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Namazın Kasten Terk Edilmemesi ile Ġlgili Hadis

4. ÜMMÜ EYMEN‟ĠN ġAHSĠYETĠ

1.2. Namazın Kasten Terk Edilmemesi ile Ġlgili Hadis

A complexidade do processo de envelhecimento quanto às questões de saúde e doença, contém elementos que nos fazem pensar em interdisciplinaridade e no multiprofissionalismo. Nossa atenção sobre o corpus transcrito focalizou, portanto, esta questão.

É nítido em algumas falas que os entrevistados tendem a se apoiar sobretudo no modelo biomédico para compreenderem e atuarem profissionalmente sobre os problemas clínicos dos idosos. Esse modelo parece ser ainda muito presente na formação de todos os Membros das Equipes de Saúde da Família (MESF) e o atendimento clínico, mesmo na APS, parece ser fortemente baseado na figura do médico, que é sempre muito presente nas falas, e muitas vezes, responsabilizado pela assistência ao idoso.

“... tem que ter acompanhamento médico desde que ela nasce fazendo sempre essa rotina...” (Ent. 2 - Enfermeira);

“Porque eles fazem o acompanhamento então eles tratam bem... pelo numero de consultas que a gente faz de hipertensos e diabéticos... tem bastante hipertensos e diabéticos nas áreas mais assim eles são bem controlados” (Ent.4 - ACS);

“... você percebe é colesterol, é triglicerides, diabetes, a pressão tudo relacionado... normalmente que tem hipertensão, tem diabetes também é raro tão sempre juntos e aí vem colesterol...” (Ent. 6 - ACS);

“A pessoa quando é idosa ela tem diabetes, pressão alta ela fica só tomando remédio... tem gente que toma de dez remédios por dia. Diabetes, pressão alta, colesterol, triglicérides, tudo isso” (Ent. 07 - ACS);

“... na minha população a mulher é bem mais preocupada, tanto é que você vê a porcentagem de pacientes que fazem consulta que procuram o médico, a maioria é mulher... procuram bastante médico” (Ent.9 - Enfermeira);

O modelo biomédico, também chamado de modelo mecanicista (BARROS, 2002), atualmente ainda é predominante. Esse modelo surgiu na época do Renascimento e possibilitou várias descobertas e desenvolvimentos da medicina moderna. Esse processo favoreceu a valorização deste modelo biomédico: a preocupação era com o corpo e com as partes que o compõem, comparando-o com uma grande máquina, com as peças a serem reparadas. Os avanços trazidos por esse modelo foram enormes no campo das descobertas, apesar disso esse modelo possui algumas limitações, e a maioria delas nos parece terem sido mais perceptíveis a partir da transição epidemiológica que se processou durante o século vinte: a ênfase quase que absoluta nas doenças infecto-contagiosas deu lugar, progressivamente, às doenças crônico-degenerativas.

Mesmo com todo o avanço e com as tecnologias que foram sendo desenvolvidas, o modelo biomédico não consegue oferecer respostas para vários tipos de problemas do ser humano, particularmente de ordem psicológica, as questões subjetivas, que, segundo Barros (2002) acompanham qualquer doença, sobretudo as de mais longa duração. Os profissionais atualmente, mesmo sabendo desses componentes (psicológicos e subjetivos), parecem tender a não lidar com eles, talvez por não terem sido preparados em sua formação profissional. Os profissionais acabam por reduzir o paciente em partes, não conseguindo visualizar o todo. O termo reducionismo, muito utilizado, se refere a essa prática.

Sendo assim, quando MESF da APS utilizam falas que nos remetem ao modelo biomédico, isso pode ter implicações de como estes (pacientes) estão sendo “olhados”, podemos supor que esteja havendo um reducionismo dos problemas do paciente, e o que esteja sendo olhado, seja apenas a doença, o que faria com que a assistência não fosse integral.

