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O costume de dar aos lugares o nome de um santo é muito antigo. Segundo Gonzáles (2001), remonta à segunda metade do século VI, quando as igrejas catedrais e paroquiais não tinham patrono, mas as igrejas particulares, basílicas e oratórios já eram normalmente erigidas em honra de um santo. Assim, o santo passava a ser o símbolo da igreja e a lhe dar o nome, que posteriormente era atribuído também às terras e a freguesia que iam se organizando nos arredores do templo religioso.
Desse modo, esse costume, que teve início na antiguidade cristã, veio, ao longo dos séculos, sendo perpetuado pelas gerações e pode ser observado, com nitidez, ainda nos dias atuais, isto porque “os nomes de lugar são como a ‘viva voz’ das pessoas, povos ou grupos desaparecidos, transmitidos de geração em geração, de boca em boca.” Assim, o topônimo “é propriedade de ninguém e, ao mesmo tempo, de todo mundo”. Possui, de algum modo, a memória coletiva de um povo, na medida em que, como um meio de comunicação, “testemunha o contexto de sua origem e revela as transformações de um povo”. (MENÉNDEZ PIDAL, 1952, p.4 apud CARVALHO, 2012, p.29)
Os nomes de lugar formados por nomes de santos constituem, nessa perspectiva, um grupo especial de topônimos em que se percebe com clareza a comunhão de aspectos psicológicos do ser humano com a geografia e a paisagem:
São muitas as localidades que se honram de ser chamadas com o seu patrono e os oragos estão vivos no imaginário popular até ao ponto de existir com eles um trato igualitário e fraternal: o santo está na igreja mas é um vizinho como outro qualquer a quem pedir favores e a quem se convida a participar das alegrias e das tristezas. Quando o santo dá nome à freguesia será por ter sido capaz de ganhar o apreço dos seus covizinhos, salvando-os das calamidades e acompanhando-os nos bons e maus momentos de suas vidas. (GONZÁLES, 2001, p.63)
Surgem aí os hagiotopônimos, vocábulo constituído dos elementos gregos hagios (santo), topos (lugar) e onoma (nome).
O esquema linguístico é sempre o mesmo: um hagiônimo (nome de santo) serve de determinante a um nome comum que exprime a noção de núcleo populacional: lugar, vila, aldeia, etc. Este pode passar a ser apenas subentendido, dizendo-se (villa) sancti Martini com omissão do primeiro termo, ou mais tarde, depois da queda em desuso do genitivo, no lugar de vila de S. Martinho, simplesmente S. Martinho. O genitivo latino, que deu lugar a um conjunto numeroso de topônimos peninsulares, constitui um testemunho seguro da antiguidade dos núcleos populacionais, e também do culto aos respectivos santos. (GONZÁLES, 2001, p.65)
De acordo com Dick (1990a, p.311), os hagiotopônimos constituem uma subdivisão dos hierotopônimos, taxe toponímica referente aos nomes sagrados de diferentes crenças. Essa terminologia difere, em certa medida, daquela usada na Espanha por Luís Lopes Santos que define hagiotopônimo “como todo vocábulo do léxico religioso convertido em topônimo, isto é, vinculado ao geográfico e convertido em nome de lugar”37.
A autora reconhece a divergência e esclarece que isso não invalida a classificação brasileira, “trata-se, tão somente, de uma inversão de conceitos: o que para um, é visto sob uma perspectiva particularizante, para o outro é percebido sob um caráter global e abrangente, o que, em absoluto, não desnatura a substância de conteúdo dos elementos pesquisados”(Op.
cit.).
Em nossa pesquisa, como já mencionamos no capítulo anterior, adotamos a terminologia de Dick, isto é, consideramos hagiotopônimos apenas os nomes de lugar que se referem aos santos e santas do hagiológio romano. Ressaltamos, entretanto, que diferentemente da autora, incluímos nessa subtaxe as invocações de Nossa Senhora, visto que surgem, na Idade Média, a partir do hagiônimo Santa Maria. Assim, como não possuem a estrutura linguística dos hagiotopônimos, que é qualificativo (são/santo(a)) + antropônimo, classificamos os topônimos referentes a essas invocações como mariotopônimo. Em outros termos, o que propomos é uma subdivisão da subtaxe relativa aos nomes de santos.
