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BÜYÜK SELÇUKLU DEVLETİ’Nİ ELE ALAN ŞAİRLERİN HAYATI VE EDEBİ TUTUMLARI

4.2. MU’İZZÎ’NİN HAYATI VE EDEBİ TUTUMU

concessões, sendo que 988 estão com bolsa parcial e 501 com bolsa integral ou isenção total da mensalidade.

Como o caso da Thalita e das Teresas, há vários outros espalhados por este mundo a fora. É necessário ter metas objetivas quanto à superação dos momentos de crises dos alunos inadimplentes que envolvem muito mais que o âmbito educacional, familiar, emocional e financeiro.

A sociedade estimulou Thalita a querer ter títulos educacionais. Na sua trajetória de busca dos títulos, tornou-se inadimplente.

A sociedade valoriza os títulos; essa necessidade é comprovada pelos requisitos exigidos em entrevistas de empregos, seleções curriculares, etc. Todavia, não fornece os meios adequados para alcançar esse êxito.

Segundo Maria Helena Diniz,176

“A obrigação de resultado é aquela que o credor tem o direito de exigir do devedor a produção de um resultado, sem o que se terá o inadimplemento da relação obrigacional. Tem em vista o resultado em si mesmo, de tal sorte que a obrigação só se considerará

175 O Boletim PUC-SP Semana. De 26/03 a 1º/04/2007.

176 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, v. 2; teoria geral das obrigações. 24 ed. São

adimplida com a efetiva produção do resultado colimado. Ter-se-á a execução dessa relação obrigacional quando o devedor cumprir o objetivo final. Como essa obrigação requer um resultado útil ao credor, o seu inadimplemento é suficiente para determinar a responsabilidade do devedor, já que basta que o resultado não seja atingido para que o credor seja indenizado pelo obrigado, (...) Assim, se inadimplida essa obrigação, o obrigado ficará constituído em mora, (...).”

O Estado, tendo a obrigatoriedade da prestação do serviço ora chamado para si como uma responsabilidade, não o faz; transfere para o particular que, através de autorizações públicas, abrem suas escolas (ensino fundamental, médio, superior de graduação, de pós, de especialização e de extensão) e passam a ter alunos como seus consumidores.

Os alunos - consumidores - passam a ter uma relação de consumo com a escola, são amparados pelo Código de Defesa do Consumidor. Todavia, a obrigatoriedade da prestação do serviço é do Estado e não do particular.

A partir desse momento, o Estado, investido na sua responsabilidade, deve prestar o serviço educacional. Não o fazendo, pois é nítida a sua incapacidade de dar a todos indistintamente a educação nos parâmetros propostos pela sociedade, fica em débito com os educandos. Todavia, deveria pagar multas para os mesmos, tendo em vista a falta ou a deficiência da prestação do serviço educacional.

O Estado deve pagar as mensalidades dos alunos em escolas particulares, tendo sempre em conta a sua responsabilidade objetiva na prestação de serviços para toda a coletividade. Se o Estado não tem capacidade para oferecer, efetivamente, educação para todos, este deve arcar com o ônus de pagar as mensalidades daqueles que foram excluídos de programas educacionais gratuitos. A prova objetiva do não fornecimento de meios adequados para suprir suas deficiências o obriga a esse pagamento.

4.2. ESTUDO DE CASO DO PROGRAMA BOLSA-ESCOLA DO RECIFE177

Não se pode negar que o Estado busca suprir suas incapacidades, exemplo dessa atitude é o programa Bolsa-Escola do Recife, que documenta a evidente tentativa do Estado de organizar programas de transferência de renda às famílias pobres.

O Programa Bolsa-Escola em Recife foi criado através da Lei 16.302, de 23/05/1997, e regulamentado pelo Decreto 17.665/97. O órgão gestor é a Secretaria de Educação, que atua por intermédio de uma comissão executiva – formada por representantes das Secretarias de Educação, da Saúde, de Políticas Sociais, de Finanças e da Coordenadoria da Criança e do Adolescente – e de comissões locais, criadas em cada uma das regiões administrativas. Este programa se inspirou na experiência bem-sucedida do Programa Bolsa-Escola do Distrito Federal.

