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2. MİMARİ TASARIM SÜRECİNİN BİR ALT SÜRECİ OLARAK DETAY

2.2 Mimari Detay Oluşturma

O programa A Rede em rede trouxe como concepção de profissional de educação infantil aquele que tenha competência para planejar a ação educativa pautado nas aprendizagens das crianças, considerando a proposta curricular para a rede paulistana.

Dos gestores era esperado que coordenassem a gestão dos processos formativos dos profissionais que atuam nas unidades de maneira autônoma e compartilhada, apoiados pela formação em rede oferecida pelo programa.

Dos professores, que conhecessem os processos de planejamento e as possibilidades de execução destes fazeres junto ao grupo de crianças sob sua responsabilidade, apoiados pela formação do programa e, especialmente, pelo coordenador pedagógico.

As imagens reveladas pelas gestoras indicam três características fundamentais que um competente profissional de educação infantil deve apresentar: entender a especificidade de ser o profissional que trabalha com a primeira infância; ter domínio dos saberes e do trabalho a ser desenvolvido junto às crianças e; estar aberto à adesão ao projeto coletivo do CEI/EMEI em que atua.

Um terço das gestoras entrevistadas revela que um dos problemas nas suas respectivas gestões é a resistência dos profissionais em aderir ao projeto educativo da unidade educacional que esteja pautado na aprendizagem das crianças.

A diretora da EMEI A declara que, ao chegar à unidade que dirige e ao deixar claro que “fez a opção de olhar para as crianças”, teve que “enfrentar a questão do corporativismo, o que não foi fácil”. A Diretora do CEI A afirma ser importante atentar para o fato de que se “você é funcionária de uma rede que tem uma proposta, um embasamento, tem algumas coisas que são próprias do seu trabalho e isso deve ser trabalhado com todos os profissionais”.

Ambas as diretoras apontam a dificuldade em lidar com as resistências que alguns profissionais apresentam quando se trata de aderir a uma proposta coletiva de trabalho. A diretora da EMEI A declara ainda que “não se conforma com uma unidade que funcione como o ‘quintal’ de nossa casa”, imagem complementada com a declaração da coordenadora da EMEI B que se diz inconformada quando algumas professoras, por questões religiosas, se recusavam a propor atividades de dança com as crianças. Ela afirma que, ao conversar com as professoras sobre essa questão, reiterou que “cada uma dentro da sua crença pode dançar ou não, mas enquanto formadora de crianças de quatro anos, a dança faz parte das aprendizagens... então as professoras têm que dançar”.

Os excertos das entrevistas acima citados indicam que esse profissional deve, na opinião das gestoras, entender o que se faz na educação infantil e os porquês desses fazeres e, deve sempre estar atento às necessidades da criança pequena, à ação do adulto como geradora de aprendizagens para as crianças e à necessária formação continuada para garantia do refinamento das suas práticas cotidianas. Nas palavras da coordenadora do CEI A, “na medida em que eu acredito naquela concepção, que venha fruto da formação, eu vou trabalhar junto. Agora se não acredito, não valido e se só estou ali para atender a um protocolo, então vou escutar [na formação] e vou descartar”.

O refinamento dessa concepção, indicado pelas gestoras sobre o trabalho com educação infantil e que ainda está em construção pelo profissional, revela quais são os conteúdos específicos a serem tratados para apoiar os fazeres desses profissionais, igualmente apontados pelas entrevistadas: compreender a organização dos tempos e espaços do CEI/EMEI compondo ambientes de aprendizagens, compreender as relações de cuidados que perpassam a educação das crianças nessa etapa da educação básica e saber lidar com os pais nas suas necessidades de compreender o trabalho realizado no CEI/EMEI. A coordenadora da EMEI A sintetiza essa concepção quando diz que “todo mundo, dentro das suas funções, tem que saber que se está atendendo uma criança pequena, com a especificidade de uma idade entre quatro e cinco anos, das necessidades e demandas que ela traz e isso é básico, portanto todo mundo tem que saber”.