No âmbito dos estudos toponímicos, vários estudos têm mencionado a influência da devoção aos santos e à Virgem Maria na nomeação dos acidentes geográficos. Alguns deles, assim como a nossa pesquisa, referem-se especificamente a essa temática, dentre os quais citam-se38:
37 “(…) es hagiotopónimo todo vocablo del léxico religioso convertido em topónimo, es decir, vinculado a lo geográfico y convertido en nome de lugar” (SANTOS, 1960, p.580 apud Dick, 1990ª, p. 311)
38 Os estudos de 2011 encontram-se em TÓTH, Valéria. (org). Patrociny Settlment Names in Europe. Debrecen- Helsinik, 2011. (Urálica Onomástica 8). Disponível em http://mek.oszk.hu/10500/10518/10518.pdf. Acesso em 31 mai. 2014.
na Polônia, “Geografical Names Deriving from Saints’Names (Patrocinia) in Poland”, de Czopek-Kopciuch (2011);
na Húngria, “Patrociny Settlement Names in the Carpathian Basin”, de Tóth (2011); Na República Tcheca e na Eslováquia, “Patrociny Settlement Names in the Czech
Republic and Slovakia”, de Stepán (2011);
na Alemanha, “Patrociny Settlement Names in Eastern Germany”, de Hengst (2011), “Patrociny Settlement Names in North-Western Territories of Germany”, de Casemir (2011), “Sankt Blasien – Sammarei – Helena: Place Names with Sankt in Bavaria and
Baden-Wurttemberg”, de Buncher (2011);
na França, “La Religion dans la Toponymie” de Lejeune (2002) e os estudos homônimos “Patrociny Settlement Names in France”, de Billy (2011) e Gendron e Tavardet (2011); na Itália, “Patrociny Settlement Names in Italy”, de Marcato (2011);
na Espanha, “Influencia de la devoción popular en la Onomástica”, de Iríbar (1982); “Hagiotoponímia a la Segarra”, de Rubinat (1985), “Alguns nomes de santos, do latim
ao galego-português”, de Gonzáles (2001); “Hagiotoponyms in Catalonia (Spain)”, de Tort-Donada (2011) e “Contribuitions to Spanish Hagiotoponyms” de Sastre (2011); em Portugal, “As influências religiosas na formação da Antroponímia e da Toponímia de
Portugal” de Chaves (1957); e “Hierotoponímia portuguesa: os nomes de Nossa
Senhora”, de Carvalhinhos (2005) e,
no Brasil, “A hierotoponímia no Brasil”, de Dick (1990b).
Tendo em vista as questões sócio-históricas de como se deu o povoamento em terras brasileiras, além do estudo de Dick, este nosso trabalho sobre a hagiotoponímia em Minas Gerais pautou-se, sobretudo, naqueles desenvolvidos acerca da toponímia portuguesa. Isto porque, no léxico toponímico brasileiro, a influência da religiosidade na designação dos locativos pode ser percebida desde o primeiro contato do colonizador europeu com as terras recém-descobertas, sobretudo devido às circunstâncias que levaram ao descobrimento da terra e do momento histórico representado pelo quinhentismo português, em que a difusão dos preceitos da Igreja Católica representava uma preocupação máxima.
Por seus méritos, Pedro Álvares Cabral foi escolhido Capitão da Armada portuguesa às índias. A partida de Restelo, após a missa na Ermida de Nossa Senhora do Belém, se fez preceder da bênção da Bandeira de Cristo, doada pelo Rei, e das relíquias e cruzes que acompanhariam os navegantes durante a travessia, quando estariam entregues a os cuidados espirituais dos franciscanos de Frei Henrique de Coimbra. Sob os auspícios de Nossa Senhora da Esperança, partiram as naus, entre outras denominadas Trindade, Anunciada, Espírito Santo, Santa Cruz, São Pedro... (DICK, 1990b, p.157)
Assim, conforme pontua Dick (1990b, p.156), a religiosidade lusitana encontra, no novo continente, o clima fecundo ao seu expansionismo. Na carta de Pero Vaz de Caminha à Coroa Portuguesa, por exemplo, é possível perceber topônimos relacionados ao costume dominante entre os navegadores de nomear os acidentes geográficos de acordo com as inscrições do calendário religioso romano, como se verifica em Monte Pascoal (ou Pascal), já que a chegada à nova terra se deu à época da Páscoa.
