As propostas pedagógicas de orientação humanistas têm como premissa acolher o aluno, respeitando a sua singularidade e reconhecendo as suas necessidades e particularidades. Mas, se as estratégias pedagógicas tomam cada vez mais por base a singularidade do estudante, seriam esperadas condições para atender ao aluno individualmente e ensinar coletivamente15.
Eu tento ajudar no que dá para ajudar: estimulando a leitura, estimulando a escrita, exigindo apresentação de trabalhos em eventos para que eles peguem o ritmo e passem a escrever melhor. Mas, tem limitações que não dependem de mim. E5
Em relação a esse aspecto, a fala do professor traz elementos para a reflexão sobre o acesso à educação superior. Frequentemente o professor se depara com dificuldades inerentes ao nivelamento dos alunos, em especial nas turmas iniciais. Conteúdos básicos como ortografia, leitura e compreensão de textos que se espera do aluno traga do ensino médio se constituem como empecilhos para o exercício de suas atividades. Para tanto, o professor busca estratégias de dedicação individual ao aluno, mas, muitas vezes não encontra incentivos nem condições para superar essas limitações.
CONCLUSÕES
O sofrimento pode existir entre o ser humano e a organização do trabalho quando não são possíveis a negociação e as invenções do trabalhador sobre seu labor na tentativa de adaptá-lo às suas necessidades. Quando são estreitas as margens para a adaptação desejada, é possível a eclosão de um sofrimento mental, tornando o indivíduo fragilizado e mais susceptível ao adoecimento.
As Estratégias Defensivas surgem com caráter protetor e adaptativo, porém, podem impedir o trabalhador de reconhecer o que o faz sofrer.
Como possíveis limitações do estudo, aponta-se para o fato do sofrimento no trabalho e as construções das estratégias de enfrentamento de barreiras no ambiente de trabalho de professores passam a ser um objeto de estudo abstrato e influenciável pelo tempo, pelo espaço e pelas características pessoais de cada trabalhador.
Há necessidade de se analisar os resultados em sua singularidade considerando seu aspecto dialógico que representa o que em um dado momento aquilo que faz sofrer pode se transformar como fonte de prazer e vice, versa.
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante da análise por meio da Psicodinâmica do Trabalho e dos resultados apresentados, tornam-se evidentes que não apenas o sofrimento, mas também o prazer origina-se de uma dinâmica interna de situações e da organização do trabalho.
O estudo realizado, por um lado, reafirma a dinâmica dos processos psíquicos e, por outro, o valor social que confere ser humano o poder de desenvolver-se como trabalhador. Contudo, o prazer-sofrimento não são excludentes, confirmando o aspecto dialético do constructo apresentado na teoria, ainda que para esta organização possa haver, ao menos aparentemente, um significativo o predomínio do prazer em relação ao sofrimento.
As falas dos docentes demonstram certa preocupação não somente com as questões inerentes ao processo de ensino-aprendizagem em saúde e a formação do aluno enfermeiro. Estes trabalhadores deparam-se com uma lógica produtivista em que seu trabalho passa a ver avaliado quantitativamente.
Alunos, que dentro de uma instituição privada são na verdade clientes, exigem resultados; a instituição de ensino privada, enquadra-se como uma empresa dentro de um mercado cada vez mais competitivo.
É nesse contexto que o docente se insere silenciosamente, submetendo-se a situações laborais com o intuito de ser reconhecido, ser aceito. O trabalhador, muitas vezes, tende a levar atividades acadêmicas para o ambiente extra laboral, naturalizando a realidade da invasão do seu tempo privado para o trabalho.
Entretanto, ao serem questionados, esses trabalhadores encaram com satisfação as atividades com os alunos e a população, expressando uma aparente satisfação e gratificação somente por estar exercendo o ofício que se realiza.
Quando os trabalhadores encontram motivação, realização profissional, maleabilidade no trabalho e convivência com colegas de trabalho positiva, encontra também a realização profissional e pessoal com o trabalho.
O problema do medo no trabalho aliado ao produtivismo, ao autoritarismo hierárquico, a instabilidade de emprego e ameaça de demissão no contexto institucional limitariam o prazer na vida docente. Estes elementos quando não trabalhados poderiam provocar o sofrimento cumulativo e problemas de saúde nos trabalhadores pesquisados.
Em contraponto, tais questões poderiam ser amenizadas com incorporação de movimentos menos lineares na gestão organizacional, estimulando a participação coletiva e o diálogo. A remuneração, o reconhecimento no trabalho, bem como sua autonomia e liberdade seria outro elemento primordial nesta construção. Sua permanência ou ausência é fundamental na transformação do sofrimento, gerado pelo trabalho, em prazer.
O sofrimento pode existir entre o ser humano e a organização do trabalho quando não são possíveis a negociação e as invenções do trabalhador sobre seu labor na tentativa de adaptá-lo às suas necessidades. Quando são estreitas as margens para a adaptação desejada, é possível a eclosão de um sofrimento mental, tornando o individuo fragilizado e mais susceptível ao adoecimento.
As Estratégias Defensivas surgem com caráter protetor e adaptativo, porém, pode impedir o trabalhador de reconhecer o que o faz sofrer. Negar a realidade pode ser uma das estratégias mais comumente encontradas por esses trabalhadores ao se depararem com esta difícil realidade.
Os modos de enfrentamento produzidos pelos trabalhadores apontam para a perspectiva de resistência e lutas entre poderes de conservação e de mudança, independentemente da existência ou não do adoecimento psíquico.
Como possíveis limitações do estudo, aponta-se para o fato do prazer-sofrimento no trabalho ser um objeto de estudo abstrato e influenciável pelo tempo, pelo espaço e pelas características pessoais de cada trabalhador, o que remete à necessidade de se considerar os resultados, em sua singularidade, uma vez que retratam uma dada realidade. Seu aspecto dialógico representa que o que num dado momento aquilo que o faz sofrer pode se transformar como fonte de prazer e vice, versa.
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