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3. ÜMMÜ EYMEN‟ĠN HAYATI

3.7. Katıldığı SavaĢlar

Uma ênfase no termo “natural” para qualificar o “processo de envelhecimento” foi dada por diversos entrevistados. Parece tratar-se de um ponto de vista que valoriza a dimensão biológica (se consideramos “natural” em contraposição a “cultural”), talvez conotando uma ancoragem relativamente menor em teorizações científicas da área de ciências humanas. Também a utilização do termo “processo” traz à tona outras diversas representações que podem influenciar na forma de “olhar” para esse idoso.

A questão norteadora propunha a reflexão sobre o processo de envelhecimento, estando então a expressão “processo de envelhecimento” já presente na fala da própria pesquisadora-entrevistadora. Mas esta expressão foi utilizada também pelos entrevistados, mostrando possivelmente que há um conceito de que o envelhecimento, ou a própria existência humana, seja um “processo”, no sentido de ter um começo, um meio e um fim - e o envelhecimento significaria o fim. As falas citadas a seguir parecem representar, ao nosso ver, uma percepção principalmente de processo biológico, pois fazem referências a um fim

(biológico) e a doenças (físicas) . Ressaltá-las nos parece importante, pois a partir do que os Membros das Equipes de Saúde da Família (MESF) pensam sobre determinados fenômenos, e suas possíveis ancoragens, ficam mais nítidos os tipos de ações a serem desenvolvidas com a finalidade de fortalecer a função da atenção básica, como por exemplo a educação continuada:

“O processo de envelhecimento a gente sabe que é natural ...caminho para um fim” (Ent. 1 – Odontólogo);

“O processo de envelhecimento eu acredito que é algo natural, ... acontece desde o momento que você nasce até você morrer, você está sempre envelhecendo e é claro que é mais acentuada a partir de uma determinada idade.” (Ent.2 - Enfermeiro); “O envelhecimento é natural, é uma coisa natural ... Envelhecer é natural, mas com a idade vão chegando as doenças, vai chegando várias coisas que não tinha ... O processo natural mesmo todos têm aquelas doencinhas que todo mundo tem.” (Ent. 5 – Auxiliar de Enfermagem);

Como o termo cultura aparecerá desse ponto em diante em nossa argumentação, achamos pertinente situar minimamente este conceito. A definição de cultura primeiramente foi formulada do ponto de vista antropológico. A Definição de cultura primeiramente foi formulada do ponto de vista antropológico e pertence a Edward Tylor24. Esse estudioso pretendeu demonstrar que a cultura pode ser objeto de estudo, pois “possui causas e regularidades” (LARAIA, 2009, p. 30) e definida como “...todo o comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma transmissão genética” (LARAIA, 2009, p. 28).

Assim, ao se discutir o envelhecimento como “natural”, que significados esta expressão pode ter ou, noutros termos, quais seriam as representações reais desse conceito na voz de nossos entrevistados.

Segundo Uchôa (2003), a visão universalista de que o envelhecimento seria a deterioração do corpo (visão eminentemente biológica) tem como conseqüência o envelhecimento ser tratado como uma fase de declínio – e tal visão não é mais a verdade absoluta há alguns ano. São culturalmente ainda comuns, entretanto, que o processo de senescência (assim como outras fases do ciclo vital) seja comparado a eventos da natureza, como a estação do ano do inverno (“sem vida”), ao passo que a juventude é geralmente comparada com a primavera (“florescer da vida”).

Em sociedades não ocidentais pode-se perceber diversas imagens positivas do processo de envelhecimento “...questionando a universalidade da visão ocidental e ensinando       

24

Tylor, E. Primitive Culture. Londres, John Mursay & Co. [1958, Nova York, Harper Torchbooks].  

uma representação de velhice enraizada nas idéias de deterioração e perda não é universal” (UCHÔA, 2003, p. 850), trazendo, ao contrário, o idoso e a velhice como uma conquista, como status social, sendo respeitados como autoridades máximas e o processo de envelhecimento visto como digno de admiração. Este tipo de visão mais positiva da velhice não foi comentado pelos participantes do nosso estudo.

Assim, apesar de os estudos antropológicos mostrarem que o processo de envelhecimento tenda a deixar de ser encarado com fato natura, para serem vistos como “fenômenos profundamente influenciados pela cultura” (UCHÔA, 2003, p. 851), em nossa amostra a ênfase que de dá parece-nos ser exatamente ao contrário: a ênfase no natural.

Entretanto, ancoragens em algumas teorizações científicas psicossociais (portanto, na área da ciências humanas, ao menos parcialmente) também estiveram presentes, embora as consideremos muito tímidas. Podem, no entanto, demonstrar que há uma possível inclinação para o conhecimento, por parte dos MESF entrevistados, para não apenas o foco biológico, mas para um olhar mais integral, entendendo o envelhecimento como um processo no qual estão inseridos outros aspectos e necessidades dos idosos, e não apenas necessidades biomédicas:

“Eu acho que a primeira coisa é cuidar da qualidade de vida... pessoas que tem uma vida ativa, pessoas que trabalham fora eu acho que envelhecem menos do que as outras... pessoas que gostam de ler, de estudar... eu acho que depende muito da saúde mental das pessoas” (Ent. 3 - Enfermeiro);

“Eu acho assim, principalmente a gente que está em saúde pública, e a gente... pelo menos a enfermagem, eu acho que tem tudo a ver a parte psicológica, a parte mental, influenciando a parte física.” (Ent. 07 – Agente Comunitário);

“Hoje em dia eu acho meio complicado, antes as pessoas tinham menos tempo de vida, mas envelheciam melhor, eu acho. Hoje em dia eu acho que a preocupação tomou conta, quem hoje em dia não vive preocupado? Agora pensa: eu vou envelhecer e como vai ser a minha aposentadoria? O salário é muito pouco ... então não se envelhece com qualidade. [...]” (Ent.10 – Auxiliar de Enfermagem);

“Tem a questão física e a questão mental, tem muitos que são jovens e que já são velhos mentalmente” (Ent.11 - Enfermeiro);

Esses são aspectos importantes de serem ressaltados. Vão ao encontro da idéia de que é fundamental que os MESF estejam cientes dos processos que não são puramente biológicos, que o modelo biomédico não é o único a ser implementado.

Embora os dois aspectos inseparáveis do processo saúde-doença (processos patológicos, de fato epidemiologicamente mais comuns na velhice, e a experiência pessoal de todo esse processo – UCHÔA, 2003) devem ser considerados, a experiência do processo de envelhecimento e das doenças como construções culturais não parecem ser igualmente

enfatizados pelos entrevistados, o que vai conformar seus “olhares” para o envelhecimento e influenciar, provavelmente, seus comportamentos concretos, incluindo a forma de assistência e atendimento oferecidos aos indivíduos idosos.