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2. NEFRET SÖYLEMİNE KAVRAMSAL BAKIŞ VE MEDYAYLA İLİŞKİSİ

2.3. Nefret Söyleminin Türleri

A teoria da esfera pública de J. Habermas remete diretamente aos propósitos deste trabalho porque fundamentalmente se refere ao trato comunicativo e racional entre as pessoas inseridas em um contexto de interações sociais onde se produz e reproduz estímulos culturais (HABERMAS, 2007). Originalmente, suas formulações acerca desse espaço apresentam, a partir de uma perspectiva histórica e crítica, um modelo liberal de esfera pública – formada essencialmente pela burguesia, na Europa, entre os séculos XVII e XIX – cujos membros

defendiam ideais liberais e iluministas. A lógica interna dessa esfera presumia a prioridade da prática discursiva em um espaço público que funcionava como tribuna para o debate de temas políticos e literários.

A esfera pública moderna é formada por indivíduos privados que se reúnem para formular concepções da realidade, opiniões esclarecidas a partir de debates públicos sobre temas de interesse da coletividade. Antes de Habermas, Hannah Arendt havia resgatado as concepções de público e de esfera pública (originalmente o termo em inglês cunhado por Arendt é public realm o qual assumiu o sinônimo de public sphere) como dimensões da vida social e desvinculadas do Estado. A autora parte de duas noções ou conceitos de público: o público como tudo aquilo que vem a público, que pode ser visto e escutado por todos e tem a maior divulgação possível e o público no sentido do que é comum, compartilhado. É o segundo sentido que ela vai definir como esfera pública. Nessa acepção, “o termo ‘público’ significa o próprio mundo, na medida em que é comum a todos nós e diferente do lugar que nos cabe dentro dele” (ARENDT, 2007, p. 62). A esfera pública, enquanto mundo comum, reúne as pessoas na companhia umas das outras permitindo trocas e sua localização no mundo.

Com o advento da sociedade moderna, o Estado e o mercado com seus interesses estão presentes no espaço público qualificado, nos termos arenthianos, como uma esfera social, que não é pública, nem privada, uma característica das “sociedades de massas”:

A distinção entre esfera de vida privada e uma esfera de vida pública corresponde à existência das esferas da família e da política como entidades diferentes e separadas, pelo menos desde o surgimento da antiga cidade-estado; mas a ascendência da esfera social, que não era nem privada e nem pública no sentido restrito do termo, é um fenômeno relativamente novo, cuja origem coincidiu com o surgimento da era moderna e que encontrou sua forma política no Estado nacional. (ARENDT, 2007, p. 37).

Arendt estabelece nítida distinção entre atividades pertinentes ao mundo comum e aquelas pertinentes à manutenção da vida. A esfera pública se traduz em um espaço comum reservado à prática da ação humana. No mundo moderno, os espaços públicos17 e privados se justapõem formando uma esfera social, própria das “sociedades das massas”.

17 Arendt (1967) reconhece como versões modernas de espaços públicos os conselhos populares que se formaram tanto na Revolução Francesa como nas revoluções do início do século XX na Europa, em especial a revolução húngara. Essas instâncias de caráter popular, espontâneo e participativo foram identificadas por Arendt como “uma estrutura de poder completamente nova em plena revolução”, a qual guardava o espírito de criação revolucionária do povo. Tratava-se, sobretudo, da possibilidade de reconstrução da política para além dos partidos e das representações

A ação política deriva justamente do exercício contínuo da liberdade pública, o que faz avançar e solidificar as instituições livres na sociedade (LAFER, 2003). Na obra de Arendt, se sobressai a natureza dialógica da política, a qual não pode prescindir do discurso e da ação. Os sujeitos se relacionam no espaço público, a partir da exposição da palavra em forma de opiniões. Neste sentido, o diálogo com os outros só pode se dar em um espaço de liberdade e igualdade, onde a palavra e a ação possam se mostrar livremente. Segundo Arendt,

... se apenas dez de nós estivermos sentados em volta de uma mesa, cada um expressando sua opinião, cada um ouvindo a opinião dos outros, então uma formação racional de opinião pode ter lugar através da troca de opiniões. Lá também ficará claro qual de nós é o melhor indicado para apresentar nossos pontos de vista diante do conselho mais alto seguinte, onde nossos pontos de vista serão esclarecidos pela influência de outros pontos de vista, revisados, ou seus erros demonstrados. (ARENDT, 2006, p. 200).

