• Sonuç bulunamadı

GÖĞÜS CERRAHİSİ

Segundo o critério de Mulford e Comiskey (2002), o trabalho de Mensah et al. (1994) é classificado como um estudo de modelação. Sendo que diferente do famoso31 trabalho de Jones (1991), trabalha-se com a regressão com base no saldo de uma única conta, portanto, nesse aspecto, assemelha-se aos trabalhos de McNichols e Wilson (1988) e Fuji (2004). Pela classificação proposta por McNichols (2000), o trabalho de Jones (1991) é um modelo de acumulação agregada, enquanto o trabalho de Mensah et al. (1994) é um modelo de acumulação específica.

Mensah et al. (1994) investigam se as operadoras estadunidenses de planos de assistência à saúde, que comercializam planos na modalidade pré-pagamento, gerenciam seus resultados contábeis, por meio da conta patrimonial “Provisão para Eventos Ocorridos e Não Avisados” (conhecida pela sigla em inglês IBNR). Essa conta, como o nome sugere, tem por objetivo registrar os ajustes de tal provisão, tendo como contrapartida a conta de resultado “Variação da Provisão para Eventos Ocorridos e Não Avisados”, pelo menos, segundo o plano de contas padrão estabelecido pela ANS (RN 27, de 01/04/2003).

A variável dependente utilizada por Mensah et al. (1994) é o IBNR padronizado pelas Despesas com Eventos, ou seja, o IBME que corresponde a

Eventos Desp

IBNR

. . A rigor, a variável dependente é a parcela supostamente gerenciada (discricionária) do IBME. Seguindo a

31

Esse adjetivo se justifica pelo fato de esse artigo ter sido referenciado por vinte e dois outros trabalhos e citado noventa e seis vezes, segundo informação disponível no banco de dados EBSCO Host Research Databases <http://search.epnet.com>, acessado em 20 de outubro de 2004. Além de ser citado, por McNichols (2000), como um dos modelos de acumulações agregadas mais relevantes, e de ser citado e adotado, no Brasil, por Martinez (2001 e 2004), Fuji (2004) e Tukamoto (2004).

metodologia adotada por McNichols e Wilson (1988), decompôs-se o IBME em duas partes, uma não discricionária (non-discretionary accruals) e outra discricionária (discretionary accruals).

Uma vez obtido o IBME de cada empresa/ano, calcularam a variação a cada período do IBME para cada OPS, representado no artigo por ∆IBME, que corresponde à diferença entre o IBME da empresa i no período t e o IBME dessa mesma empresa i no período anterior (∆IBME = IBMEi,t – IBMEi,t-1). Calcularam, também, o IBME, isto é, a diferença entre o IBME da

empresa i no período t e o IBME médio das demais empresas (empresas pares) no mesmo período t ( IBME = IBMEi,t – IBMEk,t).

Em seguida, elencaram um rol de hipóteses, que foram associadas a diversas outras variáveis (independentes), até que formularam as seguintes equações.

( ) ( it)

( )

ME

( )

MB ( it) I I it DI IBME g g RET IBME = + + + + + ∆ ∆

= 1 2 3 2 2 1 3 1 0 0 α α δ α α γ α ( ) [ ] [ ( )it] ( it) ( it) it J J it J JSIZE J + ∆DNW J + ∆FCR + ∆LEVU +e +

= = 4 5 3 1 3 3 1 2 γ γ γ γ (1) ( ) ( it) ( it) ( it) I I

it DI IBME IMBE RET

IBME 1 2 1 3 1 0 0 α α α ' γ α δ = +

+ ∆ + + = ( ) [ ] [ ( )it] ( it) ( it) it J J it J J SIZE J + DNW J + FCR + LEVU +e +

= = 4 5 3 1 3 3 1 2 γ γ γ γ (2) em que:

D(I) representa três variáveis dummy, D(1) representa se a OPS tem fins lucrativos ou não (1 = sim, 0 = não); D(2) representa se a OPS é afiliada a alguma seguradora (1 = sim, 0 = não); D(3) representa o tipo de OPS (1 = associação de indivíduos ou network, 0 = outro tipo); ─ gME representa a taxa de crescimento do total dos gastos com eventos a cada mês;

─ gMB representa a taxa de crescimento do total de clientes (beneficiários ativos) a cada

mês;

RET é o quociente entre o Lucro antes das despesas com IR e do IBNR, dividido pela Receita Líquida;

─ SIZE(J) representa o produto entre o porte da OPS (dado como o logaritmo do número total de beneficiários no período t) e outra variável dummy criada para representar as OPS a mudança no sinal do resultado (1 = DPROFIT = que evidenciaram lucros em todos os

períodos analisados, 2 = DMIXED = OPS que evidenciaram tanto lucro quanto prejuízo no período analisado, e 3 = DLOSS = OPS que evidenciaram prejuízos em todos os períodos analisados);

─ DNW(J) representa o produto da diferença do resultado líquido efetivo da OPS i no período t e o mínimo resultado líquido exigido pelo órgão regulador da OPS i no período t, padronizada pelo valor total das Despesas com Eventos da OPS i no período t, multiplicada pelas mesmas variáveis dummy (DPROFIT, DMIXED e DLOSS);

─ FCR representa a diferença entre o saldo de Caixa efetivo da OPS e o saldo de Caixa mínimo exigido pelo órgão regulador, padronizada pelo valor da Despesa com Eventos (essa variável só foi calculada para as OPS não afiliadas a seguradoras, isto é, D(2) = 0);

─ LEVU representa o grau de alavancagem financeira que foi calculado pelo quociente entre o passivo total, descontado o saldo de IBNR, dividido pelo ativo total.

