Inúmeras são as perspectivas de análise do direito previdenciário; o ordenamento jurídico utiliza-se de certo esquema de autuação a fim de modelar os direito sociais. Neste trabalho, optamos pelo uso de uma investigação jurídica positivista, tendo a norma constitucional como fonte de investigação do fenômeno social “seguridade social”. Optamos por traçar uma diferenciação entre o sistema do direito da previdência social e da proteção social, pois, a nosso ver, este último é mais abrangente do que o primeiro, já que o primeiro limita-se às ações atinentes às prestações da previdência social protegidas pelo regime geral de previdência social.
O sistema de proteção social relacionado à seguridade social tal qual delineado na Constituição Federal é um sistema hibrido, ou seja, e permite a identificação de dois subsistemas, sendo um assistencialista, que refere-se à saúde e assistência social, e um contributivo, relacionado à previdência social, objeto de nosso estudo. O critério adotado pela previdência social é contributivo, ou seja, há necessidade de prévia filiação ao regime geral de previdência social, e mesmo estando o segurado filiado, há a necessidade de contribuir financeiramente para a manutenção da previdência social, pois a relação jurídica estabelecerá o conteúdo e as dimensões de cada prestação outorgada pelas normas em proveito de quem tenha sido vitimado pela adversidade protegida.
Identificados quem são os sujeitos/personagens que integram a relação jurídica da Previdência Social e quais os seus deveres. O sujeito ativo é aquele que tenha sido atingido pelo risco gerador da necessidade e é a quem compete que seja feita a entrega das prestações quando preenchidos os requisitos e pressupostos de cada especificidade. No caso, trata-se do beneficiário; enquanto, de outro lado, será encontrado aquele a quem incumbe prestar a proteção e que é chamado sujeito passivo – a Previdência Social.
No exato momento em que surgir a situação de necessidade que garanta o direito a usufruir de determinada prestação, o sujeito ativo, denominado beneficiário, ficará investido do poder de exigir do sujeito passivo a entrega da prestação, e este (sujeito passivo), por sua vez, ficará obrigado a fazer a entrega da prestação em sua exata medida. Não se trata de ato discricionário por parte da administração pública.
Na medida em que a relação jurídica prestacional está voltada à entrega de prestações pelo regime geral de previdência social, ela busca o bem-estar, destinada a
149 liberar os indivíduos de riscos ou necessidades sociais. Logo, o regime geral de previdência social é o regime de previdência ofertado pelo Poder Público para aquelas pessoas que não integram um regime próprio de previdência.
A norma constitucional delineia quais são os benefícios e serviços atendidos pelo regime geral de previdência social, em busca do bem-estar social, e, dentre essa seletividade estabelecida pela norma, mereceram reflexão no presente estudo aqueles benefícios cuja entrega da prestação está relacionada aos riscos doença, invalidez, morte, idade avançada e desemprego. No presente trabalho, fizemos uma opção por selecionar
como risco os referidos infortúnios por entendermos que as demais prestações selecionadas pelo legislador originário não se tratam de risco.
Dessa forma, chegamos à conclusão de que o sistema seguridade social delineado pela norma constitucional integra os subsistemas saúde, previdência e assistência social, sendo a saúde e a assistência social subsistemas que correspondem aos anseios do princípio de universalidade de cobertura e atendimento, já que qualquer cidadão está apto a usufruir de seus benefícios e serviços. Já o subsistema previdência social exige filiação prévia e custeio do sistema através de contribuições; por essa razão, os princípios da universalidade de cobertura e atendimentos são apenas princípios almejados pela Previdência Social.
Por fim, concluímos que o regime geral de previdência social é o regime de Previdência Social posto pelo Poder Público à disposição de todos os indivíduos não integrantes de regime próprio de previdência, sendo que a principal característica do regime geral de previdência social é a contributividade, seguida da filiação prévia e do equilíbrio financeiro e atuarial.
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