2.4. Kapadokya Bölgesinde İnanç Turizmine Kaynak Oluşturan Eserler
2.4.4. Yer Altı Şehirleri
Durante a década de 90, vivemos um processo de rearranjo institucional do ensino fundamental no Brasil. Nesse processo, houve destaque para a participação dos municípios que passaram a ser os agentes principais para a oferta desse nível de ensino. Para isso, houve uma mudança significativa na repartição de recursos públicos entre estados e municípios e alteração de atribuições, marcadas principalmente pela aprovação da LDB e do Fundef, além da Emenda Constitucional 14/96.
Como demonstrado, isso trouxe um aumento significativo de receitas e despesas municipais na área da educação e, especialmente, no ensino fundamental. Em decorrência, foi possível no período de poucos anos aumentar sobremaneira o atendimento no ensino fundamental, com um acréscimo expressivo de matriculas, o qual permitiu praticamente a universalização desse nível de ensino.
No entanto, ao se analisar os indicadores educacionais e, em especial, os de desempenho dos alunos, que buscam uma avaliação da qualidade dos sistemas de ensino, vê-se que, apesar de alguma evolução nos indicadores de rendimento e de movimentação escolar, houve uma considerável piora na qualidade do sistema, conforme os desempenhos apurados no Saeb.
Os dados do Saeb demonstram que mais da metade dos alunos chegam à 4ª série do ensino fundamental sem saber ler e escrever, e cerca de 90% dos alunos da 8ª, não dominam os conteúdos mínimos exigidos em língua portuguesa. Tais resultados, tanto dos testes de matemática, quanto dos de língua portuguesa, mostram que a educação nacional no ensino fundamental não tem alcançado a meta de promoção da eficiência e de eqüidade.
Sabe-se, contudo, que o problema da qualidade de ensino no Brasil depende tanto do sistema educacional como de condições econômicas, sociais e regionais do país. A questão da qualidade do ensino é algo extremamente complexo, que sofre influência de uma série de variáveis, não podendo ser relacionada a uma em específico. Dessa forma, não é fácil explicar por que o sistema tem falhado em promover um ensino de qualidade e, além disso, procurar solucionar a questão com foco em uma única variável (MEC, 2003b e 2003e).
Segundo Fernandes e Natenzon (2003), essa piora na qualidade do ensino captada pelos testes do Saeb é bastante controversa. Os autores argumentam que a universalização ocorrida no período da análise mascara os resultados em função do acesso ao sistema de um grande contingente de crianças mais pobres, com menor nível de escolaridade, o que, conseqüentemente, puxa as médias para baixo57.O trabalho dos dois autores busca analisar a evolução do ensino fundamental em anos recentes, com uma metodologia diferente da utilizada pelo Saeb.
Na opinião deles, a queda nas médias apuradas nas avaliações do Saeb, de 1995 a 1999, pode refletir tanto mudanças do perfil dos alunos avaliados, como mudanças das oportunidades que o sistema de ensino oferece. Isso pode envolver desde a qualidade do ensino, quanto a infra-estrutura fornecida à educação.
Para que se busque uma avaliação mais precisa, é importante, para os autores, identificar mudanças na qualidade do sistema de ensino; procurar, durante a avaliação, comparar diferentes gerações e não o desempenho de determinadas séries em anos distintos. Segundo eles, com esse método seria possível comparar crianças de diferentes gerações na mesma idade e ver como se deu seu desempenho ao longo do tempo.
Com o objetivo de comparar o desempenho escolar entre gerações sucessivas, os autores, a partir dos dados das PNAD’s dos respectivos anos e dos dados do Saeb, constroem novas tabelas de pontuações, considerando gerações de alunos e não séries; restringindo a análise à 4ª série do ensino fundamental. O resultado
57 O trabalho desses autores é baseado nas avaliações do Saeb de 1995, 1997 e 1999; não considerando, portanto, as duas últimas avaliações realizadas. Por ser colocado um enfoque metodológico diferente do utilizado pelo Saeb para avaliar a evolução dos estudantes, considerou-se importante sua contribuição para este trabalho.
alcançado com essa mudança de método foi de uma pequena melhora no rendimento escolar das gerações mais novas.
Segundo Fernandez e Natezon (2003), não é possível, por meio dessa pesquisa, afirmar que essa melhora está ligada a um aumento de qualidade dos serviços educacionais disponíveis; por outro lado, eles acreditam que a melhoria no aprendizado, observada na análise geracional, é influenciada pela redução ocorrida no atraso escolar dos alunos58.
