ESERLERİN DEĞERLENDİRİLMESİ
3. KÖYLÜ MEMİŞ ÇAVUŞ RÜYADA
3.8 Son Bölüm
4.7.1 Milli Direnişi Destekleyenler Nurettin Paşa
É visível a influência que a tecnologia tem forjado nos modos de vida das sociedades ocidentais. Vive-se hoje numa cultura do ciberespaço, ou cibercultura. No entanto, para adentrar nesse contexto, deve-se compreender antes a sua base, o fenômeno técnico (LEMOS, 2013). Segundo Lemos (2013), o termo técnica tem atribuição filosófica e etnológica. Na visão filosófica, técnica vem do grego tekhnè, e une a arte à prática. Pode ser considerada como a arte de se exercer a atividade prática, no contato do homem com a natureza. Mas o fenômeno técnico pode ser visto também a partir da perspectiva da formação e evolução humana. Nessa medida, a técnica se apresenta como universal e hegemônica, tornando-se elemento fundamental na concepção do Homo Sapiens.
O desenvolvimento da técnica, na modernidade, desencadeou a criação das máquinas. Aqui o homem já não é somente um inventor, “[...] mas operador de um conjunto
maquínico que evolui segundo uma lógica interna própria (a tecnicidade).” (LEMOS, 2013, p. 31). As máquinas industriais já são o resultado da união entre técnica e ciência aplicada. No entanto, Lemos (2013) se reporta a Simondon para afirmar que a máquina “será a responsável pela sensação contemporânea de que a tecnologia não faz parte da cultura humana (ou é sua inimiga)” (LEMOS, 2013, p. 30), já que ela afasta o homem de sua relação com as coisas da natureza através dos instrumentos.
Para André Lemos (2013), o pontapé inicial para a febre das Novas Tecnologias da Comunicação (NTC) não ocorreu no século XX, mas no antecedente, quando a eletrônica possibilitou a criação do telégrafo, do rádio, do telefone e do cinema. Contudo, segundo o autor, o surgimento das novas tecnologias da informação se dá efetivamente a partir da década de 1970, com a introdução da informática e da eletrônica nos sistemas de comunicação, possibilitando a veiculação de diversos tipos de informação através de um único suporte, o computador (LEMOS, 2013). Com isso, a revolução digital estabelece um novo modo de apropriação midiática:
[...] implica, progressivamente, a passagem do mass media (cujos símbolos são a TV, o rádio, a imprensa e o cinema) para formas individualizadas de produção, difusão e estoque de informação. Aqui a circulação de informações não obedece à hierarquia da árvore (um-todos), e sim à multiplicidade do rizoma (todos-todos). (LEMOS, 2013, p 69).
Estaríamos saindo, afirma o autor, da cultura do impresso, a cultura da homogeneização do indivíduo e das coisas, própria da era moderna, para a cultura do ciberespaço (cibercultura), em que predomina uma nova dinâmica de interação social: digital, imediata e rizomática. A cibercultura, enfim, proporciona novas formas de sociabilidade entre indivíduos, grupos e comunidades.
Essas transformações nas relações sociais, potencializadas pelas mídias móveis e pela interatividade digital, estão relacionadas a uma conectividade generalizada, em que predomina a dissolução do espaço homogêneo (delimitado pelas fronteiras geopolíticas) e do tempo cronológico e linear (LEMOS, 2013). Consoante com Lemos, Sibilia (2012) entende que as redes de conexão dissolvem o espaço e diluem o tempo como fontes organizadoras da experiência. A conectividade é uma marca da juventude contemporânea. Mas essa conexão não implica a intensificação do diálogo, afirma Sibilia (2012), tampouco a aglutinação de experiências coletivas:
Esse efeito se evidencia nos usos mais habituais do chat pela internet, que se configuram como mera “função fática”, por exemplo: algo parecido com o
que costuma acontecer com boa parte das mensagens de texto ou na utilização do celular em geral, assim como do Twitter e do Facebook, de blogs e fotologs, e até dos vídeos divulgados no YouTube. Nesses casos, o canal não está a serviço da mensagem, mas ao contrário: serve tão somente como algo a que é possível nos agarrarmos para sobreviver à dispersão, mantendo-nos conectados (SIBILIA, 2012, p. 187, grifo da autora).
