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ORTOPEDİ ve TRAVMATOLOJİ

Belgede Tıpta Uzmanlık Tercihi (On-line) (sayfa 122-127)

A ANS constatou, no início de suas atividades, que as OPS não adotavam práticas contábeis que permitissem a comparabilidade entre empresas do mercado, sendo que algumas trabalhavam até com o regime de caixa para reconhecer suas receitas e/ou despesas.

Conseqüentemente, a ANS necessitou estabelecer alguns parâmetros contábeis que uniformizassem as práticas contábeis e que simultaneamente permitissem evidenciar a situação econômica e financeira das OPS.

Foi a Resolução RDC nº 38/2000 que instituiu o plano de contas padrão (PCP)64, que define um elenco de contas patrimoniais e de resultado. Como o principal objetivo da ANS ao estabelecer esse plano de contas foi reduzir a assimetria de informação então existente entre as OPS e a agência, cada conta era composta com três códigos e treze dígitos.

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Os contratos de plano de saúde são comercializados sem prazo pré-determinado. Embora o art. 13 da Lei no 9.656/98 diga que o contrato é anual renovado automaticamente, na prática é renovado a cada mês pelo fato de o beneficiário pagar a mensalidade, sendo rescindido se o beneficiário inadimplir por mais de sessenta dias, ininterruptos ou não, num período de um ano, pois, nesse caso, a OPS ficará desobrigada de continuar lhe prestando assistência à saúde.

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O primeiro código, composto pelos cinco primeiros dígitos, correspondia a:

─ Classe da conta (1 = Ativo; 2 = Passivo e PL; 3 = Receita; 4 = Despesa; e 6 = Apuração do Resultado65);

─ Grupo da conta (e.g., Ativo Circulante); ─ Subgrupo da conta (e.g., Disponível);

─ Conta propriamente dita (e.g., Bancos conta depósitos) e ─ Subconta (e.g., Banco do Brasil).

O segundo código, composto por quatro dígitos, corresponde à modalidade de pagamento das contas de produto (plano de saúde). Assim, a conta de Contraprestação Pecuniária a Receber (equivalente à conta Duplicatas a Receber de uma entidade mercantil) tem o sexto dígito (primeiro dígito do segundo código) preenchido com 1 ou 2, dependendo se tal valor se referir a um plano de saúde comercializado na modalidade pré ou pós-pagamento, respectivamente. Já a conta Capital Social, que não é relacionada a qualquer produto, tem o seu sexto dígito preenchido com o algarismo 9. Os demais dígitos do segundo código (sétimo, oitavo e nono) podem ser utilizados livremente pela OPS como subconta.

Finalmente, o terceiro código, constituído por quatro dígitos, pode ser utilizado livremente pela OPS como subconta se for uma conta não produto (aquela cujo sexto dígito foi preenchido com o algarismo 9). Por outro lado, em se tratando de uma conta de produto (cujo sexto dígito foi preenchido com os algarismos 1 ou 2), o terceiro código precisa ser preenchido simultaneamente e nessa ordem:

─ O período de implantação do plano (1 = planos anteriores à setembro de 1998, quando entrou em vigor a Lei nº 9.656/98; ou 2 = para os planos implantados sob a égide da referida lei);

─ A natureza jurídica de contratação do plano (1 = individual; 2 = familiar; 3 = coletivo empresarial; ou 4 = coletivo por adesão);

─ A forma de cobertura oferecida pelo plano (01 = ambulatorial; 02 = hospitalar com obstetrícia; 03 = hospitalar sem obstetrícia etc.).

65 A classe 5 não foi considerada na padronização para que houvesse a possibilidade de se inserir, no futuro,

Considerando a dificuldade que algumas empresas poderiam ter ao implantar esse novo plano de contas, a ANS exigiu, imediatamente, a adoção do plano só até o quarto dígito (classe, grupo, subgrupo e conta), uma vez que só foi exigida a adoção completa do PCP a partir de 30 de junho de 2002.

Além do elenco de contas, a RDC 38/2000 estabeleceu, ainda, algumas regras básicas, como:

─ Necessidade de as OPS observarem as normas de escrituração emitidas pelo CFC e os Princípios Fundamentais de Contabilidade, em especial o da Competência;

─ Critérios de avaliação patrimonial;

─ Adoção do exercício social coincidindo com o ano civil, isto é, com término em 31 de dezembro;

─ Publicação das demonstrações contábeis66;

─ Escrituração dos registros auxiliares, que correspondem ao livro razão das principais contas relacionadas à atividade de operação de plano (contraprestações emitida e recebida, eventos avisado e pago, comissão e ressarcimento);

─ Obrigatoriedade de auditoria das demonstrações contábeis apuradas em 31 de dezembro de cada ano, por auditor registrado na CVM. Cabe ressaltar que as informações prestadas pelas OPS à ANS, no DIOPS, referente ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de cada ano não são auditadas.