Na outorga dada pelo povo ao seu representante, o qual exerce em seu lugar o direito de decidir diretamente junto ao poder público sobre os negócios da sociedade é que residem as controvérsias da democracia representativa. Arendt e Habermas reconsideram aquilo que o liberalismo coloca entre parênteses no modelo representativo: a capacidade do povo de governar. Como diz Arendt, “A liberdade política significa o direito de participar no governo ou não significa nada” (ARENDT, 1967, p. 231).

A esfera pública, em si mesma, é considerada como lugar de manifestação da ação comunicativa, no sentido postulado por Habermas (1986). A prática discursiva deve abrigar proposições, a partir do recurso da compreensão. Mas, segundo o autor, não se pode negar as influências históricas e obstinadas de grupos sociais poderosos que se desenvolveram no seio do sistema capitalista e fizeram desses espaços fóruns para a defesa do liberalismo econômico. A contaminação da esfera pública por interesses sistêmicos, os quais emanam dos domínios da política e da economia, permite uma prática comunicativa ocultada por fins comerciais e manipulatórios, um processo iniciado já no século XVII que mais tarde vai se configurar em Indústria Cultural, nos termos de Adorno e Horkheim (1985). Trata-se da estandardização da cultura e da ação social, o qual Arendt (1972) identifica como “crise da cultura”.

ideológicas no espaço público político. Os conselhos para a autora apontavam para uma “forma de governo inteiramente novo, com um espaço público novo para liberdade, constituído e organizado durante o curso da própria revolução.” (ARENDT, 1967, p.262)

Atento ao fenômeno histórico que se processa de “colonização” do mundo da vida por interesses que emanam dos campos da política e da economia, Habermas tenta equacionar o problema da inserção da lógica instrumental no espaço comunicativo, onde se dá, originalmente, as interações sociais e trocas de conhecimentos e opiniões a partir de uma razão comunicativa, fundando um modelo de formação social que prevê a separação fundamental entre os mundos social, da personalidade e cultural, de um lado, e os mundos dos sistemas econômico e político, de outro.

Esfera pública e ação comunicativa

Para Habermas, os fundamentos da ação social que se desenvolvem nas sociedades modernas não desembocam unicamente em uma racionalização social voltadas para finalidades objetivas, instrumentais. Habermas acredita nas condições formais e intersubjetivamente alinhadas para a formação de processos de interação social voltados para o entendimento, mediadas por uma racionalidade comunicativa. Este é o ponto de partida da sua teoria da ação comunicativa, que orienta a construção e a análise do objeto desta tese.

Para chegar à teoria de uma ação social baseada na comunicação18, Habermas parte de

uma das suas grandes preocupações: o processo de evolução social associado aos níveis de desenvolvimento da cognição humana. Nessa proposição fundamantal está o fio condutor da sua grande obra Teoria da Ação Comunicativa19.

No autor, a teoria da racionalidade surge da oposição entre dois tipos de relação que o homem estabelece com o mundo: aquela que é definida pela ciência e a técnica, relação cognitiva e instrumental; e aquela que é determinada pela interação entre sujeitos, relação constitutiva da comunicação, perpassada pela cognição, mas caracterizada por relações morais, jurídicas, éticas e políticas. (ROCHLITZ, 2002). Essa oposição de mundos sociais introduz uma razão interessada na emancipação que está situada na história e na sociedade e constitui-se através do médium

18 A noção de comunicação na obra de Habermas suscita alguns mal-entendidos por parte de alguns de seus leitores e críticos, sobretudo quando esses relacionam comunicação a estratégias de comunicação e de publicidade da mídia de largo alcance ou às estratégias de grandes empresas e aparelhos políticos para orientar opiniões e comportamentos. Comunicação, nos termos habermasianos, designa a possibilidade de trocas, a pluralidade indefinida dos participantes, a ação e a influência exercidos à escala de uma sociedade ou de uma rede ainda mais larga. (ROCHLITZ, 2002).

