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Figura 7 Prédio da Câmara Municipal de Mariana

Foto: Lincon Zarbietti. 30 jan. 2012. Todos os direitos reservados.

Os aspectos construtivos e a localização da Casa de Câmara e Cadeia de Mariana são capazes que comprovar a importância e a atenção que a instituição recebeu na época da sua construção.

A construção se deu no espaço, até então, ocupado pelo Quartel dos Dragões. Segundo Fonseca (1998, p.37) o quartel foi criado por ordenação do Rei em 1711, teve sua construção iniciada em 1719 e funcionou até 1744. O quartel já estava desativado e fora construído ali justamente pela localização privilegiada e vista para o Ribeirão do Carmo, no intuito de controlar a atividade mineradora e vigiar a vida das pessoas.

O local escolhido era considerado nobre e digno de receber a construção de uma Casa de Câmara e Cadeia, sendo um dos pedaços de terra mais valiosos na época,

devido a sua localização física. Estava próximo à Igreja Matriz e, consequentemente, à Rua Direita. Ladeada por duas outras igrejas que começavam a ser construídas – as igrejas de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco de Assis. Próximo também à moradia do Conde de Assumar, que havia sido construída por volta de 1715, nos fundos da Igreja Matriz. Inserido no espaço urbano escolhido para a nova expansão da vila, alvo do traço planejado por Alpoim, na parte alta da cidade, livre das enchentes e inundações que ocorriam no Ribeirão do Carmo.

Como observou Murillo Marx (apud FONSECA, 1998, p. 30 e 31) a conformação dos núcleos coloniais em Minas Gerais se deve além das leis do poder civil, às leis da Igreja. Na transcrição feita por ele da constituição de número 687 das “Constituições Primeyras do Arcebispado da Bahia” determinava que: “... as igrejas se devem fundar, e edificar, em lugares decentes, e acommodados, pelo que mandamos, que havendo-se de se edificar de novo alguma Igreja Parochial em nosso Arcebispado, se edifique em sitio alto, e lugar decente, livre de humidade, e desviado, quando for possível, de lugares immundos, e sórdidos...”. Fato esse que comprova a relevância do terreno escolhido para a construção das Igrejas das Ordens Terceiras do Carmo e do São Francisco. Logo, podemos concluir que a Câmara, construída também na mesma região das igrejas teve um local de destaque escolhido para a sua construção.

Figura 8 Vista panorâmica da Praça Minas Gerais

Foto: Lincon Zarbietti. 30 jan. 2012. Todos os direitos reservados.

O risco da Câmara coube a José Pereira dos Santos e a arrematação da obra ficou para José Pereira Arouca. Segundo Mello (apud FONSECA, 1998, p.183), Arouca foi “um dos melhores e mais poderosos empreiteiros dos setecentos nas principais vilas do ouro”; em Mariana ele executou e administrou várias obras relevantes como igrejas, pontes, chafarizes, paredões, estradas e calçadas.

Ao nos depararmos com o prédio, o estilo da sua construção já aponta sinais de nobreza. A Câmara de Mariana, assim como a Câmara de Ouro Preto, Goiás, entre outras segue os moldes das construções de Portugal.

A escadaria também tem uma forte simbologia:

A escada da Câmara de Mariana, tem cinco lanços, dos quais um é perpendicular, e quatro são paralelos à fachada, dois a dois. Seu maio r desenvolvimento e largueza permitiram -lhe possuir amplos patamares -de- volta. O tradicional uso de tribuna – que a tais escadas se dava, faz com que se compreenda melhor a expressão teatral da escada marianense. Há nela um sentido hierárquico. A expressão cenográfica é acentuada pela herálica portada que a coroa e lhe faz fundo. Seus degraus são todos feitos de pedra de Passagem e os dos quatro lanços de cima são inteiros e os mais o maior que pôde ser. Têm “moldura de bocel com seu redondo e filete e meia cana, e bem repartido e proporcionado a seu molde”.(...) “sua volta de dentro (foi) feita de tijolos e cal, e tudo o mais maciço de pedra e cal”. (BARRETO, 1949, p. 95)

Barreto (1949, p. 100) faz ainda referencia às portas “para a existente Casa de Câmara e Cadeia de Mariana, suas “condiçõens” determinam portas “de almofada de sobreposto ou uivaziadas” e, ainda, as portas de suas comuas “lizas e de chanfro”.

Naquela época as telhas também eram sinal de nobreza da construção. Barreto (1949, p. 86) ressalta que “Em 1551, Luis Dias informa a El-rei que fizera, em Salvador, Casa de Câmara e Cadeia, Casa de Fazenda, armazéns e ferrarias, todas com „telhados com telha‟”

O uso das telhas na construção da Câmara de Mariana pode ser comprovado no documento do Termo de Arrematação da obra:

“(...) o quinto [pagamento] lhe seria feito da quantia de cinco mil cruzados no fim do mez de dezembro de sette centos e oitenta e seis, depois de estar immadeirado de todo o madeiramento o telhado e coberto por telhas (...). (FONSECA, 1998, p. 187)

O telhado, o material para a sua construção são motivo de preocupação e recomendações:

Figura 9 Detalhe do frontispício da Câmara com o símbolo da Coroa Portugue sa Foto: Lincon Zarbietti. 30 jan. 2012. Todos os direitos reservados.

(...) será todo o madeiramento do telhado de copiara e comieira com as thezouras necessárias para a segurança da mesma obra, levará terças por todos os quatro lados... e levará este madeiramento os precizos pontaletes e escoras para a sua segurança e serão todas as madeiras de lei. (grifo nosso) (BARRETO, 1949, p. 84)

Ressaltamos que a Câmara de Mariana foi construída, baseada nas proporções áureas.

O auto de arrematação da Casa de Mariana (1782) refere -se a janelas de seis palmos de largo por nove de alto; a janela de cinco palmos e três quartos, quer de altura quer de largura. As portas de entrada para o terreiro tinham 6 palmos de largo por 12 de alto, e a porta do Passo 8 palmos de largo por 16 de alto. (BARRETO, 1949, p. 133)

O autor diz ainda que:

Predomina também a forma do quadrado ou, então, a dos retângulos por ele gerados. (...) Retangular é a planta da Câmara de Mariana: duplo quadrado. O módulo geométrico é o quadrado, originando muitas vezes “retângulos dinâmicos”, isto é, retângulos de “proporções irracionais” (...). Essas figuras encontramo-las ordenando ritmos através de “diagramas abstratos”. Citando apenas as Casas de Câmara de Marian a e Ouro Preto poderemos dizer terem sido comoduladas segundo a “divina proporção”. (BARRETO, 1949, p. 231)

Figura 10 Demonstração da proporção áurea no prédio da Câmara de Mariana Fonte: BARRETO, 1949, p. 231