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3. MEVCUT ÜÇ DETAY TASARIM YAKLAŞIMININ ANALİZİ VE SÜREÇ

3.2 Detay Tasarım Modeli 2’nin Tanıtımı

3.2.1 Detay tasarım modeli 2’nin analizi

3.2.1.1 Detay kalıpları (Detail patterns)

Traçamos aqui, em linhas gerais, como foi difundido um novo padrão de gestão escolar a partir das reformas dos anos 1990 e discutimos os mecanismos utilizados para

redefinir o perfil do diretor de escola estabelecido nos anos 1970, ainda sob a égide da administração burocrática no serviço público, como subsídio para nossa discussão sobre a fabricação de novas subjetividades na função de gestor.

Em 1974, com a instituição do Estatuto do Magistério Público pela Lei Complementar 114 de 13 de novembro de 1974 (SÃO PAULO, 1974), foi criado o Quadro do Magistério. Dentro do quadro do magistério a carreira do magistério ficou definida como sendo composta por cargos docentes e de especialista em educação, sendo que este último comportava os cargos de Orientador Educacional, Diretor de Escola e Supervisor Pedagógico.

As atribuições do diretor de escola foram definidas pelo Artigo 7º do regimento comum das escolas estaduais aprovado pelo Decreto nº 10.623, de 26 de outubro de 1977 (SÃO PAULO, 1977), nos seguintes termos:

O Diretor de Escola tem as seguintes atribuições:

I - Organizar as atividades de planejamento no âmbito da escola: a) - coordenando a elaboração do Plano Escolar;

b) - assegurando a compatibilização do Plano Escolar com o Plano Setorial de Educação;

c) - superintendendo o acompanhamento, avaliação e controle da execução do Plano Escolar;

II - subsidiar o planejamento educacional:

a) - responsabilizando-se pela atualização, exatidão, sistematização e fluxo dos dados necessários ao planejamento do sistema escolar;

b) - prevendo os recursos físicos, materiais, humanos e financeiros para atender às necessidades da escola a curto, médio e longo prazo;

III - elaborar o Relatório anual da escola ou coordenar sua elaboração;

IV - assegurar o cumprimento da legislação em vigor bem como dos regulamentos diretrizes e normas emanadas da administração superior;

V - zelar pela manutenção e conservação dos bens patrimoniais;

VI - promover o contínuo aperfeiçoamento dos recursos humanos, físicos e materiais de escola;

VII - garantir a disciplina de funcionamento da organização; VIII - promover a integração escola-família-comunidade:

a) - proporcionando condições para a participação de órgãos e entidades públicas e privadas de caráter cultural, educativo, assistencial bem como de elementos da comunidade nas programações da escola;

b) - assegurando a participação da escola em atividades cívicas, culturais, sociais e desportivos da comunidade;

c) - proporcionando condições para a integração família-escola; IX - organizar e coordenar as atividades de natureza assistencial;

X - criar condições e estimular experiência para o aprimoramento do processo educativo. [...]

Em 1981, por meio do Artigo 64 do Decreto nº 17.329, de 14 de julho de 1981 (SÃO PAULO, 1981), foi acrescentado ao rol de competências do diretor:

Aos Diretores de Escola, em suas respectivas áreas de atuação, compete ainda: I - dar posse a funcionários subordinados;

II - conceder prorrogação de prazo para posse;

III - convocar pessoal docente para optar por jornada de trabalho nos termos da legislação pertinente;

IV - decidir, nos casos de absoluta necessidade dos serviços, sobre a impossibilidade de gozo de férias regulamentares;

V - autorizar o gozo de férias não usufruídas no exercício correspondente; VI - indicar docente para o cargo de Assistente de Diretor de Escola;

VII - designar docente da escola para Professor-Coordenador e para Professor Conselheiro de Classe;

VIII - propor a designação de funcionário ou servidor: a) para o exercício de substituição remunerada;

b) para responder pelo expediente de unidade subordinada;

c) para o exercício de função de serviço público, nos termos do Artigo 28 da Lei n. 10.168, de 10 de julho de 1968;

IX - Indicar ou designar funcionário ou servidor para a zeladoria da escola.

A legislação estabeleceu, até então, um perfil de administrador da estrutura burocrática, com uma série de incumbências técnicas. As funções dentro da escola eram rígidas e a competência técnica do diretor era essencial para a organização e bom funcionamento da estrutura burocrática e hierarquizada da instituição.

O discurso sobre esse perfil de administrador burocrático começou a passar por transformações no Brasil com as reformas educacionais dos anos 1990, no espírito das recomendações do Banco Mundial e da CEPAL, balizando, segundo Sennett (2006, p.16) a adoção dos valores da nova economia como referência para os governos: meritocracia, eficácia, controle externo. No âmbito da SEE/SP se configura a adoção de um novo discurso em relação às atribuições do diretor de escola (e também em relação a outros cargos e funções como Supervisor de Ensino e Coordenador Pedagógico), considerado agora como um ‘gestor’, caracterizando, a nosso ver, uma reconfiguração do que é ser diretor de escola, como discutiremos adiante.

Como já citado, o Comunicado SE de 22-03-95 (SÃO PAULO, 1995a) inaugurou o discurso oficial desse alinhamento a uma gestão mais “moderna”. O supracitado comunicado critica os governos predecessores pela má gestão, falta de planejamento, incapacidade de “[...]

implantar um sistema eficiente de gerenciamento das unidades escolares [...]”. Este discurso inaugura uma nova forma de regulação e controle, que tendem a ser sedimentadas nas ações do SEE/SP.