19 É importante levar em consideração as contribuições da sociologia funcionalista dos sistemas sociais de Talcott Parsons (1969), que concebe a comunicação como parte de um processo social, na construção da TAC por Habermas.

lingüístico, isto é, a comunicação lingüística voltada ao entendimento e ao consenso, a razão comunicativa. O conceito de razão comunicativa ou racionalidade comunicativa pode, pois, ser tomado como sinônimo de agir comunicativo20 porque ela constitui o entendimento racional a ser estabelecido entre participantes de um processo de comunicação que se dá sempre através da linguagem, os quais podem estar voltados, de modo geral, para a compreensão de fatos do mundo objetivo, de normas e instituições sociais ou da própria noção de subjetividade. A linguagem é um instrumento que possibilita a construção de um universo cognitivo que pode libertar o homem das convenções sociais estáticas e lhe permite desbravar um novo meio social e conhecer um novo sentido para o mundo. Na verdade, a linguagem habilita o homem a gerar mundos.

Em Habermas, a noção de dialogia em contraposição à perspectiva weberiana de ação monológica é um ponto fundamental para compreender a efetivação da ação em um campo de possibilidades de entendimento e concordância. Na acepção de Weber o tipo puro de ação social é, sobretudo, aquela orientada para fins, seja em relação a fins ou a valores. Habermas, no entanto, faz a sua escolha epistemológica entre quatro conceitos sociológicos de ação: teleológica (que remete ao mundo objetivo e diz respeito a fins); ação estratégica (estratégias de comunicação); ação performática (dramaturgia) e a ação cooperativa, ou seja, comunicativa de fato.

Para ele, há uma limitação intrínseca no conceito de ação de Weber21, que revela a carência de uma teoria do significado. A ação weberiana seria pautada na intencionalidade consciente do sujeito que a pratica. A proposta habermasiana para respaldar uma ação social plena de significado e não instrumental ou estratégica, mas simbólica, só é possível a partir do processo comunicativo, baseado em normas práticas discursivas. A ação comunicativa sustenta a

20 Nos termos de Habermas, o agir comunicativo constitui uma interação mediada simbolicamente, orientada através de normas que valem obrigatoriamente, que definem expectativas recíprocas de comportamento e que têm de ser compreendidas e aceitas por pelo menos dois sujeitos. As normas sociais são reforçadas através de sanções. O seu sentido se objetiviza num contexto comunicacional propiciado pela linguagem comum e ordinária (HABERMAS, citado por SIEBENEICHLER, 1989, p. 75).

21Enquanto Weber introduz o conceito de ação estruturado monologicamente, Habermas desenvolve o conceito de ação social pautado na explicação do conceito de sentido. Então, a dimensão simbólica, ou seja, plena de significados que o conceito de ação social assume em Habermas, desloca a noção meramente utilitarista e instrumental das atitudes humanas para além das estratégias e finalidades econômicas e esse movimento é fundamental para se chegar à noção de ação social emancipatória, realizada a partir de uma racionalidade comunicativa. Não se pode arriscar a dizer que Habermas superou o conceito de ação social weberiano, mas considera-se que a conotação de ação social assumida pelo primeiro é complementar ao entendimento das atividades e atos humanos num contexto de negociação de idéias ou mercadorias.

proposta de Habermas de uma teoria social da Modernidade, em que a divisão do universo da práxis humana se divide em dois mundos: o mundo da vida e o mundo sistêmico.

O conceito de mundo da vida é delineado em traços mais amplos, abrangendo não somente o horizonte da consciência, mas também o contexto da comunicação lingüística, a práxis comunicativa do dia a dia, isto é, o contexto dos processos de comunicação voltado ao entendimento e ao consenso que é possível obter através da fala. O que equivale a dizer que o conceito de mundo da vida passa a ser um conceito complementar ao conceito de agir comunicativo. Esse universo é composto por estruturas simbólicas que são basicamente: cultura, sociedade e personalidade22. É no mundo da vida que se formam os sentidos e as prenoções.