Ressalta-se ainda que essa preocupação do homem português, de deixar a sua crença registrada na toponímia local, evidencia-se desde as primeiras denominações dadas à nação. Conforme Isquerdo (2012, p. 119),
O próprio topônimo "Brasil" ilustra o exposto, uma vez que o processo gerativo do topônimo traz em sua gênese o entrelaçamento de distintos olhares sobre o espaço nomeado, certamente, influenciados pela ideologia subjacente aos propósitos dos navegadores portugueses e à consequente visão de mundo do colonizador, no histórico momento da "descoberta" e/ou "achamento" do novo território. A "terra à vista" anunciada pelo navegador é percebida, enquanto porção de terra firme, inicialmente, como uma grande ilha, percepção essa do referente que motivou a geração do primeiro topônimo utilizado pelos navegadores para nomear a nova terra descoberta e imprimir-lhe uma marca de identificação. Assim da combinação entre "ilha", elemento genérico, concreto, e o termo específico "cruz", símbolo que evoca as Grandes Navegações Portuguesas - a Cruz de Cristo, símbolo da Ordem de Cristo", criada em Portugal, no século XIV, era ostentada nas caravelas e naus portuguesas -, antecedido de Vera (verdadeira) surge a Ilha da Vera Cruz. Todavia, a imensidão da área logo se encarregou de desfazer o equívoco e a nova visão do espaço geográfico se materializa por meio do termo genérico terra, motivando a origem do novo signo toponímico identificador do território que substituiu o anterior, agora, a Terra de Santa Cruz. Nota-se que o processo gerativo desses designativos está focado na visão do colonizador e marcado pelo sema do "sagrado". O olhar restritivo da "ilha" de Vera Cruz amplia-se para o foco da "terra" de Santa Cruz, designativo agora impregnado de forma ainda mais nítida pela sacralidade impressa no formante "santa": Ilha de Vera Cruz ~ Terra de Santa Cruz.
Desse modo, pode-se dizer que, desde o início da colonização das terras brasileiras, os acidentes locais, em sua maioria, foram sendo nomeados por influência desse costume português de fazer menção à sua religião como, por exemplo, fazendo tributo aos santos e
santas do dia da chegada ou da descoberta de algum elemento da paisagem. “O domínio da terra pelo europeu, assim, antes de ocorrer pela força, fez-se pela língua.” (DICK, 2006, p.95). De acordo com Barbosa (1995), os portugueses que vieram povoar o Brasil eram originários de várias províncias de Portugal: Minho, Beira-Alta, Estremadura, Alentejo, e outros. Havia gente do Norte, do Sul, do Centro, entretanto, um sentimento comum a todos unia: muita religiosidade. Cada família recém-chegada ao Brasil tinha seu oratório, com a imagem do santo ou da santa, a quem dirigia suas preces.
Foi esse espírito de religiosidade que os portugueses, de um modo geral, transplantaram para os primeiros núcleos povoados em terras brasileiras, o que também ocorreu, no final do século XVII e início do século XVIII, na região onde se deu o início do povoamento de Minas Gerais, uma vez que, de acordo com Lima Júnior (1978, p.87), também as primeiras povoações mineiras surgiram em torno de capelas. Nas palavras do autor:
Mal começavam a prosperar, sem demora, surgia uma capelinha de taipa, em cujo altar se firmava a estátua que reproduzia o padroeiro da vila ou aldeia distante em Portugal. Reuniam-se vizinhos e iniciava-se o culto, pelas grossas mãos postas dessa geração de heroicos fundadores de Minas, que eles regaram de suor e de sangue (...) À beira dos grandes caminhos, nas proximidades dos locais onde se encontravam as minerações, ou nas quintas dos grandes sesmeiros, por todo o território imenso dessas extensas Minas Gerais, ficaram os marcos do espírito cristão e católico, plantados pelas gerações do século XVIII.