A autora traz a ideia de que, ao contrário dos propósitos da dinâmica que compreende a instituição disciplinar, o ambiente virtual faz multiplicar as conexões. As múltiplas conexões permitem ao usuário interagir em diversas interfaces num só tempo, o que o torna hiperconectado e hipercinético. Essas características podem tornar o ambiente de ensino caótico. E a tarefa da escola contemporânea seria “[...] desenvolver estratégias ativas para intervir nessa desordem em busca de coesão e pensamento: um trabalho permanente para evitar que tudo se dissolva” (SIBILIA, 2012, p. 188).
Os diferentes modos de vida que surgem a partir das transformações sociais decorrentes do desenvolvimento tecnológico não aparecem de forma abrupta, tampouco independente da ação humana. Pierre Levy (1999) rejeita a ideia de que as novas tecnologias causam impactos em nossa cultura. O autor considera a dificuldade de se analisar na prática as implicações do desenvolvimento da informática na sociedade, mas enxerga as tecnologias como derivadas do próprio estrato social. Consoante com Levy, Lemos (2013) afirma que a cibercultura é produto do encontro entre as novas tecnologias e a sociabilidade contemporânea, de modo que as primeiras se apresentam como vetores para o surgimento de novas formas de se relacionar socialmente. Com isso, na escola e fora de seus domínios, os equipamentos eletrônicos funcionam não apenas como uma forma de entretenimento, mas como meio de interação social entre adolescentes e jovens e também como modo de subjetivação.
Apesar da sensação, devido à velocidade das transformações, de que existe uma relação de exterioridade entre tecnologia e cultura, uma não pode ser dissociada da outra, indicando com isso que é lá, no seio da cultura, que se encontram não só o substrato, mas também o motor do desenvolvimento tecnológico. Ora, ao sinalizar uma interdependência entre tecnologia e cultura, as análises de Levy (1999) e de Lemos (2013) parecem por vezes não valer para o cotidiano encontrado na relação entre a escola e as TDIC, pois muitas das práticas pedagógicas ainda revelam uma ordem de exterioridade e estranhamento em relação às novas tecnologias. Isso pode ser, em parte, ilustrado pela fala do coordenador do Ensino Fundamental da escola participante da pesquisa:
Eudes8 (coordenador do Ensino Fundamental): A mente humana, igualmente à musculatura do nosso corpo, ela tem de ser exercitada, para funcionar cada vez melhor. Se você não exercita, ela vai decrescendo. Se faltar informação... Por isso que tem gente que chega em qualquer lugar e fala sobre todos os assuntos e muitos ficam só calados. Porque uns treinam mais que os outros. Certo? Então, o que eu quero dizer, o celular, ele pode ser uma ferramenta a mais. Mas, infelizmente a gente ainda não chegou num nível de educação e cultura que se possa utilizar isso. [...] É tanto que se a gente for liberar, com certeza vai aparecer muito mais sacanagem do que alguma coisa educacional. Então, tem que ser um trabalho, um processo de longuíssimo prazo que, passando a responsabilidade pra eles [os jovens], eles mesmos vão começar a se cobrar. Quem fizer o errado, vai ficar perdendo tempo. Entendeu? Então, é um processo. Porque se você projetar uma sala de aula pra daqui a vinte, trinta anos, com certeza vai ter que ter o uso da mídia, né. Com certeza o uso da mídia vai ter que ter.
(3ª restituição. Fortaleza, 31.10.2014).
No espaço escolar, a utilização dos recursos tecnológicos transcende os fins pedagógicos, envolvendo diversos fatores, como o lazer e a sociabilidade. As redes de informação e comunicação atravessam os muros escolares com facilidade, produzindo novos modos de subjetivação em ambiente educacional. A juventude contemporânea com isso se torna a cada dia usuária dos meios de comunicação e consumidora ativa de produtos e serviços relacionados às TDIC. Logo, para Sibilia (2012), a escola, mesmo em atual desvantagem por ser pouco atraente, é mais “[...] um produto entre inúmeros outros, que deve competir para captar a atenção de seus clientes potenciais caso queira conquistar adeptos e subsistir.” (SIBILIA, 2012, p. 66).