No mundo da vida predominam interações que são mediadas pela linguagem e através desta, por normas, que constituem a moldura institucional. E estas interações mediadas pela linguagem constituem o tipo de ação designado como agir comunicativo. No mundo dos subsistemas de ação racional com relação a fins, predomina o modelo de ação técnica, caracterizada como instrumental ou estratégica. A partir desta distinção entre os dois mundos, Habermas faz ainda uma segunda diferenciação entre agir comunicativo, próprio do mundo da vida, e o agir instrumental, praticado no mundo sistêmico. Essa ação orienta-se por regras técnicas decorrentes de um saber especializado.

No espaço comunicativo, qualquer pessoa tem de estar convicta, antes de entrar em comunicação, de que existe a possibilidade de um entendimento real, isto é, de que ela está em condições de compreender o sentido da linguagem, dos atos de fala, bem como de produzir um entendimento ou consenso entre os participantes da comunicação acerca de fatos, normas. O objetivo é alcançar o consenso a partir da argumentação.

A comunicação voltada para o consenso pode ser vista basicamente como uma troca ativa e pacífica de opinião e de informações entre participantes de uma determinada práxis social, portanto, como um processo social que se dá através da linguagem, tendo como referência certas estruturas de racionalidade. É o tipo de ação social orientada para o entendimento, a compreensão e o consenso, que se opõe à ação social voltada para as ambições mundanas. É, então, a partir desse procedimento comunicativo que se chega a desvendar as aparências, o que está latente.

22 Aqui se percebe, de novo, a influência da teoria dos sistemas sociais de Talcott Parsons (1969) na elaboração da teoria da ação comunicativa por Habermas.

A primazia dada ao entendimento oferece duas vantagens: em primeiro lugar, o entendimento não pode jamais ser induzido a partir de fora, porque tem de ser aceito como válido por parte dos próprios participantes da comunicação. Em segundo lugar, abre-se a possibilidade de distinguir o entendimento em relação a consensos ingênuos.

Nas reflexões sobre o agir comunicativo, o autor deixa claro que a comunicação a partir da linguagem, voltada para o entendimento e o consenso, constitui um conceito normativo para o conjunto inteiro da teoria do esclarecimento. Daí surge a importância da prática discursiva nos níveis teórico e prático. A verdade embutida nesses dois discursos depende do consenso obtido entre os participantes esclarecidos e dotados de conhecimento que participam da discussão. Mas, para efetivação de uma comunicação voltada para o consenso, é preciso haver uma situação ideal de fala, fundada na ética do discurso, em que prevalece o melhor argumento e nenhum elemento de coação. Mas, Habermas alerta que o consenso ideal não pode ser atingido concretamente.

Do ponto de vista do teórico, o mundo da vida constitui uma reserva de idéias e convicção não problemáticas, um celeiro de saber organizado lingüisticamente e transmitido culturalmente, uma fonte de modelos de interpretação, da qual os participantes da ação lançam mão para suprir as exigências e necessidades de entendimento que aparecem em uma determinada situação. O contexto dos processos comunicativos voltados ao consenso forma-se a partir dessas convicções básicas. No entanto, o autor não desconsidera o dissenso como uma forma de antinomia evocada por uma situação de conflito, ser um possível resultado do embate discursivo que se estabeleça em uma esfera comunicativa.

A construção de uma racionalidade emancipatória, comunicativa se dá no contexto de antagonismos entre mundo da vida e mundo sistêmico. De uma forma geral - a despeito das críticas que recaem sobre o emprego da racionalidade comunicativa e sua conexão com o mundo da vida e a neutralidade do princípio discursivo (APEL, 2004) e sua fundamentação em uma ética discursiva que evita os conflitos sociais (HONNETH, 2003) - a formulação de Habermas de uma teoria da ação comunicativa possibilita entender a comunicação como um processo cooperativo, que ultrapassa a visão mecanicista do processo comunicativo e derivados, concedendo uma primazia ao pólo emissor, na sua tentativa de influenciar ou conduzir o receptor. Uma teoria da comunicação que derive das contribuições de Habermas sobre possibilidades de interações simultâneas entre emissor e receptor pela ação comunicativa, embora partam de uma abordagem crítica e tenha propósitos normativos, contradiz a teoria crítica no aspecto do desprezo à

“comunicação massificada” e seus possíveis efeitos danosos ao mundo social dos receptores e não coaduna com formulações funcionalistas-estruturalistas sobre efeitos narcotizantes dessa comunicação (MERTON; LAZARSFELD, 2000).