Estabeleceu-se a concessão de um auxílio financeiro às famílias em condições de carência material e precária situação sociofamiliar que se obrigassem a matricular e manter na escola criança entre 7 e 14 anos. O programa definiu como público-alvo famílias com renda familiar per capita mensal inferior a 1/3 do salário mínimo (R$40,00 ou US$24 à época de sua criação) e com crianças na faixa etária de escolaridade obrigatória (ensino fundamental: 7-14 anos). É também necessário que a família seja domiciliada na cidade por no mínimo cinco anos.

Além destes critérios, é dada prioridade às famílias com crianças que estejam fora da escola porque precisam trabalhar, ou para aquelas cujas crianças estejam desnutridas, sob medida de proteção social ou, ainda, estejam sendo atendidas por programas socioeducativos. Do mesmo modo, dá-se preferência a famílias com maior número de dependentes, idosos ou pessoas portadoras de deficiências, que sejam, portanto, incapazes de prover o próprio sustento. Famílias monoparentais femininas também têm prioridade na seleção, dada a imensa vulnerabilidade e desalento em que se encontram.

177 BARBOSA, Maria Ligia de Oliveira; LAVINAS, Lena. DADOS – REVISTA DE CIÊNCIAS SOCIAIS

– Vol. 43, nº 3, Educação e desigualdade social, política brasileira e teoria dos jogos. Rio de Janeiro: IUPERJ, 2000.pp. 447-477.

Como contrapartida, além da frequência obrigatória a escola, os pais ou responsável desempregados, mas não incapacitados de exercer atividades profissionais, devem comprovar inscrição em curso profissionalizante e/ ou programa de emprego. Quando selecionadas, as famílias obrigam-se a fazer uma declaração de responsabilidade, na qual o chefe da família se compromete a dar uma correta destinação ao benefício recebido.

Até maio de 2000, eram atendidas pelo programa 1.604 famílias. Há dois valores de benefício, em função do número de filhos. Transfere-se ½ salário mínimo para famílias com apenas um filho em idade escolar e um salário mínimo para famílias com dois ou mais filhos matriculados e frequentando a escola. O benefício tem duração de um ano, podendo ser renovado por mais um após uma reavaliação da situação socioeconômica da família beneficiária. Até o presente momento, no entanto, o prazo de permanência tem sido automaticamente prorrogado, sem prejuízo de nenhuma família. O pagamento da bolsa só é suspenso, de fato, caso um ou mais filhos apresentem frequência mensal à escola inferior a 90%. Se a frequência for normalizada, o pagamento é restabelecido. O pagamento é sempre feito nominalmente à mãe, seja nas famílias monoparentais femininas, seja nas famílias nucleares, como forma de assegurar uma alocação mais eficiente do recurso.

Os recursos empenhados no Programa têm origem no orçamento municipal. O gasto anual com o benefício é estimado em cerca de R$1,7 milhão anuais ou US$933 mil em 1999. Isso representa tão-somente 0,3% do orçamento municipal executado. Não há teto orçamentário estipulado por lei para gastos com o Programa, praxe na maioria das prefeituras (onde tal limite é a forma de evitar o aumento exponencial do gasto social municipal diante de uma demanda potencial muito elevada).

Todavia, a experiência deu-se no ensino fundamental. Permanecem sem auxílio o ensino médio e o ensino superior.

Uma sociedade, que se propõe moderna e que encontra na educação o meio para a formação de cidadãos plenos, não poderá se furtar a garantia de meios

institucionais diante da desigualdade, possibilitando ao jovem a instrução em todos os níveis de ensino (fundamental, médio, superior de graduação, de pós, de especialização e de extensão).