Ao tratar especificamente do profissional gestor, é revelada nas entrevistas a imagem de um gestor que, ao mesmo tempo em que tenha a paciência para conversar, orientar e convencer os profissionais que não estão afinados com a proposta da unidade educacional para que dela se tornem adeptos, também faça os encaminhamentos necessários e que tome atitudes assertivas para que a proposta pedagógica da unidade se efetive. Essa ambivalência pode ser percebida quando as gestoras declaram que “o papel do gestor é estar próximo, atento e muitas vezes questionar o professor” (coordenadora do CEI B), mas ao mesmo tempo afirmam que “o parâmetro da escola são os gestores” (coordenadora do CEI A) ou que “o trabalho do gestor é de fundamental importância para que as coisas realmente aconteçam na escola [...] de tirar de cada um o que ele tem de melhor e, ao mesmo tempo, cutucar: olha, isso não está bom, você precisa melhorar”. É opinião unânime entre as gestoras entrevistadas que o papel do gestor é o de encaminhar, problematizar e mexer no que precisa ser reformulado.

Outra pauta recorrente no discurso das entrevistadas é o compartilhamento de experiências, na expectativa de superar a solidão da ação gestora. A necessidade indicada nas entrevistas, de que aprender com a experiência é uma característica importante de um bom

gestor, assume dois aspectos: aprender com a experiência dos outros gestores e aprender a partir da reflexão sobre própria experiência.

O primeiro aspecto, da ideia de compartilhar experiências com outros gestores para ampliar as competências de gestão da unidade educacional, aparece nos discursos da seguinte forma:

Trabalhei com a D... nessa época como coordenadora pedagógica. Eu como CP e ela como diretora, mas ela já tinha uma vivência, uma experiência muito maior. Já tinha anos de prefeitura e aprendi muito com ela. Foi muito bacana trabalhar com ela como gestora nessa época. (Diretora do CEI A)

Aí você começa a se definir: de quem você quer ficar perto? O que tem a ver com o seu discurso? Eu vim para essa região aqui e conheci pessoas que foram fundamentais em minha formação. Então você vai percebendo e fala: “aquele eu gosto ou, queria ser que nem aquele ali”. A gente vai agregando modelos, vai prestando atenção nos gestores, na maneira de gestar aqueles espaços, o que você concorda, o que você não concorda. Quando você vai para os embates, observa como se comportam os seus colegas nas diferentes situações. (Diretora da EMEI A) Eu considero que na prefeitura, como tem uma coordenadora pedagógica, tem uma diferença muito grande nessa formação, no trabalho mesmo. Eu tive a felicidade de ter na minha primeira coordenadora uma profissional que fez uma diferença, que me ajudou nesse olhar que passou do ensino fundamental para a educação infantil, de como os meus conhecimentos poderiam sim fazer parte do dia a dia das crianças. (Diretora da EMEI B)

Aprender a ser gestor observando a experiência de outros parceiros gestores coaduna com a ideia de que os saberes experienciais, como definidos por Tardif (2012, p. 38), “brotam da experiência e são por ela validados”. As gestoras parecem se preocupar com aspectos pertinentes a quais modelos de profissionais as inspiram para sua ação gestora cotidiana, bem como em aprender com aqueles que estão há mais tempo na função e, nesse sentido, segundo o mesmo autor (p. 46), “o docente é não apenas um prático, mas também um formador”. Dessa forma, entende-se por que as ações de formação que envolvem a tematização de prática e, consequentemente, a troca de experiências são avaliadas positivamente pelas gestoras.

O segundo aspecto que emerge das entrevistas é aquele da aprendizagem da função de gestor a partir da observação e reflexão sobre a própria prática. Nas palavras da coordenadora da EMEI A:

A experiência conta muito; a experiência de a gente estar ali na frente do trabalho, do dia a dia da escola; a gente já sabe muitas coisas e a formação nos sustenta. Eu acho que é muito importante e é isso que nos dá o conhecimento para avançar na escola, para ser um par avançado. (Coordenadora Pedagógica da EMEI A)

Ainda nessa perspectiva, a importância de aprender com a própria experiência é trazida também pela diretora da EMEI B, ao tecer considerações sobre o tempo em que

retornou para o cargo de professora, depois de ter permanecido como diretora designada por um curto período de nove meses:

