• Sonuç bulunamadı

ĠLGĠLĠ YAYIN VE ARAġTIRMALAR

2.2. Otizmli Çocuğun Aileye Etkis

2.2.4. Otizmli Çocuklu Ailelerin Otizme Uyumu

2.4.4.5. Aile uyum model

Durante a exposição e a descrição feita das aulas filmadas, é possível identificar inúmeros momentos que ilustram as representações feitas pelas professoras sobre a sua concepção de estratégia de ensino e prática escolar para o desenvolvimento do conhecimento e do letramento matemático. Poderíamos discorrer sobre questões relativas à Educação Matemática e a utilização de concepções didático-metodológicas diferentes daquelas utilizadas pelas professoras, mas aqui esse discurso não faria sentido.

As representações são constituídas a partir de fatos de palavras ou de prática social, isto é, o concebido não pode ser avaliado de maneira desconecta do vivido. Portanto as representações que são estabelecidas pelas professoras pedagogas podem ser provenientes do conhecimento concebido, do vivido ou da mediação que se estabelece entre eles. Em primeiro lugar, como a grande maioria das professoras não foi exposta ao que chamamos, desde o início desta pesquisa, de conhecimento matemático formal durante sua formação inicial em Pedagogia, é possível considerar que essa ausência resultou na impossibilidade do estabelecimento de representações academicamente mais rigorosas, que naturalmente são provenientes da exposição do sujeito ao conhecimento sistematizado e acadêmico. Porém temos que ressaltar que o conhecimento acadêmico pode ser fruto de estudos independentes – caso o sujeito seja autodidata, fato que possibilita a existência de representações sobre essa situação entre algumas professoras. Dessa maneira, é de se supor que as representações estabelecidas e das quais fazem uso para a elaboração das estratégias de ensino e práticas escolares são resultantes, principalmente, dos dois últimos modelos, isto é, são exclusivamente o resultado da interação de representações sobre práticas de ensino que se estabelecem entre pares no ambiente de trabalho – o vivido ou da relação que se estabelece entre as representações

162

sobre o conhecimento sistematizado e a prática de ensino – entre o concebido e o vivido. Sendo assim, procuraremos analisar as representações que podem ter sido estabelecidas, sobretudo, no âmbito do vivido.

Como apontado anteriormente, em sua maioria, as representações das professoras em início de carreira são definidas e elaboradas durante o Ensino Básico e, portanto, carregam em seu bojo toda a problemática já anunciada do ensino público. Da mesma maneira, mas talvez em menor número, as representações das futuras professoras sofreram mudanças, mesmo que pequenas, pois elas são decorrentes da sua formação superior. Logo, essas representações são resultantes de fatores internos e externos ao modelo de ensino oferecido e, consequentemente, diferentes (simulacro) umas das outras. Tal fato possibilita, em um primeiro momento, a troca entre as professoras.

A troca inicial que se estabelece das práticas de ensino entre as professoras sobre o ensinar e o como aprender permite um aprimoramento das estratégias e das práticas escolares, no princípio da carreira – porém em um nível muito elementar – e devido a essa elementaridade, pode não ser suficiente para resolver problemas decorrentes da apropriação equivocada de conceitos matemáticos em determinado momento da formação na escola básica. Sendo assim, consideramos que, neste momento em particular, as representações resultantes da troca entre as práticas de ensino utilizadas pelas professoras pedagogas e, caso essas representações sejam possíveis de se realizar, dificilmente a ressignificação dessas práticas terão o retorno esperado na qualidade do ensino ofertado aos alunos ou sequer serão capazes de resultar em uma mudança significativa das práticas de ensino utilizadas pelas professoras.

Temos ainda as representações que consideramos mais comuns, isto é, as representações decorrentes da mediação efetuada entre as representações assumidas em função da apropriação de um conhecimento matemático formal – o concebidoe aquelas assumidas em consequência da troca mediada das práticas de ensino, o vivido. Nesse processo de mediação, a representação gerada pelo conhecimento concebido, teoricamente, é capaz de gerar um processo de reflexão com níveis mais complexos e, consequentemente, aprimorar a representação existente da pratica de ensino feita inicialmente pela professora durante o Ensino Básico.

