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BÜYÜK SELÇUKLU DEVLETİ’Nİ ELE ALAN ŞAİRLERİN HAYATI VE EDEBİ TUTUMLARI

4.4. NÂSIR HUSREV

A (não) efetividade do direito à educação encontra, na sociedade brasileira, um amplo e constante cenário de realização. Dessa assertiva decorre que a ideia kantiana de homem (como um fim em si mesmo, que não pode ser usado ou instrumentalizado como meio para o alcance de fins subjetivos de outrem) é confrontada, com muita frequência, ante um quadro generalizado de lesões e de aviltamento da pessoa humana, sintetizados na condição de inadimplência, prevista no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor.

De outra forma, o consumidor como coisa, e não como ser livre em sua autodeterminação e autoconsciência, parece ser a rotina no cotidiano da sociedade que exige diversas titulações (graduações, pós-graduações, doutorados, livres- docências, etc.), titulações essas não apenas exigidas, mas também incutidas na mente dos indivíduos, como condição “sine qua non” de realimentação dessa própria sociedade, acelerada, dinâmica e ávida por novidades. E, por certo, nada é puramente espontâneo nesse frenético ciclo de exigências, espontaneidade que fica cada vez mais comprometida quanto maior for a influência do inconsciente coletivo no consciente de cada pessoa.

Vimos que nada escapa ao planejamento que perpassa as relações sociais, de tal modo que o indivíduo acaba por ser conduzido a um verdadeiro estado de anomia, podendo vir a adotar comportamentos desviantes tão-somente para atingir aquilo que é valorado positivamente pela sociedade atual, isto é, status socioeconômico: poder econômico, social e cultural, em geral, acompanhado por várias titulações.

O aluno na condição de inadimplente, na realidade, convive com o sonho mágico de adentrar em uma universidade, para ser detentor de um nível superior. Todavia, cabendo ao Estado garantir o direito à educação, Ele não adota e implanta políticas públicas suficientes, capazes de garantir a conversão do sonho em realidade, mas permite a manutenção de uma conjuntura que promove e reforça a obrigatoriedade da realização desse sonho.

Não há outra conclusão senão a de que a deficiência na concretização da universalização do ensino, em todos os seus níveis, é do Estado, uma vez que não supre, adequadamente, as suas políticas públicas de educação.

Mas a sociedade também é parte relevante na produção do inadimplente. O aluno que não ingressa em uma instituição pública, possui como única alternativa o ingresso em uma instituição particular, submetendo-se a um contrato de adesão, de prestação de serviços, pelo qual assume obrigações, mesmo ciente de sua hipossuficiência.

O desfavorecimento socioeconômico, ainda que consciente, é suplantado pela pressão inconsciente que é exercida pela coletividade em que está inserido, uma vez que a atual sociedade reconhece o valor de um indivíduo pelos títulos e pelas posses que ostenta, marcas características de uma sociedade que valoriza o status, o consumo e o poder.

Nessa linha de raciocínio, a própria sociedade estimula o indivíduo a desejar e a buscar uma educação superior, nele incutindo essa noção como se fosse um valor fundamental, essencial à sua realização pessoal, criando e alimentando expectativas próprias de uma coletividade capitalista, centrada no consumo imediato.

O Estado também cria expectativas, já que a própria Constituição garante que “a educação é um direito de todos e dever do Estado em colaboração de toda a sociedade”.

Essa colaboração da sociedade também vem das escolas particulares. Mas não se pode esquecer que a instituição particular é uma empresa privada, que busca o lucro e/ou a manutenção e a ampliação de seu patrimônio. Isso nos leva a questionar a ordem de prioridade que é dada na prestação do serviço educacional pelas empresas privadas: o lucro ou o ensino; o retorno imediato ou a formação para o mercado de trabalho e para a vida.

O cidadão tem regras a serem cumpridas dentro da sociedade. Regras essas impostas também por legislações infraconstitucionais.

O aluno inadimplente é o devedor definido no Código Civil brasileiro.

Para o Código Civil, ele é um inadimplente, pois não cumpriu com suas obrigações contratuais.

O aluno tem uma relação consumerista com a escola privada. Analisando a relação de consumo, o Estado também faz uma propaganda enganosa, inclusive em relação ao inadimplente (involuntário), ao dizer que “a educação é um direito de todos e dever do Estado”. Trata-se de propaganda promovida pelo Estado, com o claro objetivo de fazer com que toda a sociedade acredite nisso e busque o processo educacional que, no final das contas, é reconhecido e/ou certificado pelo Estado, mas prestado por instituições públicas e privadas.

Analisando o aluno no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor, ele se transforma em um indivíduo excluído duplamente: primeiro pelas condições próprias do seu meio (família), segundo pelos benefícios que não são alcançáveis, na sua busca por quotas, bolsas, convênios, que quase sempre são insuficientes, ante a elevada procura.

Ademais, consideradas as diferentes lesões ao consumidor (dano patrimonial, dano à incolumidade físico-psíquica e moral) como violações que, de alguma forma, inserem-se no contexto da liberdade e igualdade, constitucionalmente asseguradas, resulta a conclusão de que a aplicação do Código de Defesa do Consumidor, como microssistema nuclear à proteção do consumidor, se traduz, quase sempre, em instrumento de concretização e materialização de direitos fundamentais, estatuídos na Lei Maior. Igualmente, pode- se admitir a possibilidade do manejo concretizador do Código de Defesa do Consumidor, até mesmo em relação a eventuais direitos fundamentais implícitos.

Por conseguinte, aceito pacificamente o entendimento doutrinário de que a dignidade encontra nos direitos fundamentais, em essência, o seu instrumento

constitucional de concretização. Sendo assim, o Código de Defesa do Consumidor revela-se como um instrumento garantidor da dignidade nas relações de consumo, quando materializa ou concretiza os direitos fundamentais.

Nádias, Teresas, Thalitas e tantos outros indivíduos estão sujeitos às imposições da sociedade, indivíduos que lutam todos os dias para atingir os patamares propostos, assujeitados ao entendimento de que somente terão sucesso aqueles que percorrerem a educação institucionalizada.

Todavia, não a percorrem realmente porque o objetivo, ainda que socialmente proposto e divulgado, não vem acompanhado pelos meios adequados para a sua concretização. Pelo menos até que se altere o modelo de sociedade ou até que se imponha a ela a obrigação de tornar realidade os sonhos que sugere como rotas para o sucesso (que reconhece como tal).

Conveniente que essas contradições sejam persistentemente identificadas, refletidas e combatidas, também em estudos acadêmicos, com o intuito de se obter uma redução nas frustrações e nos casos desviantes de comportamento presentes numa dada coletividade, principalmente nos seus grupos juvenis.