Então voltei para a sala de aula e pude observar, das interferências que foram feitas quando eu estava na direção: o que permaneceu? O que não ficou? Isso serviu de aprendizagem para mim: aquilo que permaneceu, como foi construído? E aquilo que não ficou também, como foi construído? Então essa experiência me ajudou muito na minha formação como diretora. (Diretora de EMEI B)

A ideia de ser um par avançado de seu grupo de trabalho no exercício da ação gestora aparece na tangente de outras entrevistadas, mas é na declaração da coordenadora da EMEI A, transcrita acima, que essa responsabilidade que parece ter sido inculcada, principalmente, por meio do programa A Rede em rede, mas também por outras ações formativas da rede municipal como uma incumbência dos gestores, especialmente do coordenador pedagógico. Essa coordenadora, em especial, atribui à experiência com seu grupo de professores, no cotidiano de trabalho, algo a ser considerado fundante na sua ação profissional, aprimorada pelos processos de formação.

Também sobre a experiência, é na observação e reflexão sobre sua própria prática gestora que a diretora da EMEI B, no excerto da entrevista, declara ter se apoiado para ir se formando como diretora. Essa gestora também indica que a observação do trabalho de outros profissionais gestores foi objeto de reflexão que pode apoiar a sua constituição profissional, conforme já citado. Novamente são as concepções de Tardif (2012, p. 48) que apoiam o entendimento de como as gestoras significam os saberes da experiência na sua construção profissional, quando o autor aponta indicativos nas suas pesquisas de que “para os professores, os saberes adquiridos através da experiência profissional constituem os fundamentos de sua competência”. As gestoras entrevistadas não são inexperientes em suas respectivas funções, posto que estão no exercício do cargo que ocupam há pelo menos dez anos, logo, a partir da pesquisa e das conclusões de Tardif (2012) há que se considerar que a reflexão sobre a própria prática foi consolidando saberes profissionais nesse grupo de gestoras e que podem ser compreendidos por elas como compósitos de suas respectivas competências profissionais.

Ambas as gestoras, ao refletirem a partir da própria prática exercem o que Schön (1992, p. 83) denomina de “olhar retrospectivamente [...] pensar no que aconteceu, no que observou, no significado que lhe deu e na eventual adopção de outros sentidos”.

Outros dois aspectos da ação gestora que são identificados nas entrevistas por apenas uma gestora, mas serão aqui destacados: ser gestor é saber gerir os recursos, conforme afirma a coordenadora da EMEI A, trazendo à cena aquela imagem do gestor como provedor

responsável pela manutenção do CEI/EMEI, já abordada anteriormente e; ser gestor é uma opção de vida, de acordo com a declaração da diretora do CEI A. Embora afirmado por apenas uma das gestoras entrevistadas, à exceção de uma delas, as demais declararam que em dado momento da carreira, como diretoras ou coordenadoras, deixaram de acumular cargos em outras redes de ensino, dedicando-se exclusivamente à rede municipal. Importante ressaltar que apenas uma delas nunca trabalhou em duas funções públicas na condição de acúmulo de cargos. Parece ser uma opção de vida profissional que foi assumida por todas elas, embora não se possa afirmar ser esse o único motivo para que a maioria delas tenha optado pela exclusividade profissional de exercício da função de diretora ou coordenadora pedagógica da rede municipal paulistana.

Ao concluir a análise acerca da imagem de profissional de educação infantil manifestada pelas gestoras, pode-se depreender que as considerações das mesmas convergem com a concepção de profissional preconizada pelo programa A Rede em rede.

Permanecem os mesmos dilemas que foram observados quando da análise da categoria gestão: um bom gestor tem que ouvir e perseverar no processo de formação de seus profissionais em busca da construção coletiva de um trabalho no CEI/EMEI e, ao mesmo tempo, tomar decisões rápidas e assertivas na gestão da mesma unidade educacional em prol das aprendizagens das crianças, que nem sempre podem aguardar o longo caminho da conversa e do convencimento.

Dada a importância da formação continuada para a constituição desses profissionais da educação infantil, na próxima seção são as imagens dessa concepção de formação, por parte das gestoras, que será analisada.