Ao tratar da hierotoponímia no Brasil a partir dos nomes dos municípios brasileiros, Dick (1990b, p.166) afirma que o Estado de Minas Gerais, pela força de seus costumes tradicionalmente cristãos, realimentados nas inúmeras igrejas espalhadas em sua área, revela- se, ao que tudo indica, a região de maior densidade hierotoponímica, em termos numéricos.
Corroborando as expectativas da toponimista, Carvalho (2010), em seu estudo sobre a memória toponímica da estrada real, da qual o território mineiro representa a maior parte, constata que topônimos religiosos aparecem em primeiro lugar na toponímia da Estrada Real39, representando 30% dos topônimos analisados. De acordo com o autor:
É relevante a influência da religião católica, a religião do colonizador, na nomenclatura da maioria dos lugares. São inúmeros nomes de caráter eclesiástico, também chamados de hierotopônimos e hagiotopônimos. O fervor missionário fez
39 CARVALHO (2010) desenvolve sua pesquisa a partir do corpus constituído dos nomes dos municípios e distritos apresentados pelo Instituto Estrada Real, conforme a Lei de nº 13173/99, de 20/01/1999 do governo de MG que estabeleceu o “Programa de Incentivo ao Desenvolvimento do Potencial Turístico da Estrada Real” (2010, p. 116-117)
construir igrejas e missões com nomes tirados do almanaque católico. Tais nomes enchem até à monotonia a velha descrição do Brasil de Aires de Casal (1976), quer simples nomes como Santo Hipólito, Mariana, Santa Luzia, São Lourenço, São Tiago, Nazareno, Virgínia, Santa Bárbara, quer como complementos de designação duma localidade, por exemplo, São Vicente de Minas, Dores de Guanhães, São Sebastião do Rio Verde, Santo Antônio do Itambé, São Gonçalo do Rio Preto, São Gonçalo do Rio Abaixo, Santana do Garambeu, Santana do Deserto, Santana dos Montes, Santa Maria de Itabira, São Brás do Suaçuí, Senhora de Oliveira, São João del-Rei, Conceição da Barra de Minas, Santa Rita do Ibitipoca etc. Vale lembrar que na reconstituição histórica da atual nomenclatura, a grande maioria dos nomes teve a religião católica como primeira motivação. Alguns foram totalmente modificados, outros reduzidos e muitos permaneceram com a denominação antiga. Muitas vezes é o complemento formado pelo nome de um rio, um monte, um acidente geográfico que se junta ao hagiotopônimo, como podemos perceber: Santo Antônio do Rio Abaixo, Piedade do Rio Grande, Santana do Riacho, Conceição do Mato Dentro... (CARVALHO, 2010, p.116)
Desse modo, desde o início de seu povoamento, a sociedade mineira foi se desenvolvendo em torno de templos religiosos e as marcas da religiosidade cristã refletida na devoção aos santos e a Nossa Senhora continuam sendo observadas no léxico toponímico do estado ainda nos dias atuais, o que justifica o nosso interesse pelo assunto para o desenvolvimento desta pesquisa, cujos procedimentos metodológicos explicam-se, a seguir.
3 PROCEDIMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS
Esta pesquisa, conforme se mostrou no Capítulo I, baseia-se nos pressupostos teóricos dos estudos do léxico fundamentados na inter-relação língua, cultura e sociedade. Para tanto, assumimos as orientações teóricas de Sapir (1961), que enfatiza a importância dessa correlação para os estudos da linguagem e destaca o léxico como o nível da língua que mais revela o ambiente físico e social dos falantes de uma comunidade; e de Matoré (1953) que, ao definir o léxico como testemunha de uma época, visto que reflete as diferentes fases que marcam a história de uma sociedade, propõe a palavra não como um objeto isolado, mas como parte de uma estrutura social.