Interessante observar que o PCP e essas regras básicas são muito semelhantes às estabelecidas pela SUSEP e sempre tiveram por norte as normas estabelecidas pela CVM, principalmente as regras relativas à avaliação patrimonial. Além disso, a publicação da RDC 38/00 foi precedida de audiência pública, em que diversos atores do mercado e representantes das OPS, do CFC, da CVM e do IBRACON tiveram a oportunidade de debater e propor alterações.

Logo após a publicação da referida resolução, os técnicos da ANS proferiram diversas palestras em inúmeras cidades brasileiras, bem como foi mantido atendimento on line e gratuito (mediante uma linha telefônica “0800”) à disposição das OPS, com o objetivo de difundir e dirimir dúvidas relativas ao PCP e às regras básicas de Contabilidade.

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A ANS não exige a publicação da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) e dispensa as OPS com Patrimônio Líquido menor que um milhão de reais de publicar a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR).

Com a implantação do PCP, mesmo que só até o quarto dígito, a ANS conseguiu estabelecer o mínimo de uniformização entre as demonstrações contábeis das mais de 2.000 OPS que atuavam nesse mercado. Então, com o objetivo de reduzir a assimetria informacional entre a agência e as entidades reguladas, em fevereiro de 2001, foi criado o Documento de Informações Periódicas das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde (DIOPS), por meio da Resolução da Diretoria - RE 01/2001.

O DIOPS, muito semelhante ao ITR-CVM e à declaração de Imposto de Renda, é de responsabilidade da OPS e deve ser informado à ANS eletronicamente (on line ou por disquete). Contém quinze quadros, alguns contemplam informações cadastrais e operacionais das entidades reguladas e outros informações econômico-financeiras67, inclusive os saldos das principais contas patrimoniais e de resultado (especificamente os quadros 11, 12 e 13).

Dando seqüência ao processo de difusão e explicação do funcionamento do PCP, os técnicos da ANS continuaram a proferir palestras e a manter atendimento telefônico disponível para dirimir dúvidas não só relativas ao PCP e às regras básicas, mas também ao preenchimento do DIOPS.

Não obstante os debates realizados em consulta pública antes da publicação da RDC 38/00, algumas OPS alegaram (e ainda alegam) serem desobrigadas de adotar o PCP. Atualmente, as poucas OPS que continuam com esse argumento são algumas das cooperativas (tanto médicas quanto odontológicas), pois acreditam que são regidas por lei própria, a Lei nº 5.764/1971 (Lei das Cooperativas), e que, portanto, a Lei nº 9.656/1998 (que dispõe sobre os planos privados de assistência à saúde) não lhes é aplicável.

Cabe ressaltar que o entendimento da ANS com relação a essa postura de algumas OPS (especialmente por parte de algumas cooperativas) é que elas são motivadas pelo simples intuito de manter a assimetria informacional. Se a OPS não implantar o PCP, não terá como informar o DIOPS e, conseqüentemente, ficará à margem do monitoramento econômico-

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As Autogestões Patrocinadas ficaram dispensadas de preencher os quadros relativos às informações operacionais e econômico-financeiras. Enquanto as Administradoras (de planos e de serviços) ficaram dispensadas de preencher os quadros relativos às informações operacionais e, embora sejam obrigadas a preencher os quadros relativos às informações econômico-financeiras, essas informações não são monitoradas pela ANS, uma vez que as Administradoras não assumem riscos assistenciais.

financeiro exercido pela ANS. Essa diversidade de interpretações quanto à abrangência da lei motivou a instauração de processos administrativos sancionadores, que culminaram em multas e até em demandas judiciais, que atualmente se encontram em fase recursal.

Com o passar do tempo, a ANS foi aprimorando o PCP e o DIOPS. A resolução RN 27/2003 revogou a RN 03/2002, que alterou a RDC 38/00, trazendo como principal diferença a criação de novas contas e as respectivas regras de contabilização dos títulos marcados a mercado, medida necessária para se reconhecer adequadamente a variação de valor dos ativos garantidores das provisões técnicas, disponíveis para venda. Já a RN 29/2003 revogou a RE 01/01, ao lançar a versão 2.0 do DIOPS, o DIOPS 2.

Maiores detalhes sobre a padronização contábil e exigências informacionais estabelecidas pela ANS podem ser obtidas em Salles (2004).

5 EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS

Este capítulo apresenta as evidências empíricas de que a regulação do setor de saúde suplementar, atualmente exercida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), afetou a escolha das práticas contábeis por parte das entidades reguladas, as operadoras de planos de assistência à saúde (OPS), no período compreendido entre 2001 e 2003.

O capítulo é desenvolvido na seguinte estrutura: inicialmente, são apresentadas as hipóteses de pesquisa. Em seguida, são apresentadas as características do banco de dados e da amostra, a abordagem estatística empregada, os resultados encontrados e as conclusões.

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