2.4. Kapadokya Bölgesinde İnanç Turizmine Kaynak Oluşturan Eserler
2.4.1. Kapadokya Bölgesi Kiliseleri
2.4.1.1. Nevşehir ve Civarındaki Kiliseler
Conforme a afirmação anterior, a evolução dos recursos do Fundef para os municípios veio atrelada ao aumento da rede de ensino fundamental nessas unidades da federação. A tabela 6 a seguir deixa claro este processo. Em 1998, a participação da rede estadual no ensino fundamental era de 59%, enquanto a municipal era de 41%. Em oito anos, essa relação se inverteu passando os estados a uma participação de 40% e os municípios de 60%.
50 O cálculo realizado é uma aproximação e assume que os municípios aplicam no ensino fundamental 60% dos 25% das receitas de impostos e transferências, além do acréscimo da receita do Fundef. Essa aproximação está sujeita a erro, visto que os valores aqui assumidos representam o mínimo que os municípios deveriam aplicar conforme a CF, porém, existem vários municípios cujo gasto com ensino fundamental ultrapassa esse percentual em função da determinação de suas Leis Orgânicas. Por outro lado, é também possível que vários municípios descumpram a determinação constitucional e gastem menos que o mínimo. Contudo, o que se busca nesta análise é o entendimento da tendência da disponibilidade de recursos para o ensino fundamental, a partir das regras criadas e/ou adequadas durante a década de 90, o que reduz a significância do erro.
Tabela 6a - Comparativo das Matrículas do Ensino Fundamental por UF, Região e Esfera Governamental - 1997/2005. Fonte: MEC (Censo Escolar) – 1997-2005.
Tabela 6b - Comparativo das Matrículas do Ensino Fundamental por UF, Região e Esfera Governamental - 1997/2005. Fonte: MEC (Censo Escolar) – 1997-2005.
Tabela 6c - Comparativo das Matrículas do Ensino Fundamental por UF, Região e Esfera Governamental - 1997/2005. Fonte: MEC (Censo Escolar) – 1997-2005.
Segundo o relatório de gestão da Secretaria de Educação Básica do MEC, esse crescimento das matrículas foi maior nos primeiros anos de vigência do FUNDEF, alcançando 6%, isto é, quase dois milhões de crianças ingressaram nas escolas. A partir de 2000, há uma inversão nesse processo e registra-se uma tendência de redução do número de matrículas. O dado preliminar do censo de 2006 aponta um total de 29,9 milhões de matrículas, havendo, portanto uma queda de cerca de 1% em relação a 2005.
Essa inversão é decorrência da transição demográfica pela qual passa o país, em razão da queda na taxa de natalidade dos brasileiros. Em função disso, a população na faixa etária de 5 a 14 anos caiu de 34, 5 milhões em 1991, para 33,9 milhões em 2000 (isso significa uma diminuição de 1,7%, frente a um aumento populacional total de 17,7%). Desse modo, houve uma redução da participação das crianças dessa faixa etária de 24,2% para 20% da população total (MEC, 2003c).
Esse processo de mudança demográfica, conjugado às novas regras do ensino fundamental possibilitou o aumento da cobertura nas matrículas desse nível de ensino e, conseqüentemente, permitiu o acesso de crianças das camadas mais pobres da população à escola. A taxa de atendimento de crianças de 7 a 14 anos, isto é, do ensino fundamental, que em 1994 era de 92,7%, teve grande aceleração logo nos primeiros anos do Fundef, chegando a 97% em 1999 (MEC, 2003c).
Juntamente com o aumento do número de matrículas e da taxa de atendimento no ensino fundamental ocorreu uma importante mudança no perfil da oferta que passou a ser fortemente municipalizada. O aumento no número de municípios que ofereciam atendimento no ensino fundamental foi de 3,5% de 1997 a 2001, passando de 5.206 para 5.387 municípios (MEC, 2003c).
O crescimento das matrículas municipais foi mais acelerado nos estados mais pobres das regiões Norte e Nordeste, nos quais, já em 1999, as matrículas nas redes municipais eram superiores a 50%. Hoje, nessas regiões, os municípios são responsáveis por mais de 70% das matrículas; enquanto nas regiões Sul e Sudeste, esta participação é de cerca de 50%. O que não deixa de representar um forte
processo de municipalização, visto que, nesta última, a participação do estado na oferta de ensino fundamental em 1997 era superior a 70%.
Além da profunda alteração no acesso ao ensino fundamental, outros indicadores de ensino merecem destaque no período analisado: a taxa de analfabetismo e os indicadores de fluxo, isto é, rendimento e movimentação escolar.
