2.1. Muhasebe Ve Muhasebe Mesleği
2.1.2. Muhasebe Mesleği
2.1.2.2. Dünya’da Muhasebe Mesleğinin Tarihsel Gelişimi
O reconhecimento em tombar o edifício da Casa de Câmara e Cadeia de Mariana é outra prova da importância deste bem.
A origem da palavra tombamento está relacionada à história portuguesa e significa inventariar, arrolar ou inscrever nos arquivos do TOMBO, designação dada a uma das torres da muralha que cercava Lisboa na Idade Média, tendo esta torre a função de guardar os documentos. O rito do tombamento repete a ideia do significado da palavra: inscrever bens inestimáveis de natureza cultural e de caráter exemplar em livros do tombo dando a eles uma condição social especial.
O Decreto-Lei n° 25, de 30 de novembro de 1937 trata dos quatro Livros do Tombo, sendo eles:
1) no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, as coisas pertencentes às categorias de arte arqueológica, etnográfica, ameríndica e popular (...);
2) no Livro do Tombo Histórico, as coisas de interesse histórico e as obras de arte histórica;
3) no Livro do Tombo das Belas Artes, as coisas de arte erudita, nacional ou estrangeira;
4) no Livro do Tombo das Artes Aplicadas, as obras que se incluírem na categoria de artes aplicadas, nacionais ou estrangeiras.
Sendo assim, podemos afirmar que tombar significa que o bem tem o reconhecimento da instituição responsável pela preservação histórica e artística brasileira, sendo digno de preservação.
A partir do tombamento o bem está sujeito ao controle da instituição competente, portanto, para qualquer intenção de i ntervenções deve-se elaborar um projeto e submetê-lo à aprovação da instituição competente.
O papel desempenhado pela Câmara, no que tange a sua participação no desenvolvimento local é de suma importância.
As Câmaras municipais foram um locus de comunicação com a coroa, tendo, portanto um assinalado lugar nos quadros da governabilidade régia, por ter sido a base política sobre a qual se assentou a governação lusa. Não obstante, as Câmaras também se expressaram como canal privilegiado de formação das elites locais, compostas, sobretudo, como veremos adiante, de indivíduos que faziam parte da “melhor gente da terra”, homens que, sobretudo se empenharam no serviço real com vistas nos privilégios e distinções que daí poderiam obter. (BRANDÃO, 2009, p. 18 e 19)
As funções desenvolvidas pela Câmara tinham um reflexo direto no cotidiano da sociedade. Segundo Venâncio (1998, p. 139), entre 1711 e 1745, os trabalhos desenvolvidos pela Câmara podiam ser organizados em cinco grupos de naturezas distintas:
Econômica: fiscalização, transmissão e administração de heranças e bens
de menores de idade, efetuado pelo Juizado de Órfãos;
Judiciária: abertura de inquéritos, devassas e prisões de responsabilidade
do Juiz de Fora e seus subordinados;
Política: manutenção da ordem e divulgação de deliberações da coroa,
servindo também de intermediários entre poder local e metropolitano, efetuado pelo presidente do Senado da Câmara e oficiais (vereadores);
Fiscal-administrativa: cobrança de impostos, redação de atas e documentos
camarários relativos à fiscalidade, efetuado pelos Almotacés;
Assistencial: contratação de criadeiras para cuidar das crianças enjeitadas
até completarem sete anos de vida.
