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3. FOTOĞRAF MAKİNESİNİN TEMEL PARÇALARI VE YARDIMCI

3.2. Netleme

“Lá em casa como em todas as boas casas, na presença de empregados, os assuntos de família se tratavam em francês, se bem que... falava por metáforas, porque naquele tempo qualquer enfermeirinha tinha rudimentos de francês.”

Personagem central de “Leite Derramado”, Chico Buarque

De acordo com a legislação do Conselho Regional de Enfermagem - COREN, hoje a enfermagem é reconhecida em três diferentes categorias: enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem, cada um deles com seus níveis de habilitação técnica e atribuições definidas pela Lei 7.498/86 e por resoluções posteriores emitidas pelo Conselho Federal de Enfermagem.

Anteriormente, a organização da enfermagem era baseada na Lei 2.604/55; havia o enfermeiro-padrão, a parteira e a obstetriz, todos com formação em nível superior, e os auxiliares de enfermagem, formados em cursos profissionalizantes após concluírem o antigo ginásio, hoje, ensino fundamental. Alguns poucos técnicos de enfermagem eram formados no atual ensino médio, e os atendentes de enfermagem eram formados por leigos que participavam de cursos rápidos em igrejas, centros comunitários ou mesmo nos hospitais, quando era comum a instituição recrutar mão-de-obra para a enfermagem dentre as funcionárias do setor de limpeza ou da cozinha.

A partir de 1997, através da intensificação da fiscalização, os atendentes foram afastados do contato com o paciente e estimulados a buscar a profissionalização, apresentando assim, o aumento do número de auxiliares de enfermagem, representando hoje a maior dentre as três categorias. As mudanças continuaram ocorrendo após a publicação da Resolução do Conselho Federal de Enfermagem COFEN – 276/2003, que considera, a partir da data de sua publicação, a formação do auxiliar de enfermagem como apenas uma etapa para a habilitação final como técnico de enfermagem. O ritmo de crescimento da categoria de auxiliares tem diminuído e, consequentemente, tem aumentado a inscrição de novos técnicos de enfermagem. Outra questão observada é que, exigido o recadastramento dos

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profissionais, pode-se perceber um grande volume de enfermeiros que já possuíam inscrições como técnicos e/ou auxiliares (GEOVANINI, 1995).

Diferenças básicas das atribuições entre os Profissionais: Quadro 1 - Auxiliar de Enfermagem

Profissão Escolaridade Duração do curso

Auxiliar de

Enfermagem Fundamental Ensino 1 ano

Competência segundo (Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986)

Art. 13 - O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio, de natureza repetitiva, envolvendo serviços auxiliares de Enfermagem sob supervisão, bem como a participação em nível de execução simples, em processos de tratamento, cabendo- lhe especialmente:

a) observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas; b) executar ações de tratamento simples;

c) prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente; d) participar da equipe de saúde.

Art. 15 - As atividades referidas nos artigos 12 e 13 desta lei, quando exercidas em instituições de saúde públicas e privadas, e em programas de saúde, somente podem ser desempenhadas sob orientação e supervisão de Enfermeiro.

Fonte: http://inter.coren-sp.gov.br/sites/default/files/Principais_Legislacoes_abril_11.pdf

Quadro 2 - Técnico de Enfermagem

Profissão Escolaridade Duração do curso

Técnico de

Enfermagem Ensino Médio 1 ano

Competência segundo (Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986)

Art. 12 - O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e acompanhamento do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da assistência de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente:

a) participar da programação da assistência de Enfermagem; b) executar ações assistenciais de Enfermagem, exceto as privativas do Enfermeiro, observado o disposto no Parágrafo único do Art. 11 desta Lei; c) participar da orientação e supervisão do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar; d) participar da equipe de saúde.

Art. 15 - As atividades referidas nos artigos 12 e 13 desta Lei, quando exercidas em instituições de saúde, públicas e privadas, e em programas de saúde, somente podem ser desempenhadas sob orientação e supervisão de Enfermeiro.

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Quadro 3 -Enfermeiro

Profissão Escolaridade Duração do curso

Enfermeiro Nível Superior 4 anos

Competência segundo (Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986) Art. 11 - O Enfermeiro exerce todas as atividades de Enfermagem, cabendo-lhe: I - privativamente:

a) direção do órgão de Enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública ou privada, e chefia de serviço e de unidade de Enfermagem; b) organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas atividades técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços;

c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de Enfermagem;

d), e), f) e g) (vetados)

h) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem; i) consulta de Enfermagem;

j) prescrição da assistência de Enfermagem;

l) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida; m) cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas;

II - como integrante da equipe de saúde:

a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde; b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;

c) prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde;

d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação; e) prevenção e controle sistemáticos de infecção hospitalar e de doenças

transmissíveis em geral;

f) prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à clientela durante a assistência de Enfermagem;

g) assistência de Enfermagem à gestante, parturiente e puérpera; h) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;

i) execução do parto sem distocia;

j) educação visando à melhoria de saúde da população;

Parágrafo único - às profissionais referidas no inciso II do Art. 6º desta Lei incumbe, ainda:

a) assistência à parturiente e ao parto normal;

b) identificação das distocias obstétricas e tomada de providências até a chegada do médico;

c) realização de episiotomia e episiorrafia e aplicação de anestesia local, quando necessária.