No caso dos diretores de escola podemos identificar nas ações da SEE/SP dois processos, propostos por Ball (2010, p. 39): o ‘ritual’ e as ‘rotinas’. O primeiro refere-se aos grandes pronunciamentos, aos eventos de formação espetaculares, com autores consagrados e realizados em grandes hotéis paulistas e que podem durar vários dias, as publicações institucionais enaltecendo as técnicas modernas de gestão. Para Ball os ‘rituais’ têm o objetivo de ‘naturalizar os discurso de controle’, caracterizados no campo da educação como a avaliação externas, indicadores de qualidade, bonificações por mérito. O segundo, as ‘rotinas’, reforçam a identificação das pessoas como os discursos de performatividade. São formulários padronizados, os modelos de planos de ‘ação’, as reuniões de análise dos resultados da escola.

Exemplificando um destes processos podemos citar uma série de ações da SEE/SP focando os diretores de escola, com cursos de formação continuada, dos quais destacamos o programa Circuito Gestão ocorrido entre 2000 e 2002, cujo material reproduzido por Lyra (2003, p. 93), traz alguns pontos do novo discurso sobre o papel do “gestor”. Ao apresentar “O que é o Circuito Gestão”, o material lista uma série de palavras e expressões, tais como: caminho, energia, sintonia, choque, expressão forte, ação, dinamismo, envolvimento, pressupõe compromisso, responsabilidade, transformação, é a isso que ele vem, um novo olhar sobre o mesmo trajeto tantas vezes percorrido. Entre os temas trabalhados destacamos o “Desenvolvimento de Lideranças” e “Trabalho em equipes”. Os diretores são alçados a condições de líderes, sua função se expande do simples controle burocrático para o de articulador e motivador das equipes, com base na eficiência, eficácia e no controle. O diretor deve “... orientar suas ações para atender às necessidades do aluno...” e “... agir proativamente na construção de seu desenvolvimento pessoal e profissional...”. “Enfim, os Circuitos Gestão visam a Formação Continuada de Gestores sabendo que para a SEE/SP, formação continuada não é atualização nem acumulação: é uma construção permanente de conhecimento, de resignificação da prática...” (trechos do material utilizado no curso Circuito Gestão/SEE/SP, apud LYRA, 2003, p.96, grifo nosso).

Outros programas de formação continuada de gestores foram promovidos pela SEE/SP com características similares em seus conteúdos alinhados a uma visão uma gerencialista da

gestão escolar, como: Progestão, MBA Gestão Empreendedora, Gestão para o Sucesso Escolar (em parceria com a Fundação Lemann).

Dentre os objetivos específicos, o programa pretendeu: “contribuir para desenvolver um perfil de liderança democrática; desenvolver competências em gestão escolar; valorizar a prática profissional dos gestores escolares; desenvolver a autonomia de estudo dos gestores na perspectiva de sua formação continuada; estimular a formação de redes de intercâmbio de experiências e informações em gestão escolar e, fortalecer o processo de democratização e autonomia das escolas públicas”. (CENP/SEE/SP, 2004)

Na sequência da nova visão de gestão da SEE/SP foi publicado o Decreto nº 57.141/2011 (SÃO PAULO, 2011a), que reestruturou a organização administrativa da secretaria e, em 2013, a Resolução SE 52/2013 (SÃO PAULO, 2013), que definiu o perfil para os diversos cargos da carreira do magistério. Nesta nova legislação o perfil do diretor, estabelecido no discurso, foi legitimado no corpo da lei:

Como dirigente e coordenador do processo educativo no âmbito da escola, compete ao Diretor promover ações direcionadas à coerência e consistência de um projeto pedagógico centrado na formação integral dos alunos. Tendo como objetivo a melhoria do desempenho da escola, cabe-lhe, mediante processos de pesquisa e formação continuada em serviço, assegurar o desenvolvimento de competências e habilidades dos profissionais que trabalham sob sua coordenação, nas diversas dimensões da gestão escolar participativa: pedagógica, de pessoas, de recursos físicos e financeiros, de resultados educacionais do ensino e aprendizagem. Como dirigente da unidade escolar, cabe-lhe uma atuação orientada pela concepção de gestão democrática e participativa, o que requer compreensão do contexto em que a educação é construída e a promoção de ações no sentido de assegurar o direito à educação para todos os alunos e expressar uma visão articuladora e integradora dos vários setores: pedagógico, curricular, administrativo, de serviços, das relações com a comunidade. Compete, portanto, ao Diretor de Escola uma atuação com vistas à superação de condições adversas ao desenvolvimento de uma educação de qualidade, ou seja, centrada na organização e desenvolvimento de ensino que promova a aprendizagem significativa à formação do aluno: pessoal, social e para o mundo do trabalho. (SÃO PAULO, 2011a)

Na Resolução SE 52/2013 (SÃO PAULO, 2013, Anexo B, Item II, p. 15), o diretor de escola é definido como “... dirigente e coordenador do processo educativo no âmbito da escola...” e para tanto lhe é requerido um conjunto de cinco competências e cinquenta e sete habilidades.

Nessa nova estrutura administrativa da educação o diretor passou a ser a figura central sobre a qual pesa a responsabilidade pela ‘qualidade’ dos serviços educacionais, o gestor do pessoal, do pedagógico, do administrativo, dos resultados. É sobre esta perspectiva que

vamos analisar os efeitos da performatividade na gestão escolar e nas práticas do gestor escolar.