Os resultados alcançados pelos autores mostram a importância de se considerar, na análise de qualidade, o novo contingente de alunos que ingressou no sistema de ensino fundamental, principalmente entre 1998 e 2000. Esse contingente, resultante da maciça universalização, coloca novas questões para a dinâmica do sistema de ensino fundamental, principalmente o municipal. Contudo, a reiterada queda nas médias dos testes de 2001 e 2003 e, mais recentemente, os resultados da Prova Brasil59 demonstram que há outros problemas no sistema de ensino fundamental, para além do nível socioeconômico e de escolaridade dos alunos ingressantes no final da década de 90.
Essa situação deixa patente que ainda se está longe de alcançar um nível adequado de qualidade de ensino fundamental. Há um baixo nível de aprendizado dos alunos brasileiros, bastante evidenciado pelas comparações internacionais, além de uma crítica desigualdade regional desse aprendizado.
Segundo os relatórios do MEC (2003b e 2003e), os estudantes com desempenho abaixo do esperado, muitas vezes, estudam em escolas com péssimas condições de ensino, sem laboratórios, sem bibliotecas, com um corpo docente mal remunerado e não devidamente capacitado. A partir disso, pode-se imaginar que a solução do problema passa pelo aumento mais intenso no volume de recursos destinados ao ensino fundamental, de forma a melhorar a estrutura física e humana do sistema de
58 Esse redução no atraso escolar é devida, segundo os autores, à adoção da progressão automática pelas redes de ensino.
59 A Prova Brasil é uma avaliação que compõe o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) eé desenvolvida e realizada pelo Inep, sendo mais extensa que os testes realizados pelo Saeb de 1995 a 2003. Seu objetivo é mapear o ensino oferecido por município e escola, de todo país, individualmente, com o intuito de auxiliar a tomada de decisão das esferas públicas sobre a implantação de políticas e o direcionamento de recursos
ensino. Isso levaria a questionar se a mudança na repartição dos recursos para a oferta do ensino fundamental a partir do Fundef foi insuficiente, ainda que, conforme exposto, tenha sido significativa para garantir que esse ensino fosse oferecido com qualidade.
Partindo desse pressuposto, chegar-se-ía à conclusão de que o aumento reiterado de recursos para os municípios, vinculado à oferta de ensino fundamental, levaria conseqüentemente à melhoria contínua do sistema e do desempenho dos alunos.
Porém, essa aposta não necessariamente é correta. Os dados aqui evidenciados mostram que, apesar do aumento já ocorrido na vinculação de despesas com o ensino fundamental, a proficiência das crianças piorou. Ainda que se considere o argumento de que o contingente recém-ingressado de crianças tem um nível socioeconômico mais baixo que reduz dessa forma o desempenho, as médias dos alunos avaliados pelo Saeb, em 2001 e 2003, após estabilização e queda do número de matrículas, mostram que houve inflexão significativa nas curvas de desempenho, apesar do maior fluxo de recursos. Evidentemente, é possível argumentar que o tempo decorrido não foi suficiente para o ajuste do sistema. Contudo, algumas pesquisas econométricas realizadas recentemente com dados do Saeb e da Prova Brasil fazem crer que os recursos financeiros não são o único problema na busca de eficiência do sistema.
O trabalho realizado por Menezes (2006), busca apontar que o desempenho dos alunos na Prova Brasil de 2005, comparado aos gastos com o ensino fundamental dos municípios brasileiros, permite perceber que não há correlação automática entre gastos e qualidade de ensino. A análise do autor mostra que os resultados mais elevados no teste de português não estão necessariamente ligados a maiores gastos por aluno no ensino fundamental.
A grande questão que se coloca é por que o aumento de recursos do sistema de ensino fundamental não leva a uma melhoria do desempenho? Conforme já apresentado, acredita-se que para responder a esta pergunta é necessário
técnicos e financeiros, assim como a comunidade escolar no estabelecimento de metas e ações pedagógicas e administrativas, visando à melhoria da qualidade do ensino. A primeira edição da Prova Brasil foi feita em 2005 (http://www.inep.gov.br/basica/saeb/prova_brasil/).
investigar a existência nos sistemas municipais de ensino fundamental de importantes falhas institucionais, relativas ao seu financiamento, quer nas regras formais de gasto com educação, quer nas estruturas de governança das organizações municipais de ensino, que contribuem para a ineficiência do sistema.
A partir dessas constatações, nos próximos capítulos, serão discutidas as falhas existentes no atual arranjo institucional do financiamento do ensino fundamental público e na própria construção de políticas públicas, que dificultam a busca de eficiência do sistema de ensino e, por conseqüência, sua qualidade, para além das questões financeiras.