Fonte: http://inter.coren-sp.gov.br/sites/default/files/Principais_Legislacoes_abril_11.pdf

Em 2 de Outubro de 2002, surge a Resolução do Conselho de Ministros nº 116/2002, que cria um grupo para acompanhamento da formação na área da

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saúde; quanto à enfermagem, prevê, entre outras medidas, aperfeiçoar formas de articulação entre as unidades prestadoras de cuidados de saúde e os estabelecimentos de ensino. Como consequência dessa resolução é criada uma comissão técnica para o ensino de enfermagem (Despacho Conjunto nº 291/2003, de 27 de Março, DR nº 73, II série), tendo em sua missão incluída a análise de formas de articulação para o ensino prático e elaboração de propostas de regulamentação nesse domínio.

A maioria dos projetos de educação continuada para os profissionais de

enfermagem tem como propósito formar o profissional para atuar nos serviços hospitalares, visando o aprimoramento das técnicas, aspectos de segurança, qualidade e economia, o que permite o ajustamento diante do desenvolvimento tecnológico do mundo globalizado, de forma humanizada. Colabora, também, na adequação e atualização dos currículos de formação profissional, visando as necessidades de saúde da população e assistência à saúde, de acordo com o perfil epidemiológico compreendido a partir das determinações históricas e sociais em que se inserem esses serviços (CECAGNO, 2006).

Farah (2003), em sua retrospectiva sobre a educação dos profissionais de saúde, constata que a preocupação de se promover processos educativos para os recursos humanos vem sendo referendada desde a III Conferência Nacional de Saúde, em 1963, propondo essa atividade como forma de evitar o desajustamento técnico em relação aos recursos do meio e de evitar a fuga do técnico do local de trabalho. Nas Conferências Nacionais de Recursos Humanos para a Saúde (1986 e 1993), registrou-se a necessidade de educação continuada para os profissionais de saúde em serviço, o que, gradativamente, foi se tornando imprescindível como forma de tornar os profissionais capazes de compreenderem as necessidades dos serviços e os problemas de saúde da população.

De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (OPAS, 1978, apud Oguisso, 2000), educação continuada é um processo dinâmico de ensino- aprendizagem, ativo e permanente, destinado a atualizar e melhorar a

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capacitação de pessoas ou grupos, face à evolução cientifico-tecnológica às necessidades sociais e aos objetivos e metas institucionais (SILVA, 2008). Nos serviços de saúde, os processos educativos visam ao desenvolvimento dos profissionais por meio de uma série de atividades genericamente denominadas de capacitações, treinamentos e cursos emergenciais ou pontuais. Por meio de reflexão coletiva, buscam-se outras possibilidades para o trabalho de enfermagem, pela unificação de teoria e prática, formação de consciência e mudança de atitude.

Mancia (2004) ressalta que nos modelos convencionais de educação continuada, geralmente o trabalho é compreendido como aplicação do conhecimento teórico especializado e é possível encontrarmos elementos para avaliar que o grande investimento na capacitação de recursos humanos não tem se traduzido em mudanças na prestação de serviços de saúde. O autor critica a prática de formação pouco relacionada ao contexto de trabalho, pois ela reduz a formação à reciclagem do conhecimento.

Os programas de educação continuada não devem ter como finalidade

somente os interesses da instituição, deixando de lado o interesse dos profissionais e, sobretudo, do campo da saúde. Nesses programas deve-se mobilizar discussões, reflexões e proporcionar o reconhecimento de sentimentos, para que a formação possa ir além dos conhecimentos técnicos ou teóricos, mas que sejacomplementada com o autoconhecimento.

Farah (2003) considera de importância fundamental na formação a integração entre ensino e serviço, pois reconhece que uma das formas de se aprender é aprender fazendo, sendo, portanto, um caminho de mão dupla. As escolas articuladas com os serviços podem formar um profissional adequado e capacitado para atuar de acordo com a política de saúde vigente no país e o serviço se realiza com a presença das escolas no serviço.

Silva (2008) observa em sua pesquisa que a Educação Continuada deve ser uma forma de promover o desenvolvimento das pessoas e assegurar a

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qualidade do atendimento aos clientes, devendo, também, ser voltada para a realidade institucional e necessidades do pessoal, visto que foi citado pelos enfermeiros que a proximidade e o contato diário com os técnicos de enfermagem, o interesse pessoal e o interesse da equipe são facilitadores das ações educativas, pois nesse contexto o enfermeiro pode atuar diretamente sobre as necessidades do trabalhador no momento em que este executa suas atividades, percebendo o real interesse da equipe diante das situações cotidianas.

Bezerra (2002) aponta para o conhecimento da filosofia organizacional como auxiliar no entrosamento entre os profissionais e que o responsável pelo programa de educação continuada tenha a formação compatível com a de um educador, devendo buscar continuamente o autodesenvolvimento, sendo capaz de influenciar as pessoas na busca do conhecimento e compartilhar seu trabalho com todos os responsáveis pelo gerenciamento da assistência de enfermagem nas instituições de saúde. Cecagno e Siqueira (2006) complementam essa ideia, dizendo que uma das formas de realizar educação continuada é através das interrelações pessoais entre enfermeiro, equipe de enfermagem e demais colaboradores dos diferentes serviços que atuam na instituição.

Silva e Seiffert (2009) concluem em sua pesquisa que, para promover educação aos profissionais de enfermagem como um processo permanente, deve-se considerar o trabalho diário como eixo do processo educativo, fonte de conhecimento e objeto de transformação que privilegia a participação coletiva e interdisciplinar.

Para Meireles (2004), o desvio dos objetivos originais de uma instituição hospitalar pode ser constatado ao observar-se, por exemplo, o nível elevado de estresse dos profissionais, o descaso com a humanização, a falta de interação nas ações, o que leva o ser humano a inibir seu desenvolvimento profissional, bem como a comprometer a realização de projetos pessoais e interferir nas atividades rotineiras.

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Benzer Belgeler