A importância da Câmara pode ainda ser comprovada pelo fato de seus ocupantes serem pessoas eleitas, conforme exigência do Reino que determinava ainda que o recrutamento dos camaristas fosse realizado entre os mais nobres senhores e donos de terras da localidade. Somente os ditos “homens bons” é que poderiam fazer parte do rol dos homens elegíveis. Ressaltamos que para a sociedade setecentista “homem bom” era:
Embora as Ordenações não trouxessem uma definição clara a este respeito, fica patente, pelo menos para o centro do Império e para algumas regiões periféricas já estudadas como Rio de Janeiro (C.f. FRAGOSO, 2001), por exemplo, que os principais elementos que afiançavam a “qualidade e posição social” destes homens se assentavam em sua ascendência familiar e/ou relação com os primeiros povoadores e conquistadores da terra, o estabelecimento de laços matrimoniais com pessoas de igual, ou melhor, “condição social”, ressalte-se ademais que no mundo colonial a “limpeza de mãos” - realização ou proximidade com o ofício mecânico - não se configurou de fato num impedimento ao cargo na Câmara. Além disto, as mercês também merecem destaque, ao passo que atribuíam títulos e privilégios àqueles que tivessem realizado algum feito em nome de “El Rei”, qualificando e distinguindo socialmente tais indivíduos. Também a posse de terras, escravos, patentes militares e títulos, para além da presença em postos da governança definiram os parâmetros mantenedores de um estado social proeminente.(BRANDÃO, 2009, p. 19)
Rocha (2010, p. 64) trata da indicação dos “homens bons” através das irmandades:
Instalada a paróquia, eram os vigários, por disposição canônica, obrigados a organizar a lista de seus jurisdicionados ou fregueses, isto é, quantos eram obrigados a satisfazer os deveres para com Deus. A sociedade civil confundia-se com a religiosa e essas listas serviam não só para a vigilância do clero como por elas se escolhiam os chamados “homens bons”, isto é abastados e de conduta supostamente regular, para a eleição das Câmaras.
Se a instituição Câmara tinha a sua importância, ser um membro dela não poderia ser diferente. Somente os homens bons podiam possuir cargos nessa instituição. Com isso, tanto a Câmara quanto um ocupante de um cargo camarista tinham sua
importância reafirmadas perante a sociedade. Tal comportamento reforçava ainda mais o status desses homens e a nobreza que a Câmara assim adquiria. Ser um camarista significava ser um representante do Rei.
Ser um oficial camarista significava além de possuir uma parcela do poder numa determinada esfera de atuação local, ter acesso a uma série de privilégios como não poder ser preso arbitrariamente ou torturado e acorrentado – salvo nos casos de crimes de demasiada traição; além da dispensa do serviço militar a não ser quando município estivesse sob ameaça e ainda ter garantido o recebimento de propinas e emolumentos do ofício. (Boxer, apud BRANDÃO, 2009, p. 19 e 20)
Percebe-se a importância dessa instituição, também, pelo papel desempenhado por seus funcionários. A Câmara tinha caráter que atualmente reconhecemos como legislativo, executivo e judiciário, além de ser um canal de comunicação entre os interesses locais e o “poder central”.
Assim como o ouvidor, o juiz de fora era um letrado designado diretamente pelo poder régio. Mariana, então Vila de Nossa Senhora do Carmo, contaria com a presença de juízes de fora desde 1731. (...) O juiz de fora é considerado pela historiografia como um representante direto do rei e da lei escrita, ao contrário do juiz ordinário, do qual não era exigida instrução jurídica. Guardadas as diferenças, ao juiz de fora e ao ordinário competia julgar casos civis e criminais em primeira instância, estabelecer inquéritos judiciais, instaurar devassas, conhecer crimes de injúria verbal, presidir e dar audiência pública nas câmaras. (ANTUNES, 2007, p.172)
Nas vilas, as Câmaras estabeleciam as regulamentações locais (posturas e regimentos), fiscalizavam as atividades comerciais e de abastecimento, promoviam festas públicas e religiosas, zelavam pela saúde da população, administravam os espaços públicos e os conflitos. (ANTUNES, 2007, p. 172 e 173)
Também ficava a cargo da Câmara o recolhimento do principal tributo cobrado pela Coroa, o quinto, reforçando ainda mais a importância da instituição e dos camaristas. Ressaltamos que a estrutura administrativa da Câmara estava diretamente ligada ao Rei assim como a forma de administrar.
A tarefa de governar era um esforço conjunto em que ministros e oficiais dos tribunais e conselhos atuavam com autonomia, mas sempre interligados e submetidos ao Rei cuja função de manutenção da harmonia, da paz e da segurança ia desenhando seu importante ofício de fazer justiça. (BRANDAO, 2009, p.14)
Durante o período colonial, a Câmara, juntamente com a Igreja, representava, no âmbito das vilas, as principais formas de representação de poder.