Essas variáveis independentes foram determinadas em função das seguintes hipóteses alternativas32:

Ha1: Existe uma associação positiva entre a lucratividade relativa (RET) e o IBME evidenciado, γ1 deveria ser positivo;

Ha2-1: Ceteris paribus, entre as OPS consistentemente lucrativas (DPROFIT),

existe uma associação positiva entre o porte (SIZE) e o IBME evidenciado, γ21

deveria ser positivo;

Ha2-2: Entre as OPS de performance mista (DMIXED), ceteris paribus, existe uma associação negativa entre o SIZE e o IBME evidenciado, γ22 deveria ser levemente

negativo, mas estatisticamente significante;

Ha2-3: Entre as OPS consistentemente não lucrativas (DLOSS), ceteris paribus,

existe uma forte associação negativa entre o SIZE e o IBME evidenciado, γ23

deveria ser negativo;

Ha3-1: Para as OPS consistentemente lucrativas (DPROFIT), a exigência de resultado líquido mínimo não afeta o comportamento de gerenciamento de resultados percebido no IBME evidenciado, γ31 não deveria ser estatisticamente

diferente de zero;

Ha3-2: Para as OPS de performance mista (DMIXED), existe uma associação positiva entre o DNW e o IBME evidenciado, γ32 deveria ser positivo;

Ha3-3: Para as OPS consistentemente não lucrativas (DLOSS), existe uma associação negativa entre o DNW e o IBME evidenciado, γ33 deveria ser negativo e

seu módulo deveria ser maior que γ32;

Ha4: Existe uma associação positiva entre o IBME evidenciado e a proximidade entre o saldo efetivo de Caixa e o saldo de Caixa exigido pelo órgão regulador (FCR), para as OPS não afiliadas a seguradoras, isto é, D(2) = 0, γ4 deveria ser

positivo;

32

Ha5: Existe uma associação negativa entre o IBME evidenciado e o grau de alavancagem financeira (LEVU), para as OPS não afiliadas a seguradoras, isto é, D(2) = 0, γ5 deveria ser negativo.

Ao final, analisaram o comportamento dos coeficientes de angulação dessas variáveis independentes e concluíram que as OPS estadunidenses (HMOs) gerenciam seus resultados contábeis por meio da conta de IBNR, para afetar a lucratividade (Ha1). As OPS lucrativas supervalorizam seu IBNR para reduzir o lucro e, assim, evitar custos políticos.

Em relação às demais hipóteses, os próprios autores reconhecem que os achados são ambíguos, isto é, os coeficientes da regressão (1), que se baseia na ∆IBME, apresentam-se não consistentes com os coeficientes encontrados pela regressão (2), do IBME.

É possível que essa inconsistência nos resultados seja decorrente das variáveis utilizadas. As OPS, assim como as demais entidades, devem reconhecer suas receitas e despesas na data de ocorrência do evento econômico (Princípios Contábeis do Reconhecimento da Receita e da Confrontação de Despesas com Receitas – Princípio da Competência), entretanto, as OPS não têm conhecimento imediato de que seus beneficiários utilizaram os serviços cobertos pelo plano. Ao esperar os prestadores dos serviços notificarem que determinado beneficiário utilizou determinado serviço coberto pelo plano, as OPS não estariam observando, adequadamente, o princípio da Competência. Então, o IBNR (provisão para eventos ocorridos mas não avisados) busca adequar as informações contábeis ao Princípio da Competência. Conseqüentemente, o valor reconhecido de IBNR é função do tempo decorrido entre a ocorrência do evento (sinistro) e o respectivo aviso (notificação pelo prestador), o que é afetado pelas seguintes variáveis: capilaridade dos prestadores (se a OPS atuasse somente com a rede médico-hospitalar própria, esse prazo seria irrelevante; por outro lado, se a malha de prestadores for toda terceirizada e difusa pelo território, é razoável que esse prazo seja relevante); nível de governança dos contratos com os prestadores (quanto maior for o nível de governança desses contratos, menor deverá ser o prazo). Embora essas variáveis não tenham sido consideradas por Mensah et al. (1994)33, em linhas gerais, os achados sugerem o seguinte:

─ As OPS que apuram prejuízos, subvalorizam seu IBNR para evidenciar uma situação menos pior que a verdadeira.

33

─ Com relação às OPS que apuraram prejuízos (DMIXED e DLOSS), constatou-se uma associação negativa entre o porte (medido em número de beneficiários, SIZE) e o IBNR, reforçando a expectativa de que as OPS de pequeno e médio portes que apuraram prejuízo subvalorizam o IBNR para evidenciar uma posição menos ruim que a efetiva (Ha2-2 e Ha2- 3). Por outro lado, Ha2-1 não foi confirmada, talvez pela omissão de alguma variável relacionada ao mecanismo de remuneração (recompensa) dos gestores das OPS de grande porte.

─ As hipóteses Ha3-1, Ha3-2 e Ha3-3, também, foram confirmadas, sugerindo que a exigência de lucratividade, por parte do órgão regulador, não afeta as OPS lucrativas, enquanto incentiva as OPS não lucrativas a sub-avaliar o IBNR.

─ A evidência de que as OPS gerenciam o IBNR para atender ao parâmetro de solvência (FCR), hipótese Ha4, embora encontrada, não é estatisticamente significativa.

─ A evidência relacionada à hipótese Ha5 é ambígua a ponto de não se concluir quanto ao impacto na alavancagem financeira no gerenciamento do IBNR.