Consequentemente, existe a possibilidade da representação resultante dessa

troca ser capaz de ressignificar o conhecimento matemático da professora. Contudo, os

163

que é constituída a partir do conhecimento concebido e das ferramentas que a professora detém para fazer o processo de ressignificação da sua própria representação.

É possível traçar um paralelo entre a discussão apresentada e as aulas filmadas. No caso da professora P1, constatamos que as representações elaboradas por ela no decorrer de sua formação e vivência, em seus mais de vinte anos de magistério, foram insuficientes para que ela pudesse elaborar estratégias de ensino e práticas escolares que oferecessem maior possibilidade aos alunos de se apropriarem do conhecimento trabalhado durante a aula objeto da filmagem – conteúdo conceitual e procedimental referente a Tratamento da Informação (construção de tabelas e gráficos).

Apesar de o discurso feito pela professora em sua entrevista, de comprometimento e dedicação, pelas ações praticadas, fica a sensação de que a professora P1, em virtude de ser contratada e de não pertencer ao grupo de professoras concursadas, não consegue efetuar as trocas de que necessita com seus pares. E esse fato impossibilita a ressignificação e o aprimoramento das representações que possui sobre as práticas de que faz uso.

Por outro lado, em sua aula, a professora P2 faz uso de uma prática de ensino largamente utilizada no ensino básico para apresentação do conteúdo de Planificação de sólidos geométricos e que tem sido capaz de atender parcialmente às necessidades do alunado. Contudo é possível perceber que a professora acaba sendo limitada pelo grupo de professoras mais antigas e pelas representações que essas trazem acerca do tema. Ela aparenta não ter com quem trocar, visto que todas fazem uso da mesma prática de ensino para este conteúdo em particular.

Dessa limitação resulta a impossibilidade de ressignificar e aprimorar sua prática, a partir da construção de novas representações, a respeito das estratégias e práticas de ensino que possui. A professora aparenta ter muita expectativa em mudanças, em construir novas representações sobre o ensino da Matemática, em ressignificar suas estratégias e práticas, para aprimorar seu trabalho pedagógico com os alunos, mas tal ação é aparentemente sem sucesso.

Tanto nas estratégias utilizadas quanto nas práticas escolares, a aula da professora P3 pode ser vista como resultado de um modelo de ensino utilizado há muitas décadas para o ensino da Matemática e dele faz uso até hoje.

Esse modelo em particular – centrado no processo mnemônico do algoritmo – é capaz de atender parcialmente o alunado, dentre os quais alguns serão capazes de se apropriar do conhecimento matemático e elaborar representações sobre esse

164

conhecimento, e outros, não. Em outras palavras, alguns alunos terão muita dificuldade em se apropriar do conhecimento matemático e, possivelmente, farão representações sobre o ensino, e não, sobre o conhecimento matemático trabalhado. É nítida a impressão da posição de destaque da professora na escola e essa demonstra não ter intenção de ressignificar suas representações a respeito de suas estratégias de ensino ou de suas práticas escolares, apesar de ter demonstrado interesse em conhecer e aprender outras.

Portanto, a partir das situações apresentadas, é possível evidenciar que não apenas as representações das professoras entrevistadas tendem a permanecer as mesmas, como também, suas práticas de ensino, uma vez que não existe um modelo institucionalizado que permita que essas práticas sejam ressignificadas a partir da mediação entre o conhecimento matemático formal e as representações já existentes, sejam elas por programas de formação continuada ou espaços internos à escola que possibilitem a mediação entre as partes. Mesmo assim, é preciso deixar claro que os processos de mediação necessários para que aja a troca entre as representações das professoras sobre suas práticas de ensino, só ocorrem quando ambas as partes têm a intenção de mudar, o que não parece ser o caso da professora P1 e P3.

7.1.4 Matemática e vivência no exercício do magistério, o grau de pertencimento