Quanto ao estudo da variação e mudança linguística, linha de pesquisa a que este estudo está vinculado, orienta-se por Labov (1974) que, destacando o papel preponderante de fatores sociais na explicação da variação linguística, estabelece um modelo de descrição e interpretação do fenômeno linguístico inserido no contexto social ao longo de diferentes períodos da história. Dessa maneira, conforme o que postulou o linguista americano, “parte-se do presente, volta-se ao passado e retorna-se ao presente”, a fim de perceber como se dá o processo de variação e mudança linguística dos topônimos ao longo dos anos. Assim, a pesquisa se iniciou pela observação dos topônimos registrados em mapas contemporâneos e, posteriormente, passou-se à coleta de topônimos em mapas históricos dos séculos XVIII e XIX, a fim de fizesse uma comparação entre os dados.
Para a investigação toponímica propriamente dita, base norteadora da pesquisa, apoiamo-nos em Dauzat (1926) e Dick (1990a; 1990b; 2004; 2006) que apresentam o modelo teórico-metodológico toponímico de origem indutivo-dedutiva, de acordo com os procedimentos onomasiológico-semasiológicos característicos da pesquisa do léxico.
De acordo com Dick, a metodologia seguida em uma análise toponímica envolve aspectos da própria construção do texto onomástico e, em virtude disso, tem por concepção uma visão mais teórica, ampla e abrangente do conhecimento científico advindo dos nomes de lugares. Trata-se de um estudo documental e estrutural das formas linguísticas – os topônimos –, que, portadoras de significados culturais, estão aptas a possibilitar a elaboração do texto toponomástico, representando, assim, uma nova possibilidade de se estudar a língua e suas variações. Nas palavras da autora:
Basicamente, o modelo construído para a investigação toponímica propriamente dita não difere do método científico de análise em geral e dos princípios de metodologia aceitos, envolvendo sistematicamente, três pontos: (a) formulação da hipótese de trabalho, ou de uma proposição de estudos, cuja finalidade perseguida é verificar possibilidades de realização do tema escolhido, já enunciando etapas admissíveis para esse exame (b) delimitação da área básica de estudos (nível da toponímia) ou do objeto da investigação (nível da onomástica), detalhamento temático, em extensão areal (nível quantitativo) ou em profundidade (nível qualitativo), de acordo com a disponibilidade do pesquisador, finalidade da demanda, vinculação a um projeto de pesquisa; (c) tratamento dos dados ou corpus... (DICK, 2006, p.100-101)
Desse modo, como esta pesquisa constitui-se a partir de uma investigação toponímica seguimos o roteiro proposto pela autora, conforme apresentamos, a seguir:
(a) partimos, inicialmente, da hipótese de que, em Minas Gerais, o emprego de nomes
religiosos na toponímia relaciona-se diretamente com o processo de povoamento do estado, ou seja, quanto mais antiga a região, maior a sua densidade hagiotoponímica;
(b) vinculado ao Projeto ATEMIG - Atlas Toponímico do Estado de Minas Gerais -
propusemo-nos a verificar como se dá distribuição geográfica dos hagiotopônimos – nomes de santos e santas do hagiológio romano e as múltiplas invocações de nossa senhora – nas doze mesorregiões mineiras, a partir da coleta e organização de topônimos que constam do banco de dados do Projeto, constituindo assim um corpus de dados contemporâneos. Além disso, para a uma análise diacrônica, foram consultados mapas dos séculos XVIII e XIX e os hagiotopônimos neles encontrados formaram o corpus de dados históricos.
(c) a fase de tratamento e análise dos dados se deu sob três enfoques:
(i) análise descritiva, em que as ocorrências hagiotoponímicas dos dois corpora foram sistematizadas em fichas lexicográficas;
(ii) análise quantitativa, em que explicitamos o conteúdo das fichas em gráficos e tabelas e, além disso, discutimos questões linguísticas concernentes à estrutura e ao processo de formação morfológica, ao gênero e à variação dos topônimos analisados;
(iii) análise geotoponímica, em que todos os topônimos do corpus de dados contemporâneos foram organizados geograficamente em um esboço de glossário e em cartas toponímicas.
Explicam-se, nas seções seguintes, os procedimentos adotados em cada fase da pesquisa.