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Avret Yerlerinin Örtülmesi Gerektiği Ġle Ġlgili Hadis

4. ÜMMÜ EYMEN‟ĠN ġAHSĠYETĠ

2.6. Avret Yerlerinin Örtülmesi Gerektiği Ġle Ġlgili Hadis

Em um primeiro momento, nas entrevistas, foi chamativo que esses idosos em questão (os que fazem uso problemático do álcool), não parecem ser “vistos” pelos MESF, portanto existindo, aparentemente, uma barreira já inicial para se estabelecer o cuidado.

“... eu não vi nenhum caso de paciente que veio aqui e precisou de ajuda para reabilitação por causa do álcool, porque eles ficam enfiados dentro de casa bebendo ou com os amigos no bar bebendo, raramente eles vem aqui” (Ent. 1 - Odontólogo);

“... a gente tem que buscar, às vezes a gente encontra, por exemplo, questionando a pessoa, tipo pessoas que vêm com hipertensão ou alguma outra coisa que a gente vê que foi do abuso de álcool ou do uso continuo... o que a gente encontra muita dificuldade é da adesão do próprio idoso ou do próprio usuário da rede publica ele não adere... ficam muito tempo na fase de negação... eles fogem da rede básica, de atenção básica... quando eles chegam na saúde de atenção básica é por outros problemas que as vezes são devido ao uso de álcool” (Ent. 2 - Enfermeiro);

“a gente quase não atende idoso... eu acho que é difícil ter um idoso assim alcoólatra, idoso alcoólatra não tem”... (Ent. 3 - Enfermeiro);

“nós aqui não temos paciente que sejam nessa idade fazendo tratamento especificamente para evitar ou conter o consumo de álcool, ou alguma patologia decorrente do consumo de álcool... o paciente que é alcoólatra dificilmente ele procura uma unidade de saúde” (Ent. 8 - Médico).

A frase “idoso alcoólatra não tem” (Ent. 3) parece-nos emblemática dessa “invisibilidade”. Sabe-se que várias subpopulações são relativamente “ocultas” ao sistema de saúde (hidden populations), parecendo ser o este o caso de nosso objeto de estudo.

Importante entender como é definido esse tipo de população, que existe e não é vista, ou que não é “olhada” pelos serviços de saúde, o que remete à questão da acessibilidade de certas populações aos serviços e cuidados de saúde, ou seja, às populações especiais quanto às dificuldades de acesso. A questão da acessibilidade pode ser considerada tanto a partir do tamanho desta população especial em relação à população geral, quanto a partir do grau de dificuldade inerente à localização dos mesmos pelos cuidadores (FERNANDES & CARVALHO, 2000). Tem-se, então, populações raras (quando a característica que as define apresenta baixa prevalência na população geral, mesmo que a sua localização seja facilmente

detectada), populações marginais (indivíduos com determinadas características que vivem em menor número e marginalizadas dentro de uma população) e, por último, e que vem ao encontro de nossa pesquisa, a população oculta:

“verificamos que em causa não está a prevalência do traço ou característica na população geral (que poderá ser elevada), mas as dificuldades que se colocam à sua localização; tal deve-se à natureza ameaçadora do traço específico em questão, habitualmente de cariz ilegal ou socialmente reprovado” (Fernandes & Carvalho, 2000, p. 21).

No que pese ser a prevalência de UPA entre os idosos realmente mais baixa do que na população geral, não se pode considerá-la em absoluto considerá-la como uma população rara (v. as considerações epidemiológicas feitas na seção 1.2.4). E também temos esses achados em trabalho publicado recentemente (LARANJEIRA, et al, 2010).

O que estamos discutindo aqui, então, seria a dificuldade de localização dos idosos que fazem uso problemático de álcool, o que, em parte, talvez realmente se explique por uma tendência à reprovação social a que estes idosos estão sujeitos (como acentuado por Fernandes & Carvalho, 2000, e detectada por nós quando se falou em estigmatização dos idosos na seção 5.1.3).

Fernandes & Carvalho (2000) ainda apontam para algumas dimensões importantes na definição da população oculta. Quanto à dificuldade de localização, ela não ocorre pela prevalência do traço e sim pela ocultação desse traço, que muitas vezes é feita pelos próprios sujeitos, embora não apenas por eles. As populações ocultas ainda são caracterizadas pela falta de “sistemas formais de serviços” (p. 21), ou seja, pela não observância específica desta população pelos serviços. O texto ainda deixa claro que a população oculta é oculta dos sistemas formais, mas essa mesma população pode ser conhecida pelos serviços informais, como no caso dos grupos de auto-ajuda, no caso da presente pesquisa, por exemplo, os Alcoólicos Anônimos (AA).

(Como curiosidade, o Brasil é um dos países com maior número de grupos de AA no mundo, mas os estudos que se ocupam do UPA em idosos, pelas estratégias

terapêuticas utilizadas pelos membros do AA, ainda são raros, como apontou Campos, 2004).

Como esperar então, que se represente (conceitue) o que “não é visto” (percebido, identificado) e, depois, avaliar e prevenir o que “não existe” na visão dos membros das equipes de saúde da família (MESF)? Essas ações ficam certamente prejudicadas, pois não se pode atuar no invisível ou no não representado. Um exemplo particularmente chamativo quanto a isso foi a entrevista 6, com uma ACS que, apesar de

estimulada constantemente a falar sobre idosos que fariam uso problemático de álcool, não se referiu ao que pensa sobre esta problemática.

Neste sentido, tivemos dificuldades em pensar em ancoragens dessas “não representações sociais”. Entretanto, ao se depararem com a idéia lógica de que existem esses pacientes, os entrevistados parecem então objetivá-los como pacientes fugidios, que “se enfiam” em suas casas para beber (Ent. 1) ou então bebem em bares (Ent. 11), locais de exercício de sociabilidade inacessível ao setor saúde:

“Idosos a gente sabe que tem, quanto a gente vai à casa, sabe que está no bar, bebendo, a gente sabe...” (Ent. 11, enfermeiro);

“Tem muitos aposentados perdidos no bar o dia inteiro, tomando cerveja de manhã.” (Ent. 15, enfermeira).