Observamos, porém, que mesmo se nosso foco de análise se restringisse às doenças com manifestações predominantemente biológicas, observamos no corpus de

entrevistas um curioso reducionismo: uma ênfase repetitiva, quase que monocórdica, em dois problemas de saúde: hipertensão e diabetes:

“A maioria é idoso, ali aquela população são uns coitadinhos, os idosos, eles não tinham nada, nem cobertura médica ... eram muito hipertensos, diabéticos, sem controle nenhum...” (Ent. 9 - Enfermeiro)

“Eu com quase oito anos de PSF, eu percebo que aumentou bastante a procura desse pessoal mais idoso, diabético e hipertenso e, pelo que eu penso, isso já faz parte do processo de envelhecimento” (Ent. 10 - Enfermeiro)

“Como agentes, a gente costuma fazer isso, acompanhar ele [o idoso] ... se ele é hipertenso e diabético” (Ent. 12 - ACS)

Em outras falas dos entrevistados (em menor quantidade), já conseguimos perceber certa diluição dessas “responsabilidades profissionais” com outros membros não médicos da Estratégia da Saúde da Família, conotando um modelo talvez mais multiprofissional, no qual os diversos profissionais interagem e realizam suas funções de uma forma mais coletiva:

“A gente começou fazer com o Dr. X [médico] e com a Yl [enfermeira] [grupos de palestras para os idosos]. A gente fazia ali na associação então uma vez por mês” (Ent. 4 - ACS);

““. acho que, assim, que como profissional da saúde [auxiliar de enfermagem] a gente tem que acompanhar desde que é jovem e acompanhado sempre para isso que serve o PSF né?”... “Aqui teve há um tempo atrás um grupo de caminhada, mas o pessoal parou de vir, os próprios usuários, um grupo que entra muito idoso ... e o nosso grupo que eu faço junto com a doutora, que isso é só nós duas que vamos mesmo, que é o grupo que visita domiciliar toda segunda” (Ent. 5 – Auxiliar de Enfermagem);

“Então esses pacientes na realidade eles recebem um acompanhamento, cabe ao ACS por isso que existe esse trabalho maravilhoso: o ACS tá dentro da casa, você vê a relação idoso e o PSF com os profissionais daqui” (Ent. 6 - ACS);

Na década de 1970, há pouco mais de três decênios, portanto, George Engel (1977) descreveu e destacou as insuficiências e limitações do modelo biomédico, além disso sugeriu “uma abordagem psicossocial”. Esse modelo permite que os processos saúde-doença sejam vistos com uma ótica um pouco mais abrangente, ou seja, como um resultado de interações de “mecanismos celulares, teciduais, organísmicos, interpessoais e ambientais”. Sendo assim todo indivíduo é visto como corpo mente e o ambiente em que vive. Engel ainda coloca que a transição do modelo biomédico, citado acima, para o modelo biopsicossocial, era o maior desafio na década de 70 (FAVA & SONINO, 2008, p. 1). Atualmente segundo Fava

& Sonino (2008), esse desafio ainda não foi superado, ainda hoje o modelo dominante é o biomédico.

Sendo assim, não é de se estranhar que as representações sociais do grupo entrevistado sejam fortemente ancoradas no modelo biomédico. Porém, levantamos a hipótese de um reducionismo ainda maior: mesmo permanecendo dentro deste modelo mais restrito, os problemas de saúde sobre os quais se deve prestar a atenção clínica parecem ser reduzidos a dois, hipertensão e diabetes. No que pese sua real importância em termos epidemiológicos, verificamos que esta ênfase talvez se dê em detrimento da atenção a outros problemas de saúde graves e/ou prevalentes (dentre eles, o que analisaremos a seguir, a questão do uso problemático de bebidas alcoólicas).

Mas, apesar disso, muito tem se falado e aplicado do modelo biopsicossocial, no qual, os pacientes começam a ter uma visão mais confiante. O uso de estratégias “psicoterápicas” tem tido resultados importantes, principalmente sobre a qualidade de vida dos pacientes, demonstrando a força desse modelo. Quando os MESF conseguem visualizar o modelo biopsicossocial, a assistência oferecida pode transmitir essa crença para os pacientes demonstrando que existem outros profissionais especializados em outras dimensões da saúde, e que outros tipos de terapêuticas podem ser utilizadas no tratamento de diversas doenças. Em nosso estudo, o modelo biomédico predominou, mas mostra perspectivas para uma transição desse modelo para outros mais abrangentes.

Corroborando nossos achados, citamos um estudo quali-quantitativo, de Fonseca et al (2008), que entrevistaram 27 sujeitos de uma Unidade de Saúde da Família, sendo eles agentes comunitários e profissionais de enfermagem. Os autores estudaram as representações desses sujeitos em relação ao envelhecimento e, dentre os seus resultados, sobre a “representação do conceito de cuidado para os profissionais que lidam diariamente com o idoso” (p. 1282), destacaram-se os aspectos biológicos do envelhecimento. Segundo os autores, essa representação demonstra que o modelo biomédico ainda apresenta uma significação muito forte para os profissionais de saúde, o que vai ao encontro dos resultados da presente pesquisa.