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2.2. BÜYÜK SELÇUKLU DEVLETİ’NDE MEZHEPLER

2.2.1. Büyük Selçuklu Devleti’nin Sünni Siyaseti

Quando fala se sobre a dignidade da pessoa humana deve se ter em mente que desde os tempos mais remotos já havia textos sobre o assunto.

Na visão de Ingo Wolfgang Sarlet143,

“que bis textos bíblicos - o Antigo e o Novo Testamento - encontram-se referências de que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, o que lhe confere um valor próprio e intrínseco que resulta no impedimento de ser transformado em mero objeto ou ser instrumentalizado. O Cristianismo, por certo, serviu e até hoje tem como pressuposto espiritual o reconhecimento e construção de um conceito e de uma garantia jurídico- constitucional da dignidade da pessoa humana.”

143 SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na Constituição

E ainda em termos de antiguidade, mas, agora volvendo ao ocidente, Peces- Barba144 se vale da peça de Sófocles (Antígona), para extrair daí ideias sobre a

dignidade que considera similares àquelas já encontradas no Oriente, embora, segundo ele, ainda mais desenvolvidas. Para o professor madrileno, na Grécia do século de Péricles, reaparece a ideia de superioridade do homem (“de nuevo el

hombre centro del mundo”), mas também a temática de comunicação e da

linguagem, assim como da criatividade como capacidade para argumentar e impulsionar a arte e a literatura - elementos integrantes da dignidade humana.145

Ainda no esteio do ideário grego, Peces-Barba reconhece a primeira feição da ideia de que toda dignidade está no pensamento humano; no Teeteto, diálogo travado entre Platão e Sócrates, este acaba por concluir que a inteligência se completa com a educação, porque a finalidade da vida é o desenvolvimento do conhecimento do bem. Assim, através da educação determinados tipos de homens, os filósofos, se aproximam da “divindade” que os converte em justos e piedosos com o apoio da razão. Peces-Barba citando Jaeger na “Paidéia” diz: “La cultura en

sentido socrático se convierte en la aspirassem a uma ordenassem filosófica consciente de la vida, que se propone como meta cumplir el destino espiritual y moral del hombre...”146

144 MARTÍNEZ, Gregorio Peces-Barba. La dignidade de la persona desde la filosofia del derecho. 2

ed. Madrid: Dykinson, 2003.

145 Sobre Antígona, achamos oportuno explicitar que o tema principal trata do choque do direito

natural (o direito de enterrar seus mortos, ato sagrado para os gregos) e o direito positivo (proibição de Creonte, o governante de que se enterrasse Polinices), debate questões fundamentais para o espírito humano, principalmente a do limite da autoridade do Estado sobre a consciência individual, e a do conflito entre as leis da consciência - não escritas - e o direito positivo. Antígona, Polinices, Etéocles e Ismene são irmãos, filho de Édipo e Jocasta, e sobrinhos de Creonte (irmão de Jocasta). Após a morte de Édipo, que cegou os próprios olhos quando descobriu sua desgraça (matou o pai e casou-se com a própria mãe, Jocasta - Édipo Rei e Édipo em Colono), Etéocles e Polinices disputando a sucessão do trono de Tebas matam um ao outro. O tio, Creonte, sendo o único homem da família assume o trono, ordenando funerais de herói para Etéocles e proibindo o sepultamento de Polinices sob pena de morte para quem o tentasse. Ocorre que para os gregos enterrar os mortos e fazer as libações era dever sagrado, e o não sepultamento significaria uma grave desonra (“as aves carniceiras hão de banquetear-se no cadáver insepulto”). Antígona desafia a ordem do governante e enterra o irmão Polinices. Creonte descobrindo o feito manda matar Antígona, noiva de seu próprio filho Hêmon, o que o leva ao suicídio, castigando assim o próprio Creonte. (SÓFOCLES. A trilogia

tebana: Édipo Rei, Édipo em Colono, Antígona; trad. do grego, introd, e notas de Mário da Gama

Kury. 9 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001).

No pensamento filosófico e político da antiguidade Clássica, a ideia de dignidade (digitas), quanto ao aspecto externo, não era enfatizada como algo dependente da divindade, mas apoiada em referente de caráter mais mundano e hierarquizado. Era possível assim falar-se em uma quantificação e uma modulação da dignidade no sentido de se admitir a existência de pessoas mais dignas e menos dignas, em razão da posição social ocupada pelo indivíduo e o seu grau de reconhecimento pelos demais membros da comunidade.147

A dignidade humana somente com a passagem para a modernidade que começa a ganhar novo embasamento filosófico.

De Thomasius, diz Peces-Barba que aquele autor, em sua obra “Fundamentos de Derecho Natural y de Gentes” de 1705, analisa, pormenorizadamente, a condição humana - o homem, composto de corpo e alma, que se distingue dos animais, e que tem inteligência, capacidade de querer e compreender suas ações, e inclusive de reprovar os resultados destas, discernindo, ainda, o que seria o verdadeiro bem, e sem precisar, para tanto, fazê-lo à luz da realização da concepção da Igreja ou da confissão religiosa.148 Nesse mesmo tom,

Peces-Barba, cita passagens de Burlamaqui e Wolf, afirmando que estes, a todo momento em suas reflexões sobre o Direito Natural (na tradição do humanismo do século XVI), cuidam do conteúdo da dignidade humana, mesmo não o fazendo expressamente. É o que se verifica, por exemplo, em Wolff, quando este diz ser da condição humana (do “hombre moral”) a faculdade natural de assumir, livremente, obrigações e direitos - e que existindo uma natureza e essência comum a todos os homens, todo direito natural é universal, e “todos os hombres son moralmente

iguales”, afirmações que condizem com o conteúdo da dignidade humana.149

147 SARLET, Ingo Wolfgang. Op. cit, p. 30.

148 MARTÍNEZ, Gregorio Peces-Barba. Op. cit, p. 42.

149 WOLFF, Chistian. Princípios du Droit de la nature et des gens. Edicion de Amsterdam (1758) por el

Centre de Philosophie polemique et iuridique, Caen 1988, p. 7 apud MARTÍNEZ, Peces-Barba Gregorio. Op. cit, pp. 43-44.

Os ensinamentos de Fábio Konder Comparato, contido no seu prestigiado texto, “Fundamento dos Direitos Humanos”.150 Neste trabalho, Comparato,

dissertando sobre a dignidade da pessoa humana, afirma que para definir a especificidade ontológica do ser humano, sobre a qual fundar a sua dignidade, a antropologia filosófica vem aos poucos estabelecendo um largo consenso sobre algumas características próprias do homem, que são: a liberdade, a autoconsciência, a sociabilidade, a historicidade e a unicidade existencial do ser humano.151

As características da pessoa humana, apresentadas pelo autor, adota-se a liberdade e a sociabilidade, e a estas acrescenta-se a igualdade e a eticidade.

Na verdade, considera-se as referidas características da pessoa humana como atributos ou dimensões da dignidade, na linha do conceito desta. A lesão e a degradação da liberdade, da igualdade, da sociabilidade e da eticidade nas relações de consumo se traduzem em violação da dignidade. Mas, em contrapartida, o conteúdo e a aplicação da legislação protecionista, enfeixada no texto do Código de Defesa do Consumidor asseguram o respeito aos direitos e princípios constitucionais da liberdade, igualdade, sociabilidade e eticidade do consumidor e, por conseguinte, comprovará o objeto de nossa investigação: a concretização e garantia da dignidade da pessoa humana no âmbito do conteúdo e aplicação do Estatuto Consumerista.

A questão da liberdade é fundamental no que diz respeito à autonomia e autodeterminação do consumidor. Tanto no sentido de liberdade negativa (não interferência, direito à diferença, à intimidade), como de liberdade em seu sentido positivo (afirmação de sua personalidade, participação). Sobre estas dimensões da liberdade, o professor Tércio Sampaio Ferraz Júnior leciona:

150 COMPARATO, Fábio Konder. Fundamento dos direitos humanos. In: MARCÍLIO, Maria Luiza;

PUSSOLI, Lafaiete (Coord.). Cultura dos direitos humanos. São Paulo: LTR, 1998, pp. 51-74, (Coleção Instituto Jacques Maritain).

“O valor liberdade integra a personalidade como seu contorno essencial, de início no sentido positivo da criatividade, de expansão do próprio ser da pessoa, de capacidade de inovar e, em seguida, num sentido de não ser impedido; no sentido positivo, a liberdade tem relação com a realizabilidade do homem, com sua participação na construção política, social, econômica e cultural da sociedade; no sentido negativo, refere-se à autodeterminação do homem, à possibilidade de ser diverso, de não submeter-se à vontade dos outros.”152

A igualdade também é essência da dignidade do homem na sua condição de consumidor, ou cidadão-consumidor153

A sociabilidade é mais um atributo primordial da dignidade, para Kant, a ideia de universalidade (a humanidade em cada homem), e do princípio da finalidade, ou seja, se cada sujeito é um fim em si mesmo, os seus fins devem ser também os meus, para que a dignidade de todos seja possível. No direito, a sociabilidade fraterna, justa e solidária, a que aludem o preâmbulo e artigo 3º, inciso I, da Constituição Federal de 1988. Nas relações de consumo, podemos vislumbrar a presença da ideia de sociabilidade na ampliação do conceito de consumidor, no instituto da solidariedade, quanto à ampliação da proteção em relação aos fornecedores, entre outros direitos.154

152 FERRAZ JR., Tércio Sampaio. Direito e cidadania na Constituição Federal. Disponível em:

http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoes-cientificas/21. Acesso em : 12 mar. 2009.

153 Novamente, Tércio Sampaio Ferraz Jr., “Na tradição constitucionalista liberal ela é inicialmente

igualdade jurídica, isto é, perante a lei, o que postula uma desigualdade de fato, decorrente das diferentes aptidões pessoais; sua força axiológica aponta, porém, na esteira das revoluções modernas, para uma neutralização de certas desigualdades culturais e normativas, como a fundada em discriminações religiosas e políticas; no correr do século XIX neutraliza-se a desigualdade quanto ao trabalho; já no século XX, os movimentos em favor da liberação da mulher exigem a neutralização de desigualdades decorrentes do sexo; a derrocada do nazismo levou a importância da neutralização das desigualdades raciais (Ferreira Filho, 1975, v. 3:80; 1984:73). O texto da Constituição de 1988, pelo conjunto de normas que prescrevem qualquer tipo de discriminação, pelo enunciado superlativo do caput do artigo 5º: “todos são iguais perante a lei”, garantindo-se, entre outros, “o direito à igualdade””.

154 Sobre o ponto, afirma Ingo Sarlet: “Por outro lado, pelo fato de a dignidade da pessoa encontrar-

se ligada à condição humana de cada indivíduo, não há como descartar uma necessária dimensão comunitária (ou social) desta mesma dignidade de cada pessoa e de todas as pessoas, justamente por serem todos iguais em dignidade e direitos (...) e pela circunstância de nesta condição conviverem em determinada comunidade ou grupo. O próprio Kant - ao menos assim, parece - sempre afirmou (ou pelo menos, sugeriu) o caráter intersubjetivo e relacional da dignidade da pessoa humana, sublinhando inclusive a existência de um dever de respeito no âmbito da comunidade dos seres humanos (...) Neste mesmo contexto, assume relevo a lição de Perez Luno, que, na esteira de Werner Maihofer e, de certa forma, também retomando a noção kantiana, sustenta uma dimensão intersubjetiva da dignidade, partindo da situação básica do ser humano em sua relação com os demais (do ser com os outros), ao invés de fazê-lo em função do homem singular, limitado a sua

Torna-se mais concreta a exposição e demonstração do direito protecionista como instrumento garantidor e concretizador da dignidade, considerando que tais atributos que lhes são inerentes, condensam os aspectos mais comuns das lesões ao consumidor.