De fato, a presença da tecnologia no cotidiano dos jovens promoveu sua “invasão” também no espaço escolar, dividindo a opinião dos educadores em relação aos possíveis benefícios e prejuízos que a inovação pode trazer para o ambiente educacional. No contexto da educação pública, o novo cenário tem gerado dissonâncias no que se refere à utilização dos recursos tecnológicos na escola refletindo, de um lado, as motivações pedagógicas que movem a gestão educacional das TDIC e, de outro, os interesses dos estudantes por esses recursos. Nas salas de aula os professores dividem a atenção dos alunos com os aparelhos tecnológicos em usos não autorizados. Os jovens, por sua vez, encontram-se constantemente dispersos em relação aos métodos didáticos utilizados, que parecem se afastar do interesse geral. Sendo assim, se, por um lado, o interesse e a familiaridade do jovem pelas novas tecnologias podem ser úteis ao propósito educativo, por outro, os equipamentos
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Com intuito de se preservar a imagem das pessoas que participaram desta pesquisa, todos os nomes utilizados ao longo desta dissertação são fictícios. As falas foram transcritas sem a preocupação em priorizar as normas gramaticais.
eletrônicos desviam a atenção do aluno, podendo trazer consequências pedagógicas indesejáveis.
Sibilia (2012) aponta o desinteresse como o principal motivo da evasão escolar por parte dos jovens. A autora destaca a aspiração da juventude contemporânea por métodos mais lúdicos em sala de aula, já que o ensino baseado na memorização com foco no exame não se sustenta mais numa sociedade midiática. A informação e a comunicação se tornaram mais acessíveis pelos dispositivos eletrônicos e digitais e, ao mesmo tempo em que atrai a atenção dos jovens, a tecnologia substitui o acúmulo de informações pela velocidade de acesso.
Se a entrada das novas tecnologias na escola pode contribuir para o ensino aproximando a escola da juventude e potencializando os processos de produção subjetiva, não se pode delegar a elas a responsabilidade da educação. Para Almeida (2005), a presença das novas tecnologias na escola reflete em si as contradições da sociedade contemporânea, já que une a necessidade da informatização do conhecimento com problemas de baixa escolaridade e analfabetismo funcional. A autora alerta para o fato de que o simples acesso às novas tecnologias não implica em inclusão informacional. Para tal inserção, exige-se minimamente que o usuário saiba “[...] utilizar essa tecnologia para a busca e a seleção de informações que permitam a cada pessoa resolver os problemas do cotidiano, compreender o mundo e atuar na transformação de seu contexto.” (ALMEIDA, 2005, p. 70). Por conseguinte, cabe à escola também a função de educar para as novas mídias e as novas tecnologias que estão aí. É na trilha desse propósito que projetos e iniciativas que abrangem mídia-educação se fazem presentes nas escolas (FANTIN, 2006), promovendo a utilização da mídia na educação para além de seu uso instrumental (MIRANDA; SAMPAIO; LIMA, 2009).
O desenvolvimento da tecnologia digital tem diminuído a distância entre o consumo e a produção de mídia. Jovens tornam-se com isso não apenas consumidores, mas também produtores de conteúdos midiáticos (VIVARTA, 2004), através de sites pessoais e comunitários (blogs, vlogs, e redes sociais). Para Primo (2008), a tecnologia digital, além de intensificar os modos virtuais de comunicação interpessoal, promoveu a atualização da mídia tradicional. O autor cita Pellanda para se referir ao processo de interação midiática na sua convergência com os meios tecnológicos e informacionais. Com isso, afirma portanto que “[...] a televisão, como aparato, deixa de ser mero aparelho receptor. A TV digital será também uma porta de acesso para a interação no ciberespaço. Em outras palavras, a televisão será usada para muito mais do que assistir à televisão!” (PRIMO, 2008, p. 65).
A característica de intensificar a produção de conteúdos, promovida pela convergência entre mídias e novas tecnologias, perece ter repercussão no ensino e na forma como os jovens protagonizam o processo de aprendizado. É cada dia mais comum no cotidiano escolar a produção de rádio, vídeo, site e outros tipos de mídia por parte dos jovens. Seja através de programas e políticas públicas, como é o caso do e-Jovem no Ceará, seja através de projetos desenvolvidos nas próprias instituições de ensino ou por iniciativa dos próprios estudantes, a produção escolar com a participação das TDIC vem se fazendo presente nas escolas públicas. Além disso, professores e alunos adotam a parceria mídia-tecnologia como forma de desenvolver trabalhos escolares. No próximo tópico serão apresentados alguns exemplos de como isso ocorre.