A ação comunicativa acena com o potencial emancipatório que pode existir em qualquer ação humana voltada para o entendimento, mesmo que perpassada pelos meios de comunicação de massa. Será comunicação, num contexto da ação comunicativa, quando o “agir estratégico” de um emissor sobre um receptor der lugar ao “agir comunicativo”, passando-se de uma teleologia centrada no interesse (do êxito sobre o outro) para uma teleologia descentrada, em que o êxito se reverterá em benefício de ambos interlocutores ou ainda proporcione extensões coletivas do benefício. (HABERMAS, 2002).

A ação comunicativa pode ser a base para o entendimento de contextos emancipadores com a participação dos media. Não que estes sejam os protagonistas dos processos de emancipação. Não se trata de rotular os media como emancipadores em si, mas de constatar que se tornaram imprescindíveis ao esclarecimento e à ação social.

A perspectiva habermasiana de um agir orientado para o entendimento pelo viés da comunicação parece acender uma luz sobre o papel da comunicação de largo alcance. A ação comunicativa nos parece o fio de Ariadne que conduz à reflexão sobre a capacidade humana de ação social, a partir de recursos comunicativos, sem a interpelação de uma indústria cultural cada vez mais comprometida em atrair consumidores de bens simbólicos.

Não se pode negar que a comunicação de largo alcance é, sem dúvida, uma das grandes difusoras da cultura, formando opiniões e influenciando comportamentos e modos de vida, sendo assim identificada como instrumento valioso para disseminação de ideologias e alvo de interesse de quem está ou almeja o poder. No entanto, essa comunicação, pelo seu comprovado potencial de inserção no universo social - principalmente hoje quando se observa cada vez mais a centralidade que a mídia assume na dinâmica social - pode ser uma forte aliada no processo difusão do discurso crítico para a formação de consciências politizadas ou para formas mais despojadas de utilização de espaços comunicativos.

A esfera pública revisitada por Habermas: intersecções entre mundo da vida e mundo sistêmico É inegável a importância que a mídia assume no processo de mediação da vida política, social e cultural, o que remete novamente à discussão suscitada por Habermas, sobre as

mudanças fundamentais na estrutura dos espaços públicos modernos, a partir da inserção de grandes públicos, produzindo outras versões de esferas públicas. Os meios de comuicação são facilmente apontados como ambientes informativos e opinativos que influenciam decisões, vontades, modos de vida; são espaços de publicização de objetos, discursos, situações, pessoas; lugar que pode ser compreendido como esfera pública ou onde podem se manifestar contextos de espaços públicos. É possível perceber a constituição desses espaços a partir de diferentes motivações e finalidades do uso social (estratégico ou cooperativo) de uma cena pública. Em um primeiro momento, a esfera pública pode servir como espaço de auto-apresentação pessoal permitindo a visibilidade de cenas da vida privada ou a notoriedade de uma personalidade. A participação em controvérsias políticas, literárias, opinativas, em cenas públicas, configura um tipo de espaço público não centrado na exposição pública de uma pessoa, mas na troca intersubjetiva de reflexões e discursos.

Trata-se de duas qualidades de esferas públicas, uma centrada na aparição pública de imagens privadas que são expostas aos olhares alheios e uma outra esfera participativa, propositiva, interventiva, crítica onde não se almeja a promoção da imagem pessoal, mas de argumentos e discursos que remetem a processos da vida social. Nos dois casos há participação, mas na situação de aparição personalista ela se dá por motivações pessoais, individualistas, já na publicização de um debate ou formulação discursiva que remete ao interesse público tem-se a

Benzer Belgeler