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ĠLGĠLĠ YAYIN VE ARAġTIRMALAR

2. Oturum Amaç:

ações praticadas pelas professoras se essas podem ser interpretadas como aliadas na construção e na elaboração das práticas de ensino e se é possível qualificar e quantificar sua presença.

Ao longo deste trabalho de pesquisa, fica clara a importância das representações das professoras na construção das práticas escolares, independentemente de vistas como ideais ou não, para serem ensinadas aos alunos. O conjunto de conhecimentos e saberes amealhados ao longo dos anos de formação permite à professora construir suas representações sobre esses, propiciando a possibilidade de elaborar suas práticas de ensino a partir da mediação entre o conhecimento que lhe foi concebido e as experiências trocadas durante o vivido com seus pares.

Como exposto anteriormente, as práticas de ensino utilizadas pelas professoras são resultado de alguns lugares comuns. Recentemente, no curso de magistério, era apresentado às alunas um conjunto de práticas, tidas como ideais, para se ensinar crianças nessa faixa etária. O objetivo era propiciar à futura professora de 1º ciclo um escopo de situações e práticas de ensino que lhe permitissem dar conta do currículo e da metodologia de ensino em uso pela rede pública de ensino.

Com o passar do tempo e com a obrigatoriedade de formação no curso de Licenciatura em Pedagogia, substituiu-se o conjunto de práticas de ensino – escopo de situações, instrumentos e sequências didáticas – por teorias pedagógicas que deveriam ser capazes de orientar as professoras na construção e na elaboração de suas próprias práticas de ensino.

Contudo as teorias pedagógicas discutidas nos cursos de Licenciatura em Pedagogia não parecem ser suficientes para permitir que a professora crie representações sobre um conhecimento que desconhece, uma vez que os cursos se pautam principalmente em questões teórico-pedagógicas. Dessa maneira, o sistema de ensino buscou oferecer às professoras pedagogas já formadas cursos de capacitação de curta duração, com o intuito de complementar a formação da professora nos conteúdos conceituais das disciplinas, fornecendo-lhe novos subsídios à sua prática. Permitindo desta maneira que outras representações fossem desenvolvidas, assim como o aprimoramento das antigas representações.

Entretanto os cursos de capacitação de professoras de 1º ciclo na área de Matemática, aparentemente, não têm sido capazes de suprir as necessidades que o ensino

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da disciplina necessita, seja em função do pouco atrativo que desperta nas professoras, seja por não ter sua oferta pelos órgãos responsáveis regularizada.

Dessa maneira, não obstante o desejo das professoras entrevistadas, percebe-se a inexistência de instrumentos e ações que permitam suprir as lacunas que enxergam na formação e na representação sobre o conhecimento matemático, o que lhes permitiria produzir novas práticas de ensino capazes de suprir a carência de representações a respeito do conhecimento com o qual desejam trabalhar.

Também foi possível observar que a vivência, no sentido de compartilhar as práticas, nem sempre acontece com o passar do tempo. Apesar de a maioria das professoras participantes da pesquisa estar há mais de dez anos lecionando, os problemas para ensinar Matemática não foram solucionados e as práticas de ensino adotadas nas escolas se perpetuam, de maneira velada ou impostas, não possibilitando que novas representações sobre o conhecimento matemático sejam elaboradas e postas em prática. Podemos estabelecer um paralelo à ideia da construção de novas representações sobre o conhecimento matemático e adoção de novas práticas de ensino ao fato de algumas tecnologias computacionais – computadores, laptops e de mídia, tablet’s,

smartphones, multimídia – estarem acessíveis à maior parte da sociedade há mais de 25

anos e a escola ainda viver à margem dessa tecnologia, tanto física quanto intelectual. Portanto a imposição e manutenção das mesmas práticas de ensino, mesmo quando não atendem às necessidades de aprendizagem dos alunos, busca apenas a manutenção do status quo do sistema de ensino e daqueles que detêm o poder de decisão nas escolas. As professoras, por sua vez, procuram adotar práticas que estejam mais próximas às representações que possuem, dado que as práticas de ensino, disponibilizadas e compartilhadas, são aquelas aceitas pelo grupo dominante e nem sempre são capazes de atender às necessidades mínimas, tanto burocráticas quanto pedagógicas, da escola e comunidade escolar.

Quanto a caminhos que favoreçam práticas docentes que façam jus a articulação e/ou tensão entre regularidade e incerteza, começo retomando a crença que já manifestei a respeito da singularidade dos acontecimentos, no caso, os que ocorrem na especificidade de uma escola e de uma sala de aula. A composição dos sujeitos presentes, seu perfil social e mesmo suas idiossincrasias, a forma como cada sujeito representa os demais (professor/a, alunos/as), as condições escolares e de ensino, o clima interpessoal e da sala de aula, as condições de trabalho do professor, a conjuntura sociopolítica e a cultural local e mais ampla, entre outras características, afetam uma aula e todo o ensino numa escola. A singularidade dos acontecimentos e a

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complexidade dos contextos são duas características que, necessariamente, impõem incertezas à atividade de ensino.

(PENIN, 2009, p. 119)

Levando em conta as considerações e contribuições que Penin oferece, é preciso salientar que, no âmbito das singularidades, fomos incapazes de qualificar e quantificar as representações das professoras em verdadeiras ou falsas, em boas ou más, em ideais ou não para o efetivo trabalho de construção e aplicação de suas práticas de ensino. As representações que fomos capazes de observar e compartilhar, nos momentos de aula ou durante as entrevistas mostravam-se presentes ora no discurso, ora nas ações, porém, em momento algum, se percebeu a falta de sinceridade ou de compromisso nas falas nem nas ações dessas professoras.

Os discursos e ações das professoras nos parecem mais que legítimos, pois espelham as representações sobre o conhecimento matemático assumidas no decorrer de sua atuação como professora, mesmo que nem sempre reflitam a realidade do seu trabalho. E, por vezes, os discursos e ações representam muito mais uma intenção, um querer que propriamente a relação estreita e alinhada entre discurso e prática.

Por este motivo, não existe possibilidade de se qualificar ou quantificar as representações feitas pelas professoras, assim como é impossível observar os processos de construção de representações já estabelecidas há anos, por que como afirmou Foucault “não há nada absolutamente primário a interpretar, porque no fundo já tudo é

interpretação. A interpretação será sempre a interpretação de alguém; o princípio dela é o intérprete”. (FOUCAULT, 1987)133

7.2 As representações sobre a formação em Matemática nos cursos de Pedagogia