A partir da análise desses indicadores constata-se também o avanço ocorrido na educação nos últimos anos. Ao avaliar, por exemplo, os dados do IBGE para a taxa de analfabetismo das pessoas de 10 anos ou mais, vê-se que esta caiu de 14,7% em 1995, para 10,1% em 2005. É interessante notar que essa queda ocorreu em todas as regiões do país, ainda que na região Nordeste a atual taxa seja de 20%, seu patamar era próximo aos 30%, em 1995.
Ano Brasil
(1) Grandes Regiões
Norte
urbana Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
1995 14,7 11,5 29,4 8,4 8,2 12,0
2001 11,4 9,7 22,2 6,8 6,4 9,2
2005 10,1 8,2 20,0 6,0 5,4 8,0
Tabela 7 -Taxa de analfabetismo das pessoas de 10 anos ou mais de idade, por grandes regiões - 1995/2005.
Fonte: IBGE/PNAD - 1995/2005.
(1) Exclusive as pessoas da área rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
Apesar do problema do analfabetismo ser preocupante, ainda mais se analisadas as diferenças regionais dessa taxa, sua redução não deixa de ser significativa e coerente com o processo de universalização do ensino fundamental ocorrido nos últimos anos. Esse processo possibilitou também um importante incremento na média de anos de estudo da população que, em 1999, era de 5,8 e, em 2004, passou a 6,6 para as pessoas de 10 anos ou mais, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD/IBGE, apresentados na tabela 8 a seguir.
Tabela 8 - Número Médio de Anos de Estudo das Pessoas de 10 anos ou mais de Idade 1999/2004 – Brasil.
Fonte: IBGE/PNAD - 1999/2004.
Nota: Exclusive as pessoas da área rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (1) Inclusive as pessoas com idade ignorada.
Porém, apesar dos avanços ocorridos, há ainda graves problemas na área da educação, conforme apontado pelos indicadores de rendimento e movimentação escolar. Uma questão relevante diz respeito ao fluxo escolar, que faz com que os alunos fiquem na escola mais tempo que o necessário.
No ensino fundamental, objeto de nosso estudo, os dados do Inep/MEC apontam que essa ainda é uma questão a ser solucionada, pois os alunos ficam em média 8,5 anos51 nessas séries e quando chegam a concluir o ensino fundamental, o fazem em 10 anos, em média, como mostra a tabela 9 a seguir (ARAÚJO e LUZIO, 2005).
Tabela 9 – Tempo médio de anos de estudo para conclusão do Ensino Fundamental no Brasil e Regiões – 1995-2004
Fonte: Inep/MEC – 1995-2004.
51 Dados do Inep/Mec, obtidos na página: http://www.edudatabrasil.inep.gov.br/.
Grupos de idade
10 a 14 15 a 17 anos 18 ou 19 anos 20 a 24 anos 25 anos ou mais
1999. 5,8 3,7 6,3 7,4 7,5 5,8 2000. 6,1 3,9 6,6 7,9 8,0 6,0 2002. 6,3 4,0 6,8 8,1 8,3 6,2 2003. 6,5 4,1 7,0 8,2 8,6 6,3 2004. 6,6 4,1 7,1 8,4 8,8 6,5 Total (1) ANO
Essa questão está ligada aos indicadores de rendimento52 dos sistemas de ensino, em especial à repetência. Analisando os dados específicos das redes de ensino municipal no Brasil, percebe-se que a reprovação é ainda um problema a se resolver.
Tabela 10 – Taxas de Aprovação, Reprovação e Abandono nas Redes Municipais de Ensino Fundamental no Brasil e Regiões - 1999-2004
Fonte: Inep/MEC – 1999-2004.
Os dados do Inep na tabela 10 mostram que a reprovação ainda atinge cerca de 15% dos alunos brasileiros nas redes municipais, sendo que essa taxa é próxima a 18% nas regiões Norte e Nordeste. A partir do gráfico 1 abaixo vê-se, em destaque, que também a questão do abandono é um problema grave, pois em algumas regiões do país, como a Norte e Nordeste, este atingiu mais de 14% dos alunos das redes municipais, em 2004: - 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 Bras il Norte Nord este Sude ste Sul Cent ro-O este Aprovação Reprovação Abandono
Gráfico 1 – Taxas de Aprovação, Reprovação e Abandono nas Redes Municipais – Brasil e regiões – 2004.
Fonte: Elaboração da autora, a partir de Inep/MEC de 2004.
52 Taxa relativa à aprovação, reprovação e abandono.
Aprovação Reprovação Abandono Aprovação Reprovação Abandono Aprovação Reprovação Abandono Aprovação Reprovação Abandono Brasil 74,6 13,1 12,3 76,2 13,2 10,6 76,7 14,0 9,3 75,4 15,0 9,6 Norte 65,3 16,3 18,4 67,8 16,6 15,6 69,8 17,0 13,2 67,7 17,8 14,5 Nordeste 68,1 15,8 16,1 69,7 16,0 14,3 69,5 16,9 13,6 67,4 18,3 14,3 Sudeste 84,6 8,8 6,6 86,0 8,8 5,2 86,1 10,0 3,9 85,6 10,6 3,8 Sul 84,9 11,1 4,0 85,8 10,9 3,3 86,7 11,0 2,3 85,5 12,4 2,1 Centro-Oeste 72,5 11,7 15,8 75,8 11,9 12,3 77,5 12,3 10,2 77,8 12,7 9,5 Brasil e Regiões 1999 2001 2003 2004
Segundo Araújo e Luzio (2005), há um enorme prejuízo com a ineficiência causada pelo problema do fluxo escolar: prejuízo humano, com os jovens que não conseguem se formar, e financeiro, com o desperdício de recursos causado tanto pelo abandono, quanto pela reprovação escolar.
A reprovação também tem impacto nas taxas de escolarização do ensino fundamental. Esse dado pode ser avaliado pela evolução da taxa de escolarização líquida e bruta nas últimas décadas. A taxa bruta de escolarização é medida pela razão entre a quantidade de alunos, independentemente de sua idade, e a faixa etária esperada nesse nível de ensino; enquanto a taxa líquida considera apenas os que estão na faixa etária esperada (Vasconcellos, 2004). A tabela 11, a seguir, mostra a evolução nas taxas de escolarização bruta e líquida no ensino fundamental, nos últimos anos, comparadas a 1980.
Tabela 11 - Taxa de Escolarização Bruta e Líquida - Série Ensino Fundamental no Brasil e Regiões - 1980/2000
Fonte: elaboração da autora, a partir dos dados do Inep/MEC – 1980/2000.
Como se vê pela tabela, a taxa de escolarização líquida teve um aumento importante nesse período, passando de 80,1% em 1980, para 94,3% em 2000, o que significa um aumento considerável do atendimento. Já a taxa bruta tem superado os 100% no ensino fundamental, em todas as regiões, o que indica uma quantidade expressiva de alunos fora da série indicada para sua idade. A discrepância entre as duas taxas é muito alta, logo, este é um indicador de que parte dos alunos está atrasada, freqüentando ainda uma série anterior relativamente à sua idade.
A distorção idade-série, isto é, o grande contingente de estudantes cursando séries fora de sua idade ideal é um problema preocupante, agravado nas regiões mais pobres do país. Segundo relatório do Inep/MEC (2003b), indicadores do Sistema de Avaliação do Ensino Básico de 2001 apontam que na 4ª série do ensino fundamental, por exemplo, cuja idade esperada é 10 anos, há uma defasagem na
bruta líquida bruta líquida bruta líquida bruta líquida bruta líquida bruta líquida Brasil 98,3 80,1 105,8 83,8 110,2 87,5 128,1 95,3 130,5 95,4 126,7 94,3 Norte 88,4 69,9 99,9 75,8 106,9 81,5 133,6 90,4 139,2 93,2 123,7 90,4 Nordeste 89,7 69,1 96,0 72,0 104,5 77,3 147,4 90,0 142,2 92,8 141,2 92,8 Sudeste 106,1 89,2 111,4 91,3 113,0 94,4 134,5 97,4 122,5 97,6 119,8 96,1 Sul 98,5 84,3 110,2 92,1 111,8 93,8 124,0 96,2 117,9 96,6 112,0 95,6 Centro-Oeste 103,0 80,1 118,6 90,6 122,7 92,0 140,6 93,9 136,5 95,6 132,4 94,1 1980 1991 1994 1999 2000 Brasil e Regiões 1998
região Nordeste de 58%, enquanto no Sul e Sudeste, esta cai para 25% e 32% respectivamente. A partir do desempenho dos alunos, é possível perceber que, quando há defasagem, a proficiência destes é sempre menor (MEC,2003 b).
Esse tipo de problema compromete a qualidade do ensino, colocando outro tema importante: como tem evoluído o aprendizado escolar no Brasil. Para responder a isso, é necessária uma avaliação dos testes de proficiência existentes no país.