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7- Açık Redüksiyon ve İnternal Fiksasyon
3.5.1. Cerrahi Yaklaşımlar Dorsal Cerrahi Yaklaşım
A devoção a Maria, Mãe de Jesus Cristo, é um componente essencial do culto cristão desde a Antiguidade, sobretudo depois do Concílio de Éfeso (435), quando se reconheceu a Maria o título de ‘Mãe de Deus’. “O Vaticano II reconhece aí a realização da própria Virgem:
‘Chamar-me-ão bem-aventurada...’ Segundo o Concílio, o culto mariano cresceu em quatro direções: 1) em veneração, 2) em amor, 3) em invocação e 4) em imitação.” (BOFF, 2012, p.116)
De acordo com Dias (1987), a Idade Média (séculos V a XV) fez que a devoção à Virgem Maria invadisse toda a piedade cristã, desde a liturgia às artes e à literatura. Desdobraram-se as festas do calendário litúrgico e da denominação “Santa Maria” surgiram múltiplas invocações a Nossa Senhora, fomentando, assim, a construção de catedrais, igrejas e capelas a ela dedicadas.
A evolução do culto mariano, de acordo com Almeida (1979), está intimamente interligada com o desenvolvimento iconográfico e com o culto aos santos. Assim, a devoção mariana se desenvolve muito no final da Idade Média, o que se dá em decorrência de um humanismo cada vez mais afirmativo, de uma devoção a Cristo mais apoiada nos Evangelhos e também porque, mais que as relíquias, é fácil multiplicar as imagens. Nas palavras do autor:
Como A. Dupront bem observou quando, nos finais da Idade Média, o Oriente se encerra ao comércio das relíquias o Ocidente descobre outras, não só carregando de sagrado muitas imagens, mas também inventando ou valorizando as dos seus próprios santos. Em Portugal o fenômeno é bem notório. É a época da invenção das relíquias túmulo de S. Pedro de Rates, de S. Ouvídio, de S. Gualter e S. Gonçalo de Amarante e, no Porto, de S. Pantaleão, cuja transladação para a Sé Catedral se faz em 1499. À medida que a Idade Média finaliza multiplicam-se cada vez mais os santuários e as capelas marianas, com nomes tópicos. (ALMEIDA, 1979, p.163)
O período compreendido entre os séculos XVI e XVIII, ou Idade Moderna, caracteriza-se, por outro lado, em decorrência do Protestantismo, pela ridicularização das práticas devocionais ao culto de Maria. A reação católica foi, diante disso, incrementar ainda mais o culto e a devoção à Nossa Senhora, criando festas como a do Rosário, a das Mercês, a do nome de Maria, instituindo com o papa Clemente VIII a prática de coroar, como sinal de realeza, as imagens de Maria e de a proclamar rainha de diversos países, como França, Espanha e Portugal, propagando a reza do rosário e do terço.
Ressalta-se, entretanto, que a devoção mariana atinge seu auge a partir do século XIX, quando as devoções anteriores a Nossa Senhora se tornam mais intensas.
A Idade Contemporânea (sécs. XIX e XX) atingiu o auge da devoção mariana. Retomou e aumentou as anteriores devoções a Nossa Senhora e respectivas invocações; criou os meses de Maria e do Rosário, renovou as confrarias do Rosário, favoreceu as congregações e pias associações marianas, acrescentou novas festas como a do Imaculado Coração de Maria, a de Maria Auxiliadora, a de Maria Medianeira de todas as graças e da Maternidade Divina .de Maria; fez surgir novas
congregações religiosas sob a invocação de Maria: os missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, os oblatos de Maria Imaculada, os Mâíinistas, os Maristas, as Servas de Maria. Mas, acima de tudo, o nosso tempo é a era privilegiada das grandes aparições de Maria: Rue Du Bac, Paris, 1839; La Salete (1846), Lourdes (1858) e Fátima (1917) que fazem recrudescer o fenómeno das peregrinações. A definição do Dogma da Imaculada Conceição (8/XII/1854) e da Assunção de Maria ao céu (1/XI/ 1950) são dois marcos do clímax teológico que consagrou o fervor devocional do nosso tempo. (Dias, 1987, p. 229)
No que concerne aos títulos de Nossa Senhora, Megale (2001), em sua obra As
invocações da Virgem Maria no Brasil, apresenta 123 títulos distintos e afirma que, em princípio, as invocações marianas podem ser de origem Litúrgica, Histórica e Popular. Segundo ela, as invocações litúrgicas foram criadas pela Igreja e são relacionadas à liturgia católica: Conceição, Ó, Guia, Assunção, Mãe da Igreja etc. As históricas, apesar deste termo não ser tomado em sentido rigoroso, referem-se aos títulos criados durante os vinte séculos de cristianismo e geralmente recebem os nomes dos lugares onde seu culto foi iniciado. Caravaggio, Guadalupe, Penha de França, Lourdes, Nazaré, Roccio etc. As de origem popular, de acordo com a autora, receberam denominações dadas espontaneamente pelos devotos, conforme os ritos usados ou as necessidades do momento, como por exemplo Carpição, Brotas, Boa Viagem, Bom Parto etc. (MEGALE, 2001, p. 16)
Cabe ressaltar, de acordo com Dias (1987, p. 233-242), que toda a devoção popular, e também a mariana, pauta-se fundamentalmente em três coordenadas essenciais: Fé,
Confiança e Alegria.
Pela fé, o povo adere às grandes verdades da religião católica. No que se refere à Nossa Senhora, essas verdades relacionam-se com a Maternidade divina e virginal, Assunção ao céu e Imaculada Conceição.
A devoção mariana foi sendo incrementada em novenas, tríduos e sermões populares e ainda por meio de escritos sobre as aparições de Nossa Senhora e Santa Catarina Labouré na rua Du Bac, Paris (1830), aos meninos de La Sallete (1846) e sobretudo a Santa Bernadete em Lourdes (1858). Estas confirmando no imaginário popular o dogma da Imaculada Conceição, provocaram de igual modo entre nós uma onda de devoção mariana com as peregrinações a Lourdes e a Piedade de Nossa Senhora de Lourdes a traduzir-se na construção de altares e imagens e na difusão da reza do Terço. (DIAS, 1987, p.233)
Pela confiança, o povo cristão acredita na proteção e intercessão da Virgem Maria e dos santos junto de Deus. Assim, a confiança religiosa seria a mola acionadora da religiosidade popular e sua expressão mais concreta, chegando, às vezes, a parecer superstição.
Pelo seu temperamento sentimental, o povo português manifesta particular confiança em Nossa Senhora porque, sendo mãe de Jesus, vê-a igualmente como mãe dos homens. Neste aspecto, como que esquece e relega para segundo plano a prerrogativa da Virgindade para lhe realçar a condição maternal. Maria é a mulher mãe, a mãe das nossas mães, em quem, como antonomásia, se procuram e encontram as virtudes e qualidades que procuramos na mãe da terra. Daí as múltiplas invocações com que o povo se lhe dirige para cativar as suas graças e bênçãos, o carinho e proteção. Mas o que é curioso notar é que as invocações e títulos dados a Nossa Senhora têm sempre uma dimensão funcional. Numa perspectiva antropológica diríamos (...) que, como mãe biológica, também a Mãe de Jesus está continuamente presente na vida dos homens crentes enquanto paradigmático modelo de todas as atitudes maternais para o bem do corpo e da alma, para a saúde e para a doença, na pátria e na emigração. Seria fastidioso e quase impossível enumerar a longa teoria das invocações a Nossa Senhora nos sécs. XIX e XX, muitas já vindas dos séculos anteriores. (...) Haveria ainda que referir a influência de títulos de Maria na própria onomástica, na medida em que ela é um óptimo instrumento de aferimento dos gostos, tradições e devoções de cada tempo. (DIAS, 1987, p.235-238) Grifos nossos.
Pela alegria, o povo cristão é levado a celebrar Nossa Senhora. São as festas da Virgem, em princípio, coincidentes com as datas das principais festas litúrgicas. (...) As festas religiosas são para o povo uma ruptura com o cotidiano laborioso e preocupado, a afirmação da sacralidade do tempo, a possibilidade do encontro pessoal e comunitário com Deus e os santos, uma antecipação gozosa do reino de Deus. As festas de Nossa Senhora são celebradas sempre com grande fervor e entusiasmo, sobretudo de maio a outubro. Embora inicialmente ligadas às celebrações marianas do Calendário Litúrgico, hoje muitas estão deslocadas, mas todas enaltecem um título ou invocação em que a Santa Maria aparece.
Assim, pode-se afirmar, conforme Dias (1987, p. 227), que “ainda que a vertente evangélico-protestante procure apoucar o papel de Maria quer na religião popular quer na teologia, as vertentes católica e ortodoxa, pelo contrário, exaltam e glorificam o seu papel como mãe dos cristãos, a quem chamam, gostosamente, Nossa Senhora.”