos originários, isto é, reconhecer que os povos indígenas têm direitos anteriores ao Direito e aos Estados; reconhecer a exclusividade de seu uso sobre as terras que habitam, nisto incluído o entendimento de que delas dispõe como território e não como propriedade e, por último, oferecer proteção e garantia do Estado nacional para que os povos indígenas vivam segundo seus direitos originários e não sejam usurpados pelo próprio Estado que os protege, por outros Estados e por cidadãos de qualquer Estado (SOUZA FILHO, op.cit, p.91).

Observa-se, ademais, que houve o rompimento da orientação assimilacionista presente nas legislações anteriores, consagrando o direito à diferença; bem como o reconhecimento da organização social, dos costumes, das línguas, das crenças, das tradições, dos direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam; como também foi conferido aos índios e às suas comunidades e organizações a capacidade processual para a defesa de seus direitos e interesses, cabendo ao Ministério Público a defesa judicial das populações indígenas.

Apesar dessa conquista, na prática, os índios ainda tem seus direitos violados, principalmente os relativos à terra, que constitui uma das pautas mais importantes levantadas pelo Movimento Indígena. A resistência e não o ressurgimento, pois de muitas formas eles continuam a lutar, é um fomento para que a lei seja interpretada e efetivada, como também para que haja o implemento, a proteção e o resguardo das vitórias obtidas, não restando, como de costume, em papéis perdidos que ficam amarelados e que não são lidos por aqueles

que tem o dever de agir com justiça.