NEVŞEHİRLİ ÇELEBİ-ZÂDE MEHMED EFENDİ VE İLMÜ'L-ME’ÂNÎ İSİMLİ ESERİ
ÇELEBİ-ZÂDE MEHMED EFENDİ HAYATI-ESERLERİ
2. İLMÜ’L-ME’ÂNÎ HAKKINDA 1 Biçim Özellikler
2.2. Muhtevâ Özellikler
Arquitetura e Teorias. São Paulo: Nobel, 1986. Segundo esse autor, o termo
vernacular é oriundo do latim vernae, que era utilizado para identificar a linguagem vulgar no Império Romano. Por extensão, ele foi adaptado e adotado na arquitetura, com este mesmo significado. E é justamente por essa arquitetura ser considerada “vulgar” que ela é chamada de “vernacular,” lhe conferindo um caráter um tanto quanto pejorativo que não corresponde, de fato, à realidade.
21 RAMOS, Arthur. The Negro in Brazil. Trans. Richard Pattee. Washington DC: The Associated Publishers Inc., 1951. p. 180.
Mucambo.23 A contradição é apenas aparente, uma vez que ambas
as etnias contribuíram substancialmente para esse tipo de habita- ção vernácula. Freyre resumiu as três principais influências culturais encontradas no Mucambo: “Nas suas diferenças de técnica de cons- trução se exprime a preponderância, ora da cultura indígena, ora da africana, sendo certo que persiste também influência da choupana portuguesa”.24
Para Freyre, a palavra “Mucambo” é de origem africana, e significa esconderijo. Isso explica porque Mucambo era também sinônimo de “quilombo”, ou pequenos assentamentos de escravos fugitivos no Brasil colonial. Weymer discorda dessa afirmação. Para ele, a palavra é um termo quimbundo e significa “cumeeira”.25 Seja
como for, é evidente a preponderância da arquitetura africana em suas origens. Como a técnica construtiva era simples e os mate- riais de construção acessíveis, o Mucambo foi o tipo de casa usada pelos Bandeirantes em suas jornadas pelo interior, no século XVIII. Através da história, o Mucambo sofreu poucas modificações, tor- nando-se assim uma grande testemunha da força da tradição na sociedade brasileira. As mudanças mais significativas só começaram a ocorrer no século XX.
Apesar da grande variação nos tipos de habitação vernacular no Brasil, não seria exagero considerar o Mucambo o “tipo de habi- tação nacional” para a população de baixa renda no país. O seu uso é frequente em todo território nacional. O alto índice de migração da população nordestina explica, em parte, esse fenômeno. Sabe-se que migrações do Nordeste em direção a outras regiões do país têm sido significantes, especialmente no século XX, e isso contribui para o seu uso em nível nacional. Por trás de muitas casas humildes das periferias urbanas se escondem muitos Mucambos, travestidos com
23 SMITH, T. Lynn. Brazil: People and Institutions. 4. ed. Baton Rouge: Louisiana University Press, 1972. p. 16.
24 FREYRE, Gilberto. Mucambos do Nordeste. Rio de Janeiro: Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 1937. p. 21.
ornatos e outros elementos, especialmente nas fachadas, que não são suficientemente fortes para negar a sua origem rural.
Há algumas variações básicas no Mucambo. Freyre iden- tificou quatro tipos diferentes no Nordeste do Brasil, classificados de acordo com os materiais de construção empregados, em particu- lar a árvore utilizada na sua construção, que serve como elemento de distinção entre eles: Carnaúba, Burity, Barriguda e o Coqueiro Indiano, no litoral. O tipo mais comum, no entanto, é o feito de terra ou argila, com a cobertura de palha, capim assu ou zinco, geral- mente conhecido como a casa de barro.
Pierson, embora se referindo às casas construídas no sul do Brasil, descreveu detalhadamente a técnica construtiva do pau a pique, utilizada nos Mucambos de barro.
Uma casa de pau a pique é construída com terra umede- cida, lançada sobre uma estrutura de madeira. Quatro fortes paus são colocados verticalmente sobre o terreno estabelecendo os cantos da edificação, e quatro outros são então colocados horizontalmente a fim de conectá-los entre si. Cipó, ou mais frequentemente, nos últimos anos, pregos são usados para amarrar os paus. Dois outros paus mais longos são em seguida colocados no centro, tanto na fachada como no lado dos fundos e, sobre eles, é colocada a cumeeira. Paralelo aos paus na vertical, paus menores são colocados em todo o perímetro da casa, preenchendo todos os espaços. Estes paus menores não são fincados no chão, mas apenas suportados por ele. Em ângulos retos com esta estrutura vertical de madeira, longas varas são amarra- das, em pequenos intervalos, com cipó, tanto pelo lado de dentro como de fora. Nos locais onde deverá haver uma porta ou janela, o espaço é deixado aberto. Da cumeeira, varas são então colocadas em ângulo reto com aquela, e em seguida cobertas com palha de sapé‚ ou telha [...] uma pequena escavação é feita no chão próximo à estrutura, na qual se mistura barro e água formando uma massa densa que é posteriormente lançada na estrutura por dentro e por fora, após o que ela é deixada para secar. As paredes da maioria das casas são cobertas com reboco, uma massa feita de cal, barro e água. Algumas recebem pintura a cal, em amarelo claro ou branco, principalmente na fachada.
Se isto não for feito, a terra seca de pau a pique se estragará aos poucos e se desprenderá, e em poucos anos a casa estará em considerável estado de deterioração.26
Em solo instável, constrói-se normalmente uma fundação com toda sorte de material, antes de se levantar as paredes. O piso é frequentemente de terra socada ou batida. A cobertura é geralmente em duas águas, e os materiais usados podem ser sapé palha, folha de palmeira ou mesmo telhas. Não há teto nem chaminé. As casas são frequentemente construídas em mutirão.
Figura 1 – Plantas típicas do Mucambo. As de n° 1, 3 e 4 estão de acordo com FREYRE, 1937. A de n° 2 é uma conclusão do autor a partir de
levantamentos em alguns Mucambos rurais
26 PIERSON, Donald. Cruz das Almas: A Brazilian Village. Pub. n. 12. Smith Sonian Institution. Institut of Social Anthropology. Wesport, Connecticut: Greenwood Press, 1973. p. 42-43.
Quanto à planta, as casas são também bastante simples:
A planta desta habitação é geralmente retangular, de dimen- sões acanhadas, com mais frente do que fundos. Tem como cômodos básicos a sala, o quarto e a cozinha, podendo, vez ou outra conter mais um quarto. No Nordeste, é comum o puxado, dependência que acompanha a parte traseira da habitação, onde se situa a cozinha construída com varas de madeira e palha. Este puxado dá um aspecto irregular ao telhado. Banheiros não existem. os banhos são tomados em bacias na cozinha, ou em algum rio. Para as dejeções, o mais comum é o uso do mato. Às vezes se encontra, à certa distância da moradia, uma pequena construção de quatro paredes de pau a pique, barro ou mesmo palha, com asso- alhos de tábuas aberto para um coletor de dejetos (fossa) ou um lugar menor ainda, para banho de cuia ou de lata.27
Não se deve esquecer ainda o roçado, situado geralmente no quintal da casa. O roçado tem importância fundamental, pois representa o lugar de produção, determinando, inclusive, uma série de padrões de comportamento dentro da estrutura familiar. A casa, por sua vez, representa o lugar de consumo.28
Alguns Mucambos podem ter grandes dimensões. A litera- tura sobre o assunto atesta, no entanto, as suas dimensões bastante acanhadas. O estudo feito por Leonard no Estado de Pernambuco pode certamente nos dar uma ideia aproximada dessas dimensões. Após estudar cerca de l12 casas em três sub-regiões diferentes do estado, ele concluiu que “em cada uma dessas regiões, as casas mediam geralmente 5 metros de largura por 8 de comprimento, não importando o número de pessoas que compunham a família”.29 A
área construída seria então de 40 m2. Essas medidas não são, natural-
mente, constantes e imutáveis por toda a região Nordeste. Contudo,