II. BÖLÜM
3.2. Osmanlı‟da Yönetim AnlayıĢında DeğiĢim: Ankara Hükümet Konağı
A história de Roberta Barretto começa em 22 de abril de 1981, na cidade de São Paulo. Quando começamos as entrevistas, estava com 32 anos. Roberta tem uma tra jetória marcada pela pobreza, pela violência e pela superação. Outra forte marca que aparece na vida dela é o sentimento de ser diferente. Na maioria das vezes, esse sentimento é relativo a diferenças que a estigmatizam, como ser negra, pobre e travesti. São diferenças que a desqualificam e ferem- na. Em outras oportunidades, porém, a diferença lhe serve como forma de resistir às injustiças, de se superar e de, generosamente, contribuir para que outras pessoas possam se perceber como cidadãs com direitos violados, que merecem estar no mundo sendo tratadas com respeito, como iguais às demais. Ela mesma ainda não se sente tratada como igual. Mas desenvolveu diversas estratégias para enfrentar as adversidades. Roberta entende que quem não a vê como igual e a exclui é o problema. Não ela.
Vamos começar do início, da parte que eu me lembro. Quando criança, uma vida
de criança normal, como outra qualquer, não me entendia como um ser diferente, porque eu achava que era tudo normal, eu sou de família cristã,
católica, e em casa nunca teve esse problema. Eu tenho um tio gay, eu tenho uma tia lésbica, e a gente sempre conviveu com eles sem problema em casa.
De família muito humilde, sempre morou na periferia mais distante da Zona Sul da capital paulista. Foi moradora de comunidade59, seus pais sempre foram trabalhadores, mas em trabalhos considerados sem qualificação.
O meu pai, ele é até hoje pintor de apartamentos. Ele sempre trabalhou em casa de advogado, de doutor, ele sempre trabalhou com gente muito rica, e minha mãe era cozinheira. Minha mãe era cozinheira de um casal que tinha só um filho, um casal que era super do bem, que levava a gente pra passear, dava muito presente pra gente. Era a época que eu me recordo de vê-los trabalhando é essa. O meu pai até hoje trabalha e a minha mãe já não trabalha mais, há alguns anos a minha mãe não trabalha.
Tem dois irmãos mais novos que ela, mas com pequena diferença de idade (um tem três e o outro, cinco anos a menos do que ela, aproximadamente). Recorda-se de que sentia vontade de se vestir de forma feminina desde muito pequena, talvez com quatro ou cinco anos de idade. Ela assistia às novelas na TV e se imaginava como a mais bonita das moças.
Eu era bem criança, brincando com os meus irmãos, era uma época, eu não me lembro bem qual era a novela que passava, mas era uma novela que as meninas vestiam aquelas roupas de sinhá, novelas de época, então era aquelas saias muito amplas, uns corseletes bem apertados e eu fazia as mesmas roupas, só que eu fazia com cobertor e com o cinto do meu pai. Eu sempre me imaginava no lugar daquelas moças mais bonitas, aquelas que usavam os vestidos mais bonitos, usavam aqueles penteados, tanto que o penteado era a toalha.
Foi nesta época mesmo que se vestiu pela primeira vez com roupas femininas de verdade. Foi quando o pai trouxe roupas doadas da igreja.
A primeira vez foi, quando eu lembro, meu pai ganhou um saco de roupas e calçados que veio de uma igreja e tinha muito salto alto dentro desses ganhados dele. Tinha muito salto alto e muita roupa feminina. E eu acabei colocando um salto e um vestido que tinha dentro desse saco. E acabei até quebrando esse salto, eu não sabia nem ficar em pé em cima. É quando eu me recordo de ter posto roupa feminina. Lembro que era um vestido que lembrava muito vestido de noiva, mas era um vestido mais simples, meio amarelado assim, até tinha umas manchas amareladas nesse vestido, e o salto era uma sandália. Assim... devia ser uns quinze [centímetros de altura], um salto agulha muito fino, eu coloquei no pé e pluf, quebrou...
Mas Roberta não se sentia diferente, seus irmãos e mãe não a incomodavam. Ela começou a se sentir diferente depois da experiência da estigmatização, ao se relacionar com outras pessoas (crianças e adultos) na escola.
[Eu brincava de usar roupas femininas] Na frente das pessoas. Eu não tinha problema, porque era uma brincadeira. Eu acho que até eles mesmos [irmãos e mãe] viam dessa forma. Não tinha peso nenhum, não tinha aquele peso moralista, um sentimento de pecado, de erro, não tinha.
Mas nem tudo foi tão tranquilo em sua socialização familiar na primeira infância. Ela já percebia que o que fazia não era muito aceito pela necessidade de esconder do pai a brincadeira de vestir-se de menina.
Perto do meu pai, eu não vestia, eu não brincava. Tanto que... assim, quando eu sabia que ele estava pra chegar, eu corria e tirava a roupa [feminina]. Porque eu sentia que ele não gostava. Ele não falava, mas ele não gostava de me ver brincando daquela forma. Eu percebia que isso era um incômodo pra ele, porque
muitas vezes, eu tinha dele as palavras: “Se arruma direito, se põe que nem homem”. Ele tinha isso.
Cursou o antigo pré-primário (período escolar atualmente chamado de educação infantil) em uma escola particular, cuja mensalidade era paga pelos patrões de sua mãe. Foi ali que experimentou as primeiras situações de discriminação por ser feminino e pobre, com as diferenças confluindo para sua estigmatização:
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Eu não sei se porque a gente já tinha isso de que eles eram melhores do que a gente, porque as crianças - essas que chegavam na escola com os melhores lanches, chegavam na escola com as melhores roupas, quando tinha as festinhas de final de ano, que toda mãe faz um prato de doce ou de salgado pra levar, a deles chegava as coisas do buffet, chegava salgadinhos de festa, aquelas coisas mais -, a gente sabia que eles eram mais ricos do que a gente, por esse motivo, então a gente acabava percebendo que eles também tinham um tratamento diferente do que a gente tinha.
Eu passei pelo “prezinho” e tudo e, já no “prezinho”, eu percebia que eu era diferente dos outros meninos. Tinha até alguns meninos que se pareciam comigo,
mas os outros meninos tinham outras formas de estar no meio dos meninos. E eu, como sempre muito grande, muito desajeitada, eu acabava me destacando no meio deles. Eu me sentia diferente, nesses espaços eu me sentia diferente. Lá tinham as crianças, era uma escolinha particular, então tinha as crianças que eram filhas de gente que tinha mais dinheiro... e tínhamos nós, os pobrezinhos, que quem pagava a escolinha era a patroa do meu pai, que pagava a escolinha da gente. E eu lembro que esses meninos, filhos de pessoas mais adinheiradas, eu
lembro que eles acabavam me xingando às vezes.
Sentia que recebia um tratamento diferente também por ser mais delicada. Era chamada de mulherzinha, tanto por pessoas mais pobres (os iguais) como por pessoas “adinheiradas”. No entanto, o peso das ofensas era muito maior quando as chacotas vinham de pessoas de classe social superior à sua:
Sim [as pobrezinhas também me chamavam de mulherzinha]. Era um apelido que, naquela época, eu achava muito constrangedor, porque eu já entendia um
pouquinho do que era ser chamado de bicha ou de bichinha60 ou de mulherzinha, que era sempre no sentido pejorativo, então aquilo me incomodava
um pouco, mas eu não tinha reação nenhuma. Eu vim ter alguma reação já depois
na fase da escola, mas na fase do “prezinho” eu não me recordo de ter reação a
esses xingamentos, não.
Na verdade, todo mundo [me xingava de mulherzinha]. Mas assim, eu sentia que
os que tinham mais dinheiro, os que o pai ia buscar de carro, os que iam embora
de perua [escolar], porque, nossa!, andar de perua naquela época era um luxo. A perua ir te buscar e te levar pra escola, você podia falar que você era rico mesmo. Mas esse pessoal, eu sentia que eles... eu sentia que tinha um peso maior
a fala deles do que a fala das outras crianças que eram da mesma faixa etária minha, assim. É como se tivesse mais força.
Seus pais saíram da comunidade e foram morar em outro bairro da periferia da Zona Sul, por isso Roberta mudou de escola, passando a estudar em uma escola pública. Na nova escola, por ser grande e forte, era sempre escolhida para fazer parte das
60
Bichinha: ho me m identificado pelos outros como homossexual, v isto como frág il, mu ito fe minino, às
brincadeiras, mas ao mesmo tempo era constantemente ridicularizada, chamada de
bichinha, viadinho e mulherzinha. Nesta escola, talvez por todos serem “iguais”,
Roberta conseguia retrucar aos xingamentos.
Na época, o nome era Roberto. “Eu quero que o Roberto venha pro nosso time,
venha pro nosso lado”, então eu sempre acabava sendo escolhida por alguma
turma, mais pela força, pelo tamanho, mas em relação ao meu modo de ser eu nunca tive problema. A não ser... ser chamada de bichinha, de viadinho, alguma coisa desse tipo. Eu acabava xingando, retrucando de volta, e ficava por isso mesmo.
Com cerca de 10 ou 11 anos, Roberta se apaixonou por um rapaz mais velho (que deveria ter uns 16 anos) da escola, com quem se encontrava escond ido no banheiro para ficarem se beijando.
[Eu beijava o rapaz escondido no banheiro da escola, mas isso] Não tinha conotação de erro ou de perigo, não tinha, era só porque... como as meninas também faziam. Muitas meninas às vezes entravam no banheiro masculino pra poder beijar o namorado, ou o namorado entrava no banheiro feminino pra poder beijar elas. Porque não podia beijar no corredor, então era assim, uma turma ficava observando se vinha inspetor e os outros iam beijar. Todo mundo fazia isso. Pra mim era o normal, porque as meninas faziam e eu convivia com as meninas. Não sei se na minha cabeça, na minha época, eu também já era
menina, eu fazia igual elas estavam fazendo, levava o meu namorado no banheiro.
Ela achava tão normal beijar o rapaz, que contou para a mãe que estava fazendo isso. Sua mãe a obrigou a contar para seu pai e para os irmãos. A reação do pai foi extremamente violenta e, para ela, absolutamente inesperada e chocante: deu- lhe um tapa na cara, dizendo que tinha somente filho homem. Mas ela relata que mesmo antes deste episódio, o pai já a tratava de forma diferente em relação aos irmãos: batia mais nela do que neles, levava-os para passear, mas não a levava.
Ele [o pai] já não me tratava bem, mesmo antes [de ter contado que beijava um menino na escola]. Então assim, eu precisava saber o porquê daquela raiva toda que ele tinha de mim, eu precisava saber de onde surgiu esse ódio que ele tinha, esse me tratar mal, que era a forma que ele me tratava. Eu tenho recordação dele saindo com os meus dois irmãos e eu ficando no portão, ele saindo... ele não me levava. Eu tenho recordações de estar indo pra alguns lugares e o meu pai estar com um dos meus irmãos no ombro, o outro dando a mão [para o pai] e eu dando a mão pra minha mãe. Eu não tenho recordação de eu com carinho com ele, eu abraçada com ele, eu no colo dele, eu não tenho essas recordações.
93 Chegou a surrá- la debaixo do chuveiro e depois jogar sal e vinagre em seu corpo. Na época, não tinha ideia de que era tratada de forma diferente, pe nsava que o pai não a levava por falta de recursos financeiros ou dificuldade para carregar três crianças:
Então eu tinha consciência de que, naquele momento, eu não ia poder ir [passear com o pai e os irmãos], porque assim... não ia ter condução, ia ser gente demais pra carregar, ia ter que comprar lanche pra todo mundo, então... eu me recordo disso, assim, eu nunca tive esse sentimento assim, de estar sendo punida por ser diferente dos outros. Esse sentimento eu nunca tive.
Roberta conta que começou a se feminilizar, com mudanças corporais, com 11 ou 12 anos, tomando hormônio. Aprendeu com as amigas da escola com quem convivia.
[Em seis meses] O primeiro efeito que eu tive foi o surgimento dos seios, que aí
já começa o pessoal a achar estranho, começa a olhar e a querer descobrir por que a pessoa está ficando de peito, e as pessoas acham meio que estranho.
Cabelo comprido eu já tinha. [...] as calças de menino já não serviam mais, porque eu estava com muita perna, muita bunda, então eu não entrava mais na roupa de menino, as camisetas tinham que ser muito folgadas pra esconder que estava aparecendo seio, já não tirava a camiseta perto de ninguém, alguns tipos de brincadeira que tivesse contato físico, eu já evitava, pra que as pessoas não percebessem que eu estava com seio. [...] era o meu querer contra o querer
geral. Eu queria ser daquela forma, mas eu sabia que as outras pessoas não iriam me aceitar daquela forma, porque mesmo você sendo o ser como qualquer
outro, no meio de todo mundo, acabava saindo uma piadinha, você percebia que as pessoas meio que te deixavam de canto em alguns momentos, isso sempre acontecia. Então, ainda mais sabendo que você ia estar de peito, no meio de outros meninos que não iam ter peito, já era xingado de formas diferentes, então eu fiquei com um pouco de receio nessa época.
Com treze anos, ela começou a sair com um grupo de rapazes gays. Ela se sentia bem com eles, mas sentia que era mais feminina que a maioria deles e sentia sua feminilização como perda de controle e algo perigoso.
Porque quando eu conheci essa turma de gays, eu percebi... que eu já sabia que eu não era gay, porque eu nunca tive identidade gay, eu nunca me vi como os
outros meninos, eu era a menina no meio dos meninos. Eu era a “menina gay”,
menina! E os meninos, os “gays meninos”. E eu percebia que eu estava ficando
cada vez mais feminina, e que aquilo não ia ter como ser diferente.
Os amigos gays a levaram para uma boate gay pela primeira vez. A boate ficava na região central da cidade, bem distante de onde ela morava. Era quase uma viagem a
outro mundo. No caminho, na Avenida Paulista, eles cruzaram com algumas drag
queens61. A reação de Roberta foi de puro encantamento:
Nós saímos de casa era por volta das oito da noite, então devia, no máximo, ser umas dez horas, não mais do que isso. Eu lembro que uma coisa que me chamou muito a atenção na Paulista foi quando eu vi as drag queens. Ver aquela coisa colorida, linda, grande que nem eu, que coisa maravilhosa! Fiquei encantada com elas. Nossa, eu fiquei muito encantada! [...] Eram quatro drag queens, todas com umas botas muito grandes. Duas, eu sei que elas estavam de botas brancas, as que mais chamaram a atenção, que eram aquelas botas tipo bota da Xuxa, que ela desce no meio da coxa, aquela coisa bem grande... e plataforma, peruca muito colorida, muito alta, maquiagem forte, aquilo me chamou muito a atenção,
aquela visão do feminino com o exagero, aquilo me chamou muito a atenção. Eu
lembro da imagem delas, assim, de eu olhar e elas mandarem beijo, dar tchau, e eu fiquei encantada olhando pra elas...
Na entrada da boate, ela viu outra drag queen, vestida de demônio e com os seios de fora, atuando como hostess62. Aquilo a deixou ainda mais encantada.
E eu fiquei encantada com a imagem dela, de saber que ela estava do lado de fora de uma boate, na porta, todo mundo vendo ela com o seio pra fora, toda aquela imagem, aquela exuberância, aquela coisa assim que, na época, naquela idade, por não conhecer, pra mim se eu me pusesse daquela forma, ia ser a realização de um sonho aquilo era, sei lá... Eu acho que naquela época, ela me passava isso.
Mas a primeira reação que teve dentro da boate gay foi de choque. Os amigos gays com que tinha ido à boate diziam que lá ela poderia se sentir à vontade. Para Roberta, isso significava apenas que ela iria poder ter trejeitos ao dançar, poderia rebolar e ninguém iria incomodá- la. Não imaginava que veria beijo entre homens.
Aquilo foi ficando na minha cabeça, eu tive esse sentimento de “Não pode, é proibido, é errado, é estranho”. E depois... eu não sei se aquilo foi ficando dentro
de mim, foi ficando comum, normal, eu me acostumei... A sensação da visão... acho que me remetia ao carinho, ao prazer, a alguma coisa assim, a alguma coisa muito boa.
Ela começou a frequentar a boate e, naquele mesmo ano, conheceu um rapaz chamado Sérgio. Ele era bem mais velho. Ela tinha 13 anos e ele, 25. Ele era fotógrafo de uma revista importante e tinha um bom poder aquisitivo. No primeiro dia em que se encontraram, Roberta e Sérgio apenas conversaram. No dia seguinte, um sábado, ela
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Drag queen: a rtista performático que se traveste, fantasiando-se exagerada mente, podendo ser de forma g la mourosa ou com intenção cômica.
95 voltou à mesma boate e o encontrou novamente. Daí se beijaram pela primeira vez. Ela foi com ele para a boate e fizeram sexo. Ela conta que ele, todo o tempo, foi atencioso, cuidadoso, respeitoso. E convidou-a para morar com ele.
Por conta desse encontro, ela chegou a sua casa depois que a família tinha saído para a igreja. Isso fez com que, na volta da igreja, seu pai brigasse com ela, humilhando-a, xingando-a muito.
Eu lembro que ele falou que eu era imprestável, que eu não sabia fazer nada, que nada que eles tentassem fazer pra mim iria mudar o meu jeito, que eu ia ser essa porcaria a vida inteira mesmo. E aí eu resolvi, falei assim, “Não, não sou obrigada a passar por isso, já está me xingando, pra me colocar pra fora é mais fácil, é só pegar as minhas roupas, embolar numa sacola e jogar pra fora que me
colocam na rua”. Eu fui, peguei os três fiapinhos de coisa que eu tinha, coloquei numa bolsa, e aí eu falei pra minha mãe: “Mãe, eu estou indo embora”.
Aos treze anos, Roberta saiu da casa dos pais, largou os estudos na 5ª. Série e abandonou um curso que fazia de cabeleireira para morar com Sérgio no centro da cidade. Sérgio passou a sustentá- la e comprar tudo o que ela desejasse. No entanto, Roberta sentiu necessidade de trabalhar e de ter seu próprio dinheiro. Conseguiu um emprego de cabeleireira no salão em frente de casa. A dona do salão, sua patroa, era nigeriana e os outros empregados eram nigerianos também. Isso lhe trouxe mais uma vez a experiência de ser diferente. Havia um certo desconforto com isso, porque:
Isso, só de nigerianos, então eles falavam na língua deles... e aquilo, eu ia
ficando mais confuso do que tudo, sem entender o que eles estavam falando ali.
E à vezes eu ficava até com medo que eles estivessem falando alguma coisa de mim, querendo aprontar alguma coisa comigo, porque as pessoas falavam que os
africanos eram muito ruins... As pessoas no cotidiano falavam que os africanos eram pessoas ruins, que eles matavam, que fazia e acontecia, aquelas histórias
que as pessoas contam sem ter certeza da vida de ninguém.
Considerando que, neste período, Roberta era muito jovem, há que se pensar o quanto este “falar das pessoas do cotidiano” contra as pessoas africanas também não a afetava, considerando que ela é negra e sempre disse que chamava a atenção por ser grande e negra.
Logo em seguida, porém, o salão foi vendido para um casal brasileiro e ela continuou trabalhando no mesmo salão. O desconforto permanecia